6 de novembro de 2015

OFERECEU TUDO O QUE POSSUÍA

Estamos nos aproximando do final do Ano Litúrgico. Neste 32º Domingo do Tempo Comum o Evangelho (Marcos 12,38-44) nos convida a humildade e a doação total.

Primeiro Jesus critica os fariseus que estão muito preocupados com a aparência e de serem chamados de mestres; gostam dos primeiros lugares nos banquetes e sinagogas. Usam a religião para se colocarem como superiores em relação ao povo e inclusive para usurpar as viúvas.

Em resposta a isso, Jesus mostra como deve ser o cristão, ao observar uma pobre mulher viúva que coloca sua oferta no templo. Mesma situação vemos na viúva que acolhe em sua casa Elias e lhe dá de comer tudo o que possuía para ela e seu filho(1 Reis 17,10-16).

Primeiro aspecto: Deus conhece o coração das pessoas e sabe quando as ofertas, aquilo que damos, é de coração ou simplesmente para cumprir uma obrigação. Isso pode também acontecer hoje quando damos o dízimo, visitamos um doente ou fazemos nosso gesto concreto de caridade. Damos com amor e por amor ou simplesmente para cumprir um ritualismo e obrigação ou para mostrar para os outros que estamos fazendo a oferta ou o gesto de caridade?

Segundo aspecto: as pobres viúvas deram tudo o que possuíam e não o resto. É interessante este aspecto porque muitas e muitas vezes doamos para Deus o que sobra. A oração do dizimista, por exemplo, nos lembra que Deus não é mendigo para darmos a Ele as sobras ou aquilo que não precisamos mais. Para Deus deveríamos dar sempre o melhor. Por exemplo, o melhor tempo de oração e não quando estamos muito cansados e não conseguimos mais orar. Ainda usamos como desculpa o cansaço e muitas vezes nem rezamos direito e não queremos ir a missa. Imaginou se Deus desse para nós as sobras? Claro que Ele não ficaria feliz com isso porque é um bom pai e como pai não fica feliz dando aos filhos as migalhas. Deus sempre nos doa o que tem de melhor. Deu-nos seu Filho para nossa salvação.

Terceiro aspecto: dar sem precisar criar alardes, mas no silêncio e no escondimento. É triste a pessoa quando fica anunciando as ajudas e ofertas e faz: Eu fiz! Eu ajudei! Então como já recebeu o reconhecimento dos homens, não precisará mais receber a recompensa de Deus.

Quarto aspecto: não usar da religião para prestígio pessoal como os fariseus. Isso é terrível, ainda mais quando vemos sacerdotes, bispos, religiosos ou até lideranças se usando da Igreja e do ser religioso ou ordenado para vanglória. Isso é um grande pecado que alguns de nós cometemos. Pessoas de Deus são chamadas para servir e não desejarem ser servidas.

Quinto aspecto: Deus abençoa a nossa generosidade. Uma mão fechada não dá e também não recebe. Uma mão que se estende e se abre para ajudar, também recebe ajuda. Porque, na verdade, tudo vem de Deus e feliz quem reconhece e partilha com aqueles que menos ou nada tem. E o princípio de justiça cristão é que todos tenham o suficiente para viver. Quando alguns acumulam, falta para outros.


Queridos e amados irmãos. As duas viúvas da liturgia deste final de semana, tanto a da primeira leitura do Livro dos Reis como a do Evangelho, nos ensinam que quando sabemos partilhar não nos falta o suficiente para viver. Quanto mais nos fechamos, mais pobre nos tornamos. Quantas pessoas estão cheias de dinheiro, mas vazias de Deus, do sentido da vida e de valores? Quantos acumulam pensando que a felicidade está no ter? Pobres e infelizes! Deste mundo não levaremos nada, somente o bem que fizermos.

Deixemos que esta Palavra nos interpele a darmos os passos que necessitamos para fazermos as mudanças necessárias em nossa vida. Que não sejamos mesquinhos e nem gananciosos.

“A vasilha de trigo não acabará e a jarra de azeite não diminuirá” quando partilharmos; muito pelo contrário, continuará sempre cheia porque Deus abençoa quem dá com alegria.

Abençoado domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.