30 de dezembro de 2015

MARIA, MULHER DO SILÊNCIO E DA ORAÇÃO - Reflexão 1º/01/2016


No primeiro dia do novo ano a Igreja celebra a Solenidade da Santa Mãe de Deus. O Concílio de Éfeso realizado em 431 decretou o dogma Theotókos, ou seja, Mãe de Deus. A definição da Igreja foi para acabar com certas divergências que haviam em torno da pessoa e da missão de Maria. Ao ser escolhida para ser Mãe do Filho de Deus, ele se torna Mãe de Deus.

Somos convidados com esta liturgia a olharmos com carinho a pessoa de Maria e imitarmos suas virtudes, como: oração, silêncio, contemplação, disponibilidade, amor à Deus, confiança, entrega. São elementos importantíssimos que todo cristão deveria viver.

No Evangelho (Lucas 2,16-21) é apresentada uma das características mais bonitas de quem tem fé: o silêncio diante de Deus. Lucas diz que “Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Mulher de poucas palavras, mas de muita fé e piedade.

Ela era uma mulher de muita oração e meditação. Na correria do dia a dia, corremos o risco de esquecer ou deixar de lado esta bonita atitude de Maria. A Palavra de Deus não pode ser como uma leitura de jornal feita às pressas como quem tem muitas coisas importantes para fazer. A meditação da Palavra deveria ser a primeira atividade do dia e a ela deveria ser dedicado um tempo razoável a fim de que fosse rezada, meditada e coloca em prática no decurso do dia e nas atividades a serem desenvolvidas.

Muitas vezes deixamos para a oração o tempo que sobra. Acontece que nem sempre sobra tempo. Aí usamos a famosa expressão: Deus vai entender que eu não tive tempo. Ele viu que o meu dia foi corrido e que fiz muitas coisas. Porém, Deus poderia dizer: Meu filho, minha filha. Vi sim que você de fato correu muito e fez muitas coisas, mas nenhuma delas é tão ou mais importante que a oração. Tudo o que você fez hoje teria sido mais produtivo e menos cansativo se você tivesse regado com a oração e com a minha Palavra.

Vejamos como normalmente é o nosso dia: levanta cedo, toma banho, toma café, arruma o quarto e a cozinha, leva os filhos para a escola, trabalha, almoça, corre, busca o filho na escola, prepara o jantar, limpa a casa, lava roupa, assiste TV, lê jornal ou revista, etc. Cansado, vai dormir. Cada um nas suas múltiplas atividades. Agora pensemos: o que é o mais importante de tudo o que fazemos? Encontramos tempo para tudo isso, por que não encontramos para Deus? Será que Ele não merece cinco ou dez minutos do meu dia?

Pensando bem, não falta tempo. É uma questão de escolhas. Escolhemos muito, mas as vezes escolhemos errado. Deixamos o mais importante de lado, em segundo plano. Nos preenchemos tanto com as coisas superficiais, que as essenciais não têm espaço.

Aprendamos de Maria e nunca deixar de lado o que é mais importante na nossa vida. Buscando o Senhor em primeiro lugar, Ele nos dará tudo o que precisamos para viver.

Termino trazendo a primeira leitura do Livro dos Números (6,22-27) que traz a bênção de Moisés: ‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ E que assim, ao longo deste novo ano, sejamos também nós instrumentos de bênçãos a todas as pessoas com quem nos encontrarmos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

26 de dezembro de 2015

FAMÍLIA DE NAZARÉ - Reflexão 27/12

As festas do Natal continuam sendo celebradas por oito dias, o que chamamos de oitava do Natal. Todos estes dias para celebrar um grande acontecimento que não pode ser esgotado em uma única celebração. Dentro destes oito dias, temos no primeiro Domingo depois do Natal, a celebração da Sagrada Família.

Somos convidados, irmãos e irmãs, a olhar para a Sagrada Família e aprender e resgatar dela elementos importantíssimos para serem vivenciados em nossas famílias. Vamos refletir sobre cinco aspectos.

Primeiro aspecto: Deus quis que o seu Filho Jesus nascesse em uma família. Ele poderia ter vindo de forma mágica já adulto. Mas o Pai, na sua infinita Sabedoria e valorizando a missão da família, quis que o seu Filho fosse acolhido por uma família e nela vivesse todas as fazes do desenvolvimento humano. Ele mesmo, sendo o criador, assumiu a natureza humana e viveu como um de nós. Aqui lembramos a importância e a beleza da família. Sua missão de transmitir e cuidar da vida. Na família aprendemos os primeiros valores, as primeiras palavras e fazemos a primeira experiência do amor, sendo amado e amando.

Segundo aspecto: Educação da prole. Muitos pais delegam às escolas, babás ou a catequese a missão de educar seus filhos. Deixam de lado seus deveres como primeiros responsáveis pela formação deles. Quando não encontram em casa o que precisam, buscam na rua e lá encontram o que não deveriam aprender.

Terceiro aspecto: Família, lugar de oração. Vemos no Evangelho deste Domingo (Lucas 2,41-52) que Maria e José frequentavam o Templo e levavam Jesus. Quantos pais mandam seus filhos para a catequese ou até para a missa, mas não vão lá. Outros que só marcam presença em alguns acontecimentos do filho. Está errado. É missão da família iniciar seus filhos na fé. Feliz a família que ainda reza e acredita no valor e no poder da oração. Bonito quando vemos que ainda tem famílias que acreditam e colocam em prática esta virtude. Serão felizes e abençoadas abundantemente.

Quarto aspecto: Família, espaço para aprender e praticar valores. A Carta de São Paulo aos Colossenses (3,12-21) nos dá algumas pistas de valores que devem ser vivenciados em nossas famílias: “revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações... E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.”

Quinto aspecto: amemos nossa família. Triste é ver pessoas que falam mal da própria família e nada ou pouco fazem para que ela seja melhor. Nascemos em uma família que Deus quis e não nós, então é esta que devemos amar e ajudar para que ela seja sempre melhor.

Desejo que a Sagrada Família de Nazaré seja sempre modelo de fé, amor, diálogo, perdão, oração, perseverança, escuta. Olhemos para ela e imitemos suas virtudes.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

24 de dezembro de 2015

Feliz Natal! Abençoado Ano Novo!

 

Minha profunda gratidão e estima a todos vocês amigos e benfeitores que fizeram deste ano de 2015 um ano especial para mim e para a missão no COV Nazaré em Marituba PA. 
A oração, a amizade, o apoio de cada um fizeram acontecer maravilhas. Deus seja louvado!
Desejo quem em 2016 nossa amizade e fraternidade continue aumentando sempre mais.
Continuo rezando por você e sua família. Esta corrente de orações não pode parar; é uma riqueza!
Deus abençoe os jovens para que continuem perseverantes no caminho do Senhor.
Muito, muito, muito obrigado por tudo!
Louvado seja Deus para sempre.
Até 2016!

23 de dezembro de 2015

Feliz Natal

Natal chegando.
Casas e ruas se enchem de enfeites e encantos.
Tudo muda.
Parece que uma sinfonia se faz ouvir.
O céu visita a terra.
Deus visita os homens.
Quem o acolher é mais feliz.
Os anjos cantam amém.
Unimo-nos neste coro louvando ao Deus menino também.
Acenda uma luz na tua vida.
Se for oportuno, mude de direção.
Deus tem grandes propósitos para todos nós.
É Natal, meu irmão.

ELE NOS FALA POR MEIO DO SEU FILHO - Reflexão para a missa do dia 25/12

Irmãos e irmãs! Feliz Natal!

Dia belo e grande ao mesmo tempo. Um mistério envolve a terra e a alegria invade nossos corações. Um acontecimento jamais visto na história da humanidade: um Deus se tornando um de nós.

Até então, todos os deuses exigiam sacrifícios e estavam em lugares inatingíveis pelos homens. Rompendo com isso, agora o Deus, se torna um de nós. Assume a natureza humana e vem anunciar que o Reinado do Pai já está acontecendo em nosso meio.

Belíssima a liturgia deste dia. O Profeta Isaías (52,7-10) nos convida a alegria e a exultação pois o Senhor visitou e estabeleceu morada em nosso meio. Ele continua habitando em cada coração e nos sacrários das Igrejas do mundo inteiro. Assim ele está a nossa espera para nos acolher e consolar; para nos falar do seu amor, da sua misericórdia, do seu projeto de vida plena para todos.

Na carta aos Hebreus (1,1-6), o autor faz a memória dizendo que Deus falou de muitas formas no Antigo Testamento, mas agora, neste tempo, Ele fala por meio do seu Filho. O tempo de completou e as profecias se cumpriram, Ele está no meio de nós!

O Evangelho de São João (1,1-18) fala do verbo, da Palavra que existia desde sempre e que neste tempo se encarnou e se fez homem. Ela é uma luz que brilha e ilumina os que andam nas trevas. Mas nem todos aceitaram esta luz, esta verdade. A negação continua ainda hoje, mas Deus tem paciência e misericórdia pois conhece seus filhos.

Vivemos um tempo privilegiado. Muitas graças e bênçãos Deus nos concede todos os dias, porém, muitas vezes não percebemos e deixamos a graça passar. Hoje, neste dia de Natal, o Filho de Deus vem falar através do seu silêncio, deitado na manjedoura. Vem falar através da simplicidade do presépio que as coisas mais importantes da vida e para a felicidade não são as materiais, mas fazer a vontade do Pai. Acolher, como Maria e José, esta Palavra e deixar que ela transforme nossa vida. Ela tem este poder!

Celebremos em clima de fé e muita alegria este acontecimento ímpar. Nunca se viu e nem se virá mais isso. A alegria deve ser expressa em frutos de piedade e caridade, pois ela invade os corações dos que o buscam.

Cantemos esta grande novidade e alegria com as palavras do salmista: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; Recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai! Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave! Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei!” (Salmo 97)

Para você e sua família, desejo um feliz Natal! Cristo continue sempre habitando em teu coração, na tua vida e na tua família.


Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

21 de dezembro de 2015

NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES - Reflexão para a Missa do dia 24/12

Queridos irmãos e irmãs.

Desde criança, na minha família, o Natal era uma grande celebração da vida e da família. Meus pais não tinham Teologia e nem faculdade. Eram simples agricultores, mas com uma grande fé e respeito pelas coisas de Deus. No jeito simples de entender as coisas, nos ajudavam a nos prepararmos com grande zelo e devoção para este dia. O silêncio, a oração, o recolhimento, eram expressões de que algo muito importante estava para acontecer; um importantíssimo hóspede estava chegando. E todos esperávamos ansiosos e atentos para o surgimento da primeira estrela no céu. Depois, todos íamos para a Missa do Galo. Na Igreja era o encontro de toda a família dos filhos de Deus.

Ao escrever isso, muitos dos leitores, vão se identificar com esta história e dizer: lá em casa também era assim!

Por isso, gosto de celebrar o Natal como um grande acontecimento ainda hoje. Não apenas com festa, mas especialmente me preparando com a oração.

Chamou a atenção o trecho que coloquei como título: NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES. Porque hoje estamos vivendo esta mesma situação. Cristo não encontra espaço em muitas famílias e em muitos corações. Passa despercebido como se fosse um estranho.

Como dizíamos na reflexão do quarto Domingo do Advento, a preocupação excessiva com o externo, as festas, os presentes, passeios, ornamentações, vendas tiraram nosso foco. O mercado capitalista não conseguindo tirar Deus da nossa cultura, fez um trabalho diabolicamente muito bem feito. Mudou o nosso foco.

Tirando a festa do Natal como algo importante, muitos iriam se revoltar e não aceitariam. Então se manteve a festa, colocou-se como feriado e se investiu muito no consumismo. Cristo foi substituído pelo Papai Noel. A luz da estrela que guiou os pastores, pelos pisca-piscas que enchem nossos olhos, mas esvaziam o coração. O Natal passou de uma festa cristã para um mero acontecimento humano, lucrativo e, em muitos casos, de total falta de respeito com o sagrado. As igrejas já deixaram de ser o ponto de encontro para muitas famílias. Agora são os grandes e mais finos restaurantes, os cruzeiros, praias etc. Celebramos tudo, menos o Natal de Jesus Cristo. Deus foi tirado do centro. Agora vale tudo. O centro é o que me dá prazer e satisfação imediata.

Cadê os responsáveis por tudo isso? Infelizmente somos nós. Todos os cristãos tem parte da culpa, pois entramos na onda do capitalismo e a preocupação primeira se tornaram os presentes, os enfeites, a mesa farta. Todos estes são elementos externos que expressam a alegria, mas não são os mais importantes. Importa antes de qualquer coisa, preparar bem o nosso coração.

Ao pensar nisso, parece que estamos falando de uma utopia. Estamos nos desviando tanto daquilo que é importante que o supérfluo, o descartável, o material estão se tornando as coisas mais importantes da vida.

A luz do presépio está ficando ofuscada pelas luzes das cidades. Os sinos foram proibidos em muitos lugares, mas as buzinas, as músicas e os fogos ensurdecedores poluem nossos ambientes sem nenhuma restrição.

E o Natal de Jesus Cristo? Talvez muitos nem sabem mais o que é isso. Sabem que é natal, mas não o Natal!

Amados irmãos e irmãs que nos acompanham. Você que ainda acredita e vive o verdadeiro espírito do Natal. Não vamos deixar que nos roubem a alegria, a esperança e a fé. Continuemos acreditando que o Natal sem Cristo não é Natal e que a sua vinda nos renova e nos enriquece mais do que qualquer outro presente, por mais belo e caro que seja.

Precisamos, como diz o profeta Isaías (9,1-6) ajudar que a Luz que é Jesus Cristo brilhe na escuridão do mundo. As luzes artificiais existem hoje, mas amanhã podem não existir. Porém, a Luz que é Jesus Cristo, nunca se apaga. Feliz quem se deixa iluminar por esta luz.

Cantemos nesta noite santa com o salmista: “Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor!” (Salmo 95), também para aqueles que não o aceitam, não creem, não o amam e não o buscam.

Para você que está vivendo em clima de fé, feliz Natal! Não tenhamos medo, pois Cristo continua sendo a nossa grande alegria e o será para todos os povos e gerações.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

17 de dezembro de 2015

BEM AVENTURADA AQUELA QUE ACREDITOU

Chegamos ao quarto Domingo do Advento. A expectativa com o Natal é ainda maior. Correria para comprar aqueles presentes que queremos oferecer aos familiares e amigos. Casas, praças, prédios, igrejas com ostentosas ornamentações. Tudo para celebrar este grande acontecimento da história.

Neste Domingo temos o encontro das duas primas que foram abençoadas abundantemente e que entraram para a História da Salvação e do povo de Deus. Isabel que concebe um filho na velhice. Aquele que preparou os corações para a manifestação do Messias. Ele sentiu o poder que havia no Filho de Deus desde o ventre da sua mãe.

Isabel ficou lisonjeada com a visita que estava recebendo. Vamos ao texto do Evangelho (Lucas 1,39-45) para ver a riqueza dos detalhes:

“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!' Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu.'”

Maria também ficou impressionada com estas palavras. Isabel viu nela uma mulher de Deus; alguém que foi muito agraciada. Maria é feliz porque acreditou na Palavra de Deus. E porque ela acreditou, a Palavra se encarnou.

Queridos irmãos e irmãs. Gostaria de refletir sobre este pequeno versículo: “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Deus realizou grandes maravilhas na vida de Maria porque ela acreditou na Sua Palavra desde sempre. Maria era uma mulher de Deus, conhecia a Palavra e por isso, quando o anjo traz a mensagem, ela confia e se entrega. Porque ela acreditou, como disse Isabel, ela é bendita entre as mulheres. Ela é feliz porque não duvidou do amor de Deus em sua vida.

Hoje somos convidados a acreditarmos mais na Palavra de Deus. Como vivemos em um momento delicado onde a palavra não tem muito valor porque se mente com facilidade e para enganar ou agradar alguém, corremos o risco de colocarmos em xeque a Palavra de Deus. Este é o nosso erro. Deus não mente, não engana, não fica iludindo ninguém. Aliás, é a única Palavra que realiza o que diz e que nunca passará, pois é Palavra eterna.

Junto com a descrença na Palavra de Deus, vivemos também, muitas das vezes preocupados com a preparação externa. Como falamos no início, a preocupação com a beleza aparente enche os olhos, mas não o coração. O comércio soube aproveitar muito bem este grande acontecimento e nos faz crer que para ser bem vivido bastam presentes, mesa farta e ornamentações de templos. O Natal virou show, espetáculo. O próprio Cristo passa despercebido na festa do seu aniversário. O pior de tudo isso é que nós cristãos corremos o risco de pensar que é assim mesmo, que é normal.

Nestes poucos dias que nos restam para o Natal, vamos, antes de qualquer outra coisa, preparar bem o nosso coração. O Senhor chega e quer permanecer nele para poder realizar as maravilhas que realizou em Maria, Isabel e tantos outros santos. Porém, elas acreditaram e por isso as maravilhas aconteceram. Se nós não crermos na Palavra continuaremos nos encantando com as luzes e os ornamentos artificiais e deixaremos de lado a verdadeira e única luz e beleza: Jesus Cristo.

Vamos irmãos e irmãs buscar a confissão; preparar o coração para que Cristo possa entrar e permanecer para sempre. Então nossa vida será tomada de novo ânimo, vigor, esperança. Que o Senhor nos encontre vigilantes quando Ele chegar. Bem aventurados serão os que estiverem esperando preparados.

Abençoado domingo e abençoada semana! Nos encontraremos no presépio e na mesa da Eucaristia para celebrarmos juntos este grande acontecimento da história.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

16 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

Retrospectiva 2015 COV Nazaré! 
15 anos de Providência!
Louvamos a Deus pela sua Providência que nos acompanhou por mais este ano! Agradecemos aos amigos/as e benfeitores/as que nos acompanharam com sua oração e apoio. 
Deus abençoe a todos hoje e sempre. Abençoado 2016!


11 de dezembro de 2015

ALEGRAI-VOS!

Queridos e amados irmãos e irmãs.

Eis que o Natal se aproxima e a Palavra de Deus nos faz um convite enfático: Alegrai-vos! Esta é a Boa Notícia que chega até nós, o próprio Salvador, o Filho de Deus. A sua vinda deve ser motivo de muita e verdadeira alegria, pois Ele foi anunciado, desejado e esperado a séculos por muitos.

A Leitura da Profecia de Sofonias (3,14-18a), que foi escrito por volta dos anos 600 a.C., já fazia este convite ao povo: “Não temas. Não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor, teu Deus, está no meio de ti!” Esta Palavra vem em cheio ao nosso encontro, pois vivemos como se Cristo não fosse a nossa esperança e a nossa verdadeira alegria. Porém, se Ele ainda não é a nossa alegria, é porque não o conhecemos suficientemente e não o amamos. Apesar dessa nossa indiferença, Ele continua caminhando em nosso meio como nosso Deus, como um grande amigo.

São Paulo aos Filipenses (4,4-7) também é incisivo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!” Precisamos acreditar de fato que este é um convite verdadeiro feito por alguém que experimentou a verdadeira alegria do discípulo. Alegria esta que nem a cruz e as perseguições podem tirar porque nasce do encontro com aquilo que é o essencial na nossa vida.

Neste terceiro Domingo do Advento, o convite à conversão aparece novamente. E este caminho que cada um é convidado a fazer nos levará a esta grande alegria que o Antigo Testamento já nos convidava e que os apóstolos puderam experimentar verdadeiramente. Não podemos buscar a Cristo e viver os valores do mundo. Haverá confusão em nosso coração e não teremos paz. O verdadeiro caminho de conversão nos leva a uma radical adesão dos valores do céu. Não podemos viver o amor à Jesus Cristo pela metade.

O Senhor vem ao nosso encontro na Palavra e na Eucaristia. Quão grande deve ser a alegria. Quantos desejaram ver e não viram; desejaram ouvir e não ouviram.

Não deixemos que nos roubem a verdadeira alegria, Jesus Cristo!

Boa caminhada a todos nós. O Natal de aproxima. Anunciemos esta alegria!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

7 de dezembro de 2015

Oração do XVII Congresso Eucarístico Nacional



Jesus Eucaristia, fonte de vida para todos,
coração dos corações!
Nós te acolhemos presente entre nós.
Ao recebermos teu Corpo e teu Sangue,
mostra-nos a força redentora de teu sacrifício.

Tu és partilha de vida e salvação para a vida do mundo.
Abre nossos corações
para compartilhar com todos os nossos bens.
Ensina-nos a testemunhar, amar e servir e proteger a vida,
aprendendo a lição do Altar.

Em ti todas as coisas foram criadas
e nossas terras amazônicas são obra do amor do Pai.
Reconhecemos estes sinais de amor,
presença e providência em nossa história,
e desejamos irradiar na comunhão com Deus e com todos,
a missão que nos confiaste.

Senhor Jesus, há quatro séculos a Boa Nova do Evangelho
aportou em nossas terras, para aqui plantar raízes.
Os teus missionários se alegraram,
ao verem as Sementes do Verbo de Deus,
que o Espírito Santo havia espalhado, precedendo seus passos,
e anunciaram corajosamente a tua Palavra.

A partir do Forte do Presépio, sob a proteção de Nossa Senhora da Graça,
chamando-a Santa Maria de Belém ou Senhora de Nazaré,
a Amazônia recebeu a mensagem da salvação.
Renova hoje, Senhor, com a força da Eucaristia,
o vigor missionário em nossos povos,
e brotem entre nós santas vocações para o serviço do Evangelho.

Cristo Senhor, ao reconhecer-te no partir do Pão,
faze arder nossos corações,
para que do Altar da Eucaristia
nasça um novo ardor missionário em nossa Pátria.

Ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
sejam dadas, hoje e sempre,
toda a honra e toda a glória! Amém.

3 de dezembro de 2015

Oração do Ano Santo da Misericórdia


Senhor Jesus Cristo,
Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste,
e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.
O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro;
a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura;
fez Pedro chorar depois da traição,
e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana:
Se tu conhecesses o dom de Deus!
Vós sois o rosto visível do Pai invisível,
do Deus que manifesta sua onipotência sobretudo com o perdão e a misericórdia:
fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, seu Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza
para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro:
fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.
Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção
para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor
e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem
proclamar aos cativos e oprimidos a libertação
e aos cegos restaurar a vista.
Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia,
a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR

Continuamos firmes e com esperança nossa caminhada rumo ao Natal. Cristo é a nossa esperança diante de um mundo marcado por tantos sinais de morte e indiferença.

Neste segundo Domingo do Advento temos a extraordinária figura de João Batista que aparece denunciando e anunciando. Ele é a voz que clama, que grita, que convida o povo para voltar ao Senhor. Precisamos da coragem e da ousadia deste profeta para gritar ao mundo: DEUS É AMOR! CHEGA DE MORTES E INJUSTIÇAS! DEUS É MISERICORDIOSO!

Em meio a tantas vozes que clamam hoje por muitas coisas supérfluas, vazias, mais alta deveria ecoar a voz dos filhos de Deus convidando todos a voltarem para o Senhor. O único caminho que pode nos livrar de todas as mazelas em que nos encontramos é Jesus Cristo. O resto é ilusão.

Estamos mergulhados nas lamas da corrupção e da intolerância religiosa. Quantos ousam usar o nome de Deus para julgar, condenar e matar. Estes não entenderam a mensagem de Jesus que promoveu a vida em plenitude para todos. Todas as formas de morte são uma agressão contra o próprio Criador. Tudo o que destrói a vida, não é de Deus.

Inspirados em João Batista, somos convidados a percorrer todos os caminhos da nossa sociedade e anunciar a misericórdia de Deus. No próximo dia oito de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, o Papa Francisco, abrirá oficialmente o ano da misericórdia. Ao convocar este ano, ele disse que este “é um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho. Por isso decidi proclamar um Jubileu Extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia”.

Precisamos preparar o nosso coração para que o Senhor possa habitar nele de verdade. O nosso coração não pode estar de qualquer jeito, bagunçado, cheio de pecados e impurezas. Para isso existe o Sacramento da Confissão e o Coração Misericordioso do Pai.

Quando recebemos a visita de alguém sempre preparamos bem a casa e a mesa. Quanto mais devemos preparar o nosso coração para a chegada de Deus? O Advento é um tempo propício para que isso se concretize. Preparemos bem este terreno para vermos nele florescer a salvação, como nos pede o Evangelho deste Domingo (Lucas, 3,1-6).

Este Ano Santo da Misericórdia é uma grande oportunidade que Deus nos dá para voltarmos à Ele com toda fé e confiança, mas voltarmos pelo caminho certo.

Abençoado Domingo!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

27 de novembro de 2015

CUIDAI DO VOSSO CORAÇÃO

Iniciamos o Advento e com ele um novo Ano Litúrgico. Quando iniciamos um novo projeto, um novo ano, é normal fazermos propósitos que queremos realizar no decorrer do mesmo e traçarmos metas a serem alcançadas. No caminho de fé não pode ser diferente.

Cada dia é uma nova oportunidade que Deus nos concede para fazermos as coisas com amor, alegria, entusiasmo. Cada ano renova-se a esperança de dias melhores. Acreditamos que ele será melhor.

A Palavra de Deus deste primeiro Domingo e dia do novo Ano Litúrgico é muito sugestiva pois nos convida a cuidarmos do nosso coração e a fazermos progressos constantes na caminhada de fé. Vejamos:

No Evangelho (Lucas 21,25-28.34-36) Jesus alerta: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida... Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força”.

Precisamos cuidar para que nosso coração não se torne uma lata de lixo onde jogamos o que não presta mais. As vezes guardamos muitas coisas ruins e nos esquecemos que somos templo do Espírito Santo. Quando não vigiamos sobre o nosso coração, corremos o risco de não vivermos a nossa vocação a santidade e aceitamos tudo o que o mundo nos apresenta. A insensibilidade à qual Jesus chama a atenção, nos torna pessoas duras e secas, sem vida e sem sentido.

Na segunda Leitura, tirada da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (3,12-4,2), recebemos um incentivo e um convite para que aumente o amor entre nós: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais... Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai”. Paulo convida a comunidade a nunca se contentar com o caminho realizado, mas a fazer progressos sempre maiores.

Queridos e amados irmãos. Quanta riqueza a Palavra de Deus nos lança neste primeiro Domingo do Advento. É um grande estímulo a vivermos a caridade, a cuidarmos de nosso coração e a buscarmos a fraternidade. Quantas dores seriam evitadas se vivêssemos nossa vocação. Quando vivermos bem, não tememos a morte, ou seja, o encontro com Cristo.

Neste tempo de graça e salvação, somos convidados a renovarmos ou fazermos bons propósitos buscando uma vida que seja íntegra. Buscar a harmonia com o Evangelho, caminho seguro para nossa salvação. Precisamos aprender que o nosso tempo de salvação é hoje! O tempo que o Senhor nos visita, o tempo da graça.

Desejo então que este Advento seja um momento especial onde façamos uma grande e profunda faxina, tirando tudo aquilo que não presta e que não nos deixa viver a nossa vocação à santidade. Fazendo isso, teremos um Natal feliz verdadeiramente, pois poderemos acolher Jesus; faremos nosso coração de manjedoura.

Não desanimemos no caminho. Pelo contrário, vamos nos dar as mãos e caminhar sempre com renovado ardor. Que o Senhor nos mostre os seus caminhos e nos faça conhecer a estrada certa, a estrada que nos leva à vida, como canta o salmista.

Deus abençoe a todos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

20 de novembro de 2015

TU ÉS O REI

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico. A festa solene de Cristo Rei nos remete à Jerusalém celeste, o paraíso, onde contemplaremos o Reinado de Cristo eternamente.

Fazendo uma avaliação da caminhada deste ano, convite lançado no domingo passado, vemos a mão de Deus conduzindo a história com muita sabedoria, paciência e misericórdia. A dinâmica da liturgia nos recorda que a fé é um caminho para toda a vida e precisamos nos animar e consolar. É na comunidade reunida que somos fortalecidos e encorajados a continuarmos o caminho. As vezes parece que as mazelas humanas vão vencer. Não podemos perder a esperança, pois a graça sempre triunfa do pecado, pois é maior.

Celebrando Cristo Rei do Universo, lembramos que nós cristãos devemos servir apenas um Rei, Jesus Cristo. Os reinos deste mundo são temporários, marcados por um início e um fim, por tragédias, ódio, guerra, destruição. Mas o Reino de Jesus é diferente, por isso não foi compreendido pelos judeus e por muitos de nós ainda hoje. Pois é um Reino de justiça, paz, amor, perdão, vida, misericórdia, fraternidade, enfim, vida em abundância para todos. Enquanto a vida não estiver em primeiro lugar, o Reino de Deus não está acontecendo.

Esta solenidade nos lembra também que o cristão deve louvar e adorar somente ao único Deus e Senhor. São João no Livro do Apocalipse (1,5-8) nos diz que só “a Ele a glória e o poder, em eternidade... Porque Ele é o Alfa e o ômega... Aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.

O prefácio nos ensina que Jesus é a vítima pura e pacífica que aceitou morrer pelos nossos pecados e que o seu Reino é de santidade e graça. Acompanhemos trecho deste belíssimo texto: “Com óleo de exultação, consagrastes sacerdote eterno e rei do universo vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda criatura, entregará à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”.

Verdade o que a nossa liturgia proclama: “reino eterno e universal!” O único Reino que não passará é o de Deus. Para lá estamos peregrinando e a cada santa Missa já podemos experimentar um pouco desta alegria. Oferecemos o único e verdadeiro sacrifício pelo qual somos perdoamos e santificados.

Abençoado domingo. Deus continue nos guiando todos os dias. Nos preparemos com fé e esperança para vivermos bem o tempo do Advento que iniciaremos no próximo domingo, 29 de novembro.

Cristo Reina!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

13 de novembro de 2015

TUAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

Estamos chegando ao final do percurso litúrgico deste ano de 2015. Como tradição, sempre que chegamos ao final de um ano, de um projeto, de um trabalho, é normal que façamos uma avaliação do caminho feito.

Na vida da liturgia da nossa Igreja não é diferente. Depois de havermos caminhado por doze meses, ouvindo a Palavra de Deus, celebrando a Eucaristia, precisamos avaliar como foi o percurso feito até aqui. O que crescemos em nossa fé ao longo deste ano? O que foi mais desafiador? Produzimos bons frutos?

A Palavra nos ensina que o Reino de Deus já está acontecendo no meio de nós, apesar de nem sempre vermos seus frutos claramente. Ele acontece como o fermento e a semente. Tem uma força que transforma as realidades, mas Deus respeita a caminhada do seu povo, como soube ser paciente com o povo de Israel.

Importante aprendermos que a Palavra de Deus permanece sempre viva e eficaz. Jesus nos lembra que “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Marcos, 13,31). Tudo é passageiro nesta vida. Toda matéria passa. Permanecem os bens espirituais e os verdadeiros valores. Por isso devemos buscar aquilo que não passa, aquilo que ninguém pode tirar de nós. Afinal de contas, desta vida levaremos o bem que fizermos.

Muitos ao longo da história se auto-intitularam como profetas e que Deus os revelou o dia do fim do mundo. Estes se acharam mais importantes que o próprio Filho de Deus, pois Jesus já nos deixou claro que “quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai” (Marcos 13, 32). Ninguém sabe quando será o fim e como será exatamente. Deus há de restaurar todas as coisas quando Ele quiser e feliz daqueles que forem fieis discípulos, servindo-a na caridade.

Quando vivemos bem a nossa vida, não temos medo da morte. Geralmente quem teme morrer, é porque sabe que viveu a vida de qualquer jeito e tem medo do inferno. Vemos nos santos, por exemplo, pessoas que não temeram a morte, porque viveram totalmente para Deus.

Isso nos faz lembrar aquela pequena história do navio que estava naufragando. Todos apavorados correndo para tentar se salvar. A criança que dormia tranquila, ao ser acordada e interrogada porque não estava preocupada em se salvar, ela responde que não temia nada porque era seu pai o capitão que conduzia o navio.

Meus irmãos! Quando temos certeza de que Deus conduz a nossa vida, não tememos as turbulências que possam acontecer. A falta de fé é que nos faz sentir medo. Quando não amamos a Deus o suficiente, sentimos medo das coisas futuras. Mas a fé nos faz ver além. Faz-nos compreender que a vida é passageira e que estamos nas mãos do Pai. Estando em suas mãos, estamos seguros e salvos. Nenhuma tempestade nos afastará do seu amor. Nenhuma tribulação nos tirará a paz. Até porque não podemos nos salvar só com os nossos esforços. Jesus já nos salvou. A mim basta desejar viver de tal modo que mereça este prêmio. O demais, Ele já fez.

Desejo que o final deste ano litúrgico nos leve a uma séria revisão da nossa vida. Repensemos nossas atitudes e omissões. Sejamos pessoas comprometidas com o amor, pois só o amor pode nos libertar.

Lembremos da frase que o Papa emérito Bento XVI disse: “A melhor catequese é uma missa bem participada!” Não desprezemos as graças que Deus nos concede.

Abençoado domingo e abençoada semana. Vamos nos preparando assim para a grande festa do próximo domingo: Cristo Rei! É Ele o nosso verdadeiro Rei que dá vida em abundância para todos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

6 de novembro de 2015

OFERECEU TUDO O QUE POSSUÍA

Estamos nos aproximando do final do Ano Litúrgico. Neste 32º Domingo do Tempo Comum o Evangelho (Marcos 12,38-44) nos convida a humildade e a doação total.

Primeiro Jesus critica os fariseus que estão muito preocupados com a aparência e de serem chamados de mestres; gostam dos primeiros lugares nos banquetes e sinagogas. Usam a religião para se colocarem como superiores em relação ao povo e inclusive para usurpar as viúvas.

Em resposta a isso, Jesus mostra como deve ser o cristão, ao observar uma pobre mulher viúva que coloca sua oferta no templo. Mesma situação vemos na viúva que acolhe em sua casa Elias e lhe dá de comer tudo o que possuía para ela e seu filho(1 Reis 17,10-16).

Primeiro aspecto: Deus conhece o coração das pessoas e sabe quando as ofertas, aquilo que damos, é de coração ou simplesmente para cumprir uma obrigação. Isso pode também acontecer hoje quando damos o dízimo, visitamos um doente ou fazemos nosso gesto concreto de caridade. Damos com amor e por amor ou simplesmente para cumprir um ritualismo e obrigação ou para mostrar para os outros que estamos fazendo a oferta ou o gesto de caridade?

Segundo aspecto: as pobres viúvas deram tudo o que possuíam e não o resto. É interessante este aspecto porque muitas e muitas vezes doamos para Deus o que sobra. A oração do dizimista, por exemplo, nos lembra que Deus não é mendigo para darmos a Ele as sobras ou aquilo que não precisamos mais. Para Deus deveríamos dar sempre o melhor. Por exemplo, o melhor tempo de oração e não quando estamos muito cansados e não conseguimos mais orar. Ainda usamos como desculpa o cansaço e muitas vezes nem rezamos direito e não queremos ir a missa. Imaginou se Deus desse para nós as sobras? Claro que Ele não ficaria feliz com isso porque é um bom pai e como pai não fica feliz dando aos filhos as migalhas. Deus sempre nos doa o que tem de melhor. Deu-nos seu Filho para nossa salvação.

Terceiro aspecto: dar sem precisar criar alardes, mas no silêncio e no escondimento. É triste a pessoa quando fica anunciando as ajudas e ofertas e faz: Eu fiz! Eu ajudei! Então como já recebeu o reconhecimento dos homens, não precisará mais receber a recompensa de Deus.

Quarto aspecto: não usar da religião para prestígio pessoal como os fariseus. Isso é terrível, ainda mais quando vemos sacerdotes, bispos, religiosos ou até lideranças se usando da Igreja e do ser religioso ou ordenado para vanglória. Isso é um grande pecado que alguns de nós cometemos. Pessoas de Deus são chamadas para servir e não desejarem ser servidas.

Quinto aspecto: Deus abençoa a nossa generosidade. Uma mão fechada não dá e também não recebe. Uma mão que se estende e se abre para ajudar, também recebe ajuda. Porque, na verdade, tudo vem de Deus e feliz quem reconhece e partilha com aqueles que menos ou nada tem. E o princípio de justiça cristão é que todos tenham o suficiente para viver. Quando alguns acumulam, falta para outros.


Queridos e amados irmãos. As duas viúvas da liturgia deste final de semana, tanto a da primeira leitura do Livro dos Reis como a do Evangelho, nos ensinam que quando sabemos partilhar não nos falta o suficiente para viver. Quanto mais nos fechamos, mais pobre nos tornamos. Quantas pessoas estão cheias de dinheiro, mas vazias de Deus, do sentido da vida e de valores? Quantos acumulam pensando que a felicidade está no ter? Pobres e infelizes! Deste mundo não levaremos nada, somente o bem que fizermos.

Deixemos que esta Palavra nos interpele a darmos os passos que necessitamos para fazermos as mudanças necessárias em nossa vida. Que não sejamos mesquinhos e nem gananciosos.

“A vasilha de trigo não acabará e a jarra de azeite não diminuirá” quando partilharmos; muito pelo contrário, continuará sempre cheia porque Deus abençoa quem dá com alegria.

Abençoado domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

29 de outubro de 2015

SANTOS E SANTAS DE DEUS

Quando falamos de santidade, logo surge a dúvida: o que é ser santo? Mas santo não é só Deus? Como podemos atribuir a uma pessoa o título de santo?

Iniciamos nossa reflexão neste Domingo de todos os santos lembrando o Evangelho (Mateus 5,1-12a) que traz o caminho para chegar a santidade, que são as bem-aventuranças. Jesus proclama feliz, bem-aventurado aquele que caminho nos caminhos do Senhor, que faz o bem e que busca o Senhor.

De fato, só Deus é Santo por excelência. Tanto a Palavra como na missa, antes da consagração nós cantamos Santo, Santo, Santo. Esta fórmula, três vezes Santo quer dizer que só Deus é o Santo dos Santos. E como não encontramos formas para descrever isso, repetimos três vezes a expressão. Só Deus Pai é a fonte pura e segura da santidade. Destacamos aqui a importância deste canto bem cantado e respeitando a fórmula.

Então, se Deus é O Santo, só poderá contemplá-lo na glória quem buscar em vida a santidade; buscar imitar os passos do Filho. É claro que não seremos como Deus é. Continuaremos criaturas, mas devemos buscar aquilo que nos une com o Pai, a santidade.

Na segunda leitura da Carta de São João (3,1-3) encontramos justamente este convite e resposta: “Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.” O que seria este ser semelhante a Ele senão a santidade?

Quando a Igreja atribui a alguém o título de santo é porque ela reconhece que foi uma pessoa que viveu para Deus, praticou as virtudes ensinadas por Jesus e agora está na presença d’Ele. Então ela pode interceder por nós assim como nós fazemos quando alguém pede que rezemos por uma situação ou pessoa. Se nós que ainda estamos peregrinando neste mundo, somos tentados pelo pecado, ousamos pedir a Deus por alguém, quanto mais aqueles que já estão na sua presença.

Queridos irmãos e irmãs. Todos nós que nos alimentamos da Palavra de Deus e que recebemos a Eucaristia, que é o Corpo e o Sangue de Jesus, temos o dever de buscar viver o que a Palavra nos ensina e de ser outros cristos no mundo. Ao comungarmos nos tornamos sacrários vivos, então devemos viver do jeito de Jesus, irradiar o amor, o perdão e a sua misericórdia a todas as pessoas.

Celebramos no dia dois de novembro os finados. Lembramos todos os nossos irmãos e irmãs que nos precederam e que já contemplam a face de Deus. Rezemos por eles na certeza de que, na Igreja celeste, eles rezam por nós. Louvemos a Deus aqui na terra e eles louvam lá no céu.

Quem não lembra dos que se foram, não será digno de ser lembrado. A história e a memória são a vida e a riqueza de uma família e de um povo. Por isso lembramos, rezamos neste dia por todos aqueles que já fizeram sua peregrinação por este mundo. Confiamos eles à misericórdia de Deus para que perdoe seus pecados e, assim, purificados contemplem a glória eterna.

Não podemos esquecer que este caminho de santidade é para todos, não só para os religiosos, sacerdotes, bispos e o papa. Todo batizado que foi lavado do pecado original, deve buscar seguir os caminhos das bem-aventuranças para chegar feliz e sereno nos braços misericordiosos do Pai. Deus nos espera e conta conosco. Ele nos auxilia com o seu Espírito para não desistirmos e nem desanimarmos nesta caminhada que é longa, mas possível. É um caminho bonito, mesmo que as vezes seja difícil, porque é doação total e gratuita como fez Jesus na cruz.

Somos filhos/as de Deus. Vivamos como tal!

Que os santos e santas intercedam por nós e nos ajudem a compreender que a santidade é o único caminho que nos leva ao Pai.

Abençoado domingo.

Pe. Hermes José Novakoski

Pobre Servo da Divina Providência.

23 de outubro de 2015

JESUS, TEM PIEDADE DE MIM!

Neste 30º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho (Marcos 10,46-52) nos convida a estar atentos aos que estão à beira do caminho, a exemplo de Bartimeu.

Hoje a cena continua se repetindo. Encontramos muitos à margem da vida gritando por misericórdia. Assim como no tempo de Jesus, a tentação é tentar abafar estes gritos e esconder os que gritam, porque é feio, vergonhoso mostrar isso. Muitas vezes também nós não queremos ver e nem ouvir estes gemidos.

Quando escuta os gritos de clamor de Bartimeu, Jesus para e manda chama-lo para que se apresente a Ele. Nossa missão é levar também as pessoas a Jesus, especialmente aquelas que não o conhecem.

Hoje vemos muitos gritando nas ruas, nos corredores dos hospitais, nas prisões, escravidão, tráfico humano, prostituição, abuso.... São vidas gritando por misericórdia mas que nem sempre encontram ouvidos atentos a estes clamores.

Tem fatos que chamam muito a nossa atenção. Conheci uma criança que precisava de atendimento na UTI de um hospital de Belém. Como não foi atendida a tempo, foi a óbito. Profissionais que juraram lutar pela vida as vezes se mostram tão indiferentes. Poderíamos ilustrar muitas outras situações como estas. Mas o que gostaria de frisar com este acontecimento é a frieza e a indiferença em que vivemos. Cada dia que passa os sentimentos de compaixão, amor estão ficando engavetados. Ou só tratamos quando recebemos algo em troca, geralmente dinheiro. A vida não tem mais valor em si, mas pelo montante de dinheiro ou bens que se tem.

Jesus nos ensinou o caminho que leva ao céu. Deixou bem claro que a fé não é só rezar, mas deve se transformar em caridade. E como nos lembra São Tiago (2,7): “A fé sem obras é morta”. Muitos destes profissionais são cristãos, rezam o terço, leem a Palavra de Deus, mas na hora de viver sua fé, se omitem. Lamentável! Hipócritas, diria Jesus!

Acompanhamos no país uma degradação gritando dos valores morais, éticos e cristãos. Estamos vivendo no ‘vale tudo e salve-se quem puder’. É vergonhoso tudo o que vemos acontecer: roubos, mentira, ganância, corrupção. Tudo isso tem se tornado cada vez mais comum. E o pior que parece ser normal. Jornais e revistas trazem diariamente uma enxurrada de podridões daqueles que deveriam ser os primeiros a honrar pela ordem e pela ética do país e que elegemos para governar e não para roubar.

A nossa missão de cristãos, frente a este cenário, torna-se cada vez mais exigente. Não podemos silenciar e nem aplaudir aqueles que nos roubam; que roubam o pão de cada dia da mesa das famílias; que roubam a esperança de um futuro melhor. Não podemos pecar também por omissão.

Jesus continua passando pelos caminhos destas misérias existenciais, mas não é mais percebido e nem ouvido. Sua voz é abafada pelos discursos vazios de políticos que não pensam no bem comum, mas apenas usam do poder para se enriquecer.

Deus nos dê sabedoria para podermos mostrar caminhos para vencer tantos pecados cometidos contra a vida!

Bom domingo. Abençoada semana! Você deve levar as pessoas à Jesus!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

15 de outubro de 2015

O troco da natureza

Ao acompanhar os temporais no RS, seca em outras regiões do país, entre outros fenômenos mundiais, vemos que a natureza está cansada de tanto descaso com ela. Muitas atitudes, como lixo em lugares inapropriados, uso de agrotóxicos, poluição dos carros e indústrias, fazem aumentar o caos. Chegamos num limite e a natureza começa a dar suas respostas a tanto sofrimento que ela vem sofrendo a séculos. 

O capitalismo fez de nós destruidores do meio ambiente, explorando além dos limites. Porque se fosse tirado o suficiente para a manutenção da vida e cuidado do todo, não teríamos chegado a esse ponto. E o pior de tudo isso, não vemos atitudes significativas também por parte das autoridades. Nada, ou muito pouco, está sendo feito para mudar tudo isso. Acostumamo-nos a tirar, explorar e não aprendemos a cuidar e repor. Isso fará falta e pagaremos preços altos por estas escolhas mal feitas. 

Tudo isso é reflexo da ausência de Deus em nossa vida. Quando buscamos o criador, temos amor à sua criação. O problema com isso é que esquecemos que somos criaturas e queremos dominar a criação como se fôssemos donos dela. Ela não é nossa. Se vivermos em harmonia, teremos vida em abundância para todos. Como dizia São João Calábria: "Para grandes males, grandes remédios!" O remédio é a oração. Voltar para Deus.

Pe. Hermes J. Novakoski

11 de outubro de 2015

História do Círio de Nazaré em Belém PA



Realizado em Belém do Pará há mais de dois séculos, o Círio de Nazaré é uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Reúne, anualmente, cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital do Estado, num espetáculo grandioso em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus.

No segundo domingo de outubro, a procissão sai da Catedral de Belém e segue até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da Virgem fica exposta para veneração dos fiéis durante 15 dias. O percurso é de 3,6 quilômetros e já chegou a ser percorrido em nove horas e quinze minutos, como ocorreu no ano de 2004, no mais longo Círio de toda a história.

Na procissão, a Berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré é seguida por romeiros de Belém, do interior do Estado, de várias regiões do país e até do exterior. Em todo o percurso, os fiéis fazem manifestações de fé, enfeitam ruas e casas em homenagem à Santa. Por sua grandiosidade, o Círio de Belém foi registrado, em setembro de 2004, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.

Além da procissão de domingo, o Círio agrega várias outras manifestações de devoção, como a trasladação, a romaria fluvial e diversas outras peregrinações e romarias que ocorrem na quadra Nazarena.

O domingo do Círio começa com a celebração de uma missa em frente à Catedral metropolitana de Belém, a Sé, às 5h30. Ao término da missa, às 6h30, é iniciada a procissão que percorre as ruas de Belém até a Praça Santuário de Nazaré, em um percurso de 3,6 quilômetros. Em 2004, o trajeto foi cumprido em 9 horas e 15 minutos, sendo registrado como o Círio mais longo de toda a história.

A cada ano, o Círio de Nazaré atrai um número maior de romeiros, reunindo, além dos fiéis de Belém e do interior do Estado, devotos de várias regiões do país e até mesmo visitantes estrangeiros. Durante todo o trajeto feito pela imagem de Nossa Senhora, os devotos fazem diversas manifestações de fé, além de enfeitar as ruas e casas em homenagem à Santa.

Por sua grandiosidade, o Círio de Belém foi registrado, em setembro de 2004, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio cultural de natureza imaterial. Mérito conquistado não só pela Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, mas também pelo simbolismo da corda do Círio, que todos os anos é disputada pelos promesseiros que enchem as ruas de Belém de fé e emoção; dos carros de promessas, que carregam as graças atendidas pela Virgem; dos mantos de Nossa Senhora, que a deixam ainda mais linda; da Berlinda, que se destaca na multidão carregando a pequena imagem tão singela e do hino “Vós sois o Lírio Mimoso”, canção que embala os milhares de corações que acompanham o Círio em uma só voz.

Após a grande procissão, a imagem da Virgem fica exposta no altar da Praça Santuário para visita dos fiéis durante 15 dias, período chamado de quadra nazarena.

Curiosidade:

O termo “Círio” tem origem na palavra latina “cereus” (de cera), que significa vela grande de cera. Por ser a principal oferta dos fiéis nas procissões em Portugal, com o tempo passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré aqui Belém e de muitas outras pelas cidades do interior do Pará.

História da devoção à N. S. de Nazaré

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361, tendo sido esculpida por São José. Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.

No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela.

Em 1792, o Vaticano autorizou a realização de uma procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará. Organizado pelo presidente da Província do Pará, capitão-mor Dom Francisco de Souza Coutinho, o primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro. Mas, a partir de 1901, por determinação do bispo Dom Francisco do Rêgo Maia, a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro.

Tradicionalmente, a imagem é levada da Catedral de Belém à Basílica Santuário. Ao longo dos anos, houve adaptações. Uma delas ocorreu em 1853, quando, por conta de uma chuva torrencial, a procissão – que ocorria à tarde – passou a ser realizada pela manhã.

Virgem de Nazaré: Patrona do Pará

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – ASSESSORIA TÉCNICA

LEI N° 4.371, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1971.

Proclama Nossa Senhora de Nazaré Patrona do Estado do Pará e dá outras providências.

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ promulga e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1° – Fica proclamada PATRONA DO ESTADO DO PARÁ NOSSA SENHORA DE NAZARÉ.

Parágrafo Único – O Governo do Estado do Pará prestará, anualmente, as honras de Estado à padroeira dos paraenses.

Art. 2° – A presente Lei poderá ser regulamentada pelo Governador do Estado.

Art. 3° – Esta Lei tem sua vigência a partir do dia 10 de outubro do corrente ano.

Palácio do Governo do Estado do Pará, 15 de dezembro de 1971.

FERNANDO JOSÉ DE LEÃO GUILHON

Círio: Fonte de Solidariedade
O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é experiência de fé, mas é também fonte de solidariedade. Boa parte da arrecadação da Festa é investida nas Obras Sociais da Paróquia de Nazaré (Ospan), desenvolvidas nas sete comunidades que compõem a sua área territorial. Milhares de pessoas são beneficiadas anualmente em seus projetos de atendimento laboratorial, distribuição de sopa e creches infantis.

A implantação do Serviço Social na Ospan se deu em 2002, na gestão do Padre Francisco Silva, na época pároco da Paróquia de Nazaré. O Padre solicitou, ao departamento de Serviço Social da Universidade da Amazônia (Unama), uma consultoria a respeito das necessidades da Paróquia de Nazaré. Hoje, com o serviço implantado, a responsabilidade do trabalho desenvolvido fica a cargo das técnicas Mônica Demachki (Coordenadora) e Hilda Muller (Assistente Social).

Os atendimentos médicos e odontológicos acontecem nas comunidades de São José e Santo Antônio Maria Zaccaria. Profissionais de saúde voluntários atendem mais de 3 mil pessoas por ano. A população carente recebe atendimento e orientações de higiene e saúde que fazem toda a diferença no seu dia-a-dia.

O pão é também repartido. Voluntários nas diversas comunidades preparam a sopa, que toda semana é fartamente distribuída aos que comparecem, o que ajuda a saciar a fome dos filhos de Nossa Senhora. As obras sociais têm vários projetos com a comunidade, entre eles, o programa inserção no mercado de trabalho, o programa adolescente trabalhador, o atendimento social e outros.

Cuidando também dos pequenos, as Obras atendem a mais de 500 crianças por meio das creches Sorena, Casulo (Santo Antônio Maria Zaccaria) e Cantinho São Rafael (Casa de Nazaré). Elas permanecem sob os cuidados de educadores das 7 às 17 horas, recebendo educação escolar básica, alimentação e muito carinho. São meninos e meninas entre dois e seis anos tendo a chance de crescer física, mental e espiritualmente, e participando ainda de atividades esportivas e culturais como danças e artes plásticas.

As Obras Sociais da Paróquia de Nazaré trabalham com valores que dignificam a vida do ser humano: ética, cidadania, universalidade, espírito de equipe, participação, respeito e confiança, espiritualidade, satisfação dos funcionários, humanização, qualidade de vida e compromisso institucional.

Memória de Nazaré
Criado pela a Diretoria da Festa de 2012 em homenagem à Rainha da Amazônia, o espaço está instalado ao lado da Casa de Plácido e abriga uma exposição permanente que conta a história da fé e da devoção mariana, que tem seu maior momento o Círio. São fotos das romarias, mantos utilizados pela Imagem Peregrina, cartazes de edições passadas do Círio de Nazaré, pedidos e promessas de romeiros, com as tradicionais casas e barcos, carregados pelos devotos durante a procissão.

Em 2013, após uma breve reforma, o Memória novos elementos, entre eles seis mantos, que foram revitalizados, pela equipe da historiadora Rosa Arraes, curadora da exposição; fotos da visita da Imagem Peregrina a Portugal e também a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um presente do cantor Daniel para a Diretoria da Festa.

Para visitações neste e outros espaços ao arredor da Basílica que contam um pouco da história do Círio, a Pastoral do Turismo (Pastur) implantou recentemente um trabalho com jovens voluntários que recebem formação técnica para monitorar visitas em grupos a espaços como: Memória de Nazaré, Casa de Plácido, Capela Bom Pastor e Basílica Santuário de Nazaré.

SÍMBOLOS:

Imagem Autêntica
Chamada de imagem “autêntica” ou “imagem do achado”, a escultura de madeira encontrada pelo caboclo Plácido, no ano de 1700, tem 28 cm de altura, cabelos caídos sobre o ombro direito e carrega ao colo o Menino Jesus despido com um globo nas mãos. Aos pés da Virgem, há a cabeça alada de um anjo, que é o símbolo iconográfico da glória celestial. Na Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, a imagem autêntica fica em redoma de cristal no altar-mor, o Glória , entre anjos, nuvens e um belo esplendor de raios. De lá, ela só é retirada uma vez ao ano, numa cerimônia conhecida como a “Descida da Imagem” ou “Descida do Glória”, que ocorre na véspera do Círio, às 13h. Após a descida do Glória, durante toda a quinzena da Festa, a imagem fica num nicho instalado no presbitério, portanto mais perto dos devotos. Desde que foi encontrada, a imagem autêntica já foi restaurada três vezes. Ela é coberta por um manto canônico, trabalhado com fios e enfeites de ouro.

Imagem Peregrina
A partir de 1969, por motivos de segurança, a imagem autêntica que era levada nas procissões do Círio foi substituída por outra, que é uma cópia alterada da imagem encontrada por Plácido. É chamada de “imagem peregrina” porque sai em todas as procissões e cerimônias oficiais da festa Nazarena . Durante o ano, ela fica na sacristia da Basílica Santuário.

Manto
Segundo a lenda do achado da Imagem da Virgem de Nazaré, ela já estava com um manto no momento em que foi encontrada pelo caboclo Plácido. A tradição foi mantida e, ao longo dos anos, ela foi ganhando vários outros. Em 1953, a imagem autêntica recebeu um manto bordado a ouro e pedras preciosas, além de receber a Coroa Pontifícia. A confecção dos primeiros mantos é atribuída à irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant'Ana, do Colégio Gentil Bittencourt. Ela confeccionava o manto e o promesseiro doava o material. Foi assim até sua morte, em 1973. Depois disso, quem assumiu a missão foi a ex-aluna e ajudante, Esther Paes França, que fez 19 mantos. Daí em diante, vários católicos e estilistas famosos passaram a confeccionar o manto.

Berlinda
A berlinda começou a fazer parte do Círio a partir de 1855, em substituição a uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois, chamada de palanquim. Em 1880, o Bispo Dom Macedo Costa mandou fazer uma berlinda que levasse a imagem sozinha. Em 1926, a berlinda foi transformada em andor e assim saiu até o Círio de 1930. Hoje a berlinda que carrega a imagem da Virgem de Nazaré na procissão do Círio já é a quinta da história. Confeccionada em 1964, pelo escultor João Pinto, ela tem estilo barroco e é esculpida em cedro vermelho. Ornamentada com flores naturais na véspera do Círio, a Berlinda é colocada sobre um carro com pneus, que na procissão é puxado pela corda conduzida pelos devotos.

Corda
A corda faz parte do Círio há 156 anos e foi introduzida em 1855, quando a berlinda ficou atolada por conta de uma chuva. Mas só no ano de 1885 a corda foi inserida oficialmente no Círio, substituindo os animais que puxavam a berlinda. Desde então, foi incorporado à festividade e, passou a ser o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis. A cada ano, milhares de fiéis disputam um espaço para tocar na corda do Círio, a fim de pagar promessas e prestar homenagens à Virgem de Nazaré. "Ir na corda" é considerado um dos maiores atos de fé e devoção à Mãe de Jesus. Nos últimos anos, o ícone que tem 400 metros de comprimento e duas polegadas de diâmetro tem sido fabricado em Santa Catarina e é doada por um devoto anônimo. O transporte da corda até Belém também é doado pela transportadora Novo Progresso.

Campanha
Para levar um pedacinho desse símbolo para casa, a cada ano a corda era cortada pelos devotos com mais antecedência. Em 2011, por causa da necessidade de manter vivo este símbolo tão importante de devoção à Nossa Senhora e, também, evitar possíveis acidentes durante as procissões, a Diretoria da Festa de Nazaré começou uma campanha contra o corte prematuro da corda. O arcebispo Dom Alberto Taveira espera os devotos em frente ao Colégio Santa Catarina, para uma benção. O objetivo é que a corda seja cortada pela própria organização do Círio e distribuída aos fiéis.

Carros
Além da berlinda, outros treze carros acompanham a procissão do Círio. Eles são um símbolo importante da devoção mariana, onde os romeiros depositam objetos de promessa que carregam durante a procissão. Um desses carros – o dos Milagres – se refere ao milagre que teria ocorrido no ano de 1182, quando o fidalgo português Dom Fuas Roupinho, prestes a despencar num abismo com seu cavalo, recorreu a Nossa Senhora de Nazaré. Há, também, o Carro do Caboclo Plácido, o Barco dos Escoteiros, a Barca Nova, Carro do Anjo Custódio, Barca com Velas, Carro do Anjo Protetor da Cidade, a Barca Portuguesa, o Carro dos Anjos I, Barca com Remos, Carro dos Anjos, o Carro da Santíssima Trindade e o Cesto das Promessas.

Cartaz
A cada ano, os cartazes do Círio são produzidos para distribuição à população, que tem por hábito afixar nas portas de suas casas, como uma homenagem daquele lar à padroeira. Este ano, representa a beleza e a simplicidade com que Deus age na vida do seu povo. É necessário estarmos em sintonia com Ele para percebermos a sua ação em nossas vidas. Em primeiro plano contemplamos a Virgem de Nazaré que traz nos braços o nosso Salvador. Por detrás da imagem peregrina as fitinhas coloridas tão intimamente ligadas à nossa devoção popular, compõem de maneira harmoniosa um belíssimo resplendor que imediatamente evoca os raios de um ostensório, objeto litúrgico usado para a Adoração do Santíssimo Sacramento. Maria é a Mulher Eucarística porque nos apresenta seu filho Jesus e convida-nos a viver em perene ação de graças por tudo o que d’Ele recebemos.

Hino

“Vós Sois o Lírio Mimoso” é considerado o hino oficial do Círio de Nazaré. Composto em 1909 pelo poeta maranhense Euclides Farias, posteriormente, foi acrescido de um estribilho – escrito pelo advogado Aldebaro Klautau - que cita o nome da Senhora de Nazaré. O hino "Virgem de Nazaré" é, originalmente, um poema de autoria da poetisa paraense Ermelinda de Almeida, que por volta dos anos 60 foi musicado pelo Pe. Vitalino Vari. "Maria de Nazaré" tem letra e música do sacerdote mineiro Pe. José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho) e foi composto em 1975. "Nossa Senhora da Berlinda" tem letra e música do Pe. Antônio Maria Borges e foi composta em 1987.

Promesseiros
Eles são uma das imagens mais emocionantes da Festa da Rainha da Amazônia. Além dos que vivem em Belém, chegam promesseiros do interior do Pará, de outros Estados e até de outros países. Muitos seguem a romaria descalços; outros vestem seus filhos de anjos, puxam a corda, distribuem água, carregam objetos de cera que representam curas alcançadas. Também é comum ver os fiéis carregando pequenas casas na cabeça e cruzes de madeira. O sacrifício às vezes supera os limites da dor e alguns fiéis seguem de joelhos toda a procissão.

Museu
Os objetos carregados pelos fiéis são selecionados e parte deles vai para o Museu do Círio, que funcionou na cripta da Basílica Santuário até o ano de 2002, sendo transferido para o complexo Feliz Lusitânia em 2003. Outra parte dos objetos vai para a exposição permanente do Memorial e Nazaré e também para a Estação dos Carros, uma espécie de depósito/museu com mais de 800 metros quadrados, que fica na área do Arraial de Nazaré, onde, durante todo o ano, ficam guardados a berlinda e os carros levados na grande procissão.

Terço da Alvorada
Durante a quinzena da Festividade de Nazaré, dezenas de pessoas se revezam em orações, conduzindo uma réplica da Imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas no entorno da Basílica. O Terço da Alvorada acontece diariamente, às 5h30, até o sábado que antecede o Encerramento da Festa.

Memorial de Nazaré
Criado pela a Diretoria da Festa de 2012 em homenagem à Rainha da Amazônia, o espaço está instalado ao lado da Casa de Plácido e abriga uma exposição permanente que conta a história da fé e da devoção mariana, que tem seu maior momento o Círio. São fotos das romarias, mantos utilizados pela Imagem Peregrina, cartazes de edições passadas do Círio de Nazaré, pedidos e promessas de romeiros, com as tradicionais casas e barcos, carregados pelos devotos durante a procissão. Em 2013, após uma breve reforma, o Memorial recebeu novos elementos, entre eles seis mantos, que foram revitalizados, pela equipe da historiadora Rosa Arraes, que segue a frente da curadoria da exposição; fotos da visita da Imagem Peregrina a Portugal e também a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um presente do cantor Daniel para a Diretoria da Festa.


Fonte: pesquisas na internet

25 de setembro de 2015

JUNTOS SOMOS MELHORES!

Chegamos ao final do mês da Bíblia. É o momento para uma avaliação de como vivemos este mês: buscamos mais a Palavra de Deus? Rezamos a Palavra em família? Deixamos despertar em nós um amor maior por esta Palavra?

Como refletimos ao longo dos quatro domingos de setembro, a Palavra tem o poder de transformar a nossa vida quando deixamos que Ela tome posse do nosso coração. Ela é vida e verdade que permanece para sempre.

No Evangelho deste domingo (Marcos 9,38-43.45.47-48) temos dois momentos. O primeiro é que os discípulos tinham se encontrado com alguém que provavelmente já tinha sido discípulo de Jesus e que estava anunciando e operando maravilhas em seu nome. Eles o proibiram porque não estava com eles, não fazia parte do grupo. Jesus adverte dizendo que “quem não é contra nós é a nosso favor”.

Ninguém pode monopolizar o Evangelho. O Espírito Santo inspira quem e onde Ele quer. Ao longo da história temos percebido a ação do Espírito em muitos lugares inclusive onde ainda Jesus Cristo não foi anunciado publicamente. Onde existe uma ação de bem; uma ação em favor da vida, lá o Espírito Santo está agindo.

Acredito que se nós cristãos nos déssemos as mãos, o mundo seria transformado mais rapidamente. O grande problema é quando, por exemplo, conversamos com pessoas que não são católicas, a primeira coisa que se faz, de ambas as partes, é criticar um ao outro. Por que, em vez de criticar, não nos unimos? Afinal de conta Jesus não é o mesmo? Por que não colocar de lado as diferenças e caminharmos juntos como irmãos? Acredito que no céu não haverá divisórias para católicos, muçulmanos, assembleianos. Seremos todos irmãos e contemplaremos o mesmo Deus. Por que aqui fazemos divisões e distinções? É claro que a unidade não quer dizer que devemos deixar de lado o que é essencial para a fé e aceitar tudo como se fosse normal e correto.

Rezemos pela unidade dos cristãos. Que todos sejamos, como é o desejo de Deus, um só rebanho e um só Pastor!

Outro aspecto deste domingo que gostaria de destacar é a ajuda que podemos e devemos dar aos irmãos no caminho da fé. Ai daquele que atrapalhar um irmão no seu caminho para Deus. Jesus deixa bem claro: “se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Nós devemos ser pessoas que ajudam os outros a estarem sempre mais perto de Deus. Ai de quem tirar o outro deste caminho.

A Palavra de Deus vai nos purificando e mostrando o que não está de acordo com a sua santa vontade. Por isso Jesus é radical ao dizer que: “Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 'onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga''. Iluminados pela Palavra, somos convidados e eliminar pela raiz tudo aquilo que não nos deixa vivermos como verdadeiros filhos de Deus. Temos que arrancar os males como a discórdia, inveja, ódio, rivalidades, ciúmes, falta de perdão e muitas outras. Sem isso será difícil viver o compromisso cristão de amar a Deus sobre todas as coisas e aos outros como irmãos.

O Salmo (18/19) fecha nossa reflexão e destaca aquilo que refletimos neste mês sobre a Palavra de Deus: “A lei do Senhor Deus é perfeita, alegria ao coração; conforto para a alma. O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes!” Ela é perfeita e teremos alegria se a vivermos em nossa vida sem duvidar ou questionar.

Felizes aqueles que no escondimento, na humildade vivem a Palavra de Deus. Tem muitos cristãos que se empenham e buscam viver esta Palavra. São sinais de Deus onde estão. Brilham como luz que ilumina as famílias, as comunidades, lá onde estão. Graças a estas pessoas que se empenham com muito carinho e amor, o mundo continua sendo transformado ainda que lentamente; a esperança continua alimentando nossas vidas e o Reino vai acontecendo a seu tempo.

Agradecemos Senhor pela Tua Palavra que é vida, força, alimento indispensável para todo cristão; pela paciência que tens para conosco; pelo carinho com que nos conduz e acompanha. Perdoa nosso fechamento e pelas vezes que resistimos em te obedecer. Amém.

Abençoado domingo.

Participe da sua comunidade! Seja comunidade! O Senhor te espera na comunidade reunida, na Palavra proclamada e no Pão partilhado, a Eucaristia.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

17 de setembro de 2015

TUA PALAVRA NOS CONVIDA A SERVIR

Estamos no mês da Bíblia. Cada dia aprendemos muito da Palavra de Deus. O Domingo é o dia em que aprendemos em comunidade a viver esta Palavra na prática. É a comunidade que se reúne para ouvir e celebrar a Palavra em clima de festa, alegria e fé.

A Palavra deste 25º Domingo do Tempo Comum nos ensina que na lógica cristã maior é aquele que serve e não o que se coloca acima de todos como se fosse o melhor. Jesus não é compreendido porque Ele inverte a lógica da sociedade onde o maior é o mais rico, o que manda mais, o mais poderoso. Hoje Ele continua sendo incompreendido e ignorado por isso.

A questão de querer ser mais que os outros não é só problema dos nossos tempos, das nossas comunidades. Os discípulos de Jesus também caíram nesta tentação. Eles discutiam quem entre eles era o maior; quem era o mais querido e preferido por Jesus.

Percebendo que eles estavam preocupados com isso, Jesus diz aos discípulos e a todos nós hoje: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos” (Marcos 9,35). Isso deve ter doido nos discípulos porque servir era o trabalho dos escravos e das mulheres. E também porque Jesus manda se colocar no último lugar. Ninguém gosta e nem quer ser o último. Todos gostamos de privilégios, mas o cristão não deve buscar isso.

Todo cristão deve aprender do Mestre que o serviço dignifica a pessoa. Quando servimos o mais necessitado, servimos a Ele mesmo; quando acolhemos o Filho, acolhemos também quem o enviou, o Pai. Quando acolhemos o Filho verdadeiramente somos animados a servir, porque Ele também serviu. Ser cristão é bonito, mas é um compromisso concreto que assumimos de acolher, ajudar, transformar os sinais de morte que existem em nosso meio.

Outro problema recorrente nas primeiras comunidades e que São Tiago chama a atenção (Tiago 3,16-4,3) e que também se repete ainda hoje é a inveja e a rivalidade. Quantas famílias e comunidades são destruídas por estas ações anti-evangélicas. A inveja é querer ter o que o outro tem e querer tomar a força. A rivalidade gera muitas intrigas, desavenças, competitividade para ver quem faz melhor. Deixamos de agir na gratuidade e no amor para competir com o outro para ver quem faz melhor. Um trabalho para Deus feito com estes sentimentos não tem valor. São Tiago deixa bem claro: “Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obra má” (Tiago 3,16).

Por outro lado, o autor deste livro sagrado não fica só nos aspectos negativos, mas também propõe e mostra que “a sabedoria que vem do alto é [...] pura, pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento” (Tiago 3,17). É esta sabedoria que devemos buscar. O cristão que bebe da Palavra de Deus deve ser alguém que busque sempre o maior bem de todos.

Terminamos com o refrão do Salmo 53/54: “É o Senhor quem sustenta a minha vida!” E se é Ele quem nos sustenta, precisamos colocar em prática tudo o que Ele ensina. Do contrário a Palavra não produzirá frutos e continuaremos sendo apenas meros admiradores e expectadores não discípulos do Mestre. E como dizíamos na reflexão do 24º Domingo, buscaremos a Palavra para adequá-la a nossa vida como queremos e não deixaremos que Ela nos transforme em pessoas melhores, em verdadeiros filhos de Deus.

O justo, que aparece no livro da Sabedoria (2,12.17-20), é modelo para todos nós, pois ele permanece firme mesmo diante das desavenças que sofre. Ele não abandona o caminho diante das dificuldades porque sabe que o Senhor virá em seu socorro. Não abandona os valores e os princípios porque é difícil e ameaçado, mas continua fiel.

Queridos irmãos e irmãs. Peçamos a Deus a sabedoria que nos purifica, liberta e nos faz produzir bons frutos. Que Ele nos dê um coração humilde para sempre servir.

Abençoado Domingo e semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

10 de setembro de 2015

QUEM É JESUS PARA MIM?

Parece ser uma pergunta fácil de responder. Mas esta resposta advém de uma caminhada de fé que fazemos assim como aconteceu com os discípulos de Jesus.

Hoje o perigo que temos é pensar que conhecemos Jesus o suficiente. Muitos dizem: “Agora eu conheci Jesus”. Como assim? Você talvez tenha conhecido alguns ensinamentos sobre a pessoa de Jesus que uma determinada igreja passou. Mas este ensinamento de fato revela a pessoa de Jesus na sua mais profunda essência? O que conhecemos sobre Jesus?

Vejamos que até os discípulos, que conviviam com o próprio Jesus tiveram dificuldade de compreender quem Ele era e de aceitar o que Ele trazia como plano e protejo. Se eles que conviveram, viram, ouviram Jesus tiveram dificuldades, quanto mais nós hoje. Por isso a fé não é um dado pronto, fechado, mas um caminho para toda a vida.

Jesus faz um pequeno interrogatório sobre o que os discípulos ouviam falar sobre a sua pessoa. Vemos a confusão e a falta de clareza que existia. Depois a pergunta é pessoal: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro toma a iniciativa e dá a resposta verdadeira: “Tu és o Messias!”

Dando a entender que eles estavam finalmente compreendendo quem era Jesus, Ele começa a expor seu projeto, onde sua missão iria desembocar. “Começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente”. (Marcos 8,31-32)

Diante do que Jesus estava expondo os discípulos ficam assustados e com medo. Para eles o Messias seria triunfalista, rei poderoso com exércitos. A decepção foi tamanha que Pedro tomando a palavra diz que não desejava que isso acontecesse com Jesus.

Este é o problema que hoje se repete. Nós selecionamos o que queremos conhecer de Jesus e seguimos aquilo que nos convém. Muitas e muitas vezes queremos um Jesus mágico, milagreiro. Pensamos Deus como um supermercado onde encontramos as coisas que vão de acordo com o nosso paladar. Talvez Jesus nos chame a parte e diga como disse a Pedro: “Vai para longe de mim, Satanás!' Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.

São muito duras as palavras de Jesus, mas nos fazem pensar. Conseguimos acolher o projeto que Deus tem para nós? Aceitamos que na vida teremos que passar pela cruz para chegar a ressurreição?

Aí volta a pergunta inicial: quem é Jesus para mim? Sem termos claro isso a nossa vida não se transforma. Continuaremos a pensar como os homens e não como Deus. Vamos querer dobrar Deus para que Ele resolva todos os nossos problemas e faça aquilo que nós queremos.

Quando vamos conhecendo Jesus ao longo da caminhada da nossa vida, vamos purificando nosso pensamento, nossos sentimentos. Vamos entendendo que Jesus não veio para nos tirar deste mundo de forma mágica e livrar-nos das dificuldades e problemas. Ele mesmo viveu no meio do caos da sociedade da sua época. Porém foi um sinal de transformação e lutou para que o bem e a verdade fossem conhecidas.

Jesus veio nos ensinar o caminho ao Pai e que a nossa missão é tornar este mundo melhor pelas minhas atitudes. Mas só vou conseguir ser um agente de transformação quando aprender que eu não sou o centro do universo e que sempre tem alguém precisando de ajuda mais de eu.

Vejam como muda a lógica. Quando o amor de Deus é compreendido vamos nos doando a fim de nos tornarmos pessoas melhores e ajudar os que precisam. Não busco Deus só para mim e para resolver os MEUS problemas, as minhas limitações e dificuldades. Porque não sou eu o centro, mas Deus. Quando me coloco no centro, quero tentar manipular o próprio Deus para que Ele me sirva.

Vemos isso claramente neste mercado e o trânsito religioso que existe hoje. Muitas pessoas se tornam eternos peregrinos. Vão passando de igreja em igreja para tentar encontrar um deus capaz de os servir e resolver seus problemas. O Deus verdadeiro fica esperando e fica triste quando os seus filhos não correspondem a tanto amor e ficam lamentando as coisas da vida. Quando mendigam amores que não verdadeiros.

Irmãos e irmãs. Jesus não foi enviado pelo Pai para resolver nossos problemas. Ele veio para nos ensinar o que devemos fazer para nos tornarmos pessoas melhores e que maior é aquele que serve, assim como Ele serviu. Ele veio nos ensinar a sermos melhores filhos. Vemos claramente esta conclusão no final do Evangelho deste 24º Domingo do Tempo Comum: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

Renunciar a si mesmo, como vimos acima, é não se colocar como centro do mundo. O centro sempre é Ele e a missão que nos deixou. E a salvação passa pela doação e não pela acomodação. Quem doar, perder a vida pelo Reino e por Ele será salvo.

Para terminar, vale citar a Leitura de São Tiago (2,14-18) que nos lembra que a fé sem obras é morta; “a fé, se não se traduz em obras, por si só está morta”. Uma fé que se preocupa apenas consigo mesmo nem sei se pode ser chamada de fé. Porque a fé, ou seja, a experiência de Jesus fará com que me torne uma pessoa melhor e me coloque a serviço.

Então não basta gritar, aplaudir, chorar dizendo que amamos Jesus se não transformamos nossa fé em obras concretas. Sentimentalismo, emotividade não é fé. Fé é ação; é transformar o meu coração e lutar para que o mundo seja melhor.

Vamos ‘arregaçar as mangas’ e traduzir a nossa fé em obras. Aprender de Jesus a lutar por um mundo melhor. Doar a nossa vida para que o Reino aconteça.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.