1 de março de 2011

Carnificina no trânsito (com estatísticas da ONU e OMS)

É assustador o que assistimos a cada feriado e fim de semana no trânsito. São muitas as vidas ceifadas pela imprudência, pelo desrespeito, pela pressa, pela irresponsabilidade de muitos motoristas.
Notícias como essas são assustadoras: “Mortes no trânsito superam homicídios em São Paulo” (Folha Online); “Média diária de mortes no trânsito é a maior em quatro anos no RS” (Intelog.com.br). "O Brasil ocupa a décima colocação no ranking de mortes por acidentes no trânsito em todo o mundo" (...)  "O número de óbitos por acidentes de transporte passou de 30.994 em 1998 para 39.211 em 2008. O aumento, de 20,8% é levemente superior ao crescimento da população brasileira no período, de 17,2%" (Agencia CNT de Noticias)
Um dado ainda mais curioso: segundo a ONU, “a cada ano, cerca de 400 mil jovens com menos de 25 anos morrem em acidentes de trânsito nas estradas de todo o mundo”. Os dados mostram ainda que o número de jovens tende a reduzir mais, pois “enquanto a juventude representa cerca de 10% da população mundial, os jovens correspondem a 27% das vítimas fatais em acidentes de trânsito”.
Os mais vulneráveis, segundo a pesquisa da ONU, são os pedestres, ciclistas e motociclistas, correspondendo à metade dos mortos em acidentes rodoviários no mundo. Do acordo com os dados da OMS, 1,2 milhões de pessoas morrem no trânsito por ano.
Os carros deixaram de ser um meio de transporte tranqüilo, onde a família inteira viajava para mais um fim de semana de descanso ou um período de férias. Hoje, quando alguém sai de casa para viajar a pergunta que surge é: será que ele vai voltar? Queira Deus que ele vá e volte bem! Tudo isso porque alguns motoristas não dão a mínima importância para a própria vida e muito menos para vida dos outros.
Ao abrir o jornal e ver aqueles números absurdos de mortes no trânsito, me cortam o coração. É mais uma família marcada pela dor, pela tristeza, pelo desespero. O pior de tudo é saber que isso poderia ser evitado.
Até quando? Quando as pessoas vão criar consciência e maturidade de que carros não são brinquedos e estrada não é pista de corrida? Será que o amor pela família, pelos amigos não vale mais do que a pressa? É tanta imprudência que nem parece verdade! Precisamos aprender que no trânsito não é a hora adequada para desabafar as coisas ruins que podem ter acontecido durante o dia ou um eventual desentendimento.
Será que a vida vale tão pouco? Será que as pessoas não querem mais viver? Pelo menos, eu quero e sei que muitos também querem e peço que esse direito seja respeitado.
É tanta impudência e falta de responsabilidade, que os carros estão virando máquinas de matar. Nos próximos séculos quando forem representar as armas de destruição em massa da nossa época,  vão desenhar um carro cheio de pessoas em alta velocidade. E isso mesmo! Estamos transformando esses meios, que deveriam possibilitar melhor qualidade de vida, em meio de destruição de vidas.
A cada dia mais me convenço que muitas pessoas têm um coração duro, insensível. A dor do outro já não diz nada. O individualismo é tão forte e marcante que não se importam mais com o outro.
Ao vermos a dor de tantas famílias dilaceradas pela desgraça, tantos pais chorando a morte de seus filhos, tantos filhos chorando a morte de seus pais, deveriam aprender que nada vale correr:
A vida precisa ser preservada, amada, respeitada e querida por todos.

            Hermes José Novakoski