10 de setembro de 2015

QUEM É JESUS PARA MIM?

Parece ser uma pergunta fácil de responder. Mas esta resposta advém de uma caminhada de fé que fazemos assim como aconteceu com os discípulos de Jesus.

Hoje o perigo que temos é pensar que conhecemos Jesus o suficiente. Muitos dizem: “Agora eu conheci Jesus”. Como assim? Você talvez tenha conhecido alguns ensinamentos sobre a pessoa de Jesus que uma determinada igreja passou. Mas este ensinamento de fato revela a pessoa de Jesus na sua mais profunda essência? O que conhecemos sobre Jesus?

Vejamos que até os discípulos, que conviviam com o próprio Jesus tiveram dificuldade de compreender quem Ele era e de aceitar o que Ele trazia como plano e protejo. Se eles que conviveram, viram, ouviram Jesus tiveram dificuldades, quanto mais nós hoje. Por isso a fé não é um dado pronto, fechado, mas um caminho para toda a vida.

Jesus faz um pequeno interrogatório sobre o que os discípulos ouviam falar sobre a sua pessoa. Vemos a confusão e a falta de clareza que existia. Depois a pergunta é pessoal: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro toma a iniciativa e dá a resposta verdadeira: “Tu és o Messias!”

Dando a entender que eles estavam finalmente compreendendo quem era Jesus, Ele começa a expor seu projeto, onde sua missão iria desembocar. “Começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente”. (Marcos 8,31-32)

Diante do que Jesus estava expondo os discípulos ficam assustados e com medo. Para eles o Messias seria triunfalista, rei poderoso com exércitos. A decepção foi tamanha que Pedro tomando a palavra diz que não desejava que isso acontecesse com Jesus.

Este é o problema que hoje se repete. Nós selecionamos o que queremos conhecer de Jesus e seguimos aquilo que nos convém. Muitas e muitas vezes queremos um Jesus mágico, milagreiro. Pensamos Deus como um supermercado onde encontramos as coisas que vão de acordo com o nosso paladar. Talvez Jesus nos chame a parte e diga como disse a Pedro: “Vai para longe de mim, Satanás!' Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.

São muito duras as palavras de Jesus, mas nos fazem pensar. Conseguimos acolher o projeto que Deus tem para nós? Aceitamos que na vida teremos que passar pela cruz para chegar a ressurreição?

Aí volta a pergunta inicial: quem é Jesus para mim? Sem termos claro isso a nossa vida não se transforma. Continuaremos a pensar como os homens e não como Deus. Vamos querer dobrar Deus para que Ele resolva todos os nossos problemas e faça aquilo que nós queremos.

Quando vamos conhecendo Jesus ao longo da caminhada da nossa vida, vamos purificando nosso pensamento, nossos sentimentos. Vamos entendendo que Jesus não veio para nos tirar deste mundo de forma mágica e livrar-nos das dificuldades e problemas. Ele mesmo viveu no meio do caos da sociedade da sua época. Porém foi um sinal de transformação e lutou para que o bem e a verdade fossem conhecidas.

Jesus veio nos ensinar o caminho ao Pai e que a nossa missão é tornar este mundo melhor pelas minhas atitudes. Mas só vou conseguir ser um agente de transformação quando aprender que eu não sou o centro do universo e que sempre tem alguém precisando de ajuda mais de eu.

Vejam como muda a lógica. Quando o amor de Deus é compreendido vamos nos doando a fim de nos tornarmos pessoas melhores e ajudar os que precisam. Não busco Deus só para mim e para resolver os MEUS problemas, as minhas limitações e dificuldades. Porque não sou eu o centro, mas Deus. Quando me coloco no centro, quero tentar manipular o próprio Deus para que Ele me sirva.

Vemos isso claramente neste mercado e o trânsito religioso que existe hoje. Muitas pessoas se tornam eternos peregrinos. Vão passando de igreja em igreja para tentar encontrar um deus capaz de os servir e resolver seus problemas. O Deus verdadeiro fica esperando e fica triste quando os seus filhos não correspondem a tanto amor e ficam lamentando as coisas da vida. Quando mendigam amores que não verdadeiros.

Irmãos e irmãs. Jesus não foi enviado pelo Pai para resolver nossos problemas. Ele veio para nos ensinar o que devemos fazer para nos tornarmos pessoas melhores e que maior é aquele que serve, assim como Ele serviu. Ele veio nos ensinar a sermos melhores filhos. Vemos claramente esta conclusão no final do Evangelho deste 24º Domingo do Tempo Comum: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

Renunciar a si mesmo, como vimos acima, é não se colocar como centro do mundo. O centro sempre é Ele e a missão que nos deixou. E a salvação passa pela doação e não pela acomodação. Quem doar, perder a vida pelo Reino e por Ele será salvo.

Para terminar, vale citar a Leitura de São Tiago (2,14-18) que nos lembra que a fé sem obras é morta; “a fé, se não se traduz em obras, por si só está morta”. Uma fé que se preocupa apenas consigo mesmo nem sei se pode ser chamada de fé. Porque a fé, ou seja, a experiência de Jesus fará com que me torne uma pessoa melhor e me coloque a serviço.

Então não basta gritar, aplaudir, chorar dizendo que amamos Jesus se não transformamos nossa fé em obras concretas. Sentimentalismo, emotividade não é fé. Fé é ação; é transformar o meu coração e lutar para que o mundo seja melhor.

Vamos ‘arregaçar as mangas’ e traduzir a nossa fé em obras. Aprender de Jesus a lutar por um mundo melhor. Doar a nossa vida para que o Reino aconteça.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.