10 de março de 2016

QUEM NÃO TIVER PECADO, ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Queridos e amigos irmãos e irmãs em Cristo Jesus.

Chegamos ao quinto Domingo da Quaresma. Esta será a última semana antes da Semana Santa. A Palavra de Deus, verdadeiro alimento de todo cristão, tem muitas coisas para nos ensinar neste dia, que é o Dia do Senhor!

Iniciamos lembrando um dos aspectos importantes para a nossa caminhada de fé e que fomos convidados a retomarmos neste tempo da Quaresma: a oração. O Evangelho deste 5º Domingo inicia dizendo que Jesus foi para o monte das Oliveiras. Certamente ele estava em oração e partindo de lá, vai para o Templo ensinar.

Jesus passava longas horas em oração para poder não perder a sintonia que Ele tinha com o Pai. Era importante para Ele a oração. Para nós cristãos também é. Quando estamos em sintonia com o Pai, vamos conhecendo e fazendo a Sua vontade em nossa vida.

Jesus vai ao Templo para ensinar. Aqui merece mais uma pausa para retomarmos o que dizíamos no Domingo passado. Jesus “nos convida a contemplarmos a Misericórdia de Deus. Misericórdia que não tem limites, porque Deus é amor”.

Mesmo que os fariseus e mestres da Lei não aceitassem e não quisessem compreender, Jesus na verdade estava retomando a imagem do Pai que já aparecia, ainda que as apalpadelas, no Antigo Testamento. Vemos que o desejo de vida nova para os seus filhos é constante na Palavra. Na Leitura do Profeta Isaías (43,16-21), por exemplo, ele nos diz que fará novas todas as coisas (cf v. 19). Só Deus pode fazer tudo novo, dar vida nova.

O Salmista reconhece e canta isso: “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. Entre os gentios se dizia: 'Maravilhas fez com eles o Senhor!' Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!” (Salmo 125/126). Jesus quer mostrar com suas obras e seus ensinamentos que o Pai fez e fará ainda muitas maravilhas e que todos os seus filhos e filhas são chamados a viverem no seu amor.

Porém, Jesus sempre foi muito criticado pelas suas atitudes e incompreendido nos seus ensinamentos. Isso continua se repetindo ainda hoje.

Para colocá-lo a prova, trazem até Jesus (Evangelho João 8,1-11) “uma mulher surpreendida em adultério” (v. 3). Segundo a Lei, interpretada pelos fariseus e mestres, ela deveria ser apedrejada (v. 5). Na verdade era uma armadilha para tentar pegar Jesus. Esta cena também merece nossa atenção.

Assim como os mestres e fariseus, nós cristãos hoje, corremos um risco tremendo de julgar e condenar os outros. Queremos sempre apontar a mão e o dedo para o erro dos outros, mas esquecemos que também fomos e sempre seremos necessitados da misericórdia de Deus. Assim como um dia fomos resgatados, há muitos que também precisam ser resgatados hoje, não condenados.

Para apontar erros, julgar, jogar pedras já existem muitas pessoas. Nós não deveríamos ser assim. Nossas mãos jamais deveriam carregar pedras para serem jogadas nas pessoas, mas flores que alegram, enfeitam e perfumam os ambientes.

Jesus não entra na jogada deles. Como Ele sempre estava em sintonia com o Pai através da oração, as suas atitudes e sentimentos não são levadas pela emoção ou pressão do momento. Ele vai além. Primeiro olha para a mulher e não para os seus pecados. Vê uma filha de Deus e não uma adúltera. O risco que temos sempre de olhar os pecados, erros e limitações dos outros e não que é um filho de Deus.

Depois Jesus responde a provocação fazendo com que eles olhassem para a própria vida deles e não a da mulher. Por isso Ele diz: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (v. 7). Belíssima a provocação de Jesus. Ele faz todos se darem conta que são pecadores e que a ninguém Deus deu o direito de julgar e condenar. Por isso, toda a forma de morte é pecado e vai contra o projeto original do criador.

Evangelizado o povo, Jesus dá a última recomendação para a mulher: “Podes ir, e de agora em diante não peques mais” (v. 11). Jesus não passa a mão na cabeça dela dizendo que a sua conduta também estava correta. Ele a acolhe, perdoa e recomenda que não volte a praticar o que estava fazendo, não peque mais.

Hoje o Senhor dirige o mesmo apelo a todos nós, seus filhos e filhas: NÃO PEQUE MAIS! Porque o pecado vai contra tudo o que Deus tem planejado e sonhado para nós. O pecado nos afasta do verdadeiro o único amor da nossa vida. O pecado destrói o projeto original de Deus sobre nós e sobre toda a criação. O pecado gera a morte do pecador e faz toda a criação sofrer.

Para encerrar trazemos alguns versículos da segunda Leitura de São Paulo os Filipenses (3,8-14). Nela fica claro de como deve ser nosso caminho de cristãos: “Irmãos: Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele”. Cristo basta para a nossa vida.

Então vamos seguindo nosso caminho sem desanimar. Aprendamos de Jesus o amor e a misericórdia e deixemos de lado toda e qualquer espécie de julgamento.

Abençoado Domingo e uma semana cheia de graças e paz.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.