8 de dezembro de 2016

ALEGRE-SE! O SENHOR ESTÁ PERTO

Estimados irmãos e irmãs. Continuamos nossa caminhada rumo ao Natal do Senhor. Uma grande solenidade. Um marco na história. Em Cristo se renovam todas as coisas. Nele tudo tem um novo significado. Os rumos da humanidade foram mudados. O amor passou a habitar entre nós.

Sua vinda foi desejada e preparada há séculos pelos profetas. Deus nos surpreende sempre, por isso sua vinda não foi de acordo com as expectativas humanas. Deus tem seu jeito de chegar, de permanecer no meio de Deus. Assim como no tempo antes de Jesus e quando Ele já estava no meio do povo, também hoje precisamos estar atentos aos sinais que manifestam a sua presença.

Valem para nós as palavras do Profeta Isaías da 1ª Leitura deste Domingo (35,1-6a.10): “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus!” No tempo em que estamos vivendo, parece que as forças no desânimo estão tomando conta. É dever de todos os cristãos erguer a cabeça e seguir em frente. Nosso Deus está no meio de nós e por isso não podemos desanimar. Ele caminha conosco e continua manifestando seus sinais e isso não podemos parar no meio do caminho.

As vezes parece que as forças no mal vão vencer. Mas não! O bem sempre vence o mal. O sol acaba com as trevas. Deus tem mais poder do que qualquer outra força. Para nós que cremos, não podemos deixar que nos roubem a fé e a esperança. O inimigo tenta nos desanimar e mostrar que não vale a pena lutar. Não deixemos nos envolver pelas trevas. Cristo é nossa luz!

Em meio a tudo isso, onde está Deus? Ele está no meio do povo sofrendo com os que sofrem; lutando com os que lutam. À esta pergunta que os discípulos de João (Cf Evangelho deste Domingo: Mateus 11,2-11) fizeram a Jesus, Ele responde: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.”

Estes sinais continuam vivos ainda hoje. Caso alguém pergunte para nós se Deus está no nosso meio devemos responder: Ele está na Eucaristia; na Palavra; nos gestos de Caridade. São muitas as formas que Ele se manifesta, porém o desânimo não deixa a gente ver a presença de Deus. Geralmente nos apegamos ao pessimismo dos acontecimentos e assim caímos na tentação de pensar que não tem mais jeito e que Deus nos abandonou.

Assim como João anunciou a vinda de Jesus e preparou os corações das pessoas para acolhê-lo, também nós temos o dever de preparar o nosso coração e o de nossos irmãos para que estes acolham o Senhor e sua vida seja transformada.

Neste Domingo da alegria, deixemos nos contagiar pelas coisas boas que existem para que elas ganhem mais força e se propaguem em nosso meio. Quem tem Jesus em seu coração não pode viver murmurando e se lamentando. Ele é a fonte da verdadeira alegria que ninguém pode nos tirar e que não encontramos em nenhum outro lugar.

Abençoado Domingo e uma semana de bênçãos e graças.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!

2 de dezembro de 2016

CONVERTEI-VOS, PORQUE O REINO DOS CÉUS ESTÁ PRÓXIMO

Estimados irmãos e irmãs. Neste 2º Domingo do Advento, a Palavra de Deus nos traz um personagem importante na história da Salvação: João Batista. Um profeta que denuncia e anuncia. Pagou com a própria vida o que defendia. Ele nos apresenta o Redentor.

Como dissemos no Domingo passado, neste Tempo bonito do Advento, temos algumas palavras chaves que nos acompanham. Elas servirão para nos ajudar a darmos os passos rumo ao Natal do Senhor. No 1º Domingo fomos convidados a DESPERTARMOS. Não podemos ficar cochilando na caminhada da fé. Despertar é uma atitude de quem está atento, alerta aos sinais que se manifestam. Ao tocar o despertador, por exemplo, ou uma sirene, ficamos atentos ao que vai acontecer ou que chegou a hora de um compromisso. O despertador que nunca para de tocar é a Palavra de Deus nos chamando ao nosso dever de cristãos, de filhos amados de Deus.

Neste Domingo (Evangelho Mateus 3,1-12), continuando a nossa caminhada ao presépio, recebemos a Palavra CONVERSÃO saída da boca do profeta João Batista. Ele que estava preparando o caminho para o Senhor chegar, como nos diz Isaías, convidava os ouvintes a se converterem, ou seja, a abandonarem todas as práticas que não estavam de acordo com os princípios do Reino de Deus.

A concretização do Reino dos Céus pressupõe a conversão das pessoas. Aqui não vamos compreender o Reino como um lugar, mas como gestos e atitudes que promovem a vida. Quando a vida é desrespeitada, o Reino não está acontecendo. Só um sério e profundo processo de conversão, fará com que todas as situações de morte em que estamos imersos, sejam transformadas. Enquanto não houver conversão, as coisas, o dinheiro, o poder, a prepotência estarão à frente da vida. Isso demonstra claramente que os valores do Evangelho não tem mais espaço na cultura e no cotidiano das pessoas.

Hoje vivemos momentos trágicos de desrespeito a vida. É a questão do aborto, violência, falta de acesso a saúde, educação, moradia, guerras, terrorismo. Infelizmente tem pessoas se beneficiando da desgraça dos outros. São sinais que o Evangelho não é conhecido. São estes caminhos tortuosos, doloridos que precisam ser endireitados, assim como nos alerta João no Evangelho deste Domingo.

Vejamos quão atuais são estas palavras: “Raça de cobras venenosas”! A serpente é símbolo da traição; ele instigou Eva ao erro. Estas cobras, serpentes estão soltas ainda hoje e continuam levando muitos a perdição. Ensinam coisas erradas, praticam coisas monstruosas. A vida, dom precioso de Deus, está ficando em segundo plano. Isso fere o coração do Pai que quer vida em abundância para todos.

Diante de tudo isso, continuemos clamando que o Senhor venha com o seu Reino. Mas a sua vinda se concretiza em todas as ações de bem e promoção da vida que são realizadas. É compromisso de todos os cristãos viverem os valores do Reino. Todos os batizados tem a obrigação de colocar em prática o que Jesus ensinou. A corrupção do coração está causando muitos estragos na vida das pessoas e na sociedade. Muitos batizados esqueceram dos compromissos assumidos diante de Deus e da comunidade. Estes corações tortuosos precisam ser tocados de novo pela força do Evangelho.

Vamos rezar mais. O mundo está caminhando para caos, a nossa sociedade brasileira está perdendo o rumo por falta de Deus, falta de oração. Corrupção, roubos, injustiças são sinais da ausência do Evangelho. Quem aceita se corromper não tem Deus em seu coração, porque Deus é justiça!

Abençoado Domingo!

Uma semana de paz e bênçãos para todos.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

24 de novembro de 2016

JÁ É HORA DE DESPERTAR


Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos com a liturgia deste primeiro Domingo do Advento o ano litúrgico 2017. A nossa caminhada é retomada e seremos orientados pelo Evangelista São Mateus. Vamos nos dispondo com alegria e esperança desejando que seja um ano de muitas bênçãos e graças. O Senhor nos dá uma nova oportunidade para fazermos os passos necessários e as mudanças pertinentes em nossa caminhada de fé. Todos precisamos avançar sempre. A vida é dinâmica e exige transformações constantes. Que estas nos ajudem a sermos pessoas melhores a cada dia.

Retomando e relembrando que o Advento, para nós cristãos Católicos, é tempo de esperança, expectativa, vigilância, atenção. Tempo oportuno para saber se estamos atentos aos acontecimentos que nos cercam e se conseguimos ver as manifestações do Senhor em tudo o que acontece.

Interessante observarmos como o comércio se antecipa e vai alertando que o Natal está próximo. Vitrines cheias de anúncios e produtos que prometem fazer do seu Natal um dia inesquecível e feliz. Você compra, gasta, dá presentes e isso basta. A felicidade se resume em compras e vendas. O balanço que se faz é sempre a partir dos ganhos das empresas e nunca da realização das pessoas. É claro que a grande maioria gosta e fica feliz com um presente, ainda mais se for de um valor bem alto.

Porém, amados irmãos e irmãs, nós não podemos esquecer que o maior e o melhor presente Deus nos deu: Jesus Cristo, nosso Salvador. Tudo o que o comércio nos oferece é material, passageiro, efêmero. Eles tentam nos mostrar que se nós comprarmos determinados produtos das marcas anunciadas teremos o melhor Natal da nossa vida. Querem que todos acreditem que nos produtos de consumo está a tão sonhada felicidade.

Diante disso, nós temos o dever de mostrar ao mundo, de relembrar as pessoas, que a verdadeira felicidade não está em ter, ganhar ou comprar coisas. É feliz quem tem Deus no coração e com ele tem sentimentos de paz, serenidade, caridade, fraternidade. Que o Natal é partilha e não só acúmulo. Que a vinda de Cristo deve estar no centro de tudo e não o consumismo exagerado. Não é proibido dar e nem receber presentes. Mas estas coisas não devem ser o principal. Talvez, o melhor presente que possamos dar é a oração, um abraço, escutar nossos familiares, aconselhar quem precisa, visitar um doente, alcançar algo aos que tem menos do que nós. São gestos bonitos e que fazem a gente resgatar o verdadeiro sentido do Natal.

Isso está em sintonia com a Palavra de Deus deste Domingo. No Evangelho (Mateus 24,37-44) Jesus recorda o que estava acontecendo com as pessoas no tempo de Noé. Parece que não é muito diferente e distante do que vemos hoje: “todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento”. Hoje para muitos o Natal e a vida se resume em trabalhar, comer, beber, fazer orgias. Consideram isso como viver, ou, como dizer “aproveitar a vida”! Na questão do casamento também se repete a mesma coisa. Muitos vão morar juntos e dizem que estão casados. Isso é uma total falta de respeito ao Sacramento do Matrimônio.

Noé foi salvo porque era temente a Deus e estava atento aos sinais dos tempos, a presença de Deus na sua vida e nos acontecimentos. Ele que buscava a Deus entendia que a vida não se reduzia a estas coisas ligadas aos prazeres e as necessidades humanas a afetivas.

Jesus continua vindo em cada Natal, em cada irmão, na Palavra e na Eucaristia. Porém, quem está preocupado só com as coisas materiais ou carnais não consegue vê-lo. E por não acolher Jesus, sua vida não é transformada.

Jesus alerta: “Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor.... Ficai preparados!” Eis que precisamos vigiar sempre. O Senhor nos alerta para não sermos surpreendidos. Aos que vivem envoltos nas trevas, as palavras de São Paulo (Romanos 13,11-14a) provocam: “Já é hora de despertar... O dia vem chegando: despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz”. E a todos nós ele faz este grande apelo: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!”

A nós que estamos atentos, acolhamos o convite do salmista: VAMOS À CASA DO SENHOR pois lá Ele nos espera. Mas não podemos ir de qualquer jeito. A este convite precisamos ir com disposição e alegria pois teremos o encontro com o nosso Deus que vai falar e se dará como alimento na Eucaristia.

Assim iniciamos o nosso caminho de preparação para o Natal e o novo ano litúrgico com disposição, alegria e muito atentos ao que o Senhor vai falar neste tempo. Sua presença é constante em nossa vida e Ele quer nos abençoar e proteger sempre. Vamos acolher o que Ele tem para nós que sempre é a melhor parte para que este Natal seja de muita paz e um tempo de renovação espiritual.

Boa caminhada. Estaremos juntos rezando uns pelos outros e partilhando as inspirações que a Palavra nos provoca. Aqui colocamos alguns pontos. Abra sempre seu coração e deixe a Palavra de Deus te surpreender.

Abençoado Domingo! Uma semana de bênçãos e um tempo de Advento de muita oração!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

18 de novembro de 2016

JESUS CRISTO É REI DO UNIVERSO

Estimados irmãos e irmãs. Com a grande solenidade deste Domingo, fechamos o ano litúrgico. É um momento de avaliar como foi a caminhada até aqui. Ao longo deste ano caminhamos seguindo os passos do Mestre iluminados pelo evangelista São Lucas que foi nos guiando com sua sabedoria e recordando os ensinamentos que o Mestre nos deixou.

Ao recordar os gestos de Jesus lá nos Atos dos Apóstolos, Lucas diz que Ele passou pelo mundo fazendo o bem (cf At 10,38). No decurso deste ano que estamos fechando, rezamos, meditamos e aprendemos com o Mestre. Ele fez bem todas as coisas. A todos amou sem distinção porque veio para salvar a todos.

Na cena do Evangelho deste dia, um tanto enigmática, vemos o Rei na cruz. Costumeiramente vemos os reis em tronos de ouro, cercados de súditos que o servem, sendo assistido por muitos e um exército que o protege. Jesus é um rei diferente, um rei misericordioso.

O Mestre quebra com todos estes paradigmas e mostra que o Reinado de Deus não é de servos e senhores, mas de irmãos. O Reinado de Deus não faz distinção ou acepção de pessoas. Todos estão à mesma mesa. Ele mesmo se faz humilde e pequeno para nos mostrar que o caminho da felicidade é o caminho da simplicidade.

Estando na cruz Jesus foi provocado pelos soldados: “Se és rei..., salva-te a ti mesmo!” (Lc 23,37). Jesus poderia ter saído da cruz sozinho? Poderia! Mas Ele não quis fazer espetáculo e nem gerar escravos. Imaginem se Jesus, naquele momento, saísse da cruz. Muitos iam aplaudir e ele seria um Deus mágico que foge do sofrimento. Alimentaria ainda mais a fantasia dos que estavam esperando um rei mágico que resolvesse todos os problemas do povo sem comprometimento.

O que eles não entendiam é que o corpo de Jesus estava crucificado, mas o coração e o espírito estavam livres. É por isso que Jesus, mesmo sofrendo tanto, ainda consegue perdoar seus algozes. Ele em vez de condená-los, os perdoa. Eles é que continuavam escravos dos seus pecados e do sistema que oprimia. Jesus era mais uma vítima, mas não se deixou atingir pelo ódio com que o tratavam e nem mudou seu jeito de ser diante da morte sofrida. Perdoa o que estava crucificado ao seu lado e garante que estarão ainda hoje no paraíso. Este é o nosso Deus! Misericordioso sempre para aqueles que o buscam com confiança!

Toda a vida de Jesus foi uma doação contínua. Ele sempre esteve do lado dos pequenos, marginalizados, prostitutas, cobradores de impostos. Ele não negou perdão a ninguém. Estendeu a mão para todos os que a Ele recorriam mostrando que Deus quer que todos sejam salvos.

Voltando a imagem do rei que a Palavra de Deus coloca nesta Liturgia, vamos olhar a Leitura de Samuel (5,1-3). As tribos de Israel querem que Davi seja rei do povo de Deus. Mas um rei que serve e não que domina: “Tu apascentarás o meu povo!” Então, ser rei, é apascentar, guiar, cuidar, zelar. O Senhor deixa claro, afirmando que o povo é seu e não de Davi. Sendo assim, o rei não é dono nem senhor do povo, mas um instrumento de Deus que para o conduzir.

Neste Domingo também lembramos a missão de todos os fiéis batizados que tem o dever de serem Evangelho vivos nos mais diversos ambientes da sociedade. Nós temos nas mãos o instrumento de transformação da vida das pessoas: o Evangelho. Vivendo-o onde estamos, vamos sendo luz para que outros também sejam iluminados. Olhando para o Mestre, imitemos seus passos, gestos, atitudes. Deixemos que a sua Palavra nos transforme e nos renove. Purifique nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações.

Demos graças a Deus por mais um ano vencido. Por todos os ensinamentos que Ele nos deixou através da sua Palavra. Pela Eucaristia que nos fortalece em nossa fé. Enfim, por tantas graças e bênçãos que recebemos ao longo deste ano.

Hoje a Igreja encerra oficialmente o Ano Santo da Misericórdia. Papa Francisco fechará a porta santa num gesto simbólico, mas a graça e a misericórdia de Deus continuarão sempre de portas abertas para todos nós. Quanta alegria podermos ser amados e perdoados pelo Senhor.

Desejamos que os ensinamentos deste ano nos ajudem a vivermos a misericórdia com todos os nossos irmãos e irmãs. A exemplo de Jesus, que saibamos perdoar sempre.

Agradeço a todos que acompanham estas reflexões e desejo que as bênçãos de Deus continuem vos acompanhando sempre. Sejamos Evangelhos Vivos. Viva Cristo Rei do Universo! Rei de amor!

Abençoado Domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

10 de novembro de 2016

NINGUÉM PODE PARAR A FORÇA DO EVANGELHO

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Desejo que a graça de Deus esteja sobre você e sua família e que a misericórdia do Pai abrace seu coração todos os dias.

A mensagem do Evangelista Lucas quer provocar em todos nós uma experiência com a pessoa de Jesus. Esta deve ser alegre, pois o amor de Deus nos liberta, perdoa, fortalece, anima. Todos os que se encontram com Jesus, ao longo da narrativa do Evangelho, são transformados e saem deste encontro alegres. Assim deve ser o nosso encontro com o Mestre: encher-nos de alegria e transformar o nosso coração ferido e marcado pelo pecado.

Estamos no penúltimo Domingo do Tempo Comum. A Palavra de Deus, como que em um fechamento dos escritos lucanos, vem falando das consequências dos que aderirem ao Evangelho. Neste Domingo (Evangelho de Lucas 21,5-19) Jesus vai deixando seus alertas aos discípulos e a todos nós: “Cuidado para não serdes enganados!” Em nossa caminhada de fé, muitas e muitas vezes tentarão nos enganar, fazendo com que desanimemos da caminhada que estamos fazendo.

Depois desta exortação, especialmente referindo-se ao fim dos tempos que ninguém sabe e nem saberá o dia, Jesus deixa claro que os discípulos poderão ser perseguidos, presos, traídos assim como Ele foi. Mas nem por isso devem desanimar. A segurando, fortaleza e proteção não virá dos homens, mas de Deus: “Eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”.

Os planos dos homens sempre vão se opor ao Evangelho. Não foi só no tempo de Jesus que houveram rejeições. Elas continuarão existindo. Os discípulos não devem desanimar e nem abandonar a sua fé. Só quem perseverar até o fim será salvo.

Quando Jesus fala do fim dos tempos não podemos entender que será como os cinemas tantas vezes tentaram e tentarão reproduzir como um dia terrível. Claro, talvez será um dia atormentador para aqueles que não viveram a sua fé; para aqueles que fugiram do amor de Deus por toda a vida. Mas, para quem buscou a Deus e viveu o seu batismo com autenticidade, esse dia será de vitória e libertação, pois seremos acolhidos para sempre nos braços acolhedores do Pai.

Jesus já alerta que muitos tentarão prever o fim. Mas como o mundo não foi criado pelos homens, não depende de cálculos humanos a consumação dos tempos, mas sim da vontade de Deus que tudo fez. Por isso, não precisamos temer e nem nos apavorar, porque quem tem fé não pode ter medo.

As forças do mal tentarão nos intimidar, calar, mas a força do Evangelho é maior e ninguém poderá impedi-lo de se propagar. Cabe a nós vivermos bem a nossa fé a cada dia e fazer com que a força da Boa Nova nos transforme também. O fim, ou melhor, a consumação dos tempos será quando o Evangelho da Salvação chegar a todos os povos, para que estes conheçam a verdade.

Malaquias (3,19-20a), profetizou no século V antes de Cristo. Ele quer mostrar que Deus não abandona o seu povo, ainda que passe por momentos difíceis, mas que vem salva-los: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação”. Também hoje, mesmo passando por momentos difíceis, não podemos deixar que as forças do mal nos amedrontem ou nos calem. A força do Evangelho, a sua Verdade, é maior que qualquer atitude ameaçadora dos homens.

Caminhando com Jesus, assim como fizemos ao longo destes Domingos, continuemos confiantes em sua misericórdia. Não deixemos que as coisas que não nos competem tirem nossa paz e a nossa alegria. O que devemos fazer bem, é viver cada dia como se fosse o primeiro, único e último.

Vamos ao encontro do Senhor na Palavra e na Eucaristia para continuarmos bem a nossa caminhada e chegarmos ao fim com força e coragem. Só Ele pode nos fortalecer para o combate diário. Só n’Ele encontramos forças e alimentamos a nossa esperança. Por Ele e com Ele vencemos tudo, porque a força do Evangelho ninguém pode parar e ela realiza o que diz.

Abençoado Domingo e uma semana de bênçãos e paz.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!


1 de novembro de 2016

Católicos no mundo são quase 1 bilhão e 300 milhões

Por ocasião do Dia Mundial das Missões, celebrado neste domingo, 23, a agência Fides apresentou, como faz todos os anos, algumas estatísticas a fim de oferecer uma imagem panorâmica da Igreja no mundo. Os dados são tirados do último "Anuário Estatístico da Igreja" (atualizado em 31 de dezembro de 2014) e referem-se aos membros da Igreja, às suas estruturas pastorais, às atividades no campo da saúde, educação e assistência. Entre parênteses indica a variação, aumento (+) ou diminuição (-) em relação ao ano precedente, de acordo com a comparação feita pela agência Fides.
População mundial ultrapassa 7 bilhões
Em 31 de dezembro de 2014, a população mundial era de 7.160.739.000 pessoas, um aumento de 66.941.000 unidades, em comparação com o ano anterior. O aumento global também se refere este ano a todos os continentes, exceto a Europa: os maiores aumentos, mais uma vez, estão na Ásia (+37.349.000) e África (+23.000.000), seguidos pela América (+8.657.000) e Oceania (649.000). Diminui a Europa (-2.714.000).
Católicos em todo o mundo são 1.272.281.000
Também em 31 de dezembro de 2014 o número de católicos era de 1.272.281.000, com um aumento global de 18.355.000 milhões de pessoas, menor do que o registrado no ano anterior. O aumento diz respeito a todos os continentes, exceto a Europa: África (+8.535.000) e América (+6.642.000), seguido pela Ásia (+3.027.000) e Oceania (+208.000). Diminui a Europa (-57.000). A percentagem de católicos aumentou em 0,09%, fixando-se em 17,77%. Por continente, houve aumentos na África (+0,38), América (+0,12), Ásia (0,05), Europa (+0,14) e Oceania (+0,09).
Habitantes e católicos por sacerdote
O número de habitantes por sacerdote aumentou também neste ano, um total de 130 unidades, atingindo a cota de 13.882. A repartição por continente mostra, como nos anos anteriores, o aumento na América (+79), Europa (+41) e Oceania (+289); diminuição na África (-125) e na Ásia (-1.100). O número de católicos por sacerdote no mundo aumentou complexivamente em 41 unidades, para um total de 3.060. Há aumentos na África (+73), América (+59), Europa (+22) e Oceania (+83). Diminuição na Ásia (-27).
Circunscrições eclesiásticas
As circunscrições eclesiásticas são 9 a mais do que no ano anterior, chegando a 2.998, com novas circunscrições criadas na África (+1), América (+3), Ásia (+3) e na Europa (+2). A Oceania não teve mudanças.
Os bispos são mais de 5.000
O número total de bispos no mundo aumentou em 64 unidades, chegando a 5.237. Também este ano aumentaram, seja os bispos diocesanos, seja os religiosos. Os Bispos diocesanos são 3.992 (+47); Bispos religiosos são 1.245 (+17). O aumento dos Bispos diocesanos diz respeito a todos os continentes, exceto Oceania (-1): América (+20), Ásia (+9), África (+1) e Europa (+18). Bispos religiosos aumentam em todos os lugares: África (+5), América (+2), Ásia (+3), Europa (+6), Oceania (+1).
Aumenta número de sacerdotes
O número total de sacerdotes no mundo aumentou em 444 unidades em relação ao ano anterior, chegando a 415.792. Assinala uma diminuição substancial mais uma vez a Europa (-2.564) e, em menor medida, a América (-123) e Oceania (-86); os aumentos foram registados na África (+1.089) e Ásia (+2.128). Os sacerdotes diocesanos no mundo aumentaram em 765 unidades, chegando a um total de 281.297, com aumentos na África (+1.023), América (+810) e Ásia (+848). A diminuição, também neste ano, verificou-se na Europa (-1.914), e Oceania (-2). Os sacerdotes religiosos diminuíram no total de 321 unidades e são 134.495. Consolidando a tendência dos últimos anos, crescendo na África (+66) e na Ásia (+1.280), enquanto as diminuições afetam a América (-933), Europa (-650) e Oceania (-84).
Diminuem as religiosas
Os religiosos não sacerdotes diminuíram pelo segundo ano consecutivo, em contraste com os anos precedentes, de 694 unidades, alcançando o número de 54.559. Os aumentos foram registrados na África (+331) e Ásia (+66), enquanto diminuem na América (-362), Europa (-653) e Oceania (-76). Também este ano se confirma a tendência à diminuição global das religiosas, este ano ainda mais do que no ano anterior, de 10.846 unidades. O total hoje é de 682.729. Os aumentos são, mais uma vez, na África (+725) e Ásia (+604), as reduções na América (-4.242), Europa (-7.733) e Oceania (-200).

27 de outubro de 2016

HOJE A SALVAÇÃO ENTROU NESTA CASA

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Chegamos ao 31º Domingo do Tempo Comum e a Palavra de Deus deste Domingo nos traz uma mensagem toda especial para a nossa caminhada de fé que estamos fazendo.

Estamos nas últimas semanas do Ano Litúrgico e do Ano Santo da Misericórdia. Estamos tendo a oportunidade de experimentarmos mais uma vez o grande amor de Deus por cada uma das suas criaturas. Ele que tudo cuida e acompanha com carinho. Esta certeza já vemos descrita no Livro da Sabedoria (11,22-12,2), leitura sugerida para este Domingo.

Em sua bondade tudo fez e sustenta com a sua Providência. É um Deus cheio de compaixão, especialmente pelos mais pecadores. Nada do que existe passa despercebido. Deixemos sua Palavra falar:

“Amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada? A todos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. [...] Corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”.

Este Deus maravilhoso que tudo fez e tudo sustenta, cheio de amor e compaixão, nos veio visitar, de forma extraordinária, em seu Filho Jesus Cristo, feito homem como nós. Assim como foi estar com Zaqueu, Ele quer estar conosco. Vem ao nosso encontro pela Palavra, no Espírito Santo e pela Eucaristia.

Jesus continua em movimento, como estamos acompanhando em Lucas todos os Domingos. Hoje (Lucas 13,31-35) o Mestre está em Jericó e lá morava Zaqueu, “que era chefe dos cobradores de impostos”. Por ocupar esta função ele não era entre os mais bem vistos e amados na cidade. Isso porque muitas vezes defraudou as pessoas, assim como ele mesmo confessa a Jesus.

A notícia de que Jesus estava na cidade despertou em Zaqueu curiosidade e por isso ele quer ao menos vê-lo. Como ele era baixo, Lucas diz que “subiu numa figueira para ver Jesus”. Aqui podemos refletir um pouco. O que temos feito para ver, estar com Jesus? Temos ido ao seu encontro? Queremos conhecê-lo sempre mais buscando nos aprofundar na meditação e no estudo da Palavra?

Jesus viu aquela atitude curiosa e conhecendo o coração daquele homem, toma uma decisão: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Ele não pensa duas vezes e nem se preocupa com o que vão dizer desse encontro. Lucas destaca que “ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria!”

Que cena bonita e cheia de interpelações para todos nós. Quantas e quantas vezes Jesus passa na nossa vida e não nos damos conta disso. Ele quer estar em nossa casa, nosso coração, mas achamos perda de tempo estar com o Mestre. Zaqueu nos ensina a acolher Jesus hoje, agora, e não de qualquer forma, mas com alegria. Ele poderia ter dito ao Senhor que voltasse mais tarde, outro dia, que estava ocupado. Mas não! Jesus não pode ficar esperando.

O encontro foi tão verdadeiro, profundo, maravilhoso que mudou para sempre a vida daquele homem. Jesus não precisou fazer nenhum sermão para ele lembrando o que tinha feito ou deixado de fazer. Jesus apenas olha com amor e vai estar sua casa. Zaqueu sentiu o amor de Jesus por ele e por isso, aí mesmo declara sua conversão e mudança de vida.

“Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: 'Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais.'” O gesto de ficar de pé demonstra prontidão. A mudança estava acontecendo naquele momento. Ele queria mudar de vida. Não desejava continuar fazendo o que fazia. Vejamos que interessante: a conversão foi tamanha que fez ele doar o que tinha e devolver quatro vezes mais daquilo que roubou.

Percebendo que ele estava sendo sincero, “Jesus lhe disse: 'Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.'”

Amados irmãos e irmãs. Precisamos cuidar para que a nossa conversão não seja parcial, porque estaremos enganando-nos a nós mesmos. Muitas vezes corremos o risco de mudar só o que nos convém e a medida que nos agrada. O encontro verdadeiro com Jesus faz a gente mudar totalmente. Desapegar-se do que temos e fazer justiça. Jesus não manda acumular, mas partilhar, porque aquilo que nos sobra, falta aos outros.

A exemplo de Zaqueu, acolhendo o Senhor na Eucaristia e na Palavra, deixemos que Ele nos olhe, nos provoque. Acolhamos seu apelo e deixemos Ele entrar em nosso coração tantas vezes machucado, cansado, sem esperança. São muitas as feridas a serem curadas para que a conversão aconteça. Deixemos o Senhor fazer em nosso coração o que não podemos fazer por nossas forças.

Abençoado Domingo e uma semana de paz e bênçãos!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

19 de outubro de 2016

MEU DEUS, TEM PIEDADE DE MIM QUE SOU PECADOR

Estimados irmãos e irmãs. Neste 30º Domingo do Tempo Comum a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões que este ano tem como tema: “Cuidar da Casa Comum é nossa missão” e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Rezamos para que todos os batizados não esqueçam que são missionários. Aparecida nos lembra que “a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã!” (N. 144-147).

A missão que mais nos desafia hoje é despertar em todas as pessoas o cuidado pela Casa Comum através de atitudes simples e transformadoras. Sermos conscientes que o descuido com a natureza tem reflexos em nossa vida cotidiana. Quando destruímos o planeta, nossa Casa Comum, estamos destruindo a nós mesmos. Este pecado social tem consequências gravíssimas não só em nosso tempo, mas terá em tempos futuro. O Palavra de Deus nos ensina e convida a cuidar de tudo o que Deus criou, porque o que Ele fez é bom!

Nesta dinâmica, precisamos reconhecer que somos pequenos diante da grandeza do Criador e da criação. A humildade nos coloca diante de Deus com o coração suplicante pela misericórdia. Vemos ilustrado isso no Evangelho (Lucas 18,9-14) deste Domingo. Os dois personagens que aparecem no templo orando refletem duas realidades distintas. Um deles, o fariseu, é observador fiel da Lei e da tradição. Ele acreditava que a mera observância era garantia de vida eterna, por isso permanece em pé e fica colocando em oração o que ele faz. De certa forma ele está se vangloriando diante de Deus por ser um bom judeu, coerente com o que ensina a Lei.

Outro personagem que aparece é o cobrador de impostos. Por colaborarem com os romanos e por adulterarem as tarifas tributárias, eles eram odiados por todos. Estando em oração ele reconhece seus erros e pede perdão a Deus batendo no peito. Este gesto é significativo, pois o coração é a sede das decisões. Ao bater no peito (no coração), ele reconhece ser pecador e ter errado muito.

Com esta atitude de humildade e reconhecimento dos erros e fraquezas, e com a sua oração: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador’, Jesus diz que ele “voltou para casa justificado”, enquanto que o outro, o fariseu não. Mas por que não? Porque ele não foi humilde diante de Deus.

Em nossa oração, temática que tem aparecido há vários Domingos nos Evangelhos, precisamos apresentar a Deus as nossas fraquezas para que Ele nos cure. Diante deles somos pequenos e necessitados. Quando nos vangloriamos diante dele, estamos querendo mostrar que por nossas forças realizamos as coisas e de que não necessitados dele.

Na primeira Leitura do Livro do Eclesiástico (35,15b-17.20-22a) temos cenário parecido com o do Evangelho. O autor coloca claramente que a oração feita pelos humildes atravessa as nuvens e chegam até Deus. A questão não é ser cobrador de imposto, fariseu, sacerdote, casado, empresário, educador. A oração que chega até Deus é a oração de que tem coração humilde e reconhece ser necessitado do amor e da misericórdia de Deus. O salmista (Salmo 33) também canta esta realidade: “clamam os juntos, e o Senhor bondoso escuta!”

Fica mais uma vez este apelo a todos nós: termos o coração humilde! Saber que nada somos sem Deus. Ele nos criou e por ele vivemos, nos movemos e somos. Quem ao Senhor servir fielmente até o fim, como nos fala São Paulo em sua carta a Timóteo (4,6-8.16-18), receberá a coroa a justiça e a salvação eterna. O Apóstolo nos lembra e motiva, através do seu exemplo, que precisamos ser fieis até o fim, perseverando também nos momentos difíceis.

Senhor, ensina-nos a rezar e dá-nos um coração humilde para sermos tuas testemunhas onde estamos! Amém!

Abençoado Domingo. Abençoada Semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!

18 de outubro de 2016

Projeto Amigos das Vocações - 5 anos!

Amigo benfeitor! Amiga benfeitora!

É com imensa gratidão a Deus que chegamos até você para partilhar mais este momento de alegria. O Projeto Amigos das Vocações no qual você faz parte está completando cinco anos de caminhada, atingindo a marca de 190 benfeitores cadastrados. Que bom que você faz parte desta história! Mas se você ainda não conhece este projeto, é convidado a conhecer! Aceita este convite?

A semente foi lançada em 2011 e está produzindo frutos. Na primeira missa, realizada em um dia um tanto conturbado, pois o Padre Oziel tinha sofrido um acidente no caminho para Jacundá, teve a presença de apenas uma pessoa, o senhor João Batista, membro do Conselho de Família na época.

Diante do ocorrido surgir a pergunta: serão estes sinais para não continuarmos? Mas a confiança em Deus venceu a dúvida e realizamos a segunda missa. A proposta foi sendo entendida e acolhida pela comunidade local que começou a frequentar o COV Nazaré, até então um tanto desconhecido para muitos.

Como Deus sempre tem algo para nos surpreender, o Projeto ganhou asas e em dezembro de 2014 surgiram os primeiros benfeitores de São Luís – MA. Depois vieram Salvador - BA, Nova Andradina- MS, Brasília - DF. As coisas de Deus não tem limites, pois o “mundo todo é de Deus!”, como dizia São João Calábria.

Desde o início a nossa motivação foi criar uma cultura vocacional e reunir pessoas que rezam e apoiam as vocações e ainda difundir o carisma inspirado por Deus a São João Calábria fundador da Congregação Pobres Servos da Divina Providência. Graças a Deus e a generosidade de pessoas como você, continuamos nossa missão que hoje vai muito além dos muros desta casa. Anualmente atingimos cerca de dois mil jovens com nossos encontros, eventos, missão. Isso é possível com o apoio da comunidade e de pessoas generosas como você!

Inspirados em nosso fundador, São João Calábria, o COV – Centro de Orientação Vocacional Nossa Senhora de Nazaré surgir em 2000 de um sonho da Comunidade de Marituba em formar religiosos e sacerdotes para a Igreja. Por aqui passaram mais de noventa jovens. Alguns deles são sacerdotes, outros religiosos e tem aqueles que retornaram as suas famílias e lá são chamados a viverem o que aprenderam aqui nesta casa da Providência.

Nestes 16 anos de missão desta casa, queremos destacar três jovens que passaram por aqui e que chegaram ao sacerdócio na Congregação. Pe. Oziel Feitosa Ribeiro (Missão em Campo Grande MS), Pe. Jardel Rodrigues Oliveira (Missão em Feira de Santana BA) e Pe. Roberto Bessa (in memoriam). Além destes temos o Ir. José Haroldo Medeiros (Missão em Jacundá PA) que se prepara para a ordenação sacerdotal que deverá acontecer no próximo ano em Marituba. Ir. Joandeson Sousa que depois de fazer as etapas de formação no Sul, retornou este ano para fazer parte desta missão onde foi seminarista em 2009 e 2010. Estes são alguns dos que responderam ao chamado de Deus consagrando a sua vida no serviço ao Reino. Continuemos rezando para que estes perseverem e que outros continuem aceitando o convite que o Senhor faz.

Neste mês em que o Projeto Amigos das Vocações completa cinco anos, receba o nosso abraço de gratidão pelo apoio às vocações. Como é bom podermos contar com a sua amizade, carinho, orações e apoio. Você é muito importante para nós!

Trazemos abaixo o depoimento do casal João Batista e Andréa que fizeram parte do Conselho de Família quando o Projeto surgiu. Eles testemunham o crescimento e os benefícios do Projeto nestes cinco anos de existência. Outro casal que fez parte do Conselho na mesma época foram o Diácono Ademirson e a esposa Rose.

Continuemos unidos em oração. O amor de Deus nos fortalece sempre. Somos felizes e gratos por poder contar com a sua amizade.

Deus continue abençoando você e toda a sua família pela intercessão de São João Calábria e Nossa Senhora de Nazaré.

Abraço

Pe. Hermes José Novakoski
Reitor.


Testemunho de João Batista Carvalho Araújo e Ivone Andréa Oliveira Lima.

Foram membros do Conselho de Famílias entre 2010 e 2013.


Sentimo-nos desafiados diante da proposta deste Projeto, de certa forma audacioso.

As Palavras que podem defini-lo são: desafiador e gratificante, pois vemos como ele vem crescendo e se desenvolvendo. Sou feliz, repetiu várias vezes a benfeitora Andréa, em fazer parte. O mesmo sentimento expressou João Batista, lembrando de como era e como está hoje o COV Nazaré. A alegria que sentimos é algo indescritível.

O projeto incentiva, motiva as pessoas a rezarem mais, a entenderem mais sobre vocação e testemunharem isso nas famílias. Participar do Projeto é um incentivo a mais para rezar.

É um aprendizado trabalhar com os vocacionados, seminaristas e com as famílias. Foi bom também porque pudemos conhecer e participar mais da vida e da rotina dos religiosos. A convivência ajudou a entendermos melhor a missão deles.

O que nos deixa triste é ver que alguns desistem. Não são perseverantes na oração e no apoio as vocações.

Nestes cinco anos, lançando sementes, é possível e gratificante ver os muitos frutos que estão sendo produzidos. As portas foram abertas à comunidade que acolheu ainda mais o COV Nazaré.

Dizemos aos amigos benfeitores que continuem presentes na vida do COV, das famílias e dos jovens vocacionados e seminaristas. Aos que ainda não fazem parte deste projeto, dizemos que vale a pena abraçar esta causa.



Agradecemos pelo apoio deste casal que continua presente na vida do COV Nazaré.

13 de outubro de 2016

PRECISAMOS REZAR SEMPRE

Estimados irmãos e irmãs.

Estamos caminhando com Jesus à Jerusalém. Como já dissemos em outras reflexões, a nossa vida é um peregrinar para a Jerusalém celeste onde o Senhor nos espera com todos aqueles que já partiram desta vida. Neste caminho que estamos fazendo precisamos rezar sempre, pois sem a oração corremos um sério risco de nos desviarmos do bom caminho que o Senhor nos propõem.

A Primeira Leitura do livro do Êxodo (17,8-13) e o Evangelho de Lucas (18,1-8) ilustram para nós o que acontece quando rezamos com perseverança e insistência. Deus não é indiferente aos clamores do seu povo. No tempo certo realizará as coisas. A fé nos faz esperar e entender a dinâmica de Deus.

O livro do Êxodo traz a batalha de Rafidim. Os israelitas conseguem vencer a luta porque Moisés manter elevado o bastão para Deus. Enquanto ele reza o povo vence a batalha. Sem a oração, simbolizada aqui pelas mãos erguidas, o povo não obtém a vitória. Na nossa vida acontece a mesma dinâmica. Quando nossas mãos não se elevam mais a Deus somos derrotados.

São Lucas nos diz, logo no início do Evangelho deste Domingo, que “Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. A viúva, que na época de Jesus ficava totalmente desassistida, porque os bens voltavam a família do marido, não tinha mais a quem recorrer se não ao juiz que não temia a Deus.

Vejam que interessante. A oração e a insistência da viúva fazem Deus tocar e ‘amolecer’ o coração do juiz que acaba atendendo a ela. Assim acontece na nossa vida. Quando não podemos realizar as coisas por nossas forças, coloquemos tudo nas mãos de Deus e Ele fará com que elas concorram para o nosso maior bem. O problema é que na maioria das vezes nós queremos resultados imediatos e as coisas nem sempre são como pensamos e queremos.

Aí entendemos esse fenômeno de pessoas que ficam transitando de igreja em igreja na busca de soluções fáceis para a vida. Isso demonstra quanto a fé é pequena e imatura. Por isso precisamos rezar sempre para que a nossa fé não desfaleça.

Jesus conclui dizendo que se os homens podem realizar coisas boas, quanto mais o Pai que está no céu realizará. No texto quando Jesus fala de justiça, refere-se a Salvação que Deus dará aos que forem fieis a Ele.

Como manter a fé viva? Temos dois meios infalíveis: Palavra de Deus e a Eucaristia. É importante criarmos uma familiaridade com a Sagrada Escritura, pois nela encontramos exemplos de confiança, superação que podem nos ajudar na caminhada.

Este é o apelo que São Paulo faz a Timóteo (3,14-4,2) e a cada um de nós: “permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade. [...] Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra”. O Apóstolo tem razão. Sem a Palavra a nossa vida fica sem critério e sem um rumo claro. Ela é a luz da nossa vida.

Na Eucaristia encontramos a plenitude de todas as graças e bênçãos. Feliz quem participa dignamente e consciente da Santa Missa e busca mergulhar na riqueza deste Sacramento. É o próprio Jesus que se faz alimento para sustentar a nossa fé. Não deixemos de ir a santa missa com a desculpa que não temos tempo. Pois isso seria rebaixar o sagrado ao segundo plano da nossa vida. Ela deve estar sempre em primeiro pois é algo importantíssimo.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

7 de outubro de 2016

SÃO JOÃO CALÁBRIA E O ROSTO MISERICORDIOSO DE DEUS

Queridos irmãos e irmãs. Saudação especial aos que comungam da Espiritualidade Calabriana: Religiosos, Religiosas, Irmãos Externos, Leigos, Colaboradores. Uma grande família que comunga da mesma fonte: a Eucaristia, buscando avivar a fé e a confiança em Deus Pai Providente.

Dia oito de outubro é dia de festa para todos nós, pois celebramos o nosso pai fundador, São João Calábria. Homem simples, mas de grandiosíssima fé em Deus. Um sacerdote que tocou o coração de muitas pessoas pelo seu jeito simples e paterno de ser e viver.

O tema que escolhemos para este ano, SÃO JOÃO CALÁBRIA E O ROSTO MISERICORDIOSO DE DEUS, está ligado ao que a Igreja celebra e vive: o Ano da Misericórdia. Vamos relembrar alguns acontecimentos na vida de São João Calábria que manifestaram a misericórdia de Deus.

Sabemos que desde o nascimento a sua trajetória foi desafiante. Passou necessidades durante a vida. Tudo isso poderia ter tornado ele uma pessoa amargurada, de mal com a vida, com as pessoas e com Deus. Tinha motivos suficientes para murmurar, pois carregava pesados fardos de fome, frio, humilhações.

Porém, sustentado por uma grande fé, que aprendeu a cultivar com sua mãe, dona Angela, São João Calábria fez de tudo isso degraus para crescer na dimensão espiritual e assim se tornar um homem procurado por muitos para conselhos e orientações nas mais diversas áreas. Ele se tornou mais uma prova de que quando temos fé superamos as dificuldades com fortaleza.

Tudo o que ele viveu, tornou seu coração ainda mais sensível as necessidades dos irmãos e irmãs. Ele não desejava que mais ninguém passasse por aquilo. Queria, através das suas obras, manifestar o rosto misericordioso de Deus, assim como ele mesmo experimentou em sua vida.

Vejamos alguns depoimentos falando da vida deste sacerdote santo:

Monsenhor José Amari dizia em 1984:"Padre Calábria pregou o Evangelho com a própria vida, com as obras, com a palavra. Seu sacerdócio profético não conheceu pausas, nem rotinas, nem desgastes. [...] Mas o que nele surpreende - considerada a impressionante aceleração da história destes últimos anos - é a atualidade de sua mensagem, como se ele tivesse a intuição profética dos tempos que só agora estamos vivendo."

O Papa João Paulo II em sua Homilia na missa de canonização, referindo-se ao Pe. Calábria dizia: “Toda a existência de João Calábria foi Evangelho Vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo os mais pobres. A fonte de seu amor para com o próximo era a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste. Gostaria de repetir aos seus colaboradores as palavras evangélicas: Em primeiro lugar, busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas" (MT 6,33). [...] (João Paulo II, 18 de abril de 1999 - Basílica de São Pedro).

Os bispos da Conferência Episcopal do Trivêneto, na carta de postulação endereçada ao papa João Paulo II escreveram: "Pe. Calábria, exatamente para preparar a Igreja do ano 2000 - expressão a ele familiar - fez de sua vida um sofrido e enternecido apelo à conversão, à renovação, à hora de Jesus com acentos impressionantes de premente urgência ... Parece-nos que a vida do Pe. Calábria e a sua mesma pessoa constitua uma "profecia" do vosso apaixonado grito a todo o mundo: "Abram as portas a Cristo Redentor!".

Nosso santo fundador foi profeta em muitos aspectos. Passos que ao longo da história a Igreja foi dando. Uma ideia belíssima e inovadora foi a forma como ele pensou, por exemplo, as casas de formação para os futuros sacerdotes e religiosos. Ele queria que em nossas casas fossem acolhidos os mais simples e pobres e que tivessem total liberdade para continuar na Congregação ou buscar outra, ou ainda ir para uma Diocese. Vocações para a Igreja era um dos seus lemas.

Hoje buscamos continuar este projeto com os COVs – Centro de Orientação Vocacional. No Brasil temos quatro casas. Aqui em Marituba o COV Nossa Senhora de Nazaré; em Campo Grande o COV Rainha dos Apóstolos; em Feira de Santana BA, o COV Mãe de Deus e em Farroupilha o COV Nossa Senhora de Caravaggio.

Em todos os momentos e gestos da sua vida, São João Calábria buscou manifestar o amor de Deus pela humanidade. Seu coração sempre foi sensível as necessidades dos sofredores. Vemos isso se concretizando quando ele encontra na porta de sua casa, numa noite de inverno, uma criança deitada no meio de papelão. Quando ele interroga o pequeno, porque estava aí, em uma das respostas o pequeno diz: “Você é bom comigo!” Esta criança sente que o jovem Calábria tinha um bom coração. Não desejava o mal a ninguém. Acolhe a criança e dorme no chão para que ela pudesse sentir-se bem acolhida.

Em cada criança que ele acolhia na casa que depois foi crescendo, buscava manifestar o amor e a misericórdia de Deus. Queria que eles se sentissem amados por Deus através do cuidado que recebiam dele e dos irmãos e irmãs que auxiliavam.

Uma outra missão bonita que Jesus confiou a Obra calabriana, foi a reparação. A este respeito escrevia São João Calábria: “Dentre as tarefas confiadas à nossa humilde Obra pela Divina Providência, encontra-se também a reparação pela qual podemos considerar que as pobres orações, os pequenos sacrifícios por nós oferecidos são aceitos por Deus e tenham uma eficácia especial, não por nossos méritos, mas por uma particular predileção da parte do Senhor que quis esta Obra justamente para este tempo”. Somos convidados a pedir perdão por nossos pecados e pelos pecados de toda a humanidade.

Existem muitos outros acontecimentos que marcaram a vida de nosso fundador e a Obra Calabriana. Hoje buscamos manifestar a misericórdia de Deus através das diversas obras mantidas pela Congregação aqui em Marituba, no Brasil e no mundo. Em todas elas queremos e desejamos que as pessoas sintam que temos um Deus que é Pai, nos ama, protege, abençoa.

Vamos viver com grande fé a festa de São João Calábria neste ano. Façamos uma profunda e verdadeira experiência da misericórdia de Deus nos aproximando do Sacramento da Confissão e a manifestemos ao mundo.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.


ORAÇÃO PARA REPARAÇÃO

Meu Jesus, pão partido e sangue derramado, vítima na cruz, dom de amor do Pai para a nossa salvação. Ajuda-nos a oferecermos a nós mesmos, para sermos tuas testemunhas. Para sermos sinais de solidariedade e reparação na participação ao Teu corpo místico. Transforma nossas lágrimas e as fadigas de cada dia num canto de louvor e de ação de graças, na alegria profunda de pertencermos a Ti, almas na tua alma, corações no teu coração. Tudo para vivermos em ti como Evangelhos vivos. Acolhe o oferecimento deste nosso dia, unido à oblação de Cristo na Eucaristia em reparação pelos nossos pecados, em favor da Obra toda nascida do teu lado, para o bem da Igreja e do mundo inteiro. Em tuas mãos entrego minha vida, abandono-me a Ti e à Tua Divina providência para viver o disposto a tudo com grande fé. Amém!

6 de outubro de 2016

LEVANTA-TE E VAI! TUA FÉ TE SALVOU!

Continuamos nosso itinerário com o Mestre que segue firme seu caminho rumo a Jerusalém. Nós também estamos caminhando rumo a Jerusalém celeste onde Ele nos espera de braços abertos como um Pai Misericordioso. Não estamos sozinhos neste caminho. Maria, Mãe de Jesus e nossa, caminha conosco como a Mãe atenta aos seus filhos. Ela nos convida a escutarmos o Filho e fazermos tudo o que Ele nos diz. Fiquemos atentos e vamos agradecer a Deus por estar sempre perto de nós.

Neste 28º Domingo do Tempo Comum, temos na primeira Leitura do Segundo Livro dos Reis (5,14-17) a cura de Naamã, sírio, estrangeiro, general do exército da Síria. Ele que até então tinha perseguido o povo de Deus, agora é favorecido pela misericórdia do mesmo Deus. Isso mostra que o amor de Deus é para com todos. Ligado a esta leitura está o Evangelho de Lucas (17,11-19) onde temos a presença de dez leprosos que clamam pela misericórdia de Jesus.

Temos vários aspectos que merecem a nossa atenção. Destacamos alguns deles:

Deus age em nossa vida de forma simples e eficaz. Quando Naamã pede a cura, esperava que Eliseu viesse ao seu encontro. Mas ele manda o sírio banhar-se nas águas do Jordão. O general fica indignado, mas depois de ouvir um dos seus servos, faz este simples gesto e fica curado. Alguns santos padres veem neste texto o prenúncio do poder transformador do Batismo. Naamã é curado ao mergulhar na água do rio. Nós somos curados ao sermos mergulhados na água do Batismo.

O mesmo acontece com os leprosos. Ao clamarem para Jesus, esperavam que imediatamente Jesus dissesse que ficariam curados. Mas Jesus pede que eles se coloquem a caminho do Templo. Eles são convidados a fazerem o caminho para o encontro com Deus. É neste caminho que o milagre acontece. Mais uma vez Deus age de forma simples e não extraordinária.

O evangelista ressalta o gesto de um dos que fora curado: “Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano”. Somente um deles, o samaritano, reconhece em Jesus o Filho de Deus e volta para agradecer. Por ele ter reconhecido Deus na pessoa de Jesus, recebe esta feliz afirmação: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. Além da cura exterior, ele recebe a garantia da salvação.

Naamã também quer agradecer a Eliseu oferecendo iguarias. O profeta não aceita pois a gratidão deve ser a Deus e não a ele. O sinal foi transformador a ponto deste se converter ao Deus do povo de Israel e deseja servi-lo de agora em diante. Bonita a conclusão que ele mesmo faz: “‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! ... Teu servo já não oferecerá holocausto ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor'.”

A graça que estes dois personagens recebem, mudou a vida deles. Eles se voltam a Deus e a partir daquele momento a sua vida foi transformada. Os outros nove do Evangelho não tem esta mesmo sensibilidade e percepção. E nós, conseguimos perceber a presença de Deus nas pequenas coisas do dia a dia? Os sinais que Ele manifesta estão transformando o nosso coração? Estamos acolhendo a salvação que o Senhor nos oferece? Somos gratos a Deus por todas as bênçãos que Ele nos dá diariamente?

Nesta semana o Brasil viverá duas das maiores festas marianos do mundo. Na nossa arquidiocese de Belém PA, temos o Círio de Nazaré. Em Aparecida SP, temos a festa de Nossa Senhora de Aparecida que se prepara para os 300 anos do encontro da imagem. Dois grandes eventos que reúnem milhões de pessoas. Estes não podem ser apenas eventos, mas encontro com o Senhor pela intercessão de Nossa Senhora.

Um fato que me deixa triste e certamente também entristece a Mãe de Jesus, é que muitos celebram, por exemplo o Círio, apenas bebendo e comendo. Assistem das sacados dos prédios os peregrinos e a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, mas não fazem deste momento um ato de fé e de conversão na sua vida. Para muitos o Círio se tornou apenas um evento social. Um momento de reunir amigos e familiares para uma grande festa mundana.

Caminhar de longe, ir de joelhos, carregar objetos pesados, tentar chegar na corda são formas de expressar a fé. Porém, o Círio não pode ser apenas um ato de manifestar a fé exteriormente. Ele se torna frutuoso na nossa vida e para a nossa salvação quando buscamos estar mais perto de Deus todos os dias. O Círio é a culminância de uma caminhada. O que vivemos aí deve se refletir no cotidiano da vida. Porque se não, seremos como os leprosos que Jesus mandou irem se apresentar aos sacerdotes. Caminharemos em direção ao templo, a Basílica, mas nos esquecemos de caminhar ao encontro de Deus e não o reconhecemos presente na nossa vida, no caminhar que fazemos. Fiquemos atentos, então, as manifestações de Deus em tantos gestos de carinho e deixemos que esta presença toque o nosso coração. Que o encontro com a Mãezinha do céu nos faça melhores filhos e filhas. Que a Eucaristia seja o ponto de encontro, adoração e salvação para todos os filhos de Deus.

Porém, para uma grande maioria do povo paraense o Círio é um momento de renovar-se na fé caminhando com Maria. Um momento de gratidão e de renovação. Uma oportunidade de manifestar o amor a Nossa Senhora e a Jesus. Isso torna o Pará mais bonito.

Peçamos a Mãe de Deus pela nossa nação. Que Ela toque o coração dos governantes para que eles sejam mais sensíveis as necessitados do povo brasileiro, especialmente dos mais pobres. E que assim sejamos uma nação mais santa, vivendo a fraternidade, o perdão, o diálogo, a partilha. Que nossas diferenças sejam superadas e que o amor de Deus habite em nossos corações.

Abençoado Círio aos paraenses. Mãe de Nazaré e Aparecida, intercedam bênçãos sobre todos nós, mas que nos ajudem a termos consciência que somos necessitados da graça e da misericórdia de Deus. Que nada somos sem Deus e que precisamos dele sempre. Que a nossa vida e as nossas famílias sejam restauradas no amor.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

30 de setembro de 2016

SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ

Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos o mês de outubro, mês em que a Igreja intensifica a oração pelas missões e convida a oração do santo Rosário. Muitos ainda não conhecem a verdade do Evangelho; outros a deixaram de lado. Por isso o desafio constante de rezarmos e incentivarmos os missionários e cada um de nós também fazermos a nossa parte para que a Salvação chegue a todos.

Todos os batizados precisam estar atentos aos apelos que a Igreja nos faz e não esquecer que estamos “em estado permanente de missão”, como nos pede a 1ª Urgência da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O anúncio e o testemunho não podem ficar esquecidos. Os filhos e filhas de Deus são chamados a viverem sua fé na prática diária.

Neste 27º Domingo do Tempo Comum a Liturgia da Palavra tem um apelo importante a nos fazer através das palavras dos Apóstolos (Evangelho Lucas 17,5-10): Senhor, “aumenta a nossa fé!” Este apelo é sempre atual. Precisamos cuidar muito para que a nossa fé não desfaleça, cultivando-a de forma correta.

Precisamos compreender que a fé é adesão a uma pessoa: Jesus Cristo e não a doutrinas. Esta adesão ao projeto do Filho de Deus deve nos levar a uma contínua a profunda comunhão e identificação com Ele. Seus projetos, sonhos, ideias, valores devem ser de todos os que n’Ele creem. Enquanto não houver esta adesão a nossa fé não amadurece.

Outro aspecto importante na compreensão da fé é a entrega alegre ao mistério e projeto de Deus. Uma atitude pessoal da nossa liberdade. É dom de Deus, mas cabe a nós aceitarmos e fazermos ela crescer ou deixar ela morrer.

Como adesão a pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto, a fé não nos dispensa da dura luta diária. Não é uma fuga do mundo, mas assumir as coisas com determinação e coragem. Não quer dizer também que aos que creem as coisas serão mais fáceis e brandas. Mas a fé dá sentido a tudo o que precisamos enfrentar nesta vida. Ela foge dos limites da compreensão humana. É um convite a irmos além. Vemos isso claramente na primeira leitura (Habacuc 1,2-3; 2,2-4) onde o profeta clama ao Senhor diante dos sofrimentos que estava vendo e passando. Deus responde que a justiça não falhará. Ele cumprirá a sua Palavra no tempo certo. Também São Paulo exorta a Timóteo (1,6-8.13-14) a continuar firma; a não se envergonhar de Jesus Cristo, de ser cristão.

Jesus, sendo Filho de Deus, em toda a sua trajetória missionário sofreu muitas perseguições, ameaças. Diante disso Ele não recuou e nem desistiu. Continuava firme a sua caminhada pois tinha claro o objetivo da sua missão. Os apóstolos que o acompanhavam não conseguiam entender como alguém, mesmo sofrendo ameaças, pode continuar servindo feliz. É por isso que eles fazem o apelo que já citamos: AUMENTA A NOSSA FÉ.

A fé nos faz ir mais longe; superar as limitações e dificuldades com mais serenidade. Os que creem não estão isentos de sofrimentos, perseguições, injustiças. Fizeram isso com o líder, farão também com os seus seguidores, nos alertou Jesus. Diante das dúvidas que possam surgir em nossa vida, peçamos, assim como os apóstolos, que o Senhor aumente a nossa fé. Não queiramos ser covardes e fugir. Pensar que não conseguiremos vencer. Sozinhos não podemos, mas com Ele a vitória é certa.

Importante esclarecer também as contradições e os erros que se propagam hoje sobre a fé. Muitos ensinam e levam outros a acreditarem que os que tem fé não podem sofrer. Acreditar em Jesus é ficar livre dos sofrimentos. Com este pensamento queremos colocar Deus ‘contra a parede’ e determinar o que Ele deve fazer. Jesus sofreu para nos ensinar que crer não nos exime dos sofrimentos.

A fé é dom de Deus, é graça. Por isso não podemos reclamar de nada. É Ele que tudo conduz. De nossa parte, cabe agradecer por tudo o que recebemos. É Deus que nos chama a fazer parte do Reino que é seu e não nosso. Estamos voltando ao pecado original, quando queremos ocupar o lugar de Deus ou determinar o que Ele deve fazer.

Quando cumprimos com nossas obrigações, e o Evangelho deixa isso bem claro, estamos fazendo apenas o que deveríamos fazer. Isso não nos coloca em vantagem diante de Deus, pois Ele tudo fez e tudo ordena para a nossa santificação. É dever nosso cumprir bem com a missão que recebemos. Somos servos pobres, simples, ou inúteis, como o próprio texto nos diz. O que fazemos não é mais que nossa obrigação.

Aqui compreendemos a importância da oração e o que é rezar. A oração nos deve levar a compreender e aceitar o que Deus quer de nós e não a querermos determinar o que Deus deve fazer a nosso favor. Não podemos manipular Deus. Isso tem acontecido muito nos dias de hoje. Gritamos em Ele, como se fosse surdo ou estivesse dormindo. Damos ordens do que Ele deve fazer e quando deve fazê-lo como se Ele fosse o nosso súdito ou um Deus que é manipulável e está apenas a nosso dispor para servir-nos.

Não nos esqueçamos que nós somos os seus SERVOS e que ELE é o nosso CRIADOR. Cabe a nós, pedirmos humildemente, que Ele nos mostre os seus caminhos para não nos desviarmos da estrada certa.

Vamos ao encontro d’Ele presente na Eucaristia para que aumente a nossa fé.

Abençoado Domingo. Lembre-se de votar com responsabilidade e em candidatos comprometidos com o bem comum e não apenas preocupados com os seus próprios interesses.

Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

22 de setembro de 2016

ESCUTEMOS A PALAVRA QUE NOS LIBERTA E SALVA

Chegamos ao último Domingo do mês de setembro, instituído pela CNBB em 1971 como dia da Bíblia por ser o domingo mais próximo a celebração de São Jerônimo, sacerdote que traduziu a Bíblia para o Latim. O santo dizia que “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Viemos ao longo deste mês refletindo um pouco mais sobre a importância da Palavra em nossa vida e na vida da comunidade cristã. Ela é a luz que nos guia pelos caminhos corretos que o Senhor nos chama. Ela é o alimento e sustentáculo para a nossa vida de cristãos, pois nos fortalece, anima, consola, ensina.

Encontramos na Palavra de Deus muitos exemplos de homens e mulheres que buscaram colocar em prática esta Palavra e por isso chegaram a santidade. No Antigo Testamento vemos muitos Profetas que se tornaram os porta vozes da mensagem divina. Eles também foram aprendendo com o que ensinavam. No Novo Testamento encontramos a história da encarnação de Jesus, a vida de Maria, dos Apóstolos e Discípulos que buscaram aprender com o Mestre, verbo feito carne no meio de nós. Eles fizeram seu caminho de santificação. Também nós somos chamados a fazer este caminho com confiança.

Acompanhemos as palavras de São Paulo a Timóteo (1Tm 6,11-16) e que nos servem de motivação. Ele traz a lembrança de que os batizados precisam se esforçar todos os dias para viverem o que aprenderam na Palavra de Deus. Claro que Timóteo tinha aprendido escutando Paulo e outros Apóstolos. Esta belíssima e fundamentada motivação serve também para nós que conhecemos a Palavra de Deus e diariamente somos convidados a rezar. Acompanhemos toda a leitura para melhor compreender o que Paulo quer transmitir:

“Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém”.

A dinâmica de Deus sempre respeita a liberdade que Ele mesmo nos deu desde a criação. Muitas vezes, porém, escolhemos as coisas erradas. Andamos por caminhos tortuosos. Basta ver o que o Profeta Amós (6,1a.4-7), mais uma vez vem denunciando e que Jesus complementa no Evangelho (Lucas 16,19-31). Infeliz daquele que vive a sua vida e a sua fé de qualquer jeito; que coloca toda a felicidade e realização nas coisas materiais; que não consegue partilhar o que tem com os seus irmãos. As riquezas poderão se tornar, desta forma, motivo de condenação eterna.

Jesus, falando com um fariseu, quer mostrar o que acontece com aquele que vive somente para si. O homem rico, que não recebe nome, podendo ser cada um de nós, preocupou-se apenas em aproveitar e gozar a vida usando dos seus bens para benefício próprio. Quando alguém acumula muito, falta para os outros. Aqui estamos diante de dois pecados: acúmulo desnecessário e a ganância. Ele vivia fazendo festas e não partilhava com o pobre, neste caso Lázaro, que estava, frisa a Palavra, no “chão à porta do rico”. O rico sabia da existência dele, pois este estava à porta, e mesmo assim não queria ajudar.

Quando ambos morrem, inverte-se a situação. A justiça é feita. Lázaro vai para junto de Deus para ser consolado e o rico para os tormentos. Isso pode acontecer em todos os tempos da história quando alguém coloca as coisas em primeiro lugar e não partilha com quem nada tem. Os bens podem ser meio de salvação ou de condenação. Aqui o problema em si não é ter coisas, mas usar elas apenas para benefício próprio, sabendo que muitos batem a nossa porta pedindo migalhas.

Acontece um diálogo entre Abração e o homem rico que sofre tormentos. Inverte-se a lógica. Agora ele é o pedinte. Aquele que precisa ser consolado. Acompanhemos este diálogo que é muito forte:

“Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'”.

Diante do que estava sofrendo, o rico pede pelos seus para que também não venham a perecer. Abraão responde que eles tem os profetas e o próprio Cristo que ressuscitará dos mortos para escutar e obedecer. Mas quando o coração está preso as coisas, nem estes conseguirão transformar estes corações. Acompanhemos o restante da narrativa:

“O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. Mas Abraão lhe disse: `Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.”

Queridos e amados irmãos. São palavras fortes e duras. Deus é misericordioso e justo. Como dizíamos acima, Ele nos fez livres para escolhermos por quais caminhos vamos indo. A escolha é nossa! Receberemos a recompensa de acordo com as nossas obras.

Para nós fica a exortação de São Paulo para vivermos bem a nossa fé e assim sermos acolhidos por Deus na pátria celeste. Lá Ele nos espera de braços abertos. Vamos caminhando e nos animando uns aos outros na perseverança do bem. A gente se encontra no abraço misericordioso do Pai. Que a Palavra de Deus nos mostre o caminho.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.