20 de outubro de 2011

Amar a Deus e ao próximo - 30º domingo do Tempo Comum

Vivemos numa época em que as relações são fragilizadas e muitas vezes descartáveis. O mundo virtual contribui para isso. São relações frias, distantes e podem ser irreais, pois qualquer um pode forjar um perfil e conversar com o outro.
Com isso se pensou que o problema da solidão estava resolvido. Ninguém mais se sentiria só, pois basta um click e você está conectado com o mundo.
Aqueles que pensavam que o problema de solidão e de relação estava resolvido enganaram-se. Os meios de comunicação aproximam, mas nunca irá substituir o abraço, o olhar, o carinho que podem ser transmitidos somente na relação humana.
Assim acabamos endeusando a máquina e nos esquecemos das pessoas. Buscamos relações, amigos fora e esquecemos-nos dos que estão em casa, ao nosso lado; aqueles velhos amigos do tempo de escola, da faculdade, do primeiro emprego.
Esquecemos que amar é ação e não sentimento. Quem ama cuida, educa, está próximo, estende a mão, sorri, chora, canta, pula, dança. Enfim, é presença real.
Quando Jesus diz que o primeiro e maior dos mandamentos é “amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento” (Mateus 22,37), quer nos dizer que devemos ter uma relação de proximidade íntima com Deus. Tornar-se amigo íntimo do Senhor e estar com Ele, pois Ele caminha conosco. O amor a Deus deve ser total e ocupar o primeiro lugar em nossa vida, porque senão, estaremos colocando as coisas no lugar de Deus. E quando colocamos as coisas e inclusive as pessoas em primeiro lugar, nosso amor vai se esvaziando porque as coisas acabam e as pessoas passam e às vezes nos desapontam e desanimam. Quando Deus, porém, ocupa o primeiro lugar em nossa vida, o amor, que é o próprio Deus, nos transforma e nos renova sempre mais, tornando-nos pessoas felizes e realizadas. Como podemos amar de verdade se estamos longe do verdadeiro amor?
O segundo mandamento é semelhante ao primeiro. Também exige amor. Depois de experimentar a verdadeira fonte do amor e ser inebriado por ela, podemos amar aos outros sem nunca sermos decepcionados, porque o nosso amor não buscará recompensa e nem satisfação.
“Amar ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,39) é fazer ao outro o que queremos que ele nos faça. É também ir ao encontro do outro e tornar-se próximo, a exemplo do Bom Samaritano que ao ver o homem caído à beira do caminho, não pergunta quem ele é e nem de onde ele vem, mas se aproxima, torna-se próximo para ajudá-lo. Só consegue fazer esse gesto quem experimentou o amor de Deus em sua vida; deixou-se ser amado por Deus.
Agora voltamos ao início do texto. Nossas relações serão mais fraternas e verdadeiras quando amarmos em primeiro lugar a fonte do Amor, que é Deus. As pessoas não serão objeto e os objetos não se tornarão deuses. Assim nossas relações serão verdadeiras e seremos felizes.
Senhor Deus, venha em nosso auxílio.  Ajude-nos e ensine-nos a amar-Te acima de tudo e a amar os nossos irmãos como Tu nos amas.

Pe. Hermes José Novakoski

LITURGIA DO 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM 
I Leitura: Êxodo 22,20-26
Salmo 17(18)
II Leitura: Tessalonicenses 1,5-10
Evangelho: Mateus 22,34-40.