4 de agosto de 2011

O chamado de Deus (19º domingo do Tempo Comum)

Estamos no mês de Agosto, dedicado na Igreja Católica à reflexão sobre a vocação. No primeiro domingo (07) a Igreja nos convida a refletirmos sobre a vocação do sacerdote. No segundo domingo (14) sobre a vocação do matrimônio. É também o domingo dedicado aos pais. No terceiro domingo (21) vamos refletir sobre a vocação à Vida Religiosa. No quarto domingo (28) sobre a missão e vocação dos leigos.

Todos são chamados por Deus a uma vocação específica. Cada um é convidado a identificar sua vocação e fazer da sua vida uma resposta a esta vocação. Diferentemente de profissão, vocação é um apaixonar-se pelo que se faz e conseqüentemente encher-se de felicidade por isso. É a realização plena enquanto pessoa.

Nas leituras deste final de semana (07), o 19º domingo do Tempo Comum, vemos Deus chamando Elias para um encontro pessoal (Primeira leitura 1Rs 19,9a.11-13a).

É interessante ressaltar o ambiente do encontro de Deus com Elias. Retirado em uma gruta, Elias ouve Deus chamando: “Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor” (1Rs 19,11). Elias obedece e o Senhor se revela a ele, não no vento, no terremoto, no fogo, mas no “murmúrio de uma leve brisa” (1Rs 19,12). Aprendemos assim que o discernimento, a escuta da voz de Deus não se dá na agitação, na gritaria, na velocidade do mundo. É preciso estar no silêncio, no recolhimento, especialmente no silêncio de si próprio. Deus não se revela na agitação exterior, mas no silêncio do coração de cada um. É nesse estar com Deus que descobrimos qual é a nossa vocação, para a qual Deus nos chama.

São Paulo, na segunda leitura (Rm 9,1-5) lamenta profundamente que seus compatriotas, os israelitas, não corresponderam o chamado de Deus. Mas nem por isso Deus os abandona; eles vão sentir, contudo, as conseqüências desse fechamento. Os seus corações estavam endurecidos. Queriam seguir as próprias leis e não os preceitos divinos. Recusam o Filho enviado por Deus por não ser como eles queriam e esperavam, esquecendo do projeto do Pai.

No Evangelho (Mateus 14,22-33) Jesus provoca Pedro a caminhar sobre as águas. Enquanto ele confia consegue caminhar, mas quando sente o medo, começa a afundar. “Quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, me salva!”(Mt 14,30). Assim acontece na nossa vida. Quando duvidamos da presença de Deus, quando questionamos sua existência, afundamos. Jesus estende a mão, segura Pedro e o repreende: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”(Mt 14,31).

Quantas e quantas vezes duvidamos da presença de Deus em nossa vida! Mesmo assim Ele estende a mão e nos salva. Ele vem em nosso socorro porque sabe que somos fracos.

Rezamos neste final de semana pelos sacerdotes para que sejam cada vez mais pessoas de oração, assim como Jesus foi (“Jesus subiu ao monte, para orar a sós” (Mt 14,23) e ajudem as pessoas a se encontrarem com Deus. É nesse encontro da criatura com o Criador que ela descobre qual é a própria vocação. Que todos os sacerdotes tenham, assim como Jesus, a mão estendida para ajudar aqueles que estão sendo sufocados estão afundando na lama do pecado, do ódio, da inveja, da ganância, da indiferença.

Parabéns a todos nós, sacerdotes, e que sejamos cada vez mais santos, assim como nosso Deus é santo.

Pe. Hermes José Novakoski