30 de janeiro de 2016

HISTÓRIA DO CARNAVAL E SUAS ORIGENS

Ilustração medieval simbolizando um carnaval do período
O carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira nem tampouco realizado apenas neste país. AHistória do Carnaval remonta àAntiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.

A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.

O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.

O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.

As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.

Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas. Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.

A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.

Durante os carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.

A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.

Texto copiado na íntegra do site Brasil Escola.

28 de janeiro de 2016

ELEITOS NO AMOR DE DEUS - Reflexão 4º Domingo do TC

Quando Deus pensou em cada um de nós, Ele pensou também em um caminho de felicidade para cada um dos seus filhos e filhas criados no amor a sua imagem e semelhança. Como fomos criados no amor, não podemos dizer que somos frutos do acaso ou acidente do destino. Este caminho de amor que Deus pensou para cada um de nós, chama-se vocação.

No Domingo passado, Jesus vai ao templo e lá Ele é convidado a fazer a proclamação da Palavra. A leitura daquele dia falava justamente da missão que o Pai tinha pensado ao enviá-lo ao mundo. Neste quarto Domingo do Tempo Comum, o relato continua e Jesus, depois de ler, explica a Palavra que eles escutaram. Na sua explicação Ele já anuncia que não será aceito pelos seus e isso os incomoda.

Gostaria de refletir junto com você que acompanha este espaço, sobre a eleição no amor que todos nós recebemos no nosso batismo e sobre a resistência que temos em aceitar as palavras dos ministros da Igreja.

A primeira Leitura, tirada do Livro do Profeta Jeremias (1,4-5.17-19) diz que “antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta”. Estas palavras Deus dirige ao profeta Jeremias que estava com medo de exercer sua missão.

Queridos irmãos e amigos. Todos nós, ao menos os batizados, somos ungidos pelo Senhor no dia do batismo. A partir daquele momento fazemos parte da porção do povo escolhido por Deus para proclamar o Seu amor. Ao falar com o profeta, Deus mostra aquilo que dissemos no início da nossa reflexão: não somos frutos do acaso. Alguns poderão ter nascido em um ambiente que não favoreceu o seu crescimento como filho amado de Deus, mas nem por isso deixou de ser amado e querido por Ele. Deus nos conhece antes, porque Ele nos criou. Quando nos damos conta dessa certeza, deixamos de mendigar amores por aí, porque somos preenchidos pelo grande amor de Deus.

São Paulo, quando escreve a comunidade de Corinto, fala muito bem sobre o amor. Fala porque tinha feito a experiência de ser amado por Jesus. Interessante observar que depois da sua conversão (celebrada no dia 25/01) ele muda totalmente de vida. A mudança é tamanha que ele nem sequer retorna mais para sua casa. Abandona tudo o que fazia, a forma de pensar, seus bens e pertences. Compreende que a única riqueza a partir daquele encontro com Cristo, é o próprio Cristo e não precisa mais ficar mendigando qualquer coisa. Ele é um exemplo para todos nós de como deve ser também o nosso caminho de conversão.

Retomando o tema do amor sobre o qual ele escreve com tanta propriedade, vale lembrar que a história de salvação e da criação é uma relação de amor do Pai com os seus filhos. Em Gálatas 2,20 Paulo diz: “Ele me amou e se entregou por mim”.

Meu irmão e minha irmã. Gostaria que você, assim como eu, cada vez que formos tentados a duvidar do amor de Deus ou a reclamar da vida, lembrássemos das palavras de Paulo: “Ele me amou e se entregou por mim!” Só o amor justifica esta atitude de Deus. E se Ele me amou tanto, não posso dizer que a vida é um acaso e que estou aqui por nada. Como o Profeta Jeremias, o Papa, os bispos, sacerdotes, todos nós somos escolhidos e eleitos por Deus para uma missão especial.

Quando duvidamos do amor de Deus é porque ainda não fizemos uma verdadeira experiência dele. Na verdade, não deixamos que Ele nos ame, porque, como nos diz São João, Ele nos amou por primeiro.

A missão que você recebeu, assim como a que eu recebi, precisa ser realizada no amor. Do contrário, não encontraremos realização e seremos infelizes. Hoje, mais do que em outros tempos, o grande problema é que somos orientados a buscar somente aquilo que nos dá satisfação imediata. Quando somos chamados a fazer algo que nos desafie, queremos desistir ou fugir. Ao olharmos, por exemplo, para São Paulo, já que falamos acima da sua conversão, vemos que a sua missão não foi fácil. Mas Ele foi fiel até o fim porque ele tinha encontrado o maior tesouro da sua vida, Jesus Cristo. Eu já encontrei este tesouro?

Jesus não é aceito em sua terra e pelos seus. Eles não conseguiam aceitar e entender como aquele filho de José e Maria, que eles conheciam, era tão sábio. A confusão os fez rejeitar o autor da vida.

Vemos isso em muitos cristãos católicos que acreditam mais em simpatias no que no poder de Deus. Tem ainda aqueles que buscam outros meios e caminhos, como o espiritismo, maçonaria e tem a coragem de dizer que são católicos. Jesus diria: traidores! Por que? O espiritismo nega a salvação ao afirmar e ensinar a reencarnação. Se você se salva sozinho, porque Jesus Cristo? A maçonaria ensina que Deus foi uma pessoa que viver tão bem que evoluiu e se tornou luz. Depois de criar tudo, se ausentou e deixou suas marcas no que ele criou. Assim, quem quer chegar a ele, tem que ir descobrindo sua presença nas coisas criadas. Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai se não por mim”!

Cristãos Católicos. Somos a única Igreja fundada por Jesus Cristo e nela temos todos os elementos para nossa Salvação. Temos a Palavra de Deus, a Eucaristia, Jesus vivo presente no meio de nós, a Tradição, Nossa Senhora, os Santos como modelo a serem imitados. Por que buscar coisas fora se temos tudo dentro? Muitos dirão que não acreditam e não confiam nos padres, bispos, religiosos e no Papa porque eles são homens e mulheres como tantos outros. Também muitos não acreditaram em Jesus porque Ele era filho de Maria e de José.

Desejo que a celebração deste Domingo nos ajude a acolher o amor de Deus em nossa vida e assim a vivermos com coragem e determinação a nossa vocação.

Abençoado Domingo! Abençoada semana! O amor de Deus nos acompanha todos os dias!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

22 de janeiro de 2016

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS

Em nossos espaços litúrgicos, ao lado do altar, temos sempre o Ambão, ou seja, a mesa da Palavra. Dela nós ouvimos as instruções do que o Senhor tem para nos comunicar. Tudo o que Ele tem para nos ensinar. As maravilhas que Ele opera naqueles que nele confiam e se deixam guiar por esta Palavra.

A tradição de ouvir a Palavra de Deus vem de muitos séculos antes de Cristo, como ouvimos na 1ª Leitura de hoje do Livro de Neemias (8,2-4a.5-6.8-10). O povo escutava com atenção a leitura que Esdras fazia e louvava a Deus por isso. O encontro para escutar a Palavra era motivo de alegria e festa para o todo o povo de Deus.

São Paulo ao escrever à comunidade de Corinto (1Cor 12,12-30) nos ensina que a Palavra de Deus é o ponto de unidade entre os filhos de Deus. Ela nos convida a colocarmos a serviço nossos dons e talentos e que ninguém é mais importante porque faz determinado serviço ou ocupa uma determinada posição. Todos são filhos de Deus por igual e cada um é convidado a colocar a serviço o dom que recebeu. A diversidade de dons e carismas faz com que a comunidade dos cristãos seja rica. Por isso, a diversidade nunca deveria ser ponto de divisão, mas de complementariedade.

Jesus, como bom judeu, também frequenta o Templo e vai rezando a Palavra revelada ao longo dos séculos. Mostra que com Ele tudo o que foi dito vai se cumprindo. Mas o povo não entende e não aceita. Continuamos a assistir isso ainda hoje. Pessoas que não mais encontram sentido na Palavra de Deus e pensam que podem viver sozinhas.

Assim como o povo de Deus se reunia para ouvir a Palavra de Deus, como Jesus frequentava o Templo para estudar, rezar e explicar a Palavra, todos os cristãos são convidados a buscar esta Palavra de vida eterna. Deus continua falando e se revelando na assembleia reunida e que tem sede da sua Palavra. Por isso um cristão que não vai escutar a Palavra na comunidade é como um ramo que é tirado do tronco da árvore. Aos poucos ele murcha, seca e morre, porque não corre a seiva que conduz o alimento.

Todos nós somos convidados a buscar a Palavra de Deus na oração pessoal e especialmente na assembleia dos filhos de Deus reunidos para louvar e bendizer. O Salmo 18 expressa muito bem o que é esta Palavra e os benefícios que ela traz à nossa vida: “A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz”.

Desejo assim que a Palavra de Deus encontre sempre mais espaço em nosso coração para que Ela possa nos transformar sempre em melhores filhos de Deus. E ao ouvi-la, possamos bendizê-los e louvá-lo pelos inúmeros benefícios que opera em nosso favor. Abençoado domingo. Que esta nova semana seja uma oportunidade para você e sua família rezarem ainda mais a Palavra de vida.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

15 de janeiro de 2016

ELES NÃO TEM MAIS VINHO - Reflexão 17/01/2016

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no segundo Domingo do Tempo Comum. Iniciamos a caminhada com nossos Mestre, Jesus Cristo, que vai revelando aos poucos quem Ele é através dos milagres e sinais que vai realizando. Todos os sinais são para revelar sua identidade e sua missão. Vamos seguir seus passos para fazermos com Ele este caminho que passará pela aceitação, negação, paixão, morte, ressurreição e aclamação do seu Reino que nunca se acaba. Estamos dispostos a fazer este caminho com Ele?

O evangelista João coloca como o primeiro milagre de Jesus a transformação da água em vinho. Para que ele aconteça temos a presença discreta e atenta de Maria, Mãe de Jesus. Ela está sempre atenta as necessidades dos seus filhos. Feliz quem a ela se confia.

Não vamos aqui desenvolver uma teologia sobre a presença e atuação de Maria, ainda que ela mereça destaque. Vamos olhar para a festa que deveria ser a nossa vida, mas que deixamos faltar o vinho da esperança, do entusiasmo, da fé, do amor, da oração.

Sim! A nossa vida deria ser uma festa, ou seja, vivida na alegria porque somos amados e perdoamos por Deus; porque Ele caminha sempre conosco; porque Ele nos amou de tal forma que morreu e se entregou por nós. Vivida na alegria porque somos sustentados pela misericórdia de Deus e que Ele nos ama acima dos nossos merecimentos.

Vemos na cena do Evangelho que quando falta vinho, a festa se torna um fracasso. Não terá mais condições e motivos para a festa de casamento continuar. Isso pode acontecer e acontece muitas vezes em nossas comunidades e na nossa vida particular. Deixamos faltar os elementos que são essenciais para a vida. Quando eles faltam, a morte está decretada.

É por isso que não podemos deixar nunca Deus de lado. Quem tem Maria, como Mãe, será alertado por Ela quando começar a faltar o vinho que enche a nossa vida de verdadeiro sentido. Quando temos Deus em nosso coração, Ele não deixa que nos falte os verdadeiros elementos que dão sentido a nossa existência. Mas quando pensamos que já somos adultos na fé e podemos caminhar sozinhos, nossa vida vai se esvaziando de sentido e podemos chegar ao ponto de não mais querer viver.

Quantas pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, a medida que foram se distanciando de Deus, foram perdendo a vontade de viver? Quantas pessoas buscaram o vinho da vida em fontes que os lavoram à morte? Tudo isso porque quiseram viver uma alegria superficial, longe de Deus e da comunidade.

Vamos encher bem as talhas de pedra do nosso coração com a graça de Deus. Vamos pedir que Jesus toque, transforme, faça o milagre sobre todas aquelas situações nas quais nos perdemos, enchendo de vinagre que deixou nossa vida um azedume insuportável. O Senhor quer transformar, mas precisa da nossa permissão. Vamos dar a Ele o espaço que precisa para transformar tudo o que não nos deixa viver na verdadeira alegria e servir aos irmãos com os dons que Ele nos dá, como nos lembra São Paulo na carta aos Coríntios (12,4-11).

O ano está começando. Não deixemos faltar o vinho da alegria, da esperança, da fé, da oração, da fraternidade. Quando as talhas estiverem diminuindo, corramos ao seu encontro para que Ele as encha de novo. O melhor é permanecer sempre perto d'Ele para que elas nunca se esvaziem. Usemos na missão o que Ele nos dá e nunca nos faltará o que necessitamos. Boa caminhada.


Pe. Hermes José Novakoski, PSDP