11 de outubro de 2011

CRIANÇAS

Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade, há uma deliciosa criatura chamada criança. Embora se apresentem em tamanho, pesos e cores sortidos, todas as crianças têm o mesmo credo: aproveitar cada minuto de todas as horas, de todos os dias e protestar ruidosamente (pois barulho é sua única arma) quando seu último minuto é decretado e os adultos as empacotam e as colocam na cama.

Crianças são encontradas em toda parte: em cima de, embaixo de, dentro de, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para...

As mães as adoram, irmãos e irmãs mais velhos as suportam, adultos as ignoram, o Céu as protege!

Uma criança é a verdade com o rosto sujo, a beleza com um corte no dedo, a sabedoria com um chiclete no cabeço, a esperança no futuro com uma rã no bolso.

Quando você está ocupado, a criança é uma conversa fiada, intrometida e amolante. Quando você deseja que ela cause boa impressão, seu cérebro vira geléia ou ela se transforma numa criatura sádica e selvagem empenhada em destruir o mundo ao seu redor...

Uma criança é um ser híbrido: tem o apetite de um cavalo, a energia de uma bomba atômica no bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador, a imaginação de um Julio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro e, quando se mete a fazer alguma coisa, é como se tivesse cinco polegares em cada mão!

Gosta de sorvete, canivete, serrote, pedaços de pau, bichos grandes, dos pais, dos sábados, domingos e feriados e mangueiras d’água. Não é partidária do catecismo, escola, livros sem figuras, lições de música, colarinhos, barbeiros, agasalhos, adultos e “hora de dormir”. Ninguém como elas, se levantam tão cedo e nem chega tão tarde para jantar! Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos. Ninguém é capaz de colocar num só bolso: um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro e meio de barbante, um aro plástico, dois chicletes, três moedas, um estilingue e fragmentos de uma substância ignorada...

Uma criança é uma criatura mágica: você pode mantê-la fora do seu escritório, mas não pode expulsá-la de seu coração. Pode pô-la fora da sala de visitas, mas não pode tirá-la de sua mente. Queira ou não, ela é seu captor, seu dono, seu patrão, um nanico, um saco de encrencas.

Mas... Quando, à noite você chega em casa com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ela possui a magia de soldá-los num segundo, pronunciando duas simples palavras: “alô, papai” – “alô mamãe”...

Autor desconhecido

Texto recebido por e-mail.