25 de agosto de 2016

QUEM SE ELEVA, SERÁ HUMILHADO E QUEM SE HUMILHA, SERÁ ELEVADO

A liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum nos quer ensinar duas atitudes bem práticas e concretas: HUMILDADE e GRATUIDADE. São dois elementos importantes na vida de todo cristão, pois nos aproximam sempre mais de Deus.

Vejamos o que a Palavra de Deus nos orienta a esse respeito. A Leitura do Livro do Eclesiástico (3,19-21.30-31) nos ensina que devemos em tudo buscar a humildade pois é aos corações humildes que Deus se revela. Vejamos: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que Ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas Ele é glorificado pelos humildes”.

No Evangelho (Lucas 14,1.7-14) Jesus vai a uma refeição na casa de um fariseu e ali observa algumas coisas, através das quais depois Ele faz sua reflexão. Primeiro aspecto que Jesus repara é como os convidados queriam ocupar os primeiros lugares na mesa. O cristão não deve buscar posição de privilégio. Em muitas situações Jesus disse que para Deus vem em primeiro aquele que serve e não o que tem mais posses, bens, inteligência. Isso porque o primeiro lugar pertence somente a Deus. Quanto a nós, devemos ser todos iguais. Quando fazemos acepção de pessoas, estamos deixando o Evangelho de lado. Aqui se repete a lição sobre a humildade, pois os humildes não buscam posição privilegiada. Mas sempre o serviço, o silêncio, o escondimento. E aí Jesus conclui esta sua primeira lição dizendo: “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.

Outro aspecto que Jesus observa são os convidados que, provavelmente, eram amigos ou familiares do fariseu. Pessoas que habitualmente estavam no seu convívio. A proposta de Deus sempre é desafiadora. Devemos também oferecer banquetes e coisas boas àqueles que não podem nos retribuir da mesma forma. A gratuidade será recompensada por Deus. Vejamos a segunda lição de Jesus: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

O banquete no Reino de Deus, uma linguagem que indica igualdade, pois aí todos estão ao redor da mesma mesa e sentados na mesma posição, será sem privilégios. Todos irmãos, reunidos em torno do mesmo centro: DEUS!

Peçamos então que o Senhor nos ajude a sermos humildes e gratuitos. Nós que tudo recebemos d’Ele, devemos oferecer a quem mais precisa sem pesar e nem ressentimento. Buscar a simplicidade e a humildade é o caminho de santificação para todos nós.

A Eucaristia nos dá uma lição de igualdade. Todos ao redor da mesma mesa, o altar, Cristo, escutando a mesma Palavra e recebendo o mesmo Pão, a Eucaristia. Isso deve se refletir na nossa vida cotidiana. Quem busca posições de privilégio utilizando-se do Evangelho não entendeu nada dele e não serve a Jesus Cristo, mas a si próprio.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski.
Pobre Servo da Divina Providência

Encontro das Tendas 2016



19 de agosto de 2016

Primeiros Versos escritos em 1996

Em 1996 tentei escrever os primeiros versos que guardo até hoje. Foi o início de uma história. Hoje conto com mais de 400 textos escritos e publicados inclusive em livros de Português, Antologias, Jornais, Site Recanto das Letras e muitos outros e Aqui no meu blog. Grato pelo incentivo da Professora de Português daquela época e dos colegas. Também gratidão aos que me acompanham desde aquele tempo, pois já se passaram 20 anos. Claro que o período que comecei a escrever mais foi a partir de 2003. Abaixo partilho estes simples versos, sem compromisso e compreensão de rima.



MINHA INFÂNCIA

Foi de festa e de alegria
Foi de paz e de amor
Era tudo como eu queria
Porque eu tinha valor

As vezes eu chorava
Por ver tanta cobiça
As vezes eu rezava
Para pedir justiça

Eu morava em uma casa
Pobre e pequenina
De onde tudo enxergava
Porque era em uma esquina

Nas matas eu brincava
Com as árvores eu falava
Com as aves eu cantava
E dos animais eu cuidava

As águas das cachoeiras
Que de pedra em pedra iam batendo
Apesar de que era passageiras
Uma linda melodia iam fazendo

Bem de manhãzinha
Eu despertava e corria
Para abraçar a mamãe
Com muito amor e alegria

As tristezas eu esquecia
Para ver as belezas
Que o sol nos trazia
Do amor que é a natureza

Chegava o fim do dia
Eu ia de novo rezar
Agradecendo pela alegria
E por poder brincar

Olhava o sofrimento
De tantos irmãos
Que não tinham
Sequer um pedaço de pão

Eu ia de novo brincar
Quando o sol nascia
E ia com a família rezar
Quando o sol desaparecia

Hermes José Novakoski
Escrito em 1996



MINHA PÁTRIA

Tantas matas e florestas
Tantas flores no jardim
Tanta vida é uma festa
Sendo simples assim

Bandeira a ser hasteada
Para o meu Brasil
A paz é desejada
Para um futuro feliz

Menores entristecidos
Quem andam perdidos
Se o mundo lhe der ouvidos
Jamais serão esquecidos

Lutando neste país
Tudo se realizará
Ninguém terá necessidades
E o povo melhor viverá

Tanta terra sobrando
E tanta gente sem ter onde trabalhar
Gente morrendo maltratada
E ricos não querendo partilhar

A vida deve ser de harmonia
É preciso saber viver
Que todos tenham alegria
E paz sempre possam querer

Sou pobre e sem fantasias
Não sofro por ilusão
Mas escrevo poesias
Para o meu Brasil, de coração

O Brasil tem riquezas
Mas não sabemos aproveitar
Vivemos numa terra de belezas
Que não sabemos valorizar
Se eu morrer trabalhando
Vou morrer feliz
Porque estarei ajudando
A construir um bom país

Ó Mãe de Aparecida
Eu quero te saudar
Olha para os jovens
Ensina-os a amar.

Hermes José Novakoski
Escrito em 1996



O MUNDO QUE EU SONHO

Será de alegria
Em todo lugar
Haverá fartura
E todos vão se amar

O fome vai acabar
E os pobres vão sorrir
A vida abundante vai brotar
E todos, para protege-la, vão se unir

A terra será mais santa
Como eu sempre quis
A força será tanta
Que todos vão sentir

Drogas não haverá mais
E a juventude vai poder sonhar
O mal ficará para trás
Porque todos vão se amar

O meu povo será forte
E vai saber rezar
A vida vencerá a morte
Com muito amor e paz

Erguendo mês braços
Trarei para a partilha pão
Abrindo nosso coração
Acolhendo o nosso irmão

Crianças não morrerão de fome
Velhinhos serão lembrados
Todos seremos uma linda nação
O bem estará em todo lado
Haverá mais beleza e alegria
Porque a vida não tem fim
Seremos mais fortes
Se formos unidos, sim!

Hermes José Novakoski
  Escrito em 1996.

18 de agosto de 2016

BEM-AVENTURADA AQUELA QUE ACREDITOU

Hoje a Igreja no Brasil celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Depois de Jesus, Maria é a única pessoa que já está no céu de corpo e alam. Na história da Salvação, Maria tem um papel importante. Ela nos precede em muitas coisas. É a porta que nos leva ao seu amado Filho, Jesus Cristo. Por isso, vamos pedir que mais uma vez ela nos leve e nos apresente ao Pai, pelo Filho, e que nos ajude a sermos discípulos obedientes e confiantes.

O livro do Apocalipse de São João (11,19a;12,1.3-6a.10ab) traz uma rica simbologia falando de Maria. Diz que “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol”! A Mãe de Deus e nossa é este grande sinal, escrito no céu desde sempre, com uma grande missão confiada pelo Senhor. Ela dá à luz o Filho de Deus, através do qual chega a toda a humanidade a Salvação. João escuta a voz que confirma isso: "Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo". Tudo acontece graças ao Sim de Maria.

A mesma linguagem utiliza São Paulo ao escrever aos Coríntios (15,20-27a) dizendo que “por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos”. A vinda deste segundo homem através do qual recebemos todas as graças e bênçãos e a Salvação eterno acontece através de Maria. Ela é a porta para que o Salvador chegasse até nós. Ainda hoje ela continua sendo este elo que une os filhos ao Pai; a criatura ao seu criador porque Ele mesmo se dignou passar por ela para chegar até esse mundo. Por que Ele fez isso? Por Ele quis! Feliz dos filhos que recorrem a Mãe. Por Ela chegamos a Deus mais rápido.

O Evangelho de São Lucas (1,39-56) é muito rico em cenas que nos fazem rezar e refletir. Tem muitos elementos que merecem ser destacadas e não conseguiremos abarcar todos. Na sua oração e meditação pessoal, deixe o Espírito Santo trabalhar aquilo que Ele sabe que você precisa para viver melhor a sua vocação. Vamos refletir sobre os movimentos que Maria faz:

Primeiro movimento é sair de casa e ir ao encontro de Isabel. Diz o evangelista que ela vai apressadamente ao encontro da prima que estava precisando de ajuda. Tem muitas situações da nossa vida e das nossas famílias que precisam ser socorridas imediatamente. Quantas realidades que necessitam de intervenção humana e divina para serem transformadas. Nós podemos ajudar indo ao encontro destas situações e rezando por elas.

Segundo movimento é o de cumprimentar Isabel; abraçou ela com muito carinho. Neste abraço de Maria, Isabel sentiu o abraço de Deus. É por isso que o texto ressalta que “Isabel ficou cheia do Espírito Santo” e por isso exclama: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" O que carregamos conosco? O que transmitimos no abraço que damos às pessoas? Em nosso abraço, em nosso coração, em nossas mãos, nas nossas palavras e pensamentos sempre deveria estar Deus. As pessoas sentem o que transmitimos. Muito bom é quando transmitimos coisas boas. O mundo está cheio de pessoas carregadas de pensamentos e sentimentos negativos. De nossa parte, assim como fez Maria, devemos carregar somente o que é bom, afinal de contas, somos tempo do Espírito Santo.

Terceiro movimento de Maria é louvar e bendizer a Deus por todas as maravilhas que Ele realizou na história da Salvação e em sua vida. Aí nós temos o belíssimo cântico do Magnificat. Quantas vezes no dia lembramos de agradecer a Deus por tudo o que Ele nos dá? Quantas vezes agradecemos as pessoas pela gentileza das coisas que nos fazem ou dão? Quantas vezes murmuramos, reclamamos? Vamos fazer um exame de consciência e ver se em nossas palavras existe mais gratidão e louvou ou murmuração. Maria nos ensina a louvar a Deus mesmo diante das dificuldades e limitações, pois Ele sempre caminha conosco.

Queridos e amados irmãos e irmãs. Belíssima a liturgia deste final de semana encerrando também o XVII Congresso Eucarístico em nossa Arquidiocese de Belém. Bem-aventurados aqueles que acreditam na Eucaristia; aqueles que louvam a Deus pelas maravilhas que Ele realizou e continua realizando; aqueles que se confiam em Maria e caminham com ela levando Jesus em seu coração.

Louvemos a Deus pela oportunidade de mais uma vez nos aproximarmos da santa Eucaristia e recebe-lo em nosso coração. Louvamos por nos ter dado uma Mãe sempre atenta as necessidades dos seus filhos e filhas. Uma Mãe sempre pronta para acolher, servir, escutar, louvar, ensinando seus filhos a serem melhores discípulos.

Louvamos a Maria por ser a porta que nos conduz a Deus e derrama tantas bênçãos e graças. Louvamos também pela Rida Religiosa Consagrada que é sinal visível do amor de Deus através dos muitos trabalhos de apostolado que exerce no mundo, especialmente pela oração que diariamente dirigem a Deus pela santificação e salvação de todos.

Muitos motivos para gratidão neste final de semana. Desejo que a alegria de sermos filhos amados de Deus e podermos escutá-lo em sua Palavra e recebe-lo na Eucaristia seja permanente em nosso coração.

Caminhos com Maria!

Abençoado Domingo a todos. Parabéns a todos os Consagrados e Consagradas pelo nosso dia! Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski!
Pobre Servo da Divina Providência.

16 de agosto de 2016

MENSAGEM DA CNBB PARA AS ELEIÇÕES 2016

MENSAGEM DA CNBB PARA AS ELEIÇÕES 2016

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24)
Neste ano de eleições municipais, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB dirige ao povo brasileiro uma mensagem de esperança, ânimo e coragem. Os cristãos católicos, de maneira especial, são chamados a dar a razão de sua esperança (cf. 1Pd 3,15) nesse tempo de profunda crise pela qual passa o Brasil.
Sonhamos e nos comprometemos com um país próspero, democrático, sem corrupção, socialmente igualitário, economicamente justo, ecologicamente sustentável, sem violência discriminação e mentiras; e com oportunidades iguais para todos. Só com participação cidadã de todos os brasileiros e brasileiras é possível a realização desse sonho. Esta participação democrática começa no município onde cada pessoa mora e constrói sua rede de relações. Se quisermos transformar o Brasil, comecemos por transformar os municípios. As eleições são um dos caminhos para atingirmos essa meta.
A política, do ponto de vista ético, “é o conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos, grupos, nações que ofereçam condições para a realização do bem comum”. Já do ponto de vista da organização, a política é o exercício do poder e o esforço por conquistá-lo1, a fim de que seja exercido na perspectiva do serviço.
Os cristãos leigos e leigas não podem “abdicar da participação na política” (Christifideles Laici, 42). A eles cabe, de maneira singular, a exigência do Evangelho de construir o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. Contribui para isso a participação consciente no processo eleitoral, escolhendo e votando em candidatos honestos e competentes. Associando fé e vida, a cidadania não se esgota no direito-dever de votar, mas se dá também no acompanhamento do mandato dos eleitos.
As eleições municipais têm uma atração e uma força próprias pela proximidade dos candidatos com os eleitores. Se, por um lado, isso desperta mais interesse e facilita as relações, por outro, pode levar a práticas condenáveis como a compra e venda de votos, a divisão de famílias e da comunidade. Na política, é fundamental respeitar as diferenças e não fazer delas motivo para inimizades ou animosidades que desemboquem em violência de qualquer ordem.
Para escolher e votar bem é imprescindível conhecer, além dos programas dos partidos, os candidatos e sua proposta de trabalho, sabendo distinguir claramente as funções para as quais se candidatam. Dos prefeitos, no poder executivo, espera-se “conduta ética nas ações públicas, nos contratos assinados, nas relações com os demais agentes políticos e com os poderes econômicos”2. Dos legisladores, os vereadores, requer-se “uma ação correta de fiscalização e legislação que não passe por uma simples presença na bancada de sustentação ou de oposição ao executivo”3.
É fundamental considerar o passado do candidato, sua conduta moral e ética e, se já exerce algum cargo político, conhecer sua atuação na apresentação e votação de matérias e leis a favor do bem comum. A Lei da Ficha Limpa há de ser, neste caso, o instrumento iluminador do eleitor para barrar candidatos de ficha suja. 
Uma boa maneira de conhecer os candidatos e suas propostas é promover debates com os concorrentes. Em muitos casos cabe propor lhes a assinatura de cartas-compromisso em relação a alguma causa relevante para a comunidade como, por exemplo, a defesa do direito de crianças e adolescentes. Pode ser inovador e eficaz elaborar projetos de lei, com a ajuda de assessores, e solicitar a adesão de candidatos no sentido de aprovar os projetos de lei tanto para o executivo quanto para o legislativo.
É preciso estar atento aos custos das campanhas. O gasto exorbitante, além de afrontar os mais pobres, contradiz o compromisso com a sobriedade e a simplicidade que deveria ser assumido por candidatos e partidos. Cabe aos eleitores observar as fontes de arrecadação dos candidatos, bem como sua prestação de contas. A lei que proíbe o financiamento de campanha por empresas, aplicada pela primeira vez nessas eleições, é um dos passos que permitem devolver ao povo o protagonismo eleitoral, submetido antes ao poder econômico. Além disso, estanca uma das veias mais eficazes de corrupção, como atestam os escândalos noticiados pela imprensa. Da mesma forma, é preciso combater sistematicamente a vergonhosa prática de “Caixa 2”, tão comum nas campanhas eleitorais.
A compra e venda de votos e o uso da máquina administrativa nas campanhas constituem crime eleitoral que atenta contra a honra do eleitor e contra a cidadania. Exortamos os eleitores a fiscalizarem os candidatos e, constatando esse ato de corrupção, a denunciarem os envolvidos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral, conforme prevê a Lei 9840, uma conquista da mobilização popular há quase duas décadas.
A Igreja Católica não assume nenhuma candidatura, mas incentiva os cristãos leigos e leigas, que têm vocação para a militância político-partidária, a se lançarem candidatos. No discernimento dos melhores candidatos, tenha-se em conta seu compromisso com a vida, com a justiça, com a ética, com a transparência, com o fim da corrupção, além de seu testemunho na comunidade de fé. Promova-se a renovação de candidaturas, pondo fim ao carreirismo político. Por isso, exortamos as comunidades a aprofundarem seu conhecimento sobre a vida política de seu município e do país, fazendo sempre a opção por aqueles que se proponham a governar a partir dos pobres, não se rendendo à lógica da economia de mercado cujo centro é o lucro e não a pessoa. 
Após as eleições, é importante a comunidade se organizar para acompanhar os mandatos dos eleitos. Os cristãos leigos e leigas, inspirados na fé que vem do Evangelho, devem se preparar para assumir, de acordo com sua vocação, competência e capacitação, serviços nos Conselhos de participação popular, como o da Educação, Saúde, Criança e Adolescente, Juventude, Assistência Social etc. Devem, igualmente, acompanhar as reuniões das Câmaras Municipais onde se votam projetos e leis para o município. Estejam atentos à elaboração e implementação de políticas públicas que atendam especialmente às populações mais vulneráveis como crianças, jovens, idosos, migrantes, indígenas, quilombolas e os pobres. 
Confiamos que nossas comunidades saberão se organizar para tornar as eleições municipais ocasião de fortalecimento da democracia que deve ser cada vez mais participativa. Nosso horizonte seja sempre a construção do bem comum.  
Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos acompanhe e auxilie no exercício de nossa cidadania a favor do Brasil e de nossos municípios, onde começa a democracia.
Aparecida - SP, 13 de abril de 2016
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

1. Cf. CNBB – Doc. 40 - Igreja Comunhão e Missão – n. 184.
2. CNBB – Doc. 91 Por uma reforma do estado com participação democrática, n. 40.
3. Idem.

15 de agosto de 2016

Pokémon Go e a infantilização do homem moderno


Dias atrás vimos uma “nova” febre mundial… O jogo Pokémon Go. Sim, Pokémon! Lembra? Aquelas criaturas do desenho animado do final dos anos 90 e começo dos anos 2000.

O jogo usa geolocalização para inserir elementos do universo Pokémon em um ambiente virtual mesclado com mapas do mundo real e permite que cada pessoa, utilizando-se de seu smartphone, transforme-se num caçador e treinador de pokémons em potencial.

Até aí tudo bem. Um novo jogo no mercado, que qualquer pessoa pode ter acesso usando seu celular. Jogos para celular são bastante comuns. Essa mania começou com o jogo Snake (jogo da cobrinha) que todo mundo tinha nos “Tijorolas da vida”, passando pelo Candy Crush, Angry Birds e por aí vai.

Mas qual o problema então com o Pokémon Go?

O problema é seu público-alvo. Você, bravo leitor, acha que as crianças e adolescentes de hoje, já tinham idade para assistir Pokémon quando foi lançado na TV? Claro que não! Seu primeiro episódio tem quase 20 anos!!! O público desse jogo é essa “molecada” que hoje tem entre 20 e 30 anos ou mais… E, isso sim, pode ser encarado como um problema sério.

A busca pelo jogo é um fenômeno mundial. Com 19 dias de lançamento ele já havia batido a marca de 50 milhões de downloads e já tem no YouTube vídeos e mais vídeos de homens e mulheres correndo, gritando e competindo pelos pokémons nas ruas das grandes capitas do mundo todo.

Esses homens e mulheres, com seus “trinta e poucos anos”, não tinham de estar no trabalho, nas empresas, nas universidades (lecionando) ou em casa, cuidando dos filhos e afazeres do lar?

Vemos aí, claramente, mais uma peça desse quebra-cabeça chamado infantilização do homem moderno.

É possível constatar, atualmente, uma rejeição do homem à vida adulta. Antigamente, o menino virava homem muito mais cedo que na atualidade, começava a trabalhar antes, tinha senso de responsabilidade já com 13 anos ou menos. O termo “adolescente”, em minha opinião, é usado para estender a infância de um adulto que já deveria estar se virando para, no mínimo, ajudar nas atividades de sua própria casa… Realmente, não sei dizer se o adolescente é uma criança maior ou um adulto menor, e essa confusão não me “cheira bem”.

É público e notório que os homens de hoje estão fugindo das responsabilidades da vida adulta. Falar em namoro já não soa bem… Casamento e filhos, então? Xiii.”O cara” é aquele que ganha sua grana para pagar o churrasco do fim de semana, o futebol da quarta-feira, o videogame de todo dia! Existe uma busca por diversão a todo custo, a cada segunda-feira um choro de saudade nas redes sociais pelo fim de semana que passou. É lamentável ver homens de mais de 30, 40 anos, portando-se como moleques de 18 ou 20.

O homem moderno abre mão de suas responsabilidades, passa para frente seus deveres e sente medo de seus objetivos e metas. Já não são mais os pais que educam, pois as crianças, para dar um tempo de descanso “merecido” aos pais, vão para a escola cada vez mais cedo. Das babás vão para sala de aula. O dever de educar, que é dos pais, passa para um estranho, que é pago para isso… Nós já estamos vendo o resultado dessa inversão e omissão (nível crescente de analfabetos funcionais, ensino da Ideologia de gênero para crianças no ensino fundamental, doutrinação marxista, etc).

E o medo da comida, então? Tudo agora faz mal! O homem tem medo de comer carne, mas não tem medo de produtos químicos que alimentam sua vaidade. O homem perdeu a capacidade de resolver seus próprios problemas sozinho… Hoje ele chora atrás de um advogado, pedindo amparo ao Estado, por coisas que, provavelmente, com uma simples conversa, poderiam ser acertadas mais rapidamente.

O jogo Pokémon explodiu no mercado em razão da mistura entre essa “Síndrome de Peter Pan” e a fuga da realidade, fazendo com que os marmanjos se deleitem numa nostalgia exagerada, voltando à infância pela tela de um celular, enquanto as contas, prazos, horários e metas estão bem à sua frente.

Não preciso dizer aqui qual a missão do homem. Sabemos muito bem qual o desígnio de Deus para nós, e precisamos buscá-lo arduamente na batalha do dia a dia, por meio da oração, da Santa Missa e vivendo uma vida coerente.

“Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do Céu” (Ecl 3,1). Veja, eu não estou dizendo que se divertir depois de uma certa idade é errado. Eu não disse isso! Dar boas risadas, sair com amigos, ver um bom filme, ouvir uma boa música, tudo isso faz bem para o corpo e para alma e isso é inquestionável! Mas não é isso que estamos vendo hoje. O que vemos são homens regredindo mentalmente, tornando-se moleques mimados, reféns de seus impulsos e vícios, com a mídia e a tecnologia corroborando para isso. Preferem ter carros e animais de estimação a ter filhos. Preferem ter o mundo para ir, do que um lar para voltar. Chesterton, muito sabiamente, afirmava: “Uma nação que não tem nada além de seus divertimentos, não se divertirá por muito tempo”.

Este mundo não é uma praça de alimentação, não é uma festa. É o vale de lágrimas! Isso que você está buscando não vai preencher a sua alma, não trará uma verdadeira alegria. No fim, restará a amargura e o vazio, pois, como diz a música: “Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor”.

Então, eu convido você, bravo leitor, a despertar para a realidade, sair desse estado de letargia espiritual e mental e reassumir seu papel de homem… agora!

Deus nos deu pessoas para que possamos ser para elas um refúgio. São João Bosco diz que “Deus nos colocou no mundo para os outros”, então saia de si mesmo, saia desse celular agora! Não corra atrás de pokémons, corra atrás da sua família… Não tenha criaturas virtuais, tenha filhos!

Amadureça e viva o presente, viva o hoje com todas as condições e deveres que ele traz. Vença a si mesmo e domine seu celular! Reflita se está sendo dominando por algo que você possui, que mede poucos centímetros… É hora de despertar e lutar!

“Sê firme e porta-te como homem” (1Rs 2,2).

Conte com a graça de Deus!!!

Reze muito, peça o auxílio de seu Santo Anjo da Guarda, que está ao seu lado somente esperando para lhe dizer o que Nosso Senhor quer de você. Peça a Deus a força e a coragem para mudar de vida e o discernimento para caminhar em Sua Santíssima Vontade. Existe um momento para cada coisa, e agora é hora de lutar com hombridade e destemor. A Cruz estará sempre à sua frente, bravo guerreiro. Existem pessoas para amar e batalhas para vencer.

“Há uma carreira a correr, uma vitória a alcançar. Cada hora em meu viver, Senhor, faz-me fiel”

POR LUCAS FERREIRA

12 de agosto de 2016

PRECISAMOS DE UMA FAMÍLIA


Estimados irmãos e irmãs. Neste final de semana, dentro da dinâmica do mês vocacional, queremos refletir sobre a vocação à família, pois ela tem um papel indispensável na sociedade; na educação e formação das pessoas.

Nesta semana fomos motivados a intensificar nossa oração pelas famílias que estão tão necessitadas do amor e da misericórdia de Deus. Através da oração pedimos as luzes do Espírito Santo para que ilumine os pais para que saibam conduzir bem seus filhos nos caminhos do Senhor. Importante é que cada família redescubra a cada dia a necessidade da oração. Quando rezamos somos mais fortes para vencer as tribulações que se apresentam.

Iniciamos a nossa reflexão com o seguinte pressuposto: TODOS PRECISAMOS DE UMA FAMÍLIA. Por mais que alguns tenham tido uma experiência frustrante na relação familiar, mesmo assim ela é indispensável para a geração da vida e a educação das pessoas. É na família que aprendemos e colocamos os fundamentos de nossa vida em sociedade e da nossa fé. O caos que parece querer dominar é porque nem todas as famílias estão cumprindo com a sua missão. Aqui queremos falar daquilo que é o ideal para todos e que a Igreja acredita, prega, ensina, defende.

Na família aprendemos a viver em comunidade ao nos relacionarmos com os pais e com os irmãos. A criança vai intuindo e aprendendo que ela não está sozinha no mundo e é um ser de relação. Ela precisa dos outros e para ser aceita e amada precisa também aceitar e amar. O afeto vai se firmando e se torna fundamental para uma relação madura no futuro.

É na família que também aprendemos a respeitar, esperar a nossa vez, dialogar, perdoar e muitos outros valores. Pelo menos, numa família, suficientemente saudável, estes valores são essenciais e permeiam a relação entre todos. Os valores não têm prazo de validade, por isso, continuam valendo sempre. Não podemos querer substituí-los por outras coisas semelhantes.

Uma das lições importantíssimas que a família precisa estar sempre atenta é a educação na fé. Quando temos Deus como parâmetro para as coisas, tudo fica diferente. Ao contrário, quando tiramos Deus, tudo vale e a vida pessoal e familiar se torna um caos. O egoísmo, ódio, inveja, individualismo, indiferença tomam conta dos lares e o caos se instala. Aí teremos indivíduos cada dia mais doentes sem a capacidade de estabelecer relações saudáveis e que edificam a todos.

Neste dia em que celebramos o dia dos Pais, vale ressaltar a missão que estes têm na família. Eles são os provedores, cuidadores. Homens frágeis que precisam aprender e ensinar todos os dias. Os pais não podem se omitir no papel que eles têm na educação dos filhos. Missão esta as vezes delegadas às esposas ou aos avós. Ser pai não é apenas dar origem aos filhos, mas é acompanhá-lo em todos os passos e momentos da vida. Eles precisam de referências para suas vidas e os pais são os espelhos para eles. Servirão de modelo e estímulo.

A Palavra de Deus deste 20º Domingo nos alerta sobre tudo isso quando o próprio Jesus disse que veio trazer divisão e lançar fogo sobre a terra (Evangelho Lucas 12,49-53). O Mestre quer conscientizar seus discípulos que estes serão sinal de contradição num mundo que prega os valores que são contrários ao Reino de Deus.

A divisão que Jesus se refere não é que Ele veio provocar ódio e discórdia nas famílias e na sociedade, mas que àqueles que acreditam nos valores do Reino e buscam vivenciá-los não serão aceitos pelos outros e vão incomodar no mundo. O bem e o mal não podem conviver juntos. Por isso, A Palavra de Deus, como o fogo, vai purificando e separando as coisas.

Isso acontece também nas famílias quando tem aqueles que buscam viver o que o Senhor ensina e os que buscam viver o que o mundo ensina. Jesus nos alertou sobre isso e infelizmente acontece em muitas famílias. O que nós precisamos fazer, é continuar rezando para que Deus toque os corações de pedra e que eles sejam transformados por seu amor e por sua misericórdia.

Feliz dia dos pais. Desejo que todos os pais cumpram com sua missão de educadores, protetores, provedores das famílias.

Abençoado Domingo e uma Semana cheia de bênçãos e graças.

Pe. Hermes José Novakoski,
Pobre Servo da Divina Providência.

SER PAI


Ser pai é ter compromisso.
E usar como artifício.
O seu jeito de amar.
É sentir muita alegria.
De estar em sintonia.
Como a areia e o mar.

Ser pai é um presente.
Que alegra e deixa contente.
A nação do mundo inteiro.
É como uma árvore atrativa.
Que dá fruto e cativa.
Lá no centro do canteiro.

Ser pai é a convicção.
De ter a preocupação.
De o filho ser vencedor.
No caráter e na verdade.
Manter sempre a humildade.
Cultivando sempre o amor.

Ser pai é perder o sono.
É sentir um cão sem dono.
Quando o filho está distante.
Mas que sempre trabalha duro.
Para garantir o futuro.
E o filho ser importante.

Ser pai é o extremo.
No mundo em que vivemos.
Nesse planeta sem brilho.
Com trabalho estressante.
Mas tem momentos marcantes.
Que são os abraços do filho.

Ser pai é um enredo.
Mas que não retrata o medo.
E tem alegria de monte.
É como um final de novela.
Seguindo num barco a vela.
A procura do horizonte.

Ser pai é acordar cedo.
E construir um brinquedo.
Com madeira e verniz.
Uma boneca ou um pião.
Uma pipa ou caminhão.
Só pra ver o filho feliz.

Pai tem que ser amado.
Além de tudo respeitado.
Do fundo do coração.
Pai é uma sensação gostosa.
Uma coisa maravilhosa.
Que não tem explicação

Autor desconhecido. Mensagem copiada da internet.

5 de agosto de 2016

ONDE ESTÁ O VOSSO TESOURO, AÍ ESTARÁ O VOSSO CORAÇÃO

Estimados irmãos e irmãs. A Paz de Deus nosso Pai esteja em teu coração e na tua família.

Estamos no mês vocacional. Um momento oportuno para refletirmos sobre a vocação, especialmente com os adolescentes e jovens que estão na fase da descoberta e das escolhas.

Lembramos que a vocação é dom de Deus. Um dom que todos recebem. Porém, precisamos discernir, ou seja, purificar nossas motivações e desejos para podermos conhecer o que dá vontade de Deus e o que é puro e simples desejo nosso.

É muito importante nos perguntarmos sobre a nossa vocação, pois no chamado de Deus está o nosso caminho de felicidade. Quando fugimos dos projetos de Deus ou nos precipitamos sobre as coisas, são grandes as chances de dar errado.

O discernimento, como citamos acima, é uma forma de fazer a escolha de forma mais segura e serena. Por isso é recomendável buscar alguém com quem se possa dialogar com confiança para que o discernimento aconteça. Na Vida Religiosa e Sacerdotal todos os candidatos são acompanhados por um tempo onde vão encontrando luzes sobre o caminho que Deus chama.

A vocação é o nosso tesouro recebido gratuitamente de Deus. Mas por que o Senhor nos chama a algo? Porque Ele quer a nossa felicidade e realização. Uma vida que não é doada não é digna de ser vivida. Por isso todos somos chamados a fazermos da vida uma doação, seja na família ou na Consagração total ao Senhor.

Precisamos cuidar, vigiar para que este tesouro não se perca. Cuidar para que não nos roubem a riqueza da nossa vocação. Pode acontecer que as vezes nos desviamos por influência de alguém ou para seguir nossos caprichos. Aí erramos o caminho e não caminhamos por onde o Senhor sonhou para nós.

A Palavra de Deus deste 19º Domingo nos manda vigiar sobre a missão, vocação, que o Senhor nos confia, pois não sabemos a hora que Ele nos chamará de volta para a prestação de contas. Feliz quem for perseverante por toda a vida.

Por que Deus chama uns para o Matrimônio, outros para a Vida Religiosa ou Sacerdotal e ainda outros para a consagração da vida buscando os valores do Reino? Porque Ele assim o quer. A iniciativa é d’Ele; o dom também. O que Ele espera é o nosso sim e o esforço cotidiano de realizarmos bem a nossa missão.

Neste primeiro final de semana de Agosto a Igreja nos convida a rezar e a motivar a vocação Sacerdotal. Faço minha as palavras do patrono dos padres, São João Maria Vianney. Este grande santo nos ajudará a entender melhor a grandeza da vocação sacerdotal. Acompanhemos:

A GRANDEZA DO SACERDÓCIO

São João Maria Vianney – o Cura d’Ars

“O sacerdote é um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que está revestido de todos os poderes de Deus. Deve-se olhar o sacerdote, quando está no altar, como se fosse o próprio Deus. O sacerdote é alguém muito grande! Deus obedece-lhe: diz duas palavras e Nosso Senhor desce do céu. Se eu encontrasse um sacerdote e um anjo, saudaria o sacerdote antes de saudar o anjo. Este é o amigo de Deus, mas o sacerdote ocupa o Seu lugar. O sacerdote só se compreenderá bem a si próprio no céu.

Ides confessar-vos à Santíssima Virgem ou a um anjo. Poderão absolver-vos? Dar-vos-ão o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor? Não, a Santíssima Virgem não pode fazer descer o seu divino Filho à hóstia. Duzentos anjos não vos poderiam absolver. Um sacerdote, por mais simples que seja, pode. Pode dizer-vos: “Vai em paz, eu te perdoo. De que vos serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis ninguém para vos abrir a porta? O sacerdote tem a chave dos tesouros celestiais: é ele que abre a porta.

Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: ali se adorarão os animais. Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o sacerdote. O sacerdote não é sacerdote para ele mesmo. Não dá a absolvição a si próprio, não administra a si próprio os sacramentos. Não está para ele, está para vós. O sacerdote deve estar tão constantemente envolvido no Espírito Santo como está na sua batina. Vede o poder do sacerdote? A língua do sacerdote faz, de um pedaço de pão, Deus! É infinitamente mais do que criar o mundo”.


Elevemos a Deus nossa prece por todos os sacerdotes, diáconos, bispos, cardeais e pelo santo Padre o Papa Francisco. Que o Senhor nos ajude a amarmos sempre mais a nossa vocação e a sermos fieis a ela.

Também agradeçamos a Deus por este dom, através do qual temos a Eucaristia, o perdão dos pecados e muitas outras graças e bênçãos.

Agradeço as pessoas que sempre rezam por nós e que nos ajudam a viver a vocação. Deus abençoe e projeta a todos vós e vossas famílias.

Saudações

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

30 de julho de 2016

A VIDA NÃO CONSISTE NA ABUNDÂNCIA DE BENS

Estimados irmãos e irmãs. Bom poder chegar até vocês com uma pequena e simples reflexão da Palavra de Deus deste 18º Domingo do Tempo Comum. Desejo que as bênçãos do nosso amado Pai Providente estejam sobre a tua vida e a tua família.

Como sempre dizemos, a Palavra de Deus é uma Palavra que nos ensina, interpela, compromete. Quem a escuta verdadeiramente sente que precisa deixar que Ela vá modelando o coração para que este acolha e realize a vontade de Deus.

Em nossa vida é natural que os pais se preocupem com o que deixarão de herança para seus filhos. Porém é preciso ter cuidado para não se preocupar apenas com os bens materiais que são necessários, mas não algo fundamental.

A Primeira Leitura dos livro do Eclesiastes (1,2;2,21-23) já nos alerta dizendo que tudo o que se refere a temporalidade é vaidade: “vaidade das vaidades ... tudo é vaidade!” Tudo o que é material passa; é marcado por um início e fim. Pode ser conquistado e perdido facilmente.

A primeira e principal herança que os pais devem deixar para seus filhos é a educação dos valores e da fé. Quando os filhos herdam estes valores eles continuarão a construir a sua vida e saberão usar os bens materiais que ficaram como herança e construirão outros. Quando, porém, não existem valores sólidos, a herança se desfaz rapidamente e o pior, gera muito ódio e discórdia entre irmãos.

Muitas famílias, depois da morte de seus avós e pais, são dilaceradas pelo ódio, raiva, vingança. Geralmente isso nasce pela disputa de herança deixadas por eles e que não foram bem divididas. Claro que nem sempre é só culpa dos pais. Estes muitas vezes ensinam aos filhos o caminho do bem, porém nem sempre são correspondidos.

O que devemos fazer?

O Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-5.9-11) nos dá a resposta. Acompanhemos: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus... Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento.”

Sendo pessoas que foram renovadas pela graça e pelo amor de Cristo devemos buscar as coisas novas e do alto sempre. Na caminhada que fazemos, é preciso ter coragem e determinação para renunciar a tudo aquilo que não nos convém e que não nos deixa viver como filhos amados de Deus.

O mundo nos oferece muitas coisas que contradizem a verdade do Evangelho. Porém, não podemos ter medo. Elas não serão mais fortes se nós sempre nos confiarmos a graça de Deus que nos fortalece e renova. Quando nos deixamos vencer pelos desejos do mundo, a graça vai minguando e as forças do mal parecem vencer.

Abençoado Domingo e uma semana de muitas bênçãos e graças. Busquemos sempre ao Senhor para que Ele nos fortaleça na caminhada de cristãos. A melhor herança que podemos deixar e a riqueza que devemos almejar são os valores e a fé.

Pe. Hermes José Novakoski,
Pobre Servo da Divina Providência.

22 de julho de 2016

SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Louvamos e bendizemos a Deus por estarmos concluindo mais uma semana e assim, com muita alegria e disposição, sob a bênçãos de nosso Deus maravilhoso, iniciarmos uma nova semana.

Reunimo-nos como filhos amados para escutar a Palavra que nos ensina e orienta; rever os irmãos de caminhada e receber Jesus presente na Eucaristia. Eis a tríplice dinâmica da santa missa sem a qual o Católico não consegue viver bem a sua fé.

Neste 17º Domingo do Tempo Comum vamos fazer como os discípulos de Jesus pedindo que o Mestre nos ensine a rezar e nos conscientize da importância da oração em nossa vida pessoal e familiar. Sem a oração a nossa vida se torna árida. Nossos pensamentos e sentimentos são contagiados por tantas coisas ruins que nos afastam do amor de Deus.

O grande clamor deste Domingo é: “SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR!” Sim! É um clamor que não deve sessar em nós pois nem sempre sabemos como rezar; nem sempre sabemos a oração que agrada ao Senhor.

Primeiro aspecto que precisamos ressaltar ao falar da oração é que precisamos rezar sempre. Assim como um atleta precisa estar sempre se exercitando para não sair de forma e não esquecer o que precisa fazer, assim também na vida espiritual. Quanto mais rezamos mais vamos nos aproximando de Deus e a nossa relação com Ele vai se aperfeiçoando.

O Evangelho (Lucas 11,1-13) inicia dizendo: “Jesus estava rezando num lugar deserto!” Precisamos de momentos de intimidade com Deus no silêncio externo e interno. Rezar enquanto trabalha ou está caminhando vale? Vale! Mas não pode ser somente assim. Precisamos de momentos de comunhão íntima com nosso Deus que acontece por excelência no silêncio.

Segundo aspecto: é dever dos pais, catequistas, educadores ensinar a rezar a quem não sabe. Jesus ensinou seus discípulos. Nós também precisamos ensinar outros a rezar.

Um terceiro elemento é a confiança em Deus. Rezar com fé e pedir que Ele aumente a nossa fé. Jesus recomenda: “pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto!” Quantas vezes rezamos desconfiados ou colocando condições a Deus. Nossa oração precisa ser de confiança total, como também vemos a oração de Abraão no livro do Gênesis (18,20-32). Ele, estando na presença do Senhor (cf v. 22), reza com total confiança e é atendido.

Gostaria também de frisar um quarto elemento sobre a oração. Quando rezamos a bênção de Deus não chega somente até nós, mas também às pessoas que estão ao nosso lado. Imagino a oração como um grande guarda-chuva que além de nos proteger, protege os que estão a nossa volta. Por isso precisamos rezar sempre e rezar mais. Este é um aspecto que precisa ser resgatado com urgência.

Vemos crescer nas famílias, nas comunidades, no mundo a injustiça, o ódio, a discórdia, a violência. A principal causa de tudo isso é o afastamento de Deus, a falta de oração. É claro que Deus não vai ficar intervindo em nossa vida e na história como um mágico eliminando os problemas que criamos. Mas Ele pode inspirar a todos boas ações e assim evitarmos que muitos problemas sejam criados. Aí entra o nosso papel, a missão dos cristãos: rezar! Rezar mais e com confiança. A oração chega lá onde nós não podemos chegar e realiza o que nós não podemos realizar.

Então vamos ao encontro do Senhor que nos espera todos os dias com sua Palavra e na Eucaristia. Abençoado Domingo e semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

14 de julho de 2016

MARIA ESCOLHEU A MELHOR PARTE

Estimados irmãos e irmãs. Nosso caminho ao longo no ano litúrgico continua. Quem acompanha este espaço, vai fazendo conosco todos os domingos este itinerário onde aprendemos com o Mestre a sermos melhores discípulos. No Domingo passado Moisés nos fazia o apelo de conhecermos e guardarmos a Palavra de Deus que está próxima de nós. Hoje esta Palavra Viva, o Verbo que se fez carne nos visita com a sua presença que é um grande presente para todos nós. Ele nos visita da mesma forma que visitou Marta e Maria e também Abraão e Sara.

Na Leitura do Livro do Gênesis (8,1-10a) Abraão recebe a visita de três homens que para ele é a visita de Deus. As irmãs Marta e Maria tem o privilégio de receber Jesus em casa e poder escutar suas palavras.

O que existe de comum entre entas duas cenas do Antigo e do Novo Testamento e que gostaríamos de refletir juntos? A acolhida.

Queridos irmãos e irmãs. Todos nós hoje temos o privilégio de acolher o Senhor na Palavra e na Eucaristia. Ele nos fala e se dá como alimento para nossa caminhada de fé a fim de não vacilarmos. Porém, existe um grande perigo. A exemplo de Marta, corremos o risco de colocar os afazeres do dia a dia acima de Deus. Quantas vezes e quantas pessoas usam a desculpa de não ter tempo para não ir a missa, por exemplo. Que pena! Elas ainda não entenderam que o mais importante não são as muitas coisas que fazemos, mas a nossa intimidade com o Senhor.

Vamos olhar com atenção a delicadeza com que Abraão e Maria acolhem o Senhor. Os gestos deles podem nos motivar a acolhermos com mais carinho o Senhor que nos visita de muitas formas.

Vamos aos detalhes da acolhida de Abraão. A gentileza com que ele recebe aqueles três homens nos quais vê a presença do Senhor. O texto fala por si:

“Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra... E disse: 'Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem'... Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: 'Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os'. Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles.”

Quantos gestos de carinhos vemos expressos aqui. São expressões de quem está acolhendo com muito amor àqueles que o visitavam. Abraão percebeu que não eram visitantes comuns. Dá o melhor para eles.

Vamos ao Evangelho (Lucas 10,38-42) olhar para as atitudes das duas irmãs. Também deixemos que o texto nos fale:

“Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.”

Marta é quem acolhe o visitante, mas é Maria quem escolhe a melhor parte: escutar o Mestre. Marta, como muitas vezes nós, recebemos o Senhor na Eucaristia, mas as preocupações excessivas e as angústias do mundo não nos deixam 'curtir' a sua presença e deixar que ela nos transforme em pessoas melhores. Marta o recebe na casa. Maria em casa, que é o seu coração.

Quantos comungam e logo em seguida saem correndo da Igreja, mesmo antes da bênção final preocupados com o que tem para fazer. Mas por que isso? Porque não se deram conta ainda que estar junto com o Mestre é o melhor que podemos fazer. Não aprenderam a ‘curtir’ a sua presença em sua vida. Assim a Eucaristia e a escuta da Palavra tornam-se meros gestos mecânicos mas que não falam nada ao coração. Geralmente pessoas assim perdem a alegria de estar na Casa do Senhor.

Marta fica incomodada com Maria e fala com Jesus para que ela a ajude: “'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' O Senhor, porém, lhe respondeu: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.'”

Podem nos tirar as coisas materiais, mas ninguém pode nos tirar o que guardamos em nosso coração. Por isso Jesus elogia Maria, pois ela estava também preocupada com a sua alma, com a sua salvação e não apenas em fazer coisas externas. O interior é mais importante que o exterior. Feliz de quem cuida do seu coração e dos seus pensamentos. Este não perde tempo, mas ganha-o ainda mais.

A gentileza de Abraão será recompensada. “Eles lhe perguntaram: 'Onde está Sara, tua mulher?' - 'Está na tenda', respondeu ele. E um deles disse: 'Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho'.”

Quanta alegria e gratidão deve ter brotado do coração deste homem simples e fiel ao Senhor. Tudo o que fazemos para o Senhor, Ele nos recompensa com muitas bênçãos e graças. O tempo que passamos com o Senhor nos será recompensado com uma vida de paz e infinitas graças.

E você, quanto tempo dedica diariamente para o Senhor? Deixa que as atividades e afazeres do dia a dia tomem todo o seu tempo ou você administra? Hoje uma das expressões que mais se ouve é a de que não temos tempo. Tempo, temos! O problema é o que fazemos com ele. Muitas vezes gastamos tempo com coisas pouco importantes e depois não temos tempo para aquilo que de fato importa.

Isso me faz lembrar aquelas pessoas que basta pegar o terço na mão ou a Liturgia das horas e começam a sentir cansaço. Ficam bocejando todo instante. Até parece que estão fazendo a coisa mais chata do mundo. Mas vibram na frente da televisão e torcem pelos personagem de uma novela. Gritam com os jogadores quando erram um passe. E aí, de quem é a culpa? Talvez para alguns teria que inverter o tempo. Usar para a oração o tempo que gasta com um novela ou programa qualquer faria um bem incalculável para a sua vida.

Vamos aprender com a Palavra a acolher o Senhor como Ele merece. Não basta cantar que Ele é o tesouro da nossa vida. Temos que demonstrar isso com as nossas atitudes dando tempo a Ele. Quando alguém é importante dedicamos tempo com Ele. O Senhor é importante para você? Quanto tempo passas com Ele?

Exitem também muitos gestos bonitos de pessoas que acolhem e servem ao Senhor de forma simples, sincera e com muita generosidade. Neste Brasil afora, por onde passo, sempre encontro comunidades que dedicam tempo para cuidar do Templo e da sua relação com o Senhor. Estes, são felizes porque escolheram a melhor parte.

O mundo precisa dar mais tempo para Deus. As famílias precisam dedicar tempo para Deus. Todos os filhos precisam reservar um tempo de qualidade para estar com o Senhor! Eis o caminho da felicidade e da paz!

O Senhor nos abençoe todos os dias desta semana e nos ajude a entender que o melhor tempo da nossa vida que passa é o que passamos com Ele, pois na eternidade estaremos para sempre com Ele.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

11 de julho de 2016

UMA FLOR RARA

Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida.

O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.

Se o trabalho lhe consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido... E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois.

Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia apenas um exemplar em todo o mundo.

E disse a ela:

- Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando. Às vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.

A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.

Ela chegava em casa, olhava a flor e ela ainda estava lá, não mostrava sinal de fraqueza ou morte, apenas estava lá, linda, perfumada. Então ela passava direto.

Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou em casa e levou um susto!

Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas pétalas caídas e suas folhas amarelas.

A jovem chorou muito, e contou a seu pai o que havia acontecido.

Seu pai então respondeu:

- Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que Deus te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela.

8 de julho de 2016

QUEM É O MEU PRÓXIMO?

Estimados irmãos e irmãs. Quanta alegria podermos chegar até você motivando para uma boa celebração da Santa Missa dominical e na escuta diária da Palavra de Deus. Como bons filhos, precisamos escutar sempre o que o Pai tem a nos dizer em sua sabedoria e providência.

Vejamos o que a Liturgia da Palavra deste 15º Domingo do Tempo Comum tem a nos ensinar.

A leitura do livro do Deuteronômio (30,10-14) nos lembra que a Palavra está bem perto de nós. Ela é acessível a todos. Ninguém pode dizer que não conhece ou não viva a Palavra porque não sabe onde ela está. Diz Moisés ao seu povo e a todos nós: “esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir”. Hoje ainda mais o acesso a Palavra é facilitado. Quem não a conhece é porque não quer. Ou até porque sabe que esta Palavra nos provoca e desafia assim como ela mesmo nos diz: “Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance”.

Moisés alerta o povo de Deus e a cada um de nós que temos o dever de conhecer e obedecer esta Palavra. Nela está a nossa vida e a nossa sabedoria. Ela também nos congrega em uma única família, por isso devemos olhar a todos como irmãos, sendo próximos uns dos outros.

Mas quem é o meu irmão? Quem é o meu próximo? A resposta encontramos no Evangelho de São Lucas (10,25-37). Jesus alerta o mestre da Lei que não basta conhecer a Palavra. É preciso colocá-la em prática. Ela deve transformar a nossa vida, as nossas relações, os nossos sentimos, comportamentos, atitudes. Ele deve ser como que um óculos, através da qual vemos a vida e as situações que se nos apresentam.

O dinâmica que Jesus propõe é diferente da lógica que conhecemos. Geralmente queremos que as pessoas se aproximem de nós. A proximidade também acontece quando está tudo bem; quando há festa e alegria. Tem pessoas, é claro, e talvez você seja uma delas, em que buscam viver aquilo que o Evangelho apresenta: tornar-se próximo especialmente daqueles que estão caídos à beira do caminho.

Na resposta de Jesus encontramos muitos detalhes enriquecedores. Certo homem de identidade desconhecida ia pelo caminho de Jerusalém para Jericó. Durante o trajeto é assaltado e espancado. Fica aí caído, desmaiado. Passam pelo mesmo caminho dois homens conhecedores da Lei: sacerdote e levita. Por eles serem conhecedores da Lei que manda amar o próximo como a nós mesmos, por exemplo, deveriam ver nele um próximo caído. Mas, na mentalidade dos judeus era próximo somente quem pertencia ao mesmo grupo e até a mesma classe social. Outros eram impuros. Jesus quer acabar com isso. Pois se todos são filhos do mesmo Pai, todos somos irmãos.

Jesus continua contando os detalhes da cena. Diz que um samaritano que estava viajando, ou seja, estava carregado, ocupado, faz diferente daqueles que conheciam a Lei. Vamos observar os verbos deste texto. Eles servem para nós como fonte de inspiração daquilo que devemos fazer.

Vamos seguir a lógica da cena: “chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: 'Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais.'”

Todos os gestos que o samaritano faz demonstram muita compaixão. Ele não conhecia o mandamento que o mestre da Lei conhecia: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo!” e também não conhecia a pessoa que estava aí caída. Mas coloca em prática o mandamento ao amor. Vê nele um irmão que precisa de ajuda e não se importa consigo mesmo nem com o que os outros irão dizer.

Aí Jesus provoca o mestre da Lei para que ele faça a sua própria conclusão: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?' Ele respondeu: 'Aquele que usou de misericórdia para com ele.'” Então Jesus dá a sugestão para ele dizendo: 'Vai e faze a mesma coisa.'

Irmãos e irmãs. Este é o caminho: fazer gestos concretos de caridade para manifestar que somos conhecedores da Palavra de Deus. São gestos de compromisso para com o outro. É importar-se com ele para que esteja bem. É ajudar para que saia da situação em que foi colocado. A compaixão nos ajuda a colocarmo-nos no lugar do outro e sentir o que ele está sentindo. Quando fazemos isso estamos no caminho que leva a vida.

Deus seja louvado pelo bem realizado através de tantos irmãos e irmãs que conheço. Tem muitas pessoas, e talvez você que está lendo seja uma delas, que se doam de coração em muitas causas de solidariedade. Isso é bonito. O bem deve ser promovido e comunicado. Ele é contagioso. Não podemos deixar que as forças do mal tomem conta da nossa vida, das famílias, da Igreja e da sociedade como um todo.

Então vamos nos alimentar da Palavra e da Eucaristia e buscar ânimo no encontro com os irmãos para continuarmos promovendo o bem. Deus abençoe tua iniciativa em favor por irmãos mais necessitados.

Abençoado Domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.