6 de agosto de 2015

FAMÍLIA, A MELHOR ESCOLA

Este segundo domingo do mês de agosto, celebrando o dia dos pais, somos convidados e refletir e a rezar a vocação ao matrimônio. Não existe vocação mais importante. Todos somos chamados pelo mesmo Senhor e Deus. Toda vocação é bela e santa porque nasce no coração de Deus.

O Papa Francisco falou em muitas catequeses sobre a família. Refletiu uma gama grande de temos referente a vida da família. Falou sobre os idosos, jovens, namoro, educação dos filhos. Para quem acompanhou, certamente foi uma riqueza e um momento de poder resgatar o valor e a importância da família. O Papa oferece elementos que ajudam a refletir e ajudam os casais a viverem melhor este sacramento. Dificuldades existem. Somos humanos e falíveis. Por isso não se pode exigir perfeição nas relações matrimoniais.

Em uma de suas catequeses o Papa disse as “três palavras que devem estar em casa: com licença, obrigado e desculpa” (Catequese com o Papa Francisco – 02/04/14). Quando perdemos a gentileza das relações, quando caímos no automático, a nossa vida fica sem sentido, vazia, rotineira e triste. As relações familiares vão se desgastando. Aí chega ao ponto de não suportamos mais a pessoa do outro, seja esposo, esposa, filho, filha ou outros que convivem no lar.

A delicadeza e a fineza são coisas bonitas. Todos gostamos de estar e conversar com pessoas educadas e atenciosas. Ninguém gosta de ser tratado com grosseria e pior ainda, com indiferença.

Ser educado é educar. Por isso o papel fundamental dos pais. O exemplo vale mais do que milhares de palavras. As vezes nossos discursos se esvaziam e quando não conseguimos convencer mais por palavras, partimos para a grosseria e para a gritaria. Pensamos que a força da palavra está no tom da voz. Mas nos enganamos. A força está no gentileza e delicadeza como se diz; no tocar o coração de quem escuta.

Muitos pais tem receitas prontas para os filhos: “Você deve respeitar as pessoas e ser educado na relação com elas”. Mas trata sua esposa e até os próprios filhos com grosseria e ofensas. Assim poderíamos ilustrar muitos outros exemplos, mas não vem ao caso agora. Antes de falar, faça! Os atos falam por si mesmo.

Nem todos têm a facilidade de perdoar. O perdão é um exercício de humildade. Precisamos aprender que a pior prisão do mundo é a falta de perdão porque a pessoa faz, antes de tudo, mal a si mesma. E depois que fez mal a si, é capaz de fazer mal aos outros. O perdão liberta e mostra que todos estamos em processo de crescimento. Quem ama, perdoa.

A gratidão também é um elemento muito bonito. A pessoa ingrata é uma pessoa infeliz. Ser grato a Deus e as pessoas é reconhecer sua importância na nossa vida.

Mas como sustentar um matrimônio as vezes mergulhado em muitas trevas? Além das três palavras chaves do Papa (e muitas outras dicas que ele dá em suas catequeses), é necessário um espírito de oração. Lembro que uma das finalidades do casamento é a santificação dos cônjuges. O casal deve favorecer com que o outro se torne santo. A participação da comunidade onde o casal recebe o “Pão que desceu do céu” (João, 6,41). A Eucaristia é a fonte de vida para todo cristão e para todas as famílias que desejam vivem melhor. Uma família sem a Eucaristia é como um soltado sem a armadura. As palavras de São João Paulo II continuam sendo válidas e verdadeiras: “Família que reza unida, permanece unida”! Porque a oração ajuda a transformar tudo o que não está bem.

Gostaria de trazer as palavras de São Paulo aos Efésios, na segunda leitura deste domingo. Esta Palavra nos oferece muitas pistas para vivermos melhor em família: “Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor.” (4,31-5,2)

O caminho é longo e não podemos parar no meio e ficar chorando, lamentando. Deus nos anima e caminha conosco. Ele nos sustenta com sua graça, e nos alimenta com sua corpo e sangue assim como alimentou Elias (1Reis 19,4-8) para continuar percorrendo seu caminho. Não podemos desistir.

Toda vocação é linda e a alegria está em se doar na gratuidade e na generosidade. Quanto mais nos doamos, mais felizes somos. A vocação não é para ser guardada a sete chaves, mas para ser colocada à serviço de todos. Os pais exercem esta doação na família fazendo com que esta seja um lugar santo e propício para o crescimento na fé e nos valores. Quando nos doamos estamos sendo colaboradores de Deus para tornar este mundo ainda melhor.

Deus abençoe nossos pais e nossas famílias. Rezemos pela santificação das nossas famílias. E que diante das adversidades não haja mais divisão e discórdia, mas amor, perdão, paciência, e muita oração. Que os filhos encontrem no lar o aconchego e os elementos necessários para crescerem bem. Que os idosos, nossos avós, sejam respeitados e valorizados pela riqueza que são e não descartados como uma peça de museu. Que os casais se amem acima de tudo para superar tudo.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.