22 de março de 2016

AMOU-NOS ATÉ O FIM! (5ª feira Santa)

Entramos no Tríduo Pascal, o coração da nossa fé. A partir deste dia faremos memória do dom mais elevado e precioso de Deus por nós. Ele deu o seu Filho único para nossa Salvação. Só o amor consegue fazer isso.

Na manhã desta Quinta-feira Santa acontece nas catedrais a Missa do Crisma. Nela o bispo com seus sacerdotes celebram a comunhão eclesial e os sacerdotes renovam suas promessas diante do Bispo. Também são abençoados os óleos dos Enfermos, Catecúmenos e do Crisma que serão usados ao longo do ano na administração dos sacramentos. A Igreja abençoa e reza unida e todos os que foram ungidos serão tocados pela força e pela graça de Deus. Serão fortalecidos em sua fé.

À noite temos a Missa da Ceia do Senhor. Nela acontece a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio e o Lava pés. Jesus encontrou uma forma de permanecer junto à sua Igreja, com o seu povo, a Eucaristia. Ela de fato é o próprio Cristo presente constantemente na sua Igreja.

O Evangelho (João 13,1-15) da Missa da Ceia do Senhor, inicia dizendo que “Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Queridos irmãos e irmãs. Quantas vezes na caminhada que estamos fazendo somos tentados a desistir. O inimigo quer colocar em nosso coração a tentação do desânimo: “Não vale a pena continuar!” “Não vale a pena ser fiel!” “Veja que o outro que não segue a Cristo é mais rico e feliz que você!” Estas e muitas outras formas são utilizadas pelo inimigo para nos tirar do caminho de Deus e da Igreja.

Nossa resposta deveria ser como as de Jesus, lembrando quando Ele sofreu as tentações no deserto (Evangelho do 1º Domingo da Quaresma deste ano – clique aqui para ler a reflexão). Não só de pão vive o homem! Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás! Não tentarás o Senhor teu Deus! (Cf. Lucas 4,1-13).

Quem disse que a nossa felicidade consiste em ter muitos bens ou viver a vida de qualquer jeito? Que estamos aqui para se enriquecer? Que seremos eternos sobre a terra? Estas questões nos recordam que estamos aqui de passagem. De Deus saímos e para Ele estamos voltando. Estamos aqui para fazer o bem, promover a justiça, testemunhar o amor de Deus. Aqui não permaneceremos por muito tempo, mas no céu, para sempre. Chegaremos lá, se aqui buscarmos o Senhor. Só Ele pode nos salvar porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida! (Cf. João 14,6)

Jesus nos ensina a sermos fieis até o fim, ainda que isso custe sofrimento. Hoje está na moda trocar as coisas com muita facilidade. Trocamos marido, esposa, namorado/a, Igreja como se fosse trocar de celular, carro, roupa. Estamos coisificando as pessoas e o próprio Deus. Quando o Deus que busco na Igreja Católica não mais me satisfaz e interessa, busco o Deus na seita ou Igreja “X” até encontrar um deus que eu quero e não o verdadeiro Deus que nos ensina a fidelidade, amor, doação, caridade, humildade, serviço. O evangelista ressalta que Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Assim é o nosso Deus: Ele não nos ama pela metade, mais ou menos, se somos bons ou pecadores. Ele nos ama sempre e na totalidade esperando que correspondamos a este amor.

Olhando o capítulo 13 de João vemos como acontece a ceia. Jesus reza e conversa com seus discípulos. Depois para demostrar como devem ser as atitudes de quem quer segui-lo, Ele mesmo dá um grande exemplo de humildade lavando os pés dos discípulos. Pedro inicialmente não entende e não quer aceitar este gesto do Mestre. Mas aceita e mais tarde compreende o que o Mestre fez!

Terminado o gesto, Jesus explica: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (João 13,12). Jesus é enfático em sua recomendação: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz!” Nós não podemos escolher não fazer. O verdadeiro discípulo faz o que o Mestre fez. Jesus não diz: façam se quiserem, mas ‘façais’!

Nesta celebração a Igreja também faz memória do Sacramento da Eucaristia. Como já dissemos, Jesus encontrou uma forma de permanecer junto com a sua Igreja e com o seu povo. Por isso a Eucaristia é o ápice de toda a vida da Igreja. A Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia inicia dizendo que “a Igreja vive da Eucaristia”. Sem Eucaristia não tem Igreja e sem Igreja não temos Eucaristia. Atrelados a tudo isso temos o Sacerdócio ministerial. Por isso o sacerdote só pode realizar um sacramento validamente em comunhão com a Igreja e estando nela. 

Eucaristia, como Sacramento da unidade, também nos remete ao serviço, lembrando o gesto do lava pés que Jesus fez. A comunidade celebra unida. Comunga do mesmo Pão. Celebra ao redor da mesma mesa: o altar! Aí Jesus se oferece pela nossa Salvação todas as vezes que o sacrifício é oferecido, ou seja, a missa é celebrada.

Louvamos a Deus pela Eucaristia! Louvamos também pelos sacerdotes que continuam atualizando o Sacramento em cada Santa Missa! Louvamos a Deus pela Igreja que mantém a unidade e reúne os seus filhos para louvar e bendizê-lo!

Convido você a participar com fé do Tríduo Pascal, pois nele está a centralidade da nossa fé. Hoje iniciamos os momentos onde Deus se doa na totalidade. Morre por nossa Salvação! Deixa-nos a Eucaristia, ou seja, permanece conosco. Ressuscita vencendo a morte por todos nós! Esta celebração é uma grande lição de amor!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.