1 de março de 2011

“A proclamação da Palavra na liturgia” - por Ir. Lídia N Awoki, pddm

O Senhor Iahweh me deu uma língua de discípulo para que eu soubesse trazer ao cansado uma palavra de conforto. De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como discípulo (Is 50,4).

O leitor ou a leitora ao proclamar a Palavra de Deus na celebração litúrgica está realizando um gesto simbólico-sacramental. É o próprio “Cristo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja” (Sacrosanctum Concilium 7 (SC). Para fazer experiência da Salvação que a palavra anuncia e realiza, a liturgia se serve de sinais sensíveis (cf. SC 7). Os sinais sensíveis evocam, revelam e manifestam a “outra realidade”, isto é, o mistério da nossa salvação que tem como centro e fundamento o mistério pascal de Cristo. Mais ainda, os sinais sensíveis realizam o que significam. A significação não acontece automaticamente, depende da preparação dos leitores, da assembléia litúrgica, do lugar da proclamação da Palavra, ou seja, dos sinais sensíveis.
São diversos os ministros e ministras que se colocam a serviço do Senhor e da assembléia litúrgica para a proclamação da Palavra de Deus.
Os leitores e leitoras assumem um verdadeiro ministério litúrgico [cf. SC 29; OLM 49 (Ordo Lectionum Missae)]. Proclamam a Palavra do Senhor, são servidores de Jesus Cristo, emprestam a própria voz para que o anúncio salvífico chegue ao coração das pessoas. Para isso é importante a preparação dos mesmos: “O que mais contribui para uma adequada comunicação da Palavra de Deus à assembléia por meio das leituras é a própria maneira de proclamar dos leitores, que devem fazê-lo em voz alta e clara, tendo conhecimento do que lêem” (OLM, 14). Daí exige-se dos que proclamam as leituras “uma preparação em primeiro lugar espiritual, mas é necessária também uma preparação técnica. A preparação espiritual supõe pelo menos dupla instrução: bíblica e litúrgica. A instrução bíblica deve encaminhar-se no sentido de que os leitores possam compreender as leituras em seu contexto próprio e entender à luz da fé o núcleo central da mensagem revelada. A instrução litúrgica deve facilitar aos leitores certa percepção do sentido e da estrutura da liturgia da palavra e a relação entre a liturgia eucarística. A preparação técnica deve capacitar os leitores para que se tornem sempre mais aptos na arte de ler diante do povo, seja de viva voz, seja com a ajuda de instrumentos modernos para a ampliação da voz” (OLM 55).
O diácono é o ministro que tem a função de proclamar o Evangelho, ponto alto da liturgia da Palavra (cf. OLM 13,17) e também fazer de vez em quando a homilia (cf. OLM 50).
O salmista entoa o salmo que é Palavra de Deus cantada. Este deve ser “dotado da arte de salmodiar e de uma boa pronúncia e dicção” (OLM 56; IGMR 102). Para este também é necessário formação bíblico-litúrgica, espiritual, musical e técnica.
O homiliasta que na maioria das vezes é o presidente da celebração, ou eventualmente um outro padre ou diácono (cf. OLM 38, 41, 50; IGMR 66), faz a homilia de tal forma que o povo compreenda saborosamente a palavra de Deus e possa ligar textos sagrados, a realidade na qual vivemos e o mistério celebrado (OLM 41).
O (a) animador (a) introduz as leituras, com palavras claras, sóbrias e concisas, ajudando a assembléia a estar atenta para a escuta (OLM 57).
 É importante a postura do corpo, o tom da voz, o olhar dos ministros e ministras da palavra, a boa qualidade do som... Tudo deve ser preparado e realizado com verdadeira unção para que a Palavra de Deus seja proclamada dignamente e cumpra sua missão.
Na liturgia da palavra numa atitude de discípulos, ouvimos, falamos, cantamos, sentimos o cheiro do incenso, vemos o leitor, a procissão com o evangeliário, tocamos o livro, fazemos silêncio.
Como assembléia de fé, ficamos em pé ao escutar o evangelho, ficamos sentados para ouvir as leituras e responder à Palavra de Deus com o salmo responsorial.
Os ministros conforme a função que lhes cabe proclamam a palavra em pé, carregam o evangeliário em procissão, incensam e beijam o livro. Olham a assembléia com um olhar amoroso e escutam a resposta da assembléia. Os gestos, as atitudes nos ligam ao mistério pascal de Jesus Cristo.

Ir. Lídia Natsuko Awoki, pddm
Artigo publicado com a autorização da autora.