21 de agosto de 2015

NÓS SERVIMOS AO SENHOR!

Gosto sempre de lembrar a expressão do livro do Eclesiastes “nada há de novo debaixo do sol” (1,9). Esta expressão nos lembra que a história é cíclica, é um vai e vem eterno; é como um espiral. Neste vai e vem da história as pessoas são outras e por isso interpretam os acontecimentos a seu modo.

Jesus não quer corpo mole dos seus discípulos. Alguns começam a reclamar das exigências que Ele faz para o seguimento e das suas palavras “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la” (Jo 6,60).

Lembrando que no Evangelho do Domingo passado, que não foi lido por causa da Solenidade da Assunção de Maria, Jesus finaliza o discurso do pão da vida. O que os discípulos não estavam entendendo é como Ele poderia dar seu corpo e sangue como verdadeiro alimento. Mas Jesus estava referindo-se ao sacrifício da cruz, a Eucaristia que hoje a Igreja celebra diariamente e da qual se alimenta. Jesus frisava com determinação que o Pão que vem do céu é Ele e que não podemos comer de um e de outro pão como se fossem iguais e com o mesmo significado. Era difícil aceitar e entender isso.

A confusão, a dúvida e a fata de fé no mundo atual faz repetir-se a mesma situação. Quantos de nossos irmãos abandonaram a Igreja Católica porque pensam que sua doutrina, seus ensinamentos são duros de mais? Quantos não querem aceitar o que a Igreja ensina como verdade revelada por Deus? Assim como Jesus não voltou atrás em sua confuto e nos seus ensinamentos, também a Igreja não deve abrir mãos daquilo que é essencial porque alguns a deixaram e a criticam. Na verdade quem deixa é porque nunca viveu sua fé e não amou a Igreja de verdade. Porque quando a gente ama alguma coisa, damos a vida por ela.

Neste quarto domingo do mês vocacional celebramos a vocação aos diversos ministérios e serviços da comunidade. Na Igreja todos tem espaço para agir e para servir, basta se dispor.

Na vida muitas vezes somos tentados a abandonar o caminho verdadeiro por outros caminhos, aparentemente mais fáceis. Mas isso não é somente problema dos nossos tempos. Vemos que já o povo de Deus era tentado a abandonar o verdadeiro caminho. Por isso ele precisa abraçar o caminho do Senhor com coragem e ousadia e não ter medo dos obstáculos que virão. Isso vemos claramente na Leitura do livro de Josué (24,1-2.15-18) proclamada neste domingo. Assim como Josué questiona o povo e o faz refletir sobre suas escolhas, também nós precisamos refletir:

“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. Diante desta pergunta e desta proclamação de Josué o povo responde: “Longe de nós abandonarmos o Senhor, para servir a deuses estranhos. Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo, é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, 
da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. Portanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus'.

A quem nós servimos? Ao Deus verdadeiro revelado por Jesus Cristo ou aos deuses que nós mesmos criamos e imaginamos? Ao Deus revelado por Jesus ou a imagem que nós formulados sobre Deus? Assim como os profetas ajudavam o povo a não se desviarem do caminho e a conhecerem o Deus verdadeiro, a Igreja hoje é quem nos orienta e nos mostra por onde devemos seguir. Cuidado para não sermos engolidos por doutrinas falsas que nos pregam um deus lingth e que se molda aos nossos desejos e as nossas vontades. Um Deus que faz o que eu quero e precisa quando eu quiser; um deus que realiza minhas vontades e me dá tudo o que eu preciso.

Quando fazemos uma experiência verdadeiro de Deus, não conseguimos ficar acomodados no nosso mundo. Rompemos com nossas estruturas interiores e vamos ao encontro das pessoas nas mais diversas e criativas formas. Assim todos os leigos são construtores do Reino junto com a Igreja. Ninguém fica de fora. Todos tem espaço, baste se dispor a servir.

Destacamos neste final de semana os muitos e irmãos e irmãs e no anonimato fazem acontecer as maravilhas do Reino de Deus. Quantos trabalhos significativos são realizados nas pastorais, movimentos da Igreja. Todos estes trabalhos são voluntários. Realizados na gratuidade de um coração que se sente amado e deseja amar. Um coração que foi tocado pelo amor e pelo cuidado de Deus e deseja cuidar.

Deus seja louvado por tanto bem realizado e continue encorajando a todos os que se dispõe a servir. A nossa Igreja não teria tanta beleza e expressão de ternura sem a doação dos leigos. Somos Igreja Missionária, nos lembrou mais uma vez Aparecida. Uma Igreja em constante saída para ir ao encontro das pobrezas e misérias existentes. Uma Igreja atenta aos desafios e que com coragem se dispõe a caminhar e servir. Uma Igreja que marcou a história da humanidade e continuará marcando. Uma Igreja que amou e continuará amando. Uma Igreja que continuará gritando ao mundo os valores cristãos que tornam o mundo mais humano, fraterno, solidário.

Vamos SERVIR AO SENHOR sem medo. Vamos servir a este Deus que nos ama com ternura e compaixão, amando especialmente os mais necessitados. Vamos continuar anunciando a esperança e o amor. Continuar levando o Pão da vida que sacia toda fome.


Pe. Hermes José Novakoski, PSDP