29 de fevereiro de 2016

"Educar pressupõe sempre desagradar à criança", diz psicóloga Rosely Sayão

Especialista acredita que o excesso de zelo adia a conquista da maturidade

Especialista em questões relacionadas à família e à escola, a psicóloga paulistana Rosely Sayão acredita que as crianças estão sendo educadas sob o peso da superproteção, o que as desconecta da realidade. O excesso de zelo também dificulta o desenvolvimento da resiliência, a capacidade de resistir às adversidades e empurra para mais tarde a conquista da maturidade.

Para Rosely, falta aos pais, preocupados em demasia com um futuro de sucesso para os filhos, um olhar focado no presente.

— A gente perde de vista o filho como ele é hoje. Quem é o meu filho? Do que ele gosta? Do que ele não gosta? Quais são os talentos dele? Quais são as impossibilidades? Algumas delas a gente pode superar? — pergunta-se a psicóloga, colunista da Folha de S.Paulo e da Band News FM.

Confira os principais trechos da entrevista.

Você aponta a superproteção dos filhos como um estilo dos pais hoje em dia, independentemente de classe social, econômica e cultural. Onde isso fica mais evidente?
Em todas as situações que envolvem essa neurose de segurança que a gente adquiriu: filho não sai sozinho, na esquina, na padaria, não usa transporte público. Há adolescentes que usam sem os pais saberem, mas não para ir para a escola. Para ir para a escola, ou tem perua, ou o pai leva e busca, e eles vão ficando um pouco distantes da realidade. Em casa, eles são muito poupados dos afazeres domésticos com que poderiam contribuir, sempre acham que tem alguém que faça. A gente não tem ensinado para os filhos que tudo tem um processo com começo, meio e fim. Por exemplo, ir a um aniversário. Tem o antes, que é pensar na pessoa, pensar no presente, sair para comprar o presente, pedir para os pais se pode ir, perguntar se os pais podem levar e buscar. Depois tem a festa, o desfrute, e depois da festa tem de ver quem vai buscar. Tudo fica com os pais e, para os filhos, é só ir à festa. Tomar banho é a mesma coisa: é só entrar debaixo do chuveiro. Não tem a organização da roupa e do banheiro, enxugar o banheiro. Nada disso, para os filhos, faz parte desse processo. Isso tudo é superproteção.

É comum os pais se colocarem contra a escola, atacando o professor ou o método de avaliação para defender os filhos.
Exato. Às vezes, os filhos reclamam de um colega e os pais vão tomar satisfação com os pais do outro colega. Briga entre crianças sempre vai acontecer, e elas são capazes de resolver. Quando não são, a escola tem de dar conta se elas estão lá. Mas os pais querem resolver tudo, metem-se na vida escolar dos filhos muito intensamente. A escola deveria ser a primeira batalha que a criança aprende a enfrentar por conta própria. Os pais estão com a ideia de que ir bem na escola, passar de ano, ser exitoso é um índice de que eles são bons pais. Eles fazem tudo para que isso aconteça. Os filhos vão aprendendo que "se tem problema, meus pais resolvem".

A imaturidade é a principal consequência da infância e da adolescência poupadas de percalços?
A maturidade vai ficando mais tardia. Hoje, muitas empresas reclamam demais da falta de compromisso dos seus funcionários mais jovens, uma geração que já foi criada assim. Se o chefe dá uma bronca, o funcionário já quer sair do emprego. Os pais, resolvendo tudo, não colaboram para que o filho construa a resiliência, que é a capacidade de resistir às adversidades, de cair e levantar, de tropeçar, machucar o joelho, fazer o curativo e seguir em frente. O mundo das crianças pequenas é absolutamente irreal. As escolas privadas são obrigadas a limpar a areia semanalmente, os móveis não têm cantos, é tudo arredondado. As crianças não podem vir da escola machucadas que os pais reclamam. Esses pequenos incidentes fazem parte da adaptação ao mundo. É contraditório: a gente diz que os pais não dão limites, mas as crianças estão limitadas em demasia. Não pode isso, não pode aquilo, não pode aquele outro. E como é realidade da vida que dá os limites, aí, elas não reconhecem esses limites.

Qual é a maior angústia dos pais atualmente?
O sucesso dos filhos a qualquer custo, o que tem custado uma formação deficitária. O sucesso futuro retira um pouco o presente da vista dos pais. A criança e o adolescente estão no presente, não é pensar só no futuro. A gente deveria substituir aquela famosa e malfadada pergunta "o que você vai ser quando crescer?" por "o que você quer ser antes de crescer?", para eles terem a ideia de que são alguma coisa agora.
Outro lado que o sucesso no futuro tem provocado é a formação dos valores, da moral, da ética, dos princípios. Está todo mundo focado em "meu filho tem de ter um bom emprego, ganhar bem, ter conforto", mas, se ele não for uma pessoa de bem, vale a pena? Essa é a pergunta que a gente tem de se fazer.

Uma pesquisa recente afirma que os pais andam muito distraídos com seus smartphones, não prestando atenção na conversa com os filhos, além de ser comum a troca de mensagens de texto entre pessoas que estão na mesma casa. Você acha que a tecnologia está afetando muito as relações?
Muito. Há um percentual muito grande de crianças e jovens no mundo que dizem que os pais dão mais atenção ao celular do que a eles. Esse índice explodiu no Brasil.
A gente vive dizendo que os jovens só querem saber de celular, mas somos nós que estamos deixando eles de lado em nome dessas conversas por mensagem instantânea e do trabalho que não termina nunca. Quem tem filho precisa se comprometer e honrar o seu compromisso. A gente não educa apenas para que ele tenha um bom futuro. A gente educa para que ele construa um bom futuro também.

Há pouco você escreveu que “nossa sociedade adulta, infantilizada, adora brincar de faz de conta: fazemos de conta que cuidamos muito bem de nossas crianças”. As crianças deixaram de ser prioridade na vida dos pais?
A gente fez algumas transformações no que significa ser prioridade, por conta de o mundo adulto estar infantilizado. Hoje todo mundo é jovem, independentemente da idade. O jovem tem um compromisso muito grande consigo mesmo, sobra muito pouco tempo para olhar para os outros. Os pais acham que os filhos são prioridade porque trabalham para dar do bom e do melhor e vivem declarando amor a eles, verbalmente. Mas a paciência, a perseverança, isso anda mais escasso.

Além dessa obsessão pela juventude, que outros valores sociais estão moldando as famílias?
O consumo, muitas vezes, determina a posição familiar. “Quero isso”, “vou dar isso para o meu filho fazer parte do grupo e não ficar excluído”. A criança fica desacreditada de si porque precisa ter isso ou fazer aquilo para se inserir, e não ser alguma coisa, pensar alguma coisa, ter posições. Isso atrapalha muito a autoimagem que a criança constrói. Tem também a busca desenfreada da felicidade. Ninguém é capaz de dar felicidade para alguém. A gente é capaz de preparar o filho para que ele consiga buscar a própria felicidade, identificar situações que possam lhe dar momentos de felicidade. Educar pressupõe sempre desagradar à criança. Aí, a gente acha que a criança está infeliz, não desagrada e não educa.

É excessiva a procura por psicólogos, psicopedagogos, neurologistas? Os pais estão com dificuldade de entender os filhos? A solução para eventuais dificuldades e problemas é muito "terceirizada"?
Às vezes não há nada de errado. É preciso lembrar do que os estudiosos têm chamado de medicalização da vida. Olhamos a vida pela lógica médica, e a lógica médica tem a saúde e a doença, o normal e o anormal. Se não está dentro do que se considera normal, procura-se um diagnóstico para poder tratar e transformar em normal. Muitas crianças e muitos jovens têm recebido diagnósticos desnecessariamente, equivocadamente. São poucos os profissionais da saúde, de modo geral, que também conseguem resistir a essa ideologia.

Segundo o IBGE, o número de divórcios no país cresceu mais de 160% na última década. Como essa mudança de comportamento está impactando na criação dos filhos?
Os rompimentos não acontecem só no plano amoroso, do casamento, mas também no da amizade. Bauman, sociólogo polonês, chamou isso de tempos líquidos, tudo é líquido, tudo se dissolve. Mas as crianças nasceram nesse mundo líquido. Acho que afeta menos as crianças se os pais puderem lembrar que o casamento foi rompido, mas a paternidade e a maternidade não. Isso os unirá até que a morte os separe. Tem sido ainda difícil para os adultos deixar de lado as mágoas que sempre ficam depois de um rompimento, para exercer a paternidade e a maternidade de modo mais civilizado. Há muitas brigas, inclusive na Justiça, "é meu dia", "não é meu dia". Nem mesmo a guarda compartilhada resolve muito porque é uma questão pessoal, de rixa, em que o filho parece que se transforma em uma moeda de troca. Acho que isso afeta (o filho), não a separação em si.

Como a internet está influenciando a formação das crianças?
Vou ligar essa questão à primeira, sobre a superproteção. É surpreendente que os pais superprotejam os filhos, a ponto de não deixar ir na esquina comprar um pão, e os deixem sozinhos na internet muito precocemente. Eles esquecem que a internet é uma rua, uma avenida, uma praça pública. Talvez a criança e o jovem fiquem tão focados nisso que deem menos trabalho aos pais. A gente vai a restaurante e vê um monte de criança com celular ou tablet. A internet móvel é um “cala a boca”, “fica quieto”. Aí é que a criança aprenderia a socialização, como se comportar em locais diferentes com pessoas diferentes. Aí estaria o empenho da família na formação dos filhos. Nas crianças e nos jovens, a internet sem tutela provoca aquela ideia do descompromisso: "Posso fazer e falar o que eu quiser que não tem consequência". Mas não é a internet em si a responsável por isso. Ela não é o único elemento a dar essa ideia para os mais novos, é só mais um.

Link da publicação no site da Zero Hora

24 de fevereiro de 2016

O SENHOR É PACIENTE E MISERICORDIOSO

Chegamos ao terceiro Domingo da Quaresma. Iniciamos a nossa reflexão citando na íntegra a Oração do Dia deste Domingo, pois ela nos lembra dos elementos essenciais para uma boa caminhada quaresmal. Estes elementos nos acompanham desde a Quarta Feira de Cinzas e vão até a Páscoa. Rezemos juntos: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.

O pecado precisa ser combatido com todas as nossas forças. A superação dele exige de nós atitudes corajosas e determinadas. Pois ele é superado na oração, com o jejum, ou seja, a mortificação e a caridade. Sair de si, doar-se aos irmãos, ajuda a superarmos o egoísmo e nos damos conta que sempre existem pessoas mais necessitadas do que nós.

Peregrinos neste mundo, muitas vezes caímos. O desânimo, que não vem de Deus, quer nos tirar do caminho certo. Mas Deus, infinitamente paciente e misericordioso, sempre nos oferece novas oportunidades de mudança. Ele tem a eternidade, enquanto nós alguns anos para fazer o bem, em comunhão com toda a criação.

No Evangelho deste 3º Domingo (Lucas 3,1-9) vemos ilustrada a situação da figueira que não dá fruto. Esta figueira somos todos nós, você e eu, meus irmãos e irmãs. Vamos nos perguntar: Estou produzindo bons frutos? Será que mereço ser cuidado com tanto carinho por Deus?

Deus sempre cuida com carinho dos seus filhos, mesmo quando estes se rebelam e buscam outros caminhos e outros abraços. Ele espera paciente. Este cuidado deve nos levar a produzirmos frutos bons. No livro do Gênesis, lemos que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26). Criados a imagem e semelhança de Deus, temos a obrigação de produzirmos bons frutos. Quando não produzimos bons frutos, é porque as forças do inimigo estão tomando conta do nosso coração. Aí voltamos a Oração do Dia que nos convida a oração, jejum e caridade. Com estes elementos podemos purificar nosso coração e superar as forças do mal que as vezes querem nos vencer.

Outra característica muito presente no Antigo Testamente quando se refere a Deus, é a Misericórdia. O Senhor é um Deus misericordioso! Voltando ao relato do Evangelho vemos o cuidado que o vinhateiro tem para com aquela videira infrutífera. Ele cuida e oferece os elementos necessários para que ela produza frutos.

Quais são os elementos necessários para nós produzirmos frutos? Temos muitos. Voltamos as práticas quaresmais acima citadas e vamos além. Lembramos que o cristão deve se alimentar da Palavra de Deus e da Eucaristia. Eles são os alimentos eficazes para que produzamos muitos e bons frutos. Quando deixamos de lado o caminho do Senhor, nossa vida se torna infrutífera e as vezes produzimos espinhos que machucam os outros.

Vamos cuidar da vinha do nosso coração, alimentando-nos com os elementos certos para produzirmos muitos e bons frutos. Se não produzirmos, seremos cortados e lançados fora, pois não estaremos cumprindo com a nossa missão.

O Senhor conta conosco assim como contou com a ajuda de Moisés (1ª Leitura: Êxodo, 3,1-8a.13-15). Moisés aceitou o convite do Senhor e se tornou seu instrumento. É missão de todo cristão anunciar as maravilhas do Senhor. Lembrar aos seus filhos que estamos aqui para produzirmos frutos de vida, de paz, de esperança na alegria de sermos amados, perdoamos e conduzidos pelo amor de Deus.

O tempo está passando. O nosso tempo também está passando. Não vamos adiar a nossa conversão. Vamos ao encontro do Senhor na Palavra e na Eucaristia. Vamos colocar em prática os conselhos da Igreja e do próprio Senhor para vivermos melhor este tempo da Quaresma.

Terminamos nossa reflexão rezando juntos o Salmo 102:

O Senhor é bondoso e compassivo.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, seu santo nome!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores! 

Pois ele te perdoa toda culpa,
e cura toda a tua enfermidade;
da sepultura ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão. 

O Senhor realiza obras de justiça
e garante o direito aos oprimidos;
revelou os seus caminhos a Moisés,
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
Quanto os céus por sobre a terra se elevam
tanto é grande o seu amor aos que o temem.

O Senhor nos abençoe e proteja todos os dias da semana que iniciamos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

18 de fevereiro de 2016

PODER DA FÉ E DA ORAÇÃO

Continuamos nossa caminhada rumo a Páscoa. Neste segundo Domingo da Quaresma queremos refletir sobre a fé, olhando para a fé de Abrão e sobre a força da oração, olhando para nosso grande Mestre, Jesus Cristo.

Ao lançarmos nosso olhar para a Primeira Leitura deste Domingo (Gênesis 15,5-12.17-18) vemos narrada uma pequena parte da história de Abrão, considerado nosso pai na fé. Deus pede para ele olhar para o céu e contar as estrelas. Como elas, incontáveis, será a sua descendência. O autor coloca em destaque: “Abrão teve fé no Senhor!”

Estimados irmãos e irmãs. Este é um dos pontos chave da liturgia deste final de semana que a Palavra de Deus nos convida a rezar e refletir: a fé! Ter fé é depositar toda a confiança em Deus e deixar que Ele conduza nossa vida. Deus nunca nos dá as coisas pela metade. Sempre se doa na totalidade da graça. Porque Abrão teve fé, Deus considerou isso, completa o autor, e na sequência (versículo 18) diz que “o Senhor fez aliança” com ele porque este acreditou, foi humilde e obediente.

Quanta beleza em tão poucos versículos. Quantos ensinamentos para nós que andamos muitas vezes mendigando coisas por aí e deixamos de acreditar naquele que é o Senhor da nossa vida, de tudo.

Porque Abrão acreditou, Deus pode realizar muitas maravilhas na vida dele e através dele. A história não seria a mesma se ele não tivesse acreditado. Quantas e quantas graças Deus nos oferece todos os dias através da sua Palavra, da Eucaristia, da oração pessoal, mas passamos despercebidos preocupados e ocupados com tantas e tantas coisas, até necessárias, mas nem sempre essenciais.

Acreditamos na Palavra de Deus e na sua presença na Eucaristia e deixamos Ele ser o Senhor da nossa vida? Pergunta que precisamos nos fazer para uma avaliação da nossa conduta. As vezes rezamos muito, mas uma oração superficial. Não mergulhamos na essência da nossa fé e da vida cristã. Preocupados com tantas coisas, fazemos da oração mero cumprimento de obrigações e não um momento precioso em que podemos dialogar com nosso Deus.

Infelizmente isso é verdade. Sabe por que? Porque quando a nossa vida não é transformada, é porque nossa oração não é verdadeira. Ele é superficial, interesseira, vazia. Abrão acreditou e fez tudo o que o Senhor lhe pediu. Mesmo diante das suas limitações, buscou cumprir o que o Senhor tinha como projeto para ele. Temos a mesma coragem dele? Cumprimos o que o Senhor nos pede e do jeito que Ele nos pede, ou vamos sempre arranjando desculpas e tentando encontrar saídas?

No Evangelho (Lucas 9,28b-36) temos a narração da Transfiguração. O texto inicia dizendo que Jesus sobe à montanha e lá se coloca em oração. Mesmo sendo Deus, Ele busca a oração, ou seja, a sintonia com o Pai. É aí, na oração, na montanha, que n’Ele se manifesta a sua glória.

As transformações que tanto queremos e que as vezes prometemos a nós mesmos e a Deus, acontecem sobretudo na oração. Só no encontro com Deus eu posso transformar tudo aquilo que não me deixa viver como filho de Deus. Na oração vamos mudando nosso jeito de ser para não nos comportarmos, como alerta São Paulo aos Filipenses (3,17-4,1), como inimigos da cruz de Cristo.

Vamos subir mais uma vez a montanha. Lá o Senhor nos espera para nos transformar. Mas não podemos subir de qualquer forma. Precisamos estar em oração, ter fé, deixar Deus agir. Aí poderemos cantar como Maria: “O Senhor fez em mim maravilhas, santo é o seu nome!” (Lucas 1,49).

A montanha que somos chamados a subir, é a comunidade cristã. Lá o Senhor nos espera tendo nas mãos muitas graças e bênçãos. Ele nos pede uma atitude de fé, abertura, entrega. Ele quer transformar a nossa vida, mas não pode fazê-lo sozinho, porque toda transformação verdadeira e duradoura, começa em nosso interior. A chave do nosso coração está em nossas mãos.

A Palavra de Deus, a Eucaristia, a Comunidade reunida são os elementos essenciais para uma transformação na nossa vida. Então, a gente se encontra lá, na Casa do Senhor, ao redor das mesas que fazem memória do mistério da nossa fé: vida, morte e ressurreição do Senhor.

Peça ao Senhor que lhe dê a graça de crescer na fé. Mas também cultive-a! agosto de comparar a fé como uma planta. Quando você cuida colocando os elementos essenciais, ela cresce, floresce, dá frutos. Quando não cultivamos a nossa fé com elementos corretos: palavra de Deus, Eucaristia, Igreja, oração do Terço... ela vai enfraquecendo e pode morrer. Cuide! Não deixe que roubem este dom preciosos que há em teu coração.

Abençoada caminhada quaresmal.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

17 de fevereiro de 2016

Projeto Amigo das Vocações - COV Nazaré

Apresentamos o Projeto Amigos das Vocações do COV Nazaré.
Veja abaixo como fazer parte!
Você também pode ajudar a formar futuros Religiosos e Sacerdotes para a Igreja.
Faça parte desta obra de evangelização.


Venha fazer parte desta grande Família você também!

OBJETIVO: O Objetivo do Projeto "Amigos das Vocações" é reunir pessoas que se preocupam com as vocações. A Igreja precisa de Religiosos e Sacerdotes santos e cada vez melhor instruídos nas mais diversas áreas do conhecimento. A Oração sempre foi e será de importância fundamental para que os vocacionados e seminaristas possam discernir sua vocação à luz do Espírito Santo. Além disso precisamos do apoio da comunidade para podermos oferecer aos seminaristas que fazem caminhada conosco uma formação de mais qualidade oferecendo cursos nas mais diversas áreas do conhecimento.

COMO ACONTECE: É celebrada na sede do COV Nossa Senhora de Nazaré em Marituba missa mensal com a presença das pessoas que aderem ao Projeto e nas suas intenções. Além disso, são proporcionados momentos de convivência com os seminaristas onde os benfeitores podem partilhar, conversar com os mesmos. São impressos e distribuídos carnês e boletos com data e valor a critério da cada benfeitor, onde cada um que quiser pode fazer sua doação. Cada benfeitor faz cadastro com seus dados que são arquivados. Além das doações em dinheiro podem ser feitas doações de alimentos, material escolar e de higiene, roupa de casa e banho, material de limpeza. Agora as doações podem ser em boleto ou no cartão de crédito e débito.

Agradecemos a todos que fazem parte deste projeto. Maria de Nazaré interceda bênçãos sobre você e sua Família!

Seja um amigo benfeitor das vocações você também!

Mais informações pelo e-mail: cov.nazare@gmail.com 

Telefone (91) 3256 5757 - WhatsApp (91) 98313 0492
Blog: covnazare.blogspot.com.br

Venha ser um benfeitor/a!
Gostou? Veja como é fácil participar!
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Caso queira fazer sua doação, clique no botão abaixo. É rápido e seguro.
Deus abençoe sua generosidade e apoio às vocações.



12 de fevereiro de 2016

NO DESERTO DA VIDA

Estimados irmãos e irmãs. Na última quarta-feira, com a celebração das cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma. Ou seja, quarenta dias de um grande retiro, deserto onde somos chamados a levar mais a sério nosso caminho de conversão. De fato é um caminho. Não pode ser feito de momentos estanques.

No Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18) da missa da quarta-feira de Cinzas, Jesus nos falava sobre os aspectos importantes para um verdadeiro caminho de conversão: 1º Fazer bem as coisas sem reclamar e murmurar. O bem deve ser feito porque ele é bom em si mesmo e não para se autopromover. 2º A esmola deve ser feita também no escondimento. Ninguém precisa saber que você está ajudando o outro, somente Deus e você. Isso basta! 3º A oração deve ser no silêncio e na intimidade com o Senhor. Quando verdadeira, a oração transforma nossa vida e nos aproxima mais de Deus.

Estes são alguns elementos práticos que nos ajudam a viver a nossa fé de forma coerente. O cristão é chamado a promover a vida, como a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano nos convida, em todos os sentidos. Nossas palavras, ações, pensamentos, sentimentos devem promover e respeitar a harmonia com que o Criador fez tudo.

Neste primeiro Domingo da Quaresma, a liturgia da Igreja nos apresenta para oração e reflexão o trecho do Evangelho de Lucas (4,1-13) que fala das tentações que Jesus sofreu no deserto da sua vida e do seu coração.

Vale lembrar que na Bíblia quando se fala de deserto não nos remete obrigatoriamente ao espaço físico como tal, mas ao silêncio e ao encontro profundo com o Senhor. No deserto temos menos distrações, aí então ele nos convida ao recolhimento, ao silêncio e ao encontro consigo mesmo.

Assim como Jesus foi tentado a abandonar a missão a qual o Pai lhe confiou, assim também nós podemos ser tentados a abandonar a nossa fé, nossa igreja, nossa família, os valores, nosso Deus e a preencher o coração com as coisas materiais e carnais.

Interessante observar também que normalmente as tentações aparecem nos momentos de fraqueza. O inimigo sabe a hora certa de agir. Ele conhece nossas fraquezas e vai nos tentar seduzir quando sentimentos necessidades, medo; quando estamos fragilizados.

Vemos que Jesus é tentado, pelo menos neste trecho do Evangelho, em três situações. Vamos ver os contextos, as maquinações do diabo e a resposta de Jesus, nos ensinando como superá-las.

1ª FOME: O diabo disse: 'Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão.' Jesus respondeu: 'A Escritura diz: 'Não só de pão vive o homem'; 2ª RIQUEZA E PODER: O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo e lhe disse: 'Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isso foi entregue a mim e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu.' Jesus respondeu: 'A Escritura diz: 'Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás'; 3ª PROVAR DEUS: ‘O diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: 'Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Porque a Escritura diz: Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!' E mais ainda: 'Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'.' Jesus, porém, respondeu: 'A Escritura diz: 'Não tentarás o Senhor teu Deus'”.

Estimados irmãos. Lembremos que o diabo também conhece a Escritura e pode tentar nos enganar usando a Palavra de Deus. Por isso a necessidade de conhecermos a Palavra para não sermos enganados. Ele é muito esperto, mas Deus é mais sábio.

Vejam por exemplo como hoje o diabinho se apresenta sutilmente e vai nos seduzindo. O capitalismo desperta constantemente em nós necessidades e desejos que muitas vezes nós nem sabíamos que tínhamos. Eles despertam e nos conversem de que algo, criado por eles, é bom e necessário.

Facilmente somos ludibriados pelos bens materiais, pelos desejos da carne e pensamos que é normal. Ainda usamos a frase: Deus entende! Despertam em nós o desejo da riqueza, da luxúria e as manchetes de jornais, revistas, sites diariamente publicam coisas mostrando que os ricos são felizes porque tem dinheiro. Será mesmo? Jesus ensina que mais feliz é quem faz a vontade do Pai e não o que busca se enriquecer apenas para acumular e para desprezar os outros. Vivemos um momento em que ter está ligado ao ser. Não têm! Não é! Para o mercado capitalista e ganancioso, existe só quem pode consumir, outros são nada e deveriam ser banidos. Cuidado! Trabalhar sim, mas não ser escravo do trabalho só para aparecer melhor que os outros.

Outro aspecto que Jesus já alertou é querer manipular Deus para que Ele realize todos os nossos desejos e vontades. Muitos hoje ensinam que Deus tem que me dar carro, dinheiro, casa, emprego. Fazem dele um grande empresário que tem que dar o que quero. Errado! Fico até mal só em pensar nisso. É certo que Deus nos abençoa e nos dá forças para trabalhar e conquistar as coisas. Mas usar o nome dele para dizer que a fartura material é sinônimo de bênçãos e a pobreza maldição, está totalmente errado. Pobreza e riqueza são questões dos homens que distribuem mal as coisas. Deus quer que a vida seja promovida para todos em harmonia com toda a criação e não apenas para alguns, afinal ele é Pai de todos e como bom Pai, quer o bem e a felicidades de todos os seus filhos. Do contrário, que Deus seria? Na imagem de um Deus manipulado e manipulável isso é possível.

Com tudo isso queremos convidar você meu irmão e minha irmã a buscar o que é essencial na nossa vida. Ou seja, a harmonia com o criador e as criaturas. Tudo o que desfaz esta harmonia causa destruição e não está de acordo com a vontade de Deus.

Diante das tentações que no deserto da tua vida possam aparecer, seja forte e lute com o Senhor. Não queira lutar sozinho, porque você poderá perder ou ser enganado pelo inimigo. Por isso, nas fraquezas, na doença, na tristeza, busque ainda mais àquele que pode te ajudar e vencer contigo. Busque àquele que já venceu o inimigo e saiu vitorioso: NOSSO SENHOR JESUS!

Boa caminhada e perseverança. Não se deixe enganar pelas coisas fáceis e aparentemente belas. Elas nem sempre são o caminho que leva ao Senhor.

Deus te abençoe e ilumine.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

9 de fevereiro de 2016

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016


Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016
Terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Boletim da Santa Sé
“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).
As obras de misericórdia no caminho jubilar
1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.
2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d’Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.
3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga… a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
FRANCISCUS

3 de fevereiro de 2016

TESTEMUNHAS DA VERDADE - 5º Domingo do Tempo Comum

Queridos e amados irmãos e irmãs no Senhor. Seguimos nosso caminho neste 5º Domingo do Tempo Comum. Vemos acompanhando o Senhor que inicia sua missão e aos poucos vai chamando o compondo o grupo dos apóstolos. O Senhor quer contar com alguns colaborados em sua missão. Não foi somente Jesus que fez isso. Vemos no Antigo Testamento muitos profetas que surgem com a missão de serem colaboradores do Senhor.

Neste Domingo queremos refletir e rezar sobre o ser missionário de cada um dos batizados nas diversas realidades em que se encontram. Eu como sacerdote e religioso, você como leigo, catequista, educador, pai e mãe de família. Enfim, nas mais diversas situações da vida em que nos encontramos o Senhor conta conosco. Ele nos chama, consagra, envia, acompanha. Não deixa sozinhos, abandonados os que escolhe.

Antes de tudo, penso que este é um grande privilégio que o Senhor nos concede: podermos cooperar na obra de evangelização. Somos chamados não por mérito nosso, mas porque o Senhor quis. Ele sempre tem a liberdade de chamar os que Ele quer e quando quer. De nós Ele pede a disponibilidade. A obra Ele realiza.

A voz que o profeta escuta (narrado na 1ª Leitura, Isaías 6,1-2a.3-8) continua ressoando ainda hoje: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Quem dera que a nossa resposta também fosse a mesma: “Aqui estou! Envia-me!”

No Evangelho (Lucas 5,1-11) Jesus convida Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens!” Este convite foi feito também para os outros companheiros de pesca e hoje continua sendo dirigido a muitos outros porque a missão de ‘pescar’, levar pessoas para Deus, continua.

Chamados, consagrados, enviados, acompanhados. Mas qual a mensagem que devemos anunciar? O que falar pelos caminhos da vida? São Paulo nos dá a resposta da 2ª Leitura deste Domingo (Coríntios 15,1-11): “Transmiti-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras”.

Aqui nos deparamos com um grande problema nos dias atuais. Muitos tem falado de Jesus segundo sua interpretação e compreensão. Este é o perigo e o erro. Como nos lembro São Paulo, o Evangelho é um só e ninguém pode tirar ou acrescentar algo. Esta mensagem tem uma lógica. Falar de Jesus sim, mas que Ele também morreu pelos nossos pecados e ressuscitou! Ele passou pela cruz antes de entrar na glória.

A teologia da prosperidade material, tão divulgada nos dias atuais, está de acordo com o Evangelho? Tenho minhas dúvidas. Nos Evangelhos vemos um Jesus pobre, simples, trabalhador e ensinando o caminho da humildade, do desprendimento, do serviço. O risco do acúmulo é você se preocupar tanto com o cuidado das coisas materiais que esquece das pessoas e da vida espiritual. A riqueza não é empecilho para seguir a Cristo, mas pode nos afastar dele quando pensamos que o mais importante é o material e que elas nos preenchem.

Fidelidade ao Evangelho transmitido pelos Apóstolos e que a Tradição da Igreja Católica guardou até nós é o que deve ser transmitido e guardado. Não podemos cair na tentação de adaptar a Palavra de Deus as circunstâncias nossas e querer que Ela se enquadre em nosso pensamento. Muito pelo contrário, somos nós que devemos acolher a Palavra e buscar modelar a nossa vida de acordo com o que Ele nos ensina.

Irmãos e irmãs. Mãos a obra. A missão é grande, bonita, desafiadora. Precisamos levar o Evangelho com letra maiúscula. Levar a Boa Nova transmitida por Jesus. Quem ensinar algo que está fora, usa o nome de Deus em vão. Não é pastor, mas mercenário. Não quer conduzir as ovelhas para o Pastor eterno, mas manipular para proveito próprio.

O Senhor conta conosco. Você aceita este desafio? Então, mãos a obra!

Deus nos abençoe e proteja sempre. Amém!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.