17 de março de 2016

“PAI, PERDOA-LHES!”

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus!

Chegamos ao coração da liturgia da Igreja: SEMANA SANTA! O nome já nos chama atenção para algo diferente. Esta não é uma semana como as demais, ela é por excelência SANTA. Você saberia dizer por quê?

Para respondermos a esta pergunta, basta olharmos para tudo aquilo que será celebrado do decurso da semana. Nela rezaremos e teremos a oportunidade de refletirmos sobre o mistério da nossa Salvação. Uma semana em que recordaremos aquilo que São Paulo diz ser um escândalo para o mundo, mas amor e justiça aos olhos de Deus (Cf. Coríntios 1,18).

Para aqueles que não tem fé, a cruz e todos os acontecimentos da história da Salvação se tornam incompreensíveis. A Semana Santa quer resgatar estes fatos e nos fazer rezar sobre eles. Por isso temos a centralidade de todo o ano litúrgico. Partimos da Páscoa para celebrar todo este grande mistério.

Desde já convido a você, cristão católico, juntamente com a sua família a participarem de todas as celebrações da desta semana. Participar para podermos entender melhor e viver com mais fé tudo o que Deus realizou por nós. Ele deu tudo, deu seu Filho. A nós cabe acolher este mistério e através de uma vida de santidade.

A liturgia deste Domingo de Ramos lembra a entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus sabia que a Sua hora tinha chegado. Ele não foge, mas vai ao encontro do projeto de Deus. Um exemplo para todos nós cristãos. Feliz de quem acolhe e segue os passos do Senhor.

Nestes últimos passos que Jesus dá sobre a terra é aclamado pelo povo como rei. Porém não é um rei que vem rodeado de súditos e sentado num trono de ouro. Mas um rei que vem junto com os irmãos montado num jumentinho. Mas que rei é este? Cadê seu exército, sua nobreza? Por isso escandaliza a muitos. Porque é um rei que tem seu trono no céu, mas também nos ensina mais uma vez que o maior é aquele que serve. Seu exército são os discípulos, os humildes, os pequenos. Aqueles que não tem armas nas mãos, mas a Palavra de Deus.

Na segunda Leitura (Filipenses 2,6-11) da santa missa deste Domingo, Paulo exprime sabiamente tudo o que Jesus fez e viveu neste hino cristológico. Vamos trazê-lo porque tem palavras e elementos que vão nos ajudar a entender a nossa reflexão: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai”.

Sendo Deus, foi humilde. Por que será que nós caímos na tentação do orgulho? Por que queremos ser mais do que os outros pela força ou pela palavra? Pobrezinhos de nós quando buscamos a vanglória. Não entendemos nada do que Jesus nos ensinou. O esvaziar-se de si é para ser preenchido por Deus. Feliz de quem compreende e busca viver isso.

No Evangelho (Lucas 22,14-23,56) temos a narração da paixão. Sabemos já do desenrolar da história e não queremos aqui descreve-la. Basta você rezar com atenção a riqueza desta Palavra.

Estando no Ano da Misericórdia. Chamamos a atenção da palavra de Jesus já pregado na cruz: “PAI, PERDOA-LHES!” No extremo na dor, do sofrimento, da agonia, Jesus nunca esquece da sua missão: manifestar a misericórdia do Pai! Ele clama por aqueles que fazem isso com Ele para que o Pai lhes perdoasse. E acrescenta: “Eles não sabem o que fazem!” Quantas e quantas vezes fazemos coisas que ferem o coração de Deus. Por isso essa oração é por nós também.

Só Deus pode fazer isto. Quem de nós conseguiria perdoar seus algozes em um momento destes? As vezes temos dificuldades e resistimos em perdoar quem nos olha de uma forma diferente ou quem nos diz uma palavra que nos desagrada. Quando mais difícil é perdoar os ferimentos físicos e emocionais.

Amigos e amigas! A celebração deste Domingo em que iniciamos a Semana Santa é uma grande oportunidade que Deus nos oferece para nossa conversão. Somos chamados a humildade, ao esvaziamento, ao exercício do perdão e a entrega –se confiantes nas mãos do Pai, assim como Jesus o fez.

Ao participar da santa missa, convido você a entrar com Jesus em Jerusalém. Entrar para lá ser purificado de todos os teus pecados. Morrer para tudo aquilo que não te deixa viver como um verdadeiro filho de Deus. Fazer a experiência de ser amado, perdoado e desejar uma profunda transformação. Permaneça lá com o Senhor. Contemple a Cruz, sinal da nossa Salvação.

Aqui terminamos nossa reflexão. Continue com o Senhor. Ao longo da semana continuaremos nosso caminho e vamos refletindo sobre os demais acontecimentos que se seguem. Importante é você entrar na Jerusalém de hoje, a nossa Igreja, lá permanecer e desejar a Salvação. Dela caminhamos para a Jerusalém celeste, onde o Senhor nos espera para a festa definitiva. O Senhor e a Igreja te acolhem de braços abertos.

Abençoada Semana Santa! Desejo profundamente que ela seja uma semana diferente na tua vida. Exercite o silêncio, busque ainda mais a oração, reconcilie-te com alguém caso tenha alguma coisa. Seja forte como Jesus. Nas dificuldades não queira fugir e nem se lamentar. Olhe para a cruz e abrace a tua Salvação.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.