9 de setembro de 2011

Quantas vezes devo perdoar - 24º domingo do Tempo Comum

Estamos acostumados a colocar limites em tudo na nossa vida. Além dos limites, gostamos também de quantificar as nossas ações. Quantas vezes preciso fazer isso? Quantas vezes tenho que ir lá?

Nem tudo, porém, pode ser quantificado. O amor, o perdão, o abraço, o sorriso, os sentimentos não podem ser medidos por números, não podem ser quantificados, pois eles vão além disso.

Esse problema não é novo. Na época de Jesus, segundo o que lemos no Evangelho deste final de semana, Pedro interroga Jesus sobre a quantidade de vezes que devemos perdoar. E ele mesmo coloca o limite: “Até sete vezes”? (Mt 18,21). Jesus responde a Pedro dizendo que não devemos colocar limites ao perdão, porque Deus ama e perdoa infinitamente. Sempre que o outro pedir perdão, devemos perdoar, porque assim Deus faz com o pecador arrependido.

Jesus exemplifica contando uma parábola para mostrar que Deus é um rei que pede contas aos seus empregados. Diante da impossibilidade de pagar e atendendo à súplica do devedor, o rei se compadece e lhe perdoa tudo. Assim, o devedor fica livre da dívida. Ele, porém, não aprendeu a lição com o rei, pois quando seu companheiro pede que lhe perdoe a dívida, ele não age com compaixão, ao contrário: além de não perdoar, manda que ele seja colocado na prisão até que pague toda a dívida. Diante disso, o patrão fica triste, porque o seu empregado não aprendeu o que significa o perdão e por isso, deve ser castigado.

Olhemos para nossa vida. Deus nos perdoa quando nos arrependemos e buscamos mudar de vida. Somos capazes de perdoar nossos irmãos? Se não perdoamos, não deveríamos chamar a Deus de Pai, pois não somos dignos de sermos seus filhos se não vivemos o que Ele nos ensina. Deus ama e perdoa e nos convida a esse mesmo gesto sem colocar limites. Não podemos perdoar somente sete vezes como Pedro diz, mas infinitamente.

Na oração do Pai Nosso é muito sugestivo: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Deus não coloca condição para perdoar, mas Ele quer que nós perdoemos como Ele perdoa, ou seja, sempre. No Pai Nosso rezamos que seremos perdoados à medida que perdoamos justamente nos convidando ao perdão constante. A misericórdia de Deus é maior que tudo isso, por isso ela nos perdoa e abraça apesar das nossas misérias.

Havendo verdadeiro perdão nas famílias e nos círculos de amigos, teremos uma sociedade mais fraterna. Quantos males seriam evitados se houvesse o verdadeiro perdão? Quantas famílias seriam restabelecidas se houvesse mais amor e diálogo?

Senhor Deus! Torne o nosso coração cada dia mais semelhante ao Vosso. Que saibamos perdoar sempre os nossos irmãos assim como nos perdoas.

Pe. Hermes José Novakoski

LITURGIA DO 24º DOMINGO DO TEMPO COMUM
I Leitura: Eclesiástico 27,33-28,9
Salmo 102(103)
II Leitura: Romanos 14,7-9
Evangelho: Mateus 18,21-35.