30 de julho de 2016

A VIDA NÃO CONSISTE NA ABUNDÂNCIA DE BENS

Estimados irmãos e irmãs. Bom poder chegar até vocês com uma pequena e simples reflexão da Palavra de Deus deste 18º Domingo do Tempo Comum. Desejo que as bênçãos do nosso amado Pai Providente estejam sobre a tua vida e a tua família.

Como sempre dizemos, a Palavra de Deus é uma Palavra que nos ensina, interpela, compromete. Quem a escuta verdadeiramente sente que precisa deixar que Ela vá modelando o coração para que este acolha e realize a vontade de Deus.

Em nossa vida é natural que os pais se preocupem com o que deixarão de herança para seus filhos. Porém é preciso ter cuidado para não se preocupar apenas com os bens materiais que são necessários, mas não algo fundamental.

A Primeira Leitura dos livro do Eclesiastes (1,2;2,21-23) já nos alerta dizendo que tudo o que se refere a temporalidade é vaidade: “vaidade das vaidades ... tudo é vaidade!” Tudo o que é material passa; é marcado por um início e fim. Pode ser conquistado e perdido facilmente.

A primeira e principal herança que os pais devem deixar para seus filhos é a educação dos valores e da fé. Quando os filhos herdam estes valores eles continuarão a construir a sua vida e saberão usar os bens materiais que ficaram como herança e construirão outros. Quando, porém, não existem valores sólidos, a herança se desfaz rapidamente e o pior, gera muito ódio e discórdia entre irmãos.

Muitas famílias, depois da morte de seus avós e pais, são dilaceradas pelo ódio, raiva, vingança. Geralmente isso nasce pela disputa de herança deixadas por eles e que não foram bem divididas. Claro que nem sempre é só culpa dos pais. Estes muitas vezes ensinam aos filhos o caminho do bem, porém nem sempre são correspondidos.

O que devemos fazer?

O Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-5.9-11) nos dá a resposta. Acompanhemos: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus... Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento.”

Sendo pessoas que foram renovadas pela graça e pelo amor de Cristo devemos buscar as coisas novas e do alto sempre. Na caminhada que fazemos, é preciso ter coragem e determinação para renunciar a tudo aquilo que não nos convém e que não nos deixa viver como filhos amados de Deus.

O mundo nos oferece muitas coisas que contradizem a verdade do Evangelho. Porém, não podemos ter medo. Elas não serão mais fortes se nós sempre nos confiarmos a graça de Deus que nos fortalece e renova. Quando nos deixamos vencer pelos desejos do mundo, a graça vai minguando e as forças do mal parecem vencer.

Abençoado Domingo e uma semana de muitas bênçãos e graças. Busquemos sempre ao Senhor para que Ele nos fortaleça na caminhada de cristãos. A melhor herança que podemos deixar e a riqueza que devemos almejar são os valores e a fé.

Pe. Hermes José Novakoski,
Pobre Servo da Divina Providência.

22 de julho de 2016

SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Louvamos e bendizemos a Deus por estarmos concluindo mais uma semana e assim, com muita alegria e disposição, sob a bênçãos de nosso Deus maravilhoso, iniciarmos uma nova semana.

Reunimo-nos como filhos amados para escutar a Palavra que nos ensina e orienta; rever os irmãos de caminhada e receber Jesus presente na Eucaristia. Eis a tríplice dinâmica da santa missa sem a qual o Católico não consegue viver bem a sua fé.

Neste 17º Domingo do Tempo Comum vamos fazer como os discípulos de Jesus pedindo que o Mestre nos ensine a rezar e nos conscientize da importância da oração em nossa vida pessoal e familiar. Sem a oração a nossa vida se torna árida. Nossos pensamentos e sentimentos são contagiados por tantas coisas ruins que nos afastam do amor de Deus.

O grande clamor deste Domingo é: “SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR!” Sim! É um clamor que não deve sessar em nós pois nem sempre sabemos como rezar; nem sempre sabemos a oração que agrada ao Senhor.

Primeiro aspecto que precisamos ressaltar ao falar da oração é que precisamos rezar sempre. Assim como um atleta precisa estar sempre se exercitando para não sair de forma e não esquecer o que precisa fazer, assim também na vida espiritual. Quanto mais rezamos mais vamos nos aproximando de Deus e a nossa relação com Ele vai se aperfeiçoando.

O Evangelho (Lucas 11,1-13) inicia dizendo: “Jesus estava rezando num lugar deserto!” Precisamos de momentos de intimidade com Deus no silêncio externo e interno. Rezar enquanto trabalha ou está caminhando vale? Vale! Mas não pode ser somente assim. Precisamos de momentos de comunhão íntima com nosso Deus que acontece por excelência no silêncio.

Segundo aspecto: é dever dos pais, catequistas, educadores ensinar a rezar a quem não sabe. Jesus ensinou seus discípulos. Nós também precisamos ensinar outros a rezar.

Um terceiro elemento é a confiança em Deus. Rezar com fé e pedir que Ele aumente a nossa fé. Jesus recomenda: “pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto!” Quantas vezes rezamos desconfiados ou colocando condições a Deus. Nossa oração precisa ser de confiança total, como também vemos a oração de Abraão no livro do Gênesis (18,20-32). Ele, estando na presença do Senhor (cf v. 22), reza com total confiança e é atendido.

Gostaria também de frisar um quarto elemento sobre a oração. Quando rezamos a bênção de Deus não chega somente até nós, mas também às pessoas que estão ao nosso lado. Imagino a oração como um grande guarda-chuva que além de nos proteger, protege os que estão a nossa volta. Por isso precisamos rezar sempre e rezar mais. Este é um aspecto que precisa ser resgatado com urgência.

Vemos crescer nas famílias, nas comunidades, no mundo a injustiça, o ódio, a discórdia, a violência. A principal causa de tudo isso é o afastamento de Deus, a falta de oração. É claro que Deus não vai ficar intervindo em nossa vida e na história como um mágico eliminando os problemas que criamos. Mas Ele pode inspirar a todos boas ações e assim evitarmos que muitos problemas sejam criados. Aí entra o nosso papel, a missão dos cristãos: rezar! Rezar mais e com confiança. A oração chega lá onde nós não podemos chegar e realiza o que nós não podemos realizar.

Então vamos ao encontro do Senhor que nos espera todos os dias com sua Palavra e na Eucaristia. Abençoado Domingo e semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

14 de julho de 2016

MARIA ESCOLHEU A MELHOR PARTE

Estimados irmãos e irmãs. Nosso caminho ao longo no ano litúrgico continua. Quem acompanha este espaço, vai fazendo conosco todos os domingos este itinerário onde aprendemos com o Mestre a sermos melhores discípulos. No Domingo passado Moisés nos fazia o apelo de conhecermos e guardarmos a Palavra de Deus que está próxima de nós. Hoje esta Palavra Viva, o Verbo que se fez carne nos visita com a sua presença que é um grande presente para todos nós. Ele nos visita da mesma forma que visitou Marta e Maria e também Abraão e Sara.

Na Leitura do Livro do Gênesis (8,1-10a) Abraão recebe a visita de três homens que para ele é a visita de Deus. As irmãs Marta e Maria tem o privilégio de receber Jesus em casa e poder escutar suas palavras.

O que existe de comum entre entas duas cenas do Antigo e do Novo Testamento e que gostaríamos de refletir juntos? A acolhida.

Queridos irmãos e irmãs. Todos nós hoje temos o privilégio de acolher o Senhor na Palavra e na Eucaristia. Ele nos fala e se dá como alimento para nossa caminhada de fé a fim de não vacilarmos. Porém, existe um grande perigo. A exemplo de Marta, corremos o risco de colocar os afazeres do dia a dia acima de Deus. Quantas vezes e quantas pessoas usam a desculpa de não ter tempo para não ir a missa, por exemplo. Que pena! Elas ainda não entenderam que o mais importante não são as muitas coisas que fazemos, mas a nossa intimidade com o Senhor.

Vamos olhar com atenção a delicadeza com que Abraão e Maria acolhem o Senhor. Os gestos deles podem nos motivar a acolhermos com mais carinho o Senhor que nos visita de muitas formas.

Vamos aos detalhes da acolhida de Abraão. A gentileza com que ele recebe aqueles três homens nos quais vê a presença do Senhor. O texto fala por si:

“Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra... E disse: 'Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem'... Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: 'Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os'. Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles.”

Quantos gestos de carinhos vemos expressos aqui. São expressões de quem está acolhendo com muito amor àqueles que o visitavam. Abraão percebeu que não eram visitantes comuns. Dá o melhor para eles.

Vamos ao Evangelho (Lucas 10,38-42) olhar para as atitudes das duas irmãs. Também deixemos que o texto nos fale:

“Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.”

Marta é quem acolhe o visitante, mas é Maria quem escolhe a melhor parte: escutar o Mestre. Marta, como muitas vezes nós, recebemos o Senhor na Eucaristia, mas as preocupações excessivas e as angústias do mundo não nos deixam 'curtir' a sua presença e deixar que ela nos transforme em pessoas melhores. Marta o recebe na casa. Maria em casa, que é o seu coração.

Quantos comungam e logo em seguida saem correndo da Igreja, mesmo antes da bênção final preocupados com o que tem para fazer. Mas por que isso? Porque não se deram conta ainda que estar junto com o Mestre é o melhor que podemos fazer. Não aprenderam a ‘curtir’ a sua presença em sua vida. Assim a Eucaristia e a escuta da Palavra tornam-se meros gestos mecânicos mas que não falam nada ao coração. Geralmente pessoas assim perdem a alegria de estar na Casa do Senhor.

Marta fica incomodada com Maria e fala com Jesus para que ela a ajude: “'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' O Senhor, porém, lhe respondeu: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.'”

Podem nos tirar as coisas materiais, mas ninguém pode nos tirar o que guardamos em nosso coração. Por isso Jesus elogia Maria, pois ela estava também preocupada com a sua alma, com a sua salvação e não apenas em fazer coisas externas. O interior é mais importante que o exterior. Feliz de quem cuida do seu coração e dos seus pensamentos. Este não perde tempo, mas ganha-o ainda mais.

A gentileza de Abraão será recompensada. “Eles lhe perguntaram: 'Onde está Sara, tua mulher?' - 'Está na tenda', respondeu ele. E um deles disse: 'Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho'.”

Quanta alegria e gratidão deve ter brotado do coração deste homem simples e fiel ao Senhor. Tudo o que fazemos para o Senhor, Ele nos recompensa com muitas bênçãos e graças. O tempo que passamos com o Senhor nos será recompensado com uma vida de paz e infinitas graças.

E você, quanto tempo dedica diariamente para o Senhor? Deixa que as atividades e afazeres do dia a dia tomem todo o seu tempo ou você administra? Hoje uma das expressões que mais se ouve é a de que não temos tempo. Tempo, temos! O problema é o que fazemos com ele. Muitas vezes gastamos tempo com coisas pouco importantes e depois não temos tempo para aquilo que de fato importa.

Isso me faz lembrar aquelas pessoas que basta pegar o terço na mão ou a Liturgia das horas e começam a sentir cansaço. Ficam bocejando todo instante. Até parece que estão fazendo a coisa mais chata do mundo. Mas vibram na frente da televisão e torcem pelos personagem de uma novela. Gritam com os jogadores quando erram um passe. E aí, de quem é a culpa? Talvez para alguns teria que inverter o tempo. Usar para a oração o tempo que gasta com um novela ou programa qualquer faria um bem incalculável para a sua vida.

Vamos aprender com a Palavra a acolher o Senhor como Ele merece. Não basta cantar que Ele é o tesouro da nossa vida. Temos que demonstrar isso com as nossas atitudes dando tempo a Ele. Quando alguém é importante dedicamos tempo com Ele. O Senhor é importante para você? Quanto tempo passas com Ele?

Exitem também muitos gestos bonitos de pessoas que acolhem e servem ao Senhor de forma simples, sincera e com muita generosidade. Neste Brasil afora, por onde passo, sempre encontro comunidades que dedicam tempo para cuidar do Templo e da sua relação com o Senhor. Estes, são felizes porque escolheram a melhor parte.

O mundo precisa dar mais tempo para Deus. As famílias precisam dedicar tempo para Deus. Todos os filhos precisam reservar um tempo de qualidade para estar com o Senhor! Eis o caminho da felicidade e da paz!

O Senhor nos abençoe todos os dias desta semana e nos ajude a entender que o melhor tempo da nossa vida que passa é o que passamos com Ele, pois na eternidade estaremos para sempre com Ele.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

11 de julho de 2016

UMA FLOR RARA

Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida.

O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.

Se o trabalho lhe consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido... E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois.

Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia apenas um exemplar em todo o mundo.

E disse a ela:

- Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando. Às vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.

A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.

Ela chegava em casa, olhava a flor e ela ainda estava lá, não mostrava sinal de fraqueza ou morte, apenas estava lá, linda, perfumada. Então ela passava direto.

Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou em casa e levou um susto!

Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas pétalas caídas e suas folhas amarelas.

A jovem chorou muito, e contou a seu pai o que havia acontecido.

Seu pai então respondeu:

- Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que Deus te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela.

8 de julho de 2016

QUEM É O MEU PRÓXIMO?

Estimados irmãos e irmãs. Quanta alegria podermos chegar até você motivando para uma boa celebração da Santa Missa dominical e na escuta diária da Palavra de Deus. Como bons filhos, precisamos escutar sempre o que o Pai tem a nos dizer em sua sabedoria e providência.

Vejamos o que a Liturgia da Palavra deste 15º Domingo do Tempo Comum tem a nos ensinar.

A leitura do livro do Deuteronômio (30,10-14) nos lembra que a Palavra está bem perto de nós. Ela é acessível a todos. Ninguém pode dizer que não conhece ou não viva a Palavra porque não sabe onde ela está. Diz Moisés ao seu povo e a todos nós: “esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir”. Hoje ainda mais o acesso a Palavra é facilitado. Quem não a conhece é porque não quer. Ou até porque sabe que esta Palavra nos provoca e desafia assim como ela mesmo nos diz: “Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance”.

Moisés alerta o povo de Deus e a cada um de nós que temos o dever de conhecer e obedecer esta Palavra. Nela está a nossa vida e a nossa sabedoria. Ela também nos congrega em uma única família, por isso devemos olhar a todos como irmãos, sendo próximos uns dos outros.

Mas quem é o meu irmão? Quem é o meu próximo? A resposta encontramos no Evangelho de São Lucas (10,25-37). Jesus alerta o mestre da Lei que não basta conhecer a Palavra. É preciso colocá-la em prática. Ela deve transformar a nossa vida, as nossas relações, os nossos sentimos, comportamentos, atitudes. Ele deve ser como que um óculos, através da qual vemos a vida e as situações que se nos apresentam.

O dinâmica que Jesus propõe é diferente da lógica que conhecemos. Geralmente queremos que as pessoas se aproximem de nós. A proximidade também acontece quando está tudo bem; quando há festa e alegria. Tem pessoas, é claro, e talvez você seja uma delas, em que buscam viver aquilo que o Evangelho apresenta: tornar-se próximo especialmente daqueles que estão caídos à beira do caminho.

Na resposta de Jesus encontramos muitos detalhes enriquecedores. Certo homem de identidade desconhecida ia pelo caminho de Jerusalém para Jericó. Durante o trajeto é assaltado e espancado. Fica aí caído, desmaiado. Passam pelo mesmo caminho dois homens conhecedores da Lei: sacerdote e levita. Por eles serem conhecedores da Lei que manda amar o próximo como a nós mesmos, por exemplo, deveriam ver nele um próximo caído. Mas, na mentalidade dos judeus era próximo somente quem pertencia ao mesmo grupo e até a mesma classe social. Outros eram impuros. Jesus quer acabar com isso. Pois se todos são filhos do mesmo Pai, todos somos irmãos.

Jesus continua contando os detalhes da cena. Diz que um samaritano que estava viajando, ou seja, estava carregado, ocupado, faz diferente daqueles que conheciam a Lei. Vamos observar os verbos deste texto. Eles servem para nós como fonte de inspiração daquilo que devemos fazer.

Vamos seguir a lógica da cena: “chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: 'Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais.'”

Todos os gestos que o samaritano faz demonstram muita compaixão. Ele não conhecia o mandamento que o mestre da Lei conhecia: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo!” e também não conhecia a pessoa que estava aí caída. Mas coloca em prática o mandamento ao amor. Vê nele um irmão que precisa de ajuda e não se importa consigo mesmo nem com o que os outros irão dizer.

Aí Jesus provoca o mestre da Lei para que ele faça a sua própria conclusão: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?' Ele respondeu: 'Aquele que usou de misericórdia para com ele.'” Então Jesus dá a sugestão para ele dizendo: 'Vai e faze a mesma coisa.'

Irmãos e irmãs. Este é o caminho: fazer gestos concretos de caridade para manifestar que somos conhecedores da Palavra de Deus. São gestos de compromisso para com o outro. É importar-se com ele para que esteja bem. É ajudar para que saia da situação em que foi colocado. A compaixão nos ajuda a colocarmo-nos no lugar do outro e sentir o que ele está sentindo. Quando fazemos isso estamos no caminho que leva a vida.

Deus seja louvado pelo bem realizado através de tantos irmãos e irmãs que conheço. Tem muitas pessoas, e talvez você que está lendo seja uma delas, que se doam de coração em muitas causas de solidariedade. Isso é bonito. O bem deve ser promovido e comunicado. Ele é contagioso. Não podemos deixar que as forças do mal tomem conta da nossa vida, das famílias, da Igreja e da sociedade como um todo.

Então vamos nos alimentar da Palavra e da Eucaristia e buscar ânimo no encontro com os irmãos para continuarmos promovendo o bem. Deus abençoe tua iniciativa em favor por irmãos mais necessitados.

Abençoado Domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

2 de julho de 2016

Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja

Neste 14º Domingo do Tempo Comum a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos. Eles são as colunas da nossa Igreja pela missão desenvolvida com determinação e afinco. São referenciais de missionários que deram a vida pela Igreja de Jesus Cristo.

Pedro foi escolhido pelo próprio Jesus como primeiro Papa. Ou seja, a referência da comunidade depois da Ascensão. Ele desenvolve este trabalho com dedicação. O Espírito Santo vai confirmando esta eleição revelando a Pedro alguns aspectos da nossa fé, como vemos no Evangelho deste Domingo. Diante da pergunta de Jesus “e vós quem dizeis que eu sou?”, Pedro responde diferente de todos os demais: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” Aí Jesus confirma com a resposta: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus".

Gostaria de refletir brevemente sobre a missão do Papa na Igreja hoje. Ele continua a missão deixada por Jesus a Pedro de animar e conduzir a Igreja. Ele merece nosso respeito e devemos a ele nossa obediência pois tem um espírito especial para discernir e governar a Igreja de Jesus Cristo assim como teve Pedro. Nós Católicos temos o dever de obedecê-lo em tudo o que ele nos pede, pois, como um pai, quer sempre o bem dos seus filhos e filhas. Rezemos neste dia pelo Papa Francisco para que continue desenvolvendo sua missão com determinação, amor e coragem.

Paulo mereceu o título de Apóstolo não por seus méritos, mas pela missão que ele recebe de Jesus Cristo que a ele se manifestou pessoalmente e escolhe para uma missão especial. Todos conhecemos a história deste Apóstolo. De perseguidor dos cristãos, tornou-se referência de discípulo. Foi perseguido por causa do Evangelho e não desanimou. Muitas vezes escreve que sentia-se feliz por ter sido digno de injúrias por causa do nome de Jesus.

Na carta que escreve a Timóteo e que ouvimos na Liturgia da Palavra ele mesmo diz: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.” Aqui temos vários elementos que podemos refletir. Diariamente nos deparamos com coisas que precisam ser combatidas. Muitas coisas erradas que nos ensinam, precisam ser combatidas com muita determinação para que elas não nos contaminem e acabem com a nossa fé e as nossas famílias. São Paulo vai até o fim, por isso ele diz, completei a corrida. Ele não ficou no meio do caminho porque era difícil. Ao contrário, ele foi firme até o fim da sua missão e em nenhum momento ele perdeu a fé em Cristo. Pelo contrário, a fé em Cristo foi o que lhe dava forças para vencer os desafios diários da missão de ser evangelizador.

Queridos irmãos. O que nós podemos fazer pelo nosso Papa e pela Igreja? O primeiro e principal gesto que somos convidados a fazer é rezar, assim como nos sugere a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos. “Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.” A oração da comunidade foi ouvida pois Pedro foi libertado do poder do mal para continuar sua missão como chefe da Igreja.

Penso que em muitas situações os católicos acreditam mais no que pensadores pagãos dizem do que no Papa. Ele tem autoridade e as graças especiais para nos orientar corretamente nos caminhos do Senhor. Por isso, como já foi dito acima, devemos obediência a ele. Seus ensinamentos são para edificar a nossa vida e as nossas famílias. Vamos refletir sobre isso.

São Pedro e São Paulo continuem intercedendo pela Igreja de Jesus Cristo para que continue sua missão neste mundo envolto em tantas contradições. Que o testemunho destes homens inspirem nossas ações, pensamentos e palavras. Abençoe Senhor o nosso Papa.

Lembramos que a coleta feita em todas as missas no mundo inteiro são encaminhadas a Roma para o Óbolo de São Pedro que são atividades caritativas da Igreja. Neste gesto de amor que fazemos muitos irmãos serão ajudados. Na caridade da Igreja está a caridade de todos os cristãos católicos.

Abençoado Domingo e esta nova semana que iniciamos.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência