15 de julho de 2011

"DEIXAI CRESCER UM E OUTRO" (XVI Domingo do Tempo Comum)


Reflexão da liturgia do XVI Domingo do Tempo Comum. Leituras: Sabedoria 12,13.16-19; Salmo 85(86) Romanos 8,26-27; Mateus 13,24-43). 
Muitas vezes a humanidade se perguntou do por que da existência do mal. Nem Jesus responde essa questão. Na parábola deste final de semana (Mateus 13,24-43) ele diz, usando a parábola do joio e do trigo, que os dois crescerão juntos e serão separados no tempo da colheita.

Usando elementos agrícolas para facilitar a compreensão dos ouvintes, Jesus diz que o trigo, boa semente, é semeado por Ele. “O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao reino. O joio são os que pertencem ao maligno”. (Mt 13,38).

Poderíamos nos perguntar: por que não exterminar de uma vez por todas com o joio? O Evangelho nos dá a resposta: “Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro” (Mt 13,29-30).

A presença no mal no mundo não é sinal de abandono por parte de Deus. Muito pelo contrário, o próprio Deus está constantemente nos protegendo contra o ataque do mal. Por que ele existe é um mistério. Como, porém, podemos ser libertos dele, Deus nos dá todos os meios. A primeira leitura do livro da Sabedoria deixa bem claro isso: “Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. (Sb 12,13)

Deixar crescer o trigo e o joio é permitir que aqueles que ainda não conhecem a Deus possam vir a conhecer e se salvar. Deus não quer condenar ninguém, por isso ele não extermina logo com o joio. Deixa que cresçam juntos na esperança de que o joio se converta por estar junto com o trigo.

Os cristãos são o trigo presente no mundo, por isso devem ser sinais de salvação e da graça de Deus aos outros. O que podemos e devemos fazer? Rezar é o primeiro gesto concreto. A oração deve nos levar a viver o que rezamos e acreditamos. Quem não vive o que reza, não entendeu o significado da oração e para este, a oração é apenas um palavreado sem significado nenhum.

Às vezes parece que o joio vai tomar conta e sufocar o trigo. Sabemos que isso não vai acontecer, porque o trigo é semeadura de Deus. E Deus levará a bom termo a obra por Ele começada. É por isso que “o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor com gemidos inefáveis” (Rm 8,26), a nós diz São Paulo na segunda leitura. Os cristãos não devem temer, mas confiar.

Viver de tal forma que o amor de Deus seja realidade em todas as suas ações e gestos.