17 de setembro de 2015

TUA PALAVRA NOS CONVIDA A SERVIR

Estamos no mês da Bíblia. Cada dia aprendemos muito da Palavra de Deus. O Domingo é o dia em que aprendemos em comunidade a viver esta Palavra na prática. É a comunidade que se reúne para ouvir e celebrar a Palavra em clima de festa, alegria e fé.

A Palavra deste 25º Domingo do Tempo Comum nos ensina que na lógica cristã maior é aquele que serve e não o que se coloca acima de todos como se fosse o melhor. Jesus não é compreendido porque Ele inverte a lógica da sociedade onde o maior é o mais rico, o que manda mais, o mais poderoso. Hoje Ele continua sendo incompreendido e ignorado por isso.

A questão de querer ser mais que os outros não é só problema dos nossos tempos, das nossas comunidades. Os discípulos de Jesus também caíram nesta tentação. Eles discutiam quem entre eles era o maior; quem era o mais querido e preferido por Jesus.

Percebendo que eles estavam preocupados com isso, Jesus diz aos discípulos e a todos nós hoje: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos” (Marcos 9,35). Isso deve ter doido nos discípulos porque servir era o trabalho dos escravos e das mulheres. E também porque Jesus manda se colocar no último lugar. Ninguém gosta e nem quer ser o último. Todos gostamos de privilégios, mas o cristão não deve buscar isso.

Todo cristão deve aprender do Mestre que o serviço dignifica a pessoa. Quando servimos o mais necessitado, servimos a Ele mesmo; quando acolhemos o Filho, acolhemos também quem o enviou, o Pai. Quando acolhemos o Filho verdadeiramente somos animados a servir, porque Ele também serviu. Ser cristão é bonito, mas é um compromisso concreto que assumimos de acolher, ajudar, transformar os sinais de morte que existem em nosso meio.

Outro problema recorrente nas primeiras comunidades e que São Tiago chama a atenção (Tiago 3,16-4,3) e que também se repete ainda hoje é a inveja e a rivalidade. Quantas famílias e comunidades são destruídas por estas ações anti-evangélicas. A inveja é querer ter o que o outro tem e querer tomar a força. A rivalidade gera muitas intrigas, desavenças, competitividade para ver quem faz melhor. Deixamos de agir na gratuidade e no amor para competir com o outro para ver quem faz melhor. Um trabalho para Deus feito com estes sentimentos não tem valor. São Tiago deixa bem claro: “Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obra má” (Tiago 3,16).

Por outro lado, o autor deste livro sagrado não fica só nos aspectos negativos, mas também propõe e mostra que “a sabedoria que vem do alto é [...] pura, pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento” (Tiago 3,17). É esta sabedoria que devemos buscar. O cristão que bebe da Palavra de Deus deve ser alguém que busque sempre o maior bem de todos.

Terminamos com o refrão do Salmo 53/54: “É o Senhor quem sustenta a minha vida!” E se é Ele quem nos sustenta, precisamos colocar em prática tudo o que Ele ensina. Do contrário a Palavra não produzirá frutos e continuaremos sendo apenas meros admiradores e expectadores não discípulos do Mestre. E como dizíamos na reflexão do 24º Domingo, buscaremos a Palavra para adequá-la a nossa vida como queremos e não deixaremos que Ela nos transforme em pessoas melhores, em verdadeiros filhos de Deus.

O justo, que aparece no livro da Sabedoria (2,12.17-20), é modelo para todos nós, pois ele permanece firme mesmo diante das desavenças que sofre. Ele não abandona o caminho diante das dificuldades porque sabe que o Senhor virá em seu socorro. Não abandona os valores e os princípios porque é difícil e ameaçado, mas continua fiel.

Queridos irmãos e irmãs. Peçamos a Deus a sabedoria que nos purifica, liberta e nos faz produzir bons frutos. Que Ele nos dê um coração humilde para sempre servir.

Abençoado Domingo e semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.