17 de março de 2011

O canto na liturgia - por Ir. Lídia N Awoki, pddm

“Que a música, arte divina nos ajude a experimentar a mística da liturgia que se revela, de maneira especial, pela união das vozes e da beleza do som”.

“O canto sacro faz parte necessária ou integrante da liturgia solene. A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica” (SC 112). Canto litúrgico é cantar A LITURGIA, o mistério de Cristo que se celebra, para que a comunidade entre em comunhão com o mistério, se deixa tocar pelo amor de Deus, o acolhe de maneira frutuosa para que modifique a sua vida. É a liturgia de Cristo cantada, celebrada com canto, pois “o canto constitui um sinal de alegria do coração”. “Cantar é próprio de quem ama”, diz Santo Agostinho. E o provérbio antigo, diz: “Quem canta bem, reza duas vezes”.

O documento da CNBB “A música litúrgica no Brasil”, nº 192 recorda: “Na celebração do culto da Igreja, a proposta não é de ‘fazer música’, mas de entrar, por meio da arte musical, no mistério da salvação”. “Não é coisa que se acrescente à oração, como algo extrínseco, mas muito mais, como algo que brota das profundezas do espírito de quem reza e louva a Deus” (Estudos da CNBB 79, A música litúrgica no Brasil).

O Catecismo dá três motivos em favor da liturgia cantada e tocada. A oração adquire uma expressão de beleza maior. O canto une os corações da assembléia e a liturgia se torna mais celebração.

“O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por ‘estarem intimamente ligados à ação litúrgica’ segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembléia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis” (Catecismo nº 1157).

Critérios para a escolha dos cantos na liturgia:
·         Levar em conta as pessoas, pois a assembléia litúrgica tem primazia como sujeito da ação litúrgica. Quem celebra (adultos, jovens ou crianças) com suas peculiaridades de idade, mentalidade, índole, necessidades e possibilidades. Respeitar, portanto, a sensibilidade religiosa do povo.
·         Levar em conta o tempo do Ano Litúrgico, para a escolha dos cantos do “Próprio do tempo” e o número de cantos e tonalidade dos cantos do comum, cantos livres ou músicas. Se possível os cantos estejam em sintonia com os textos bíblicos de cada celebração, especialmente com o Evangelho. Pois, assim nos recomenda o documento do Vaticano II, a SC 112: “o canto esteja intimamente ligada à ação litúrgica a ser realizada”.
·         Escolher o canto adequado ao momento ritual dentro da celebração.
·         Levar em conta a vida da comunidade com suas alegrias e dificuldades, suas lutas, a pobreza, etc, onde Cristo se faz presente com sua salvação, evitando dois perigos tanto o exagerado individualismo, quanto o exagerado militantismo.
·         Privilegiar cantos de qualidade: de inspiração bíblica, linguagem poética e simbólica, caráter orante, expressivos do diálogo entre Deus e seu povo; linguagem verbal e musical, no jeito da cultura do povo local, possibilitando uma participação consciente, ativa e frutuosa dos fiéis.
·         Procurar variar a maneira de cantar (solista, povo, coral).

Este artigo merece ao menos uma palavra sobre o “ministério litúrgico do(a) salmista”, fruto relativamente recente da reforma litúrgica. No passado, compunham-se os tais “cantos de meditação”, evitando-se o texto do salmo responsorial. Hoje, com maior consciência, as comunidades assumem o salmo responsorial como ocasião privilegiada, oferecida pela liturgia, para o contato do povo com a oração inspirada dos salmos. Para ser bem desempenhado, porém, o ministério do salmista requer uma formação litúrgico-musical adequada. Cantando na estante da Palavra, o salmista deve evitar o estrelismo de cantar rebuscadamente: o texto seja entoado de maneira clara, sem floreios que dificultem o entendimento do texto inspirado.

Ir. Lídia Natsuko Awoki, pddm
Artigo publicado com a autorização da autora.