28 de abril de 2016

SE ALGUÉM ME AMA, GUARDA A MINHA PALAVRA

Estimados irmãos e irmãs. Eis que estamos na reta final do Tempo Pascal. No próximo Domingo teremos a Ascensão do Senhor seguida da festa de Pentecostes e fecharemos mais um ciclo litúrgico de 2016.

O Senhor ressuscitado continua caminhando com o seu povo. Depois da ascensão Ele não nos deixará só. Enviará o Espírito Santo que nos ensinará tudo e recordará tudo o que Jesus nos disse (Cf Evangelho deste Domingo João 14,23-29).

O Espírito Santo tem a missão belíssima de nos fazer entender quem é Jesus e o Pai que Ele revelou. Por isso, depois de Pentecostes, as coisas tornam-se mais claras aos discípulos. Eles vão ligando os fatos, as palavras e os acontecimentos. Tudo passa a fazer sentido e assim são animados e encorajados a testemunharem todos estes acontecimentos até com a própria vida. Sem o Espírito tudo teria terminado no medo; seria apenas mais um acontecimento como qualquer outro. Mas não foi assim.

O Espírito Santo não pode fazer as coisas sozinho. Precisamos fazer a nossa parte. A nós cabe guardar a Palavra de Deus. Este é o convite de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. Guardar a Palavra é imprescindível para que o Espírito Santo também possa cumprir com a sua missão. Se em nosso coração não está a Palavra ela não poderá produzir frutos e a nossa vida não será transformada como foi a vida dos discípulos.

Jesus também anuncia a paz. Não é uma paz qualquer, uma paz passageira, mas a verdadeira paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo!” Ele já especifica, deixando claro, que a sua paz é diferente da paz do mundo. É uma paz que nos compromete a sermos instrumentos dela. Como o próprio Senhor diz, não é a paz momentânea que o mundo oferece. Uma tranquilidade ilusória de que trancados em nossas casas estaremos tranquilos.

O anúncio e a partilha da Palavra acontecem sempre por excelência na comunidade reunida. Este é um aspecto que sempre aparecerá na Palavra de Deus. Nossa fé não nasceu na vivência isolada, mas na comunidade reunida. Aí nós ouvidos, meditamos e nos comprometemos. Ela se torna vida na experiência da comunidade.

Isso vemos acontecer em toda a narrativa dos Atos dos Apóstolos. Eles vão em missão e de vez em quando se reúnem para partilhar, rezar, refletir temas que ainda não estavam bem claros. Na narração deste domingo (Atos dos Apóstolos 15,1-2.22-29) temos o Concílio de Jerusalém. Ele surgiu com a intenção de ajuda-los a superar os desafios pastorais que se faziam presentes na comunidade cristã.

Mais um ensinamento. Os desafios da missão das nossas comunidades não podem ser um ponto de desunião e intrigas, mas um momento de comunhão, diálogo. Quando partilhamos aprendemos juntos. Ninguém é tão sábio que não precisa do outro e tão ignorante que não tenha nada para dizer. Todos, repito, todos na comunidade tem um papel importante. Quando a comunidade se fecha para o diálogo, também se fecha para a ação do Espírito Santo. Sua missão vai se esvaziando e os fiéis vão se afastando.

Guardando a Sua Palavra, como fonte de verdadeira paz e alegria, somos convidados a celebrar este mistério Pascal. Rezamos hoje pelos trabalhadores e também por aqueles que estão desempregados.

Deus abençoe a todos e que a Sua Palavra permaneça sempre em nosso coração.

Abençoado Domingo. Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.