2 de fevereiro de 2011

FILOSOFIA: A ALMA DA EDUCAÇÃO


Voltamos a falar desse assunto tão antigo, mas sempre novo e instigador. Algo que para alguns é uma chatice, mas para outros é provocador: a importância da Filosofia na Educação.
Quando falamos em Educação, falamos desde o ABC que aprendemos até ao PHD. A Filosofia, por sua natureza, é inerente em todas as fases da Educação. Se não a valorizarmos como deveríamos, estamos perdendo tempo.
A Filosofia é a “ciência geral dos princípios e causas ou sistema de noções gerais sobre o conjunto das coisas; esforço para generalizar, aprofundar, refletir e explicar; sistema de valores, força moral e elevação de espírito com que o homem se coloca acima dos preconceitos; sabedoria”. (Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira)
A valorização da Filosofia é fazer com que ela esteja presente na escola, não só como disciplina curricular, mas que faça parte de todos os processos de elaboração, avaliação e execução de qualquer outra disciplina ou atividade. Com uma visão crítica sobre a necessidade e a importância de cada matéria, será definido o perfil dessa mesma escola. Por isso cada escola deve construir sua grade curricular a partir, não só do que é obrigatório, mas do que é necessário para a sua região. Construir a partir de urgências que clamam por soluções, responsabilizando toda a comunidade escolar, que inclui pais, alunos, professores e vizinhos.
Em outro texto falamos da importância da Filosofia na Educação. Agora precisamos refletir como a Educação cai na superficialidade sem a presença da Filosofia. Isso porque, sem a presença da Filosofia, a própria Educação deixa de ser crítica e passa a funcionar como uma montadora de automóveis, onde as peças são encaixadas para que o veículo funcione de acordo com as necessidades do projeto e do usuário. Sai com um manual de instruções para as peças poderem ser recolocadas e consertadas em caso de estrago e elas voltarem a rodar por mais um tempo.
Muitas vezes as escolas fazem esse papel. E o pior de tudo é saber que o fazem de forma consciente. Vão incutindo em seus alunos uma medida exata de Português, outra de Matemática, Geografia, História, Ciências etc. Tudo é tão bem encaixado, que o aluno passa a funcionar como uma máquina, um robô planejado para uma determinada função. Aí, no final da produção, vem o teste de qualidade: de cabeça erguida e cheio de orgulho com um papel na mão, o professor revisa as peças para ver se estão bem encaixadas. Se alguma coisa estiver fora do lugar o produto final é reprovado, aí vai para a reciclagem ou direto para o desmanche. Vira sucata para receber uma nova forma.
Em muitas instituições de ensino, infelizmente, o processo educacional já encarnou esse terrível e deteriorante processo. Passa os conteúdos sem jamais refletir sobre eles. Os alunos têm que engolir como se fosse a verdade, sem jamais ousarem discordar ou questionar. É como engolir farofa sem água. Lamentavelmente até algumas universidades estão fazendo a mesma coisa com os seus alunos. São grandes montadoras que funcionam para um determinado mercado, exigente com a qualidade externa do produto e não com o valor do mesmo. Tudo é descartável: se não funciona como se quer, troca-se por outro igual, ou melhor. E assim sucessivamente...
A Educação deveria estar preocupada em formar cidadãos e não peças para um mercado de trabalho sempre mais desumanizador. Deveria se preocupar em formar cidadãos de bem, e não meros robôs a serviço do mercado. Estão ensinando competição em vez de participação e, cada vez mais, temos pessoas formadas, mas não educadas; com diploma, mas sem sabedoria; com títulos, mas sem conhecimento. Isso tudo é fruto de uma Educação muito superficial e sem qualidade, em todos os níveis.
É lamentável que isso ainda esteja acontecendo em nosso século, depois de tantas conquistas e de tanta evolução. Estamos evoluindo na descoberta de novos planetas e no conhecimento das ciências exatas, enquanto regredimos no conhecimento da pessoa e da humanidade; deixamos de buscar as formas inteligentes de viver e somente encontramos formas auto-destruidoras.
Antes de nos perguntarmos sobre qual país e qual sociedade queremos, temos que nos perguntar: qual a Educação que temos?
É pela Educação que se conhece um povo. Não adianta ter títulos, troféus, diplomas, se não temos conhecimento e sabedoria. Corremos o risco de ter tantos papéis e títulos que nem saberemos para que possam servir!

Hermes José Novakoski