19 de novembro de 2014

Francisco e Bento XVI: conselhos para juventude

Papa emérito Bento XVI
 
1) Conversar com Deus “Algum de vós poderia talvez identificar-se com a descrição que Edith Stein fez da sua própria adolescência, ela, que viveu depois no Carmelo de Colônia: “Tinha perdido consciente e deliberadamente o costume de rezar”. Durante estes dias (de Jornada Mundial da Juventude) podereis recuperar a experiência vibrante da oração como diálogo com Deus, porque sabemos que nos ama e, a quem, por sua vez, queremos amar”.
2) Contar-lhe as penas e alegrias “Abri o vosso coração a Deus. Deixai-vos surpreender por Cristo. Dai-lhe o ‘direito de vos falar’ durante estes dias. Abri as portas da vossa liberdade ao seu amor misericordioso. Apresentai as vossas alegrias e as vossas penas a Cristo, deixando que ele ilumine com a sua luz a vossa mente e toque com a sua graça o vosso coração.
3) Não desconfiar de Cristo “Queridos jovens, a felicidade que buscais, a felicidade que tendes o direito de saborear, tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, oculto na Eucaristia. Só ele dá plenitude de vida à humanidade. Dizei, com Maria, o vosso ‘sim’ ao Deus que quer entregar-se a vós. Repito-vos hoje o que disse no princípio de meu pontificado: Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”.
4) Estar alegres: querer ser santos “Para além das vocações de consagração especial, está a vocação própria de todo o batizado: também é esta uma vocação que aponta para um ‘alto grau’ da vida cristã ordinária, expressa na santidade. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria (…). A Igreja necessita de santos. Todos estamos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade. Convido-vos a que vos esforceis nestes dias por servir sem reservas a Cristo, custe o que custar. O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente”.
5) Deus: tema de conversa com os amigos “São tantos os nossos companheiros que ainda não conhecem o amor de Deus, ou procuram encher o coração com sucedâneos insignificantes. Portanto, é urgente ser testemunhos do amor que se contempla em Cristo. Queridos jovens, a Igreja necessita autênticos testemunhos para a nova evangelização: homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos outros”.
6) No Domingo, ir à Missa “Não vos deixeis dissuadir de participar na Eucaristia dominical e ajudai também os outros a descobri-la. Certamente, para que dela emane a alegria que necessitamos, devemos aprender a compreendê-la cada vez mais profundamente, devemos aprender a amá-la. Comprometamo-nos com isso, vale a pena! Descubramos a íntima riqueza da liturgia da Igreja e a sua verdadeira grandeza: não somos os que fazemos uma festa para nós, mas, pelo contrário, é o próprio Deus vivo que prepara uma festa para nós. Com o amor à Eucaristia redescobrireis também o sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus permite sempre que a nossa vida comece novamente”.
7) Demonstrar que Deus não é triste “Quem descobriu Cristo deve levar os outros para ele. Uma grande alegria não se pode guardar para si mesmo. É necessário transmiti-la. Em numerosas partes do mundo existe hoje um estranho esquecimento de Deus. Parece que tudo anda igualmente sem ele. Mas ao mesmo tempo existe também um sentimento de frustração, de insatisfação de tudo e de todos. Dá vontade de exclamar: Não é possível que a vida seja assim! Verdadeiramente não”.
8) Conhecer a fé “Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que nos indica o caminho: Jesus Cristo. Tratemos, nós mesmos, de conhecê-lo cada vez melhor para poder conduzir também os outros, de modo convincente, a ele. Por isso é tão importante o amor à Sagrada Escritura e, em consequência, conhecer a fé da Igreja que nos mostra o sentido da Escritura”.
9) Ajudar: ser útil “Se pensarmos e vivermos inseridos na comunhão com Cristo, os nossos olhos se abrem. Não nos conformaremos mais em viver preocupados somente conosco mesmo, mas veremos como e onde somos necessários. Vivendo e atuando assim dar-nos-emos conta rapidamente que é muito mais belo ser úteis e estar à disposição dos outros do que preocupar-nos somente com as comodidades que nos são oferecidas. Eu sei que vós, como jovens, aspirais a coisas grandes, que quereis comprometer-vos com um mundo melhor. Demonstrai-o aos homens, demonstrai-o ao mundo, que espera exatamente este testemunho dos discípulos de Jesus Cristo. Um mundo que, sobretudo mediante o vosso amor, poderá descobrir a estrela que seguimos como crentes”.
10) Ler a Bíblia “O segredo para ter um ‘coração que entenda’ é edificar um coração capaz de escutar. Isto é possível meditando sem cessar a palavra de Deus e permanecendo enraizados nela, mediante o esforço de conhecê-la sempre melhor. Queridos jovens, exorto-vos a adquirir intimidade com a Bíblia, a tê-la à mão, para que seja para vós como uma bússola que indica o caminho a seguir. Lendo-a, aprendereis a conhecer Cristo. São Jerônimo observa a este respeito: ‘O desconhecimento das Escrituras é o desconhecimento de Cristo’”. 
Para Francisco
1) Ter um coração jovem sempre: “Vós tendes uma parte importante na festa da fé! Vós nos trazeis a alegria da fé e nos dizeis que devemos vivê-la com um coração jovem sempre: um coração jovem, mesmo aos setenta, oitenta anos! Coração jovem! Com Cristo o coração não envelhece nunca!” (Homilia de Domingo de Ramos 24/03/2013 – Dia da Juventude)
2) Ir contra a corrente: “Sim, jovens, ouvistes bem: ir contra a corrente. Isso fortalece o coração, já que “ir contra a corrente” requer coragem, e o Senhor nos dá essa coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam nos meter medo se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade d’Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida”. (Santa Missa dos crismandos em Roma – 28 de abril de 2013)
3) Apostar em grandes ideais: “Não enterrem os talentos! Apostem em grandes ideais, aqueles que alargam o coração, aqueles ideais de serviço que tornam fecundos os seus talentos. A vida não é dada para que a conservemos para nós mesmos, mas para que a doemos. Queridos jovens, tenham uma grande alma! Não tenham medo de sonhar com coisas grandes!” (Catequese do dia 24/04/2013).
4) Estar com Deus em silêncio: “Aprendam a permanecer em silêncio diante d’Ele, a ler e meditar a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a dialogar com Ele, todos os dias, para sentir a Sua presença de amizade e de amor”. (Mensagem aos jovens reunidos para a “Sexta Jornada dos Jovens” da Lituânia 28-30 de junho)
5) Rezar o Rosário: “Gostaria de destacar a beleza de uma oração contemplativa simples, acessível a todos, grandes e pequenos, cultos e pouco instruídos: a oração do Santo Rosário. O Rosário é um instrumento eficaz para nos ajudar a nos abrirmos a Deus, porque nos ajuda a vencer o egoísmo e a levar a paz aos corações, às famílias, à sociedade e ao mundo.” (Mensagem aos jovens reunidos para a “Sexta Jornada dos Jovens” da Lituânia 28-30 de junho)
6) Fazer barulho: “Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente. Mas eu quero que se façam ouvir também, nas dioceses, quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos”. (Discurso aos Jovens Argentinos durante a JMJ Rio 2013)
7) Aproximar-se da cruz de Cristo: “Queridos amigos, a Cruz de Cristo nos ensina a sermos como o Cireneu, aquele que ajuda Jesus a levar o madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o fim, com amor, com ternura. E você, como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?” (Discurso aos Jovens durante a Via-sacra, em Copacabana, durante a JMJ Rio 2013)
8) Ser protagonista das mudanças: “Através de vocês, entra o futuro no mundo. Também a vocês, eu peço para serem protagonistas desta mudança. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não ‘olhem da sacada’ a vida, entrem nela. Jesus não ficou na sacada, Ele mergulhou… ‘Não olhem da sacada’ a vida, mergulhem nela como fez Jesus”. (Discurso na Vigília de Oração, na praia de Copacabana, durante a JMJ Rio 2013)
9) Servir sem medo: “Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da Sua misericórdia e do Seu amor”. (Homilia da Missa de encerramento da JMJ Rio 2013)
10) Ser revolucionário: “Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, que não vale a pena se comprometer por toda a vida, fazer escolhas definitivas ‘para sempre’, uma vez que não se sabe o que nos reserva o amanhã. Nisso peço que se rebelem: que se rebelem contra a cultura do provisório, a qual, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. E também tenham a coragem de ser felizes!” (Discurso aos voluntários da JMJ Rio 2013)

Catequese do Papa sobre o chamado à santidade

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Um grande dom do Concílio Vaticano II foi aquele de ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e de ter interpretado também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto nos ajudou a entender melhor que todos os cristãos, enquanto batizados, têm igual dignidade diante do Senhor e têm em comum a mesma vocação, que é aquela à santidade (cfr Cost. Lumen gentium, 39-42). Agora nos perguntamos: em que consiste essa vocação universal a ser santos? E como podemos realizá-la?
1. Antes de tudo devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nós procuramos, que obtemos com as nossas qualidades e as nossas capacidades. A santidade é um dom, é o dom que nos dá o Senhor Jesus, quando nos toma consigo e nos reveste de si mesmo, torna-nos como Ele. Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que “Cristo amou a Igreja e deu a si mesmo por ela, para torná-la santa” (Ef 5, 25-26). Bem, realmente a santidade é a face mais bela da Igreja, a face mais bela: é nos recobrir em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Entende-se, então, que a santidade não é uma prerrogativa somente de alguns: a santidade é um dom que é oferecido a todos, ninguém excluído, pelo qual constitui o caráter distintivo de cada cristão.
2. Tudo isso nos faz compreender que, para ser santos, não é preciso necessariamente ser bispo, padre ou religioso: não, todos somos chamados a nos tornar santos! Tantas vezes, depois, somos tentados a pensar que a santidade seja reservada somente àqueles que têm a possibilidade de destacar-se dos assuntos ordinários, por dedicar-se exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de imagem. Não! Não é isto a santidade! A santidade é algo maior, mais profundo que Deus nos dá. Antes, é justamente vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornar santos. E cada um nas condições e no estado de vida em que se encontra. Mas você é consagrado, é consagrada? Seja santo vivendo com alegria a tua doação e o teu ministério. É casado? Seja santo amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. É um batizado não-casado? Seja santo cumprindo com honestidade e competência o seu trabalho e oferecendo tempo ao serviço aos irmãos. “Mas, padre, eu trabalho em uma fábrica; eu trabalho como contador, sempre com os números, ali não se pode ser santo…” – “Sim, pode! Ali onde você trabalha você pode se tornar santo. Deus te dá a graça de se tornar santo. Deus se comunica a você”. Sempre em cada lugar é possível tornar-se santo, isso é, pode-se abrir a esta graça que nos trabalha por dentro e nos leva à santidade. Você é pai ou avô? Seja santo ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é preciso tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó, é preciso tanta paciência e nesta paciência vem a santidade: exercitando a paciência. Você é catequista, educador ou voluntário? Seja santo tornando-se sinal visível do amor de Deus e da sua presença próxima a nós. Então: cada estado de vida leva à santidade, sempre! Na sua casa, na estrada, no trabalho, na Igreja, naquele momento e no teu estado de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimem de andar neste caminho. É o próprio Deus que nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que nós estejamos em comunhão com Ele e a serviço dos irmãos.
3. Neste ponto, cada um de nós pode fazer um pouco de exame de consciência, agora podemos fazê-lo, cada um responde a si mesmo, dentro, em silêncio: como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade? Tenho vontade de me tornar um pouco melhor, de ser mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a nos tornar santos, não nos chama a algo de pesado, de triste… Tudo outra coisa! É um convite a partilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com alegria cada momento da nossa vida fazendo-o se tornar ao mesmo tempo um dom de amor para as pessoas que estão próximas a nós. Se compreendemos isso, tudo muda e adquire um significado novo, um significado belo, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia.
Um exemplo. Uma senhora vai ao supermercado fazer as compras e encontra uma vizinha e começam a falar e depois vem as fofocas e esta senhora diz: “não, não, não, eu não falarei mal de ninguém”. Isto é um passo para a santidade, ajuda-nos a nos tornar mais santos. Depois, na sua casa, o filho te pede para falar um pouco das suas coisas fantasiosas: “ah, estou tão cansado, trabalhei tanto hoje…” – “Você se acomode e escute o teu filho, que precisa disso!”. E você se acomoda, escute com paciência: isto é um passo para a santidade. Depois termina o dia, estamos todos cansados, mas tem a oração. Façamos a oração: também isto é um passo para a santidade. Depois chega o domingo e vamos à Missa, fazemos a comunhão, às vezes precedida de uma bela confissão que nos limpa um pouco. Este é um passo para a santidade. Depois pensamos em Nossa Senhora, tão boa, tão bela, e pegamos o rosário e o rezamos. Este é um passo para a santidade. Depois vou pelo caminho, vejo um pobre necessitado, paro, pergunto algo pra ele, dou algo a ele: é um passo para a santidade. São pequenas coisas, mas tantos pequenos passos para a santidade. Cada passo para a santidade nos tornará pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em si mesmo, e abertos aos irmãos e às suas necessidades.
Queridos amigos, na Primeira Carta de São Pedro é dirigida a nós esta exortação: “Cada um viva segundo a graça recebida, colocando-a a serviço dos outros, como bons administradores de uma multiforme graça de Deus. Quem fala, faça-o como com palavras de Deus; quem exercita um ofício, cumpra-o com a energia recebida de Deus, para que em tudo seja glorificado Deus por meio de Jesus Cristo” (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Vamos acolhê-lo com alegria e apoiando-nos uns aos outros, porque o caminho rumo à santidade não se percorre sozinho, cada um por contra própria, mas se percorre juntos, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Sigamos adiante com coragem neste caminho da santidade.

18 de novembro de 2014

ORAÇÃO PARA REPARAÇÃO


Meu Jesus, pão partido e sangue derramado, vítima na cruz, dom de amor do Pai para a nossa salvação. Ajuda-nos a oferecermos a nós mesmos, para sermos tuas testemunhas. Para sermos sinais de solidariedade e reparação na participação ao Teu corpo místico. Transforma nossas lágrimas e as fadigas de cada dia num canto de louvor e de ação de graças, na alegria profunda de pertencermos a Ti, almas na tua alma, corações no teu coração. Tudo para vivermos em ti como Evangelhos vivos. Acolhe o oferecimento deste nosso dia, unido à oblação de Cristo na Eucaristia em reparação pelos nossos pecados, em favor da Obra toda nascida do teu lado, para o bem da Igreja e do mundo inteiro. Em tuas mãos entrego minha vida, abandono-me a Ti e à Tua Divina providência para viver o disposto a tudo com grande fé. Amém!

13 de novembro de 2014

Catequese do Papa sobre bispos, padres e diáconos

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Evidenciamos nas catequeses precedentes como o Senhor continua a apascentar o seu rebanho através do ministério dos bispos, coadjuvados pelos presbíteros e pelos diáconos. É neles que Jesus se faz presente, no poder do seu Espírito, e continua a servir a Igreja, alimentando nela a fé, a esperança e o testemunho da caridade. Estes ministros constituem, então, um grande dom do Senhor para cada comunidade cristã e para toda a Igreja, enquanto são sinais vivos da sua presença e do seu amor.
Hoje queremos nos perguntar: o que é pedido a estes ministros da Igreja, para que possam viver de modo autêntico e fecundo o próprio serviço?
1. Nas “Cartas pastorais” enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo se concentra com cuidado na figura dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos – também sobre a figura dos fiéis, dos idosos, dos jovens. Concentra-se em uma descrição de cada cristão na Igreja, delineando para os bispos, os presbíteros e os diáconos aquilo a que foram chamados e as prerrogativas que devem ser reconhecidas naqueles que são escolhidos e investidos nesses ministérios. Ora, é emblemático como, junto aos dotes inerentes a fé e a vida espiritual – que não podem ser negligenciados, porque são a própria vida – são elencadas algumas qualidades puramente humanas: o acolhimento, a sobriedade, a paciência, a mansidão, a confiança, a bondade de coração. É este o alfabeto, a gramática de base de cada ministério! Deve ser a gramática de base de cada bispo, de cada padre, de cada diácono. Sim, porque sem esta predisposição bela e genuína a encontrar, a conhecer, a dialogar, a apreciar e a se relacionar com os irmãos de modo respeitoso e sincero não é possível oferecer um serviço e um testemunho realmente alegre e credível.
2. Há depois uma atitude de fundo que Paulo recomenda aos seus discípulos e, por consequência, a todos aqueles que são investidos pelo ministério pastoral, sejam esses bispos, sacerdotes, presbíteros ou diáconos. O apóstolo exorta a reviver continuamente o dom que foi recebido (cfr 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve estar sempre viva a consciência de que não se é bispo, sacerdote ou diácono se é mais inteligente, melhor que os outros, mas somente em força de um dom, um dom de amor dado por Deus, no poder do seu Espírito, para o bem do seu povo. Esta consciência é realmente importante e constitui uma graça a pedir todos os dias! De fato, um pastor que é consciente de que o próprio ministério surge unicamente da misericórdia e do coração de Deus não poderá nunca assumir uma atitude autoritária, como se todos estivessem aos seus pés e a comunidade fosse a sua propriedade, o seu reino pessoal.
3. A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, também ajuda um Pastor a não cair na tentação de colocar-se no centro da atenção e de confiar apenas em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. Ai de um bispo, um sacerdote ou um diácono se pensassem saber tudo, ter sempre a resposta correta para cada coisa e não precisar de ninguém. Pelo contrário, a consciência de ser ele por primeiro objeto de misericórdia e da compaixão de Deus deve levar um ministro da Igreja a ser sempre humilde e compreensivo nos confrontos dos outros. Estando na consciência de ser chamado a proteger com coragem o depósito da fé (cfr 1 Tm 6, 20), ele se colocará em escuta do povo. É consciente, de fato, de ter sempre algo a aprender, mesmo com aqueles que podem ser ainda distantes da fé e da Igreja. Com os próprios irmãos, depois, tudo isto deve levar a assumir uma atitude nova, com o compromisso da partilha, da co-responsabilidade e com a comunhão.
Queridos amigos, devemos ser sempre gratos ao Senhor, porque na pessoa e no ministério dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos continua a guiar e a formar a sua Igreja, fazendo-a crescer ao longo do caminho da santidade. Ao mesmo tempo, devemos continuar rezando para que os Pastores das nossas comunidades possam ser imagem viva da comunhão e do amor de Deus.

5 de novembro de 2014

Catequese do Papa sobre o ministério dos bispos

Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Escutamos as coisas que o apóstolo Paulo diz ao bispo Tito. Mas quantas virtudes devemos ter, nós bispos? Ouvimos todos, não? Não é fácil, não é fácil, porque nós somos pecadores. Mas confiamos na vossa oração, para que ao menos nos aproximemos destas coisas que o apóstolo Paulo aconselha a todos os bispos. De acordo? Vocês rezam por nós?
Já tivemos a oportunidade de destacar, nas catequeses anteriores, como o Espírito Santo enche sempre a Igreja dos seus dons, com abundância. Agora, no poder e na graça do seu Espírito, Cristo não deixa de suscitar ministérios, a fim de edificar as comunidades cristãs como seu corpo. Entre esses ministérios, se distingue o episcopal. No bispo, assistido pelos presbíteros e pelos diáconos, é o próprio Cristo que se faz presente e que continua a cuidar da sua Igreja, assegurando a sua proteção e a sua condução.
1. Na presença e no ministério dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos podemos reconhecer a verdadeira face da Igreja: é a Santa Mãe Igreja Hierárquica. E realmente, através desses irmãos escolhidos pelo Senhor e consagrados com o sacramento da Ordem, a Igreja exerce a sua maternidade: gera-nos no Batismo como cristãos, fazendo-nos renascer em Cristo; vigia sobre o nosso crescimento na fé; acompanha-nos entre os braços do Pai, para receber o seu perdão; prepara para nós a mesa eucarística, onde nos alimenta com a Palavra de Deus e o Corpo e o Sangue de Jesus; invoca sobre nós a benção de Deus e a força do seu Espírito, apoiando-nos por todo o curso da nossa vida e nos envolvendo com a sua ternura e o seu calor, sobretudo nos momentos mais delicados da provação, do sofrimento e da morte.
2. Esta maternidade da Igreja se exprime em particular na pessoa do bispo e no seu ministério. De fato, como Jesus escolheu os apóstolos e os enviou para anunciar o Evangelho e para apascentar o seu rebanho, assim os bispos, seus sucessores, são colocados na cabeça das comunidades cristãs, como fiadores da sua fé e como sinal vivo da presença do Senhor em meio a eles. Compreendemos, então, que não se trata de uma posição de prestígio, de uma honra. O episcopado não é uma honra, é um serviço. Jesus o quis assim. Não deve haver lugar na Igreja para a mentalidade mundana. A mentalidade mundana diz: “Este homem fez carreira eclesiástica, tornou-se bispo”. Não, não, na Igreja não deve haver lugar para esta mentalidade. O episcopado é um serviço, não uma honra para se vangloriar. Ser bispo quer dizer ter sempre diante dos olhos o exemplo de Jesus que, como Bom Pastor, veio não para ser servido, mas para servir (cfr Mt 20, 28; Mc 10, 45) e para dar a sua vida por suas ovelhas (cfr Jo 10, 11). Os santos bispos – e são tantos na história da Igreja, tantos bispos santos – mostram-nos que este ministério não se procura, não se pede, não se compra, mas se acolhe em obediência, não para se elevar, mas para se rebaixar, como Jesus que “humilhou a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e uma morte de cruz” (Fil 2, 8). É triste quando se vê um homem que procura esse ofício e que faz tantas coisas para chegar lá e, quando chega, não serve, se envaidece, vive somente para a sua vaidade.
3. Há um outro elemento precioso, que merece ser colocado em evidência. Quando Jesus escolheu e chamou os apóstolos, pensou neles não separados um do outro, cada um por conta própria, mas juntos, para que estivessem com Ele, unidos, como uma só família. Também os bispos constituem um único colégio, reunido em torno do Papa, que é o custódio e fiador desta profunda comunhão, que tanto estava no coração de Jesus e dos seus apóstolos. Como é belo, então, quando os Bispos, com o Papa, exprimem esta colegialidade e procuram ser sempre mais e melhor servidores dos fiéis, mais servidores na Igreja! Experimentamos isso recentemente na Assembleia do Sínodo sobre família. Mas pensemos em todos os bispos espalhados no mundo que, mesmo vivendo em localidade, cultura, sensibilidade e tradições diferentes e distantes entre eles, de um lado a outro – um bispo me dizia outro dia que para chegar a Roma eram necessárias, de onde ele estava, mais de 30 horas de avião – sentem-se parte um do outro e se tornam expressão da íntima ligação, em Cristo, entre suas comunidades. E na comum oração eclesial todos os bispos colocam-se juntos em escuta do Senhor e do Espírito, podendo assim colocar atenção em profundidade sobre o homem e os sinais dos tempos (cfr Conc. Ecum. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 4).
Queridos amigos, tudo isso nos faz compreender porque as comunidades cristãs reconhecem no biso um grande presente e são chamadas a alimentar uma sincera e profunda comunhão com ele, a partir dos presbíteros e dos diáconos. Não há uma Igreja sadia se os fiéis, os diáconos e os presbíteros não são unidos ao bispo. Esta Igreja não unida ao bispo é uma Igreja doente. Jesus quis esta união de todos os fiéis com o bispo, também dos diáconos e dos presbíteros. E isto o fazem na consciência de que é justamente no bispo que se torna visível a ligação de cada Igreja com os apóstolos e com todas as outras comunidades, unidas com os seus bispos e o Papa na única Igreja do Senhor Jesus, que é a nossa Santa Mãe Igreja Hierárquica. Obrigado.