28 de janeiro de 2016

ELEITOS NO AMOR DE DEUS - Reflexão 4º Domingo do TC

Quando Deus pensou em cada um de nós, Ele pensou também em um caminho de felicidade para cada um dos seus filhos e filhas criados no amor a sua imagem e semelhança. Como fomos criados no amor, não podemos dizer que somos frutos do acaso ou acidente do destino. Este caminho de amor que Deus pensou para cada um de nós, chama-se vocação.

No Domingo passado, Jesus vai ao templo e lá Ele é convidado a fazer a proclamação da Palavra. A leitura daquele dia falava justamente da missão que o Pai tinha pensado ao enviá-lo ao mundo. Neste quarto Domingo do Tempo Comum, o relato continua e Jesus, depois de ler, explica a Palavra que eles escutaram. Na sua explicação Ele já anuncia que não será aceito pelos seus e isso os incomoda.

Gostaria de refletir junto com você que acompanha este espaço, sobre a eleição no amor que todos nós recebemos no nosso batismo e sobre a resistência que temos em aceitar as palavras dos ministros da Igreja.

A primeira Leitura, tirada do Livro do Profeta Jeremias (1,4-5.17-19) diz que “antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta”. Estas palavras Deus dirige ao profeta Jeremias que estava com medo de exercer sua missão.

Queridos irmãos e amigos. Todos nós, ao menos os batizados, somos ungidos pelo Senhor no dia do batismo. A partir daquele momento fazemos parte da porção do povo escolhido por Deus para proclamar o Seu amor. Ao falar com o profeta, Deus mostra aquilo que dissemos no início da nossa reflexão: não somos frutos do acaso. Alguns poderão ter nascido em um ambiente que não favoreceu o seu crescimento como filho amado de Deus, mas nem por isso deixou de ser amado e querido por Ele. Deus nos conhece antes, porque Ele nos criou. Quando nos damos conta dessa certeza, deixamos de mendigar amores por aí, porque somos preenchidos pelo grande amor de Deus.

São Paulo, quando escreve a comunidade de Corinto, fala muito bem sobre o amor. Fala porque tinha feito a experiência de ser amado por Jesus. Interessante observar que depois da sua conversão (celebrada no dia 25/01) ele muda totalmente de vida. A mudança é tamanha que ele nem sequer retorna mais para sua casa. Abandona tudo o que fazia, a forma de pensar, seus bens e pertences. Compreende que a única riqueza a partir daquele encontro com Cristo, é o próprio Cristo e não precisa mais ficar mendigando qualquer coisa. Ele é um exemplo para todos nós de como deve ser também o nosso caminho de conversão.

Retomando o tema do amor sobre o qual ele escreve com tanta propriedade, vale lembrar que a história de salvação e da criação é uma relação de amor do Pai com os seus filhos. Em Gálatas 2,20 Paulo diz: “Ele me amou e se entregou por mim”.

Meu irmão e minha irmã. Gostaria que você, assim como eu, cada vez que formos tentados a duvidar do amor de Deus ou a reclamar da vida, lembrássemos das palavras de Paulo: “Ele me amou e se entregou por mim!” Só o amor justifica esta atitude de Deus. E se Ele me amou tanto, não posso dizer que a vida é um acaso e que estou aqui por nada. Como o Profeta Jeremias, o Papa, os bispos, sacerdotes, todos nós somos escolhidos e eleitos por Deus para uma missão especial.

Quando duvidamos do amor de Deus é porque ainda não fizemos uma verdadeira experiência dele. Na verdade, não deixamos que Ele nos ame, porque, como nos diz São João, Ele nos amou por primeiro.

A missão que você recebeu, assim como a que eu recebi, precisa ser realizada no amor. Do contrário, não encontraremos realização e seremos infelizes. Hoje, mais do que em outros tempos, o grande problema é que somos orientados a buscar somente aquilo que nos dá satisfação imediata. Quando somos chamados a fazer algo que nos desafie, queremos desistir ou fugir. Ao olharmos, por exemplo, para São Paulo, já que falamos acima da sua conversão, vemos que a sua missão não foi fácil. Mas Ele foi fiel até o fim porque ele tinha encontrado o maior tesouro da sua vida, Jesus Cristo. Eu já encontrei este tesouro?

Jesus não é aceito em sua terra e pelos seus. Eles não conseguiam aceitar e entender como aquele filho de José e Maria, que eles conheciam, era tão sábio. A confusão os fez rejeitar o autor da vida.

Vemos isso em muitos cristãos católicos que acreditam mais em simpatias no que no poder de Deus. Tem ainda aqueles que buscam outros meios e caminhos, como o espiritismo, maçonaria e tem a coragem de dizer que são católicos. Jesus diria: traidores! Por que? O espiritismo nega a salvação ao afirmar e ensinar a reencarnação. Se você se salva sozinho, porque Jesus Cristo? A maçonaria ensina que Deus foi uma pessoa que viver tão bem que evoluiu e se tornou luz. Depois de criar tudo, se ausentou e deixou suas marcas no que ele criou. Assim, quem quer chegar a ele, tem que ir descobrindo sua presença nas coisas criadas. Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai se não por mim”!

Cristãos Católicos. Somos a única Igreja fundada por Jesus Cristo e nela temos todos os elementos para nossa Salvação. Temos a Palavra de Deus, a Eucaristia, Jesus vivo presente no meio de nós, a Tradição, Nossa Senhora, os Santos como modelo a serem imitados. Por que buscar coisas fora se temos tudo dentro? Muitos dirão que não acreditam e não confiam nos padres, bispos, religiosos e no Papa porque eles são homens e mulheres como tantos outros. Também muitos não acreditaram em Jesus porque Ele era filho de Maria e de José.

Desejo que a celebração deste Domingo nos ajude a acolher o amor de Deus em nossa vida e assim a vivermos com coragem e determinação a nossa vocação.

Abençoado Domingo! Abençoada semana! O amor de Deus nos acompanha todos os dias!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.