17 de novembro de 2011

“O Senhor é o Pastor que me conduz” - Cristo, Rei do Universo

Com a celebração Eucarística deste final de semana, encerramos o Ano Litúrgico de 2011. E como todo final de ano, somos convidados a uma avaliação da nossa caminhada e renovar os propósitos para uma vida mais santa. 

Nos últimos anos têm surgido muitas religiões com o simples e único propósito de satisfazer nossos desejos humanos de bem estar econômico e saúde física. A pregação está centrada no EU. O que interessa é a realização pessoal em todos os níveis. Cada um deve caminhar sozinho. Ir à busca do sucesso pessoal. Tempo para o outro não existe. Somos tomados por tantas coisas que não temos tempo para o outro.

Parece que o mundo caminha cada vez mais distante da lógica do Evangelho e ainda têm a coragem de se intitular cristão. Como vemos no trecho do Evangelho deste domingo, cristão é aquele que doa sua vida pelos menores, pois é neles que Deus se manifesta e foi isso que Jesus fez.

Vale a pena lembrar que Jesus não buscou sucesso pessoal e nem realização política. Sua vida foi doação total. Esvaziou-se a si mesmo tornando-se servo.

Ao celebrarmos a festa de Cristo, Rei no Universo, vemos que Ele é Pastor, Soberano e Juiz.

Na 1ª leitura da Profecia de Ezequiel, temos o retrato do Pastor que é Deus:

“Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. (...) Vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que foram dispersas. (...) Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar. (...) Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a perna quebrada, fortalecer a doente e vigiar a ovelha gorda e forte”. (Ez 34,11-12.15-17).

Deus não abandona e nem desiste daqueles que o abandonaram e desistiram d’Ele. Ao contrário, resgata, apascenta, procura, reconduz, cura, fortalece, vigia. Porque Ele quer que todos nós sejamos um só rebanho reunido por um só Pastor.

Na 2ª leitura, São Paulo nos diz que Cristo há de reinar sobre tudo, pois foi por meio Dele que nos veio a Salvação. Reinará “para que Deus seja tudo em todos” (1Cor 15,28).

A pergunta que todos se fazem: no final de tudo, vamos para o céu ou para o inferno? Jesus responde que depende de nós e não d’Ele. Depende da nossa vida. Do que fizemos ou deixamos de fazer.

Serão benditos, bem-aventurados e irão para o Reino Celeste aqueles que serviram a Cristo nos pequenos. Serão malditos e irão para o fogo eterno aqueles que se recusaram serem ovelhas e não serviram a Cristo nos pequenos, mas apenas pensaram em si. Vale a pena lembrar que o próprio Deus (1ª leitura) vem em nosso socorro, pois Ele quer que sejamos resgatados, mas a escolha é nossa. Podemos ou não deixar que Deus nos resgate e nos faça participantes do Seu Reino.

Acompanhemos o relato do Evangelho, onde Jesus apresenta de forma clara quem irá participar da sua alegria e os que serão condenados. Vejamos como a nossa salvação passa pelo serviço ao próximo:

 “Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35 Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em tua casa; 36 eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar”. 37 Então os justos lhe perguntarão: “Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer? Com sede e Te demos de beber? 38 Quando foi que Te vimos como estrangeiro e Te recebemos em casa, e sem roupa e Te vestimos? 39 Quando foi que Te vimos doente ou preso e fomos Te visitar?” 40 Então o Rei lhes responderá: “Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizeste isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”41 Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42 Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar”. 44 E responderão também eles: “Senhor, quando foi que Te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não Te servimos?” 45 Então o Rei lhes responderá: “Em verdade eu vos digo: todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!” 46 “Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”. (Mateus 25, 34-46).

Deus nos dá sua graça, nos resgata (1ª leitura), enviou seu Filho para nos salvar (2ª leitura), mas depende de nós aceitarmos ou não Sua proposta. Seremos julgados pelo justo Juiz (Evangelho) pela caridade que usamos para com nossos irmãos.

Neste dia do leigo a Igreja nos lembra que todos nós somos chamados à Salvação por Jesus Cristo. Devemos fazer da nossa vida, pelo Seu exemplo, um ofertório contínuo a Deus, servindo àqueles que mais precisam.

Deus nos abençoe e ajude a caminhar sempre nos caminhos que nos levam à Salvação.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

LEITURAS
I Leitura: Ezequiel 34,11-12.15-17
Salmo 22(23)
II Leitura: I Coríntios 15,20-26.28
Evangelho: Mateus 25,31-46