30 de julho de 2015

Sacerdote e Eucaristia

Estimados irmãos e irmãs. Estamos iniciando o mês vocacional. Neste primeiro domingo de agosto (18º do Tempo Comum) vamos refletir sobre o ministério ordenado, os padres.

A Palavra de Deus nos apresenta Jesus como o verdadeiro pão que sacia a fome dos seus. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos enganar. Muitos nos oferecem pão, mas nem todos nos dão o pão verdadeiro, Jesus Cristo. É por isso que o próprio Jesus alerta: “É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá a vida ao mundo... Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Evangelho de São João 6, 24-35).

E hoje quem nos oferece o pão o céu, Jesus Cristo? A Igreja através dos sacerdotes. Por isso só pode consagrar o sacerdote que for validamente ordenado e que estiver em comunhão com a Igreja.

Falando sobre a Eucaristia, João Paulo II disse que: “A Igreja vive da Eucaristia” (Ecclesia de Eucharistia, Nº 1). Sem a Eucaristia a Igreja deixaria de existir, pois aí está a sua centralidade. Sem a Igreja também não há Eucaristia, pois é na Igreja e pela Igreja que Ele existe.

A Eucaristia é a festa da comunidade. Por isso, somente os doentes podem recebe-la em sua casa. Todos os demais são convidados a participarem na comunidade da mesa da Palavra e da mesa do Pão.

Pela Eucaristia somos fortalecidos em nossa missão de cristãos. Ela nos alimenta e nos sustenta em nossa luta diária. Ela nos impulsiona para o bem. Nela somos renovados todos os dias; redobramos nossas forças para não ficarmos parados na metade do caminho.

Gostaria de fazer uma pausa aqui para refletir sobre a vocação sacerdotal. O sacerdote deve ser um homem de Deus. Ele, em primeiro lugar, precisa se alimentar diariamente da Eucaristia. Quando falta o verdadeiro alimento, corremos o risco de buscarmos outros e aí que mora o perigo, pois o alimento principal, pode se tornar secundário.

O sacerdote é alguém escolhido do meio do povo, da comunidade, e consagrado a Deus para este serviço. Ser padre não é status, mas compromisso com o Reino; serviço à todos de modo especial aos pobres.

A comunidade também precisa valorizar a pessoa do sacerdote. Vemos esta figura muitas vezes sendo denegrida pela mídia e muitos católicos ainda ajudam para que isso aconteça.

Sabemos que os sacerdotes são homens e não deuses. São convidados a buscar e a viver a santidade em tudo o que fazem. São ordenados para um ministério sagrado. Tudo isso faz pesar sobre nós muita responsabilidade. Carregamos, como muito bem nos diz São Paulo, um grande “tesouro em vasos de barro” (2 Coríntios 4,7). Mas este vaso pode cair e rachar e nem sempre encontra alguém capaz de ajudar a juntar de novo os cacos para que ele volte a ter a beleza de antes.

Não quero jamais justificar e nem encobrir certos pecados e que jamais deveriam ser cometidos pelos sacerdotes. Porém, até quando estes fazem tudo certo, muitos aplaudem; mas basta um pequeno pecado e muitos começam a jogar pedras. Precisamos rezar pelos nossos sacerdotes para que eles sejam santos e diante das suas limitações, buscar ajuda-los. Bonita é uma igreja, uma comunidade que estende as mãos para seus pastores e ajuda-os a caminhar e a servir melhor.

Uma outra preocupação são os padres ‘pop star’, muito preocupados com o sucesso e nem tanto com o Evangelho. Ainda tem aqueles que até usam do Evangelho para a fama. Lamentável! Vemos uma onde crescente de padres que querem estar nas grandes mídias, nos primeiros lugares na venda de CDs etc. Sem dúvida precisamos colocar nossos dons e talentos à serviço do Evangelho, mas lembrando sempre que Jesus Cristo deve crescer e eu diminuir, como dizia João Batista. A minha luz não pode ofuscar a luz de Cristo. Aqui mora o perigo.

Vamos também lembrar daqueles sacerdotes que no escondimento, na humildade, são sementes do Reino em muitos lugares, especialmente nos mais pobres e abandonados. Estes merecem nosso reconhecimento e gratidão.

Queria com isso animar ainda mais as nossas comunidades a incentivarem as vocações sacerdotais. É nas famílias que as vocações nascem e são cultivadas. Muitos jovens tem encontrado resistência e dificuldades com os pais e familiares que além de não apoiarem, ainda se opõe de forma clara sobre o seguimento nesta vocação.

Resgatar também o valor da oração pelas vocações. Pois se não tivermos sacerdotes, muitas comunidades continuarão sem Eucaristia e o acesso ao Sacramento da Confissão.

O mês de agosto é o momento oportuno para refletirmos sobre a vocação à qual Deus me chama e rezar para que a sua vontade se torne mais clara na minha vida. Vocação é dom de Deus a serviço dos irmãos. Quem descobre e segue, é feliz. Não podemos nos esconder de Deus, pois Ele têm para nós um projeto de amor.

Pe. Hermes J Novakoski, PSDP