15 de janeiro de 2016

ELES NÃO TEM MAIS VINHO - Reflexão 17/01/2016

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no segundo Domingo do Tempo Comum. Iniciamos a caminhada com nossos Mestre, Jesus Cristo, que vai revelando aos poucos quem Ele é através dos milagres e sinais que vai realizando. Todos os sinais são para revelar sua identidade e sua missão. Vamos seguir seus passos para fazermos com Ele este caminho que passará pela aceitação, negação, paixão, morte, ressurreição e aclamação do seu Reino que nunca se acaba. Estamos dispostos a fazer este caminho com Ele?

O evangelista João coloca como o primeiro milagre de Jesus a transformação da água em vinho. Para que ele aconteça temos a presença discreta e atenta de Maria, Mãe de Jesus. Ela está sempre atenta as necessidades dos seus filhos. Feliz quem a ela se confia.

Não vamos aqui desenvolver uma teologia sobre a presença e atuação de Maria, ainda que ela mereça destaque. Vamos olhar para a festa que deveria ser a nossa vida, mas que deixamos faltar o vinho da esperança, do entusiasmo, da fé, do amor, da oração.

Sim! A nossa vida deria ser uma festa, ou seja, vivida na alegria porque somos amados e perdoamos por Deus; porque Ele caminha sempre conosco; porque Ele nos amou de tal forma que morreu e se entregou por nós. Vivida na alegria porque somos sustentados pela misericórdia de Deus e que Ele nos ama acima dos nossos merecimentos.

Vemos na cena do Evangelho que quando falta vinho, a festa se torna um fracasso. Não terá mais condições e motivos para a festa de casamento continuar. Isso pode acontecer e acontece muitas vezes em nossas comunidades e na nossa vida particular. Deixamos faltar os elementos que são essenciais para a vida. Quando eles faltam, a morte está decretada.

É por isso que não podemos deixar nunca Deus de lado. Quem tem Maria, como Mãe, será alertado por Ela quando começar a faltar o vinho que enche a nossa vida de verdadeiro sentido. Quando temos Deus em nosso coração, Ele não deixa que nos falte os verdadeiros elementos que dão sentido a nossa existência. Mas quando pensamos que já somos adultos na fé e podemos caminhar sozinhos, nossa vida vai se esvaziando de sentido e podemos chegar ao ponto de não mais querer viver.

Quantas pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, a medida que foram se distanciando de Deus, foram perdendo a vontade de viver? Quantas pessoas buscaram o vinho da vida em fontes que os lavoram à morte? Tudo isso porque quiseram viver uma alegria superficial, longe de Deus e da comunidade.

Vamos encher bem as talhas de pedra do nosso coração com a graça de Deus. Vamos pedir que Jesus toque, transforme, faça o milagre sobre todas aquelas situações nas quais nos perdemos, enchendo de vinagre que deixou nossa vida um azedume insuportável. O Senhor quer transformar, mas precisa da nossa permissão. Vamos dar a Ele o espaço que precisa para transformar tudo o que não nos deixa viver na verdadeira alegria e servir aos irmãos com os dons que Ele nos dá, como nos lembra São Paulo na carta aos Coríntios (12,4-11).

O ano está começando. Não deixemos faltar o vinho da alegria, da esperança, da fé, da oração, da fraternidade. Quando as talhas estiverem diminuindo, corramos ao seu encontro para que Ele as encha de novo. O melhor é permanecer sempre perto d'Ele para que elas nunca se esvaziem. Usemos na missão o que Ele nos dá e nunca nos faltará o que necessitamos. Boa caminhada.


Pe. Hermes José Novakoski, PSDP