13 de junho de 2014

UMA COPA PARA QUEM?

NOTÍCIA NO SITE DA REVISTA PLACAR, DA EDITORA ABRIL:

O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014 (...). Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infraestrutura. Desse valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 bilhões de reais são da iniciativa privada.

A maior parte dos gastos foi feita para o transporte e aeroportos. Somadas, as obras de vias e transporte público e dos aeroportos dá 60,1% dos investimentos. São 33,6% (ou 8,6 bilhões de reais) com transporte terrestre e 26,5% (6,8 bilhões de reais) com o transporte aéreo. Os portos ainda somaram 2,6% do total dos investimentos, enquanto a infraestrutura das telecomunicações receberam 1,4% dos investimentos. Estes foram os gastos que ficarão como legado após o torneio.

O segundo maior gasto foi com os estádios. 27,7% dos 25,6 milhões de reais foram investidos nas reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais. Outros 7,3% foram utilizados para segurança pública, enquanto o turismo recebeu 0,8%.

Ainda segundo os dados oficiais do governo brasileiro, as obras da Copa do Mundo geraram um total de 3,6 milhões de empregos diretos. (Acessado em 12 de junho de 2014 às 22:13 - http://placar.abril.com.br/materia/governo-divulga-gastos-com-a-copa-do-mundo-25-6-milhoes-de-reais).



Show, espetáculo, festa, alegria, confraternização... São muitos os termos que poderíamos usar para definir o que estamos vivendo nestes dias. Receber a copa em casa, como se tem dito, é muito bonito, emocionante e agradável. O mundo está com os olhos voltados para o Brasil. Assim seremos um pouco mais conhecidos.

Enquanto alguns se alegram, festejam, torcem, vibram pela seleção e pelo futebol, outros vão às ruas para depredar e bagunçar. Direito de uns e de outros devem ser respeitados, mas discordo com esses atos de violência e depredação que não levarão a nada. Estes são sinais da imaturidade em reclamar nossos direitos. Quem quebra tudo para chamar a atenção de algo que não está bem é a criança, pois é a única forma que encontra para gritar. Mas adultos se fazendo de criança e depredando tudo em nome de não sei o que, é inadmissível. Até quando?

Utilizo-me das palavras do Papa Francisco ao falar sobre a Copa:

“A minha esperança é que, além de festa do esporte, esta Copa do Mundo possa tornar-se a festa da solidariedade entre os povos. Isso supõe, porém, que as competições futebolísticas sejam consideradas por aquilo que no fundo são: um jogo e ao mesmo tempo uma ocasião de diálogo, de compreensão, de enriquecimento humano recíproco. O esporte não é somente uma forma de entretenimento, mas também - e eu diria, sobretudo - um instrumento para comunicar valores que promovem o bem da pessoa humana e ajudam na construção de uma sociedade mais pacífica e fraterna. Pensemos na lealdade, na perseverança, na amizade, na partilha, na solidariedade. De fato, são muitos os valores e atitudes fomentados pelo futebol que se revelam importantes não só no campo, mas em todos os aspectos da existência, concretamente na construção da paz. O esporte é escola da paz, ensina-nos a construir a paz” (Mensagem do Papa Francisco).

Este deveria ser um momento de unidade do Brasil e dos brasileiros. Um momento de mostrar que somos uma nação de paz, fé, amor.

Por outro lado entendo que muitos querem mostrar que nem tudo está como parece. Para a Copa, rapidamente se construíram e reformaram estádios e se fizeram tantas outras obras. Enquanto isso, a educação e a saúde pública continuam engatinhando. Muitas crianças sem acesso à educação de qualidade. Muitas pessoas morrendo diariamente por falta de medicamento e atendimento em hospitais e postos de saúde. Filas intermináveis para transplante e muito mais.

Investir na Copa foi muito bom e necessário. Muitas obras, como as dos aeroportos, infraestrutura das cidades, beneficiarão a população. Pena que nem todas foram bem feitas e concluídas a tempo e que, em muitas, deve ter havido desvios de muito dinheiro. Difícil de aceitar que um país que dispõe de mais de 25 bilhões para esporte, não investe mais em saúde e educação.

Todos sonhamos com o Hexa! Todos queremos ver a seleção levantando a taça. Ficaria melhor na foto que fosse levantada, a mesma taça na educação, na saúde, nas moradias. Que todos os 200 milhões de brasileiros pudessem viver com segurança e com uma vida de campeão.

Não sou contra investimentos e a alegria que este momento nos traz. Apenas gostaria, e acredito que este seja o sonho de muitos, um país com mais justiça, educação, saúde, igualdade. Que nossos políticos fossem mais honestos e sensíveis às necessidades do povo. Que todos sejamos solidários, fraternos, amigos.

Assim como nos emocionamos e nos entusiasmamos ao cantar o belíssimo Hino Nacional, pudéssemos nos alegrar com conquistas significativas para a transformação e o crescimento da Nação. Que, em vez de nos unirmos para destruir, nos uníssemos para construir, ajudar quem precisa. Precisamos unir nossas forças para o bem, pois é ele que nos dará mais paz e alegria. Enquanto houver divisão, desrespeito, não seremos uma verdadeira nação.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP