6 de abril de 2011

Aparente derrota do tráfico não significa o fim da violência


Tem notícias que assustam a gente. Parece que o Estado brasileiro quer vencer a violência com repressão e mais violência. Há uma tentativa de mostrar quem é mais forte. Nem sempre a polícia venceu. Muitas vezes foi reprimida.

Enquanto o país não investir em políticas públicas de promoção à pessoa humana, todas as outras ações correm sério risco de fracassar, porque não melhoram a vida das pessoas, apenas abrandam a situação. A reportagem chama a atenção a isso. Acompanhe!


No domingo (28/11), uma ação que reuniu três mil policiais e militares das forças armadas resultou na ocupação do complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Na região, formada por 14 favelas, vivem mais de 400 mil pessoas. Dias antes, a Vila Cruzeiro havia sido tomada numa situação parecida. Com quase 100 suspeitos mortos, o governo do estado anunciou que os traficantes foram vencidos e que as forças armadas permanecerão nas comunidades até o próximo ano.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) alerta que diferente do que se está sendo noticiado, essa aparente derrota do tráfico não significa o fim da violência. Ele lembra que as ações de enfrentamento nunca trouxeram resultados positivos.

“Nós temos em nossa história republicana, desde Canudos, a ideia de que se resolve as questões do inimigo interno com a ação bélica e militar do Estado. A gente não conseguiu até agora mostrar um resultado diferente do crescimento da própria violência onde o Estado age só dessa maneira. Uma sociedade segura não é uma sociedade com muita polícia, mas uma sociedade que garanta direitos. Qualquer que seja a criminalidade deve ser enfrentada, mas é preciso enfrentar o crime organizado.”

Marcelo acredita que os traficantes se reorganizarão se continuarem recebendo armas e drogas. Para ele, a presença do Estado deveria se dar com a promoção de políticas públicas. No entanto, nos locais dominados pelo tráfico e pelas milícias, há uma ausência total do Estado.

“O que temos aqui é um processo muito mais de acirramento da criminalização da pobreza do que, fundamentalmente, uma política que construa uma sociedade mais justa. Não ter política pública é uma política pública. Esta é a situação do Rio de janeiro.”

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo. 29-Nov-2010