22 de setembro de 2016

ESCUTEMOS A PALAVRA QUE NOS LIBERTA E SALVA

Chegamos ao último Domingo do mês de setembro, instituído pela CNBB em 1971 como dia da Bíblia por ser o domingo mais próximo a celebração de São Jerônimo, sacerdote que traduziu a Bíblia para o Latim. O santo dizia que “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Viemos ao longo deste mês refletindo um pouco mais sobre a importância da Palavra em nossa vida e na vida da comunidade cristã. Ela é a luz que nos guia pelos caminhos corretos que o Senhor nos chama. Ela é o alimento e sustentáculo para a nossa vida de cristãos, pois nos fortalece, anima, consola, ensina.

Encontramos na Palavra de Deus muitos exemplos de homens e mulheres que buscaram colocar em prática esta Palavra e por isso chegaram a santidade. No Antigo Testamento vemos muitos Profetas que se tornaram os porta vozes da mensagem divina. Eles também foram aprendendo com o que ensinavam. No Novo Testamento encontramos a história da encarnação de Jesus, a vida de Maria, dos Apóstolos e Discípulos que buscaram aprender com o Mestre, verbo feito carne no meio de nós. Eles fizeram seu caminho de santificação. Também nós somos chamados a fazer este caminho com confiança.

Acompanhemos as palavras de São Paulo a Timóteo (1Tm 6,11-16) e que nos servem de motivação. Ele traz a lembrança de que os batizados precisam se esforçar todos os dias para viverem o que aprenderam na Palavra de Deus. Claro que Timóteo tinha aprendido escutando Paulo e outros Apóstolos. Esta belíssima e fundamentada motivação serve também para nós que conhecemos a Palavra de Deus e diariamente somos convidados a rezar. Acompanhemos toda a leitura para melhor compreender o que Paulo quer transmitir:

“Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém”.

A dinâmica de Deus sempre respeita a liberdade que Ele mesmo nos deu desde a criação. Muitas vezes, porém, escolhemos as coisas erradas. Andamos por caminhos tortuosos. Basta ver o que o Profeta Amós (6,1a.4-7), mais uma vez vem denunciando e que Jesus complementa no Evangelho (Lucas 16,19-31). Infeliz daquele que vive a sua vida e a sua fé de qualquer jeito; que coloca toda a felicidade e realização nas coisas materiais; que não consegue partilhar o que tem com os seus irmãos. As riquezas poderão se tornar, desta forma, motivo de condenação eterna.

Jesus, falando com um fariseu, quer mostrar o que acontece com aquele que vive somente para si. O homem rico, que não recebe nome, podendo ser cada um de nós, preocupou-se apenas em aproveitar e gozar a vida usando dos seus bens para benefício próprio. Quando alguém acumula muito, falta para os outros. Aqui estamos diante de dois pecados: acúmulo desnecessário e a ganância. Ele vivia fazendo festas e não partilhava com o pobre, neste caso Lázaro, que estava, frisa a Palavra, no “chão à porta do rico”. O rico sabia da existência dele, pois este estava à porta, e mesmo assim não queria ajudar.

Quando ambos morrem, inverte-se a situação. A justiça é feita. Lázaro vai para junto de Deus para ser consolado e o rico para os tormentos. Isso pode acontecer em todos os tempos da história quando alguém coloca as coisas em primeiro lugar e não partilha com quem nada tem. Os bens podem ser meio de salvação ou de condenação. Aqui o problema em si não é ter coisas, mas usar elas apenas para benefício próprio, sabendo que muitos batem a nossa porta pedindo migalhas.

Acontece um diálogo entre Abração e o homem rico que sofre tormentos. Inverte-se a lógica. Agora ele é o pedinte. Aquele que precisa ser consolado. Acompanhemos este diálogo que é muito forte:

“Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'”.

Diante do que estava sofrendo, o rico pede pelos seus para que também não venham a perecer. Abraão responde que eles tem os profetas e o próprio Cristo que ressuscitará dos mortos para escutar e obedecer. Mas quando o coração está preso as coisas, nem estes conseguirão transformar estes corações. Acompanhemos o restante da narrativa:

“O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!' O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. Mas Abraão lhe disse: `Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.”

Queridos e amados irmãos. São palavras fortes e duras. Deus é misericordioso e justo. Como dizíamos acima, Ele nos fez livres para escolhermos por quais caminhos vamos indo. A escolha é nossa! Receberemos a recompensa de acordo com as nossas obras.

Para nós fica a exortação de São Paulo para vivermos bem a nossa fé e assim sermos acolhidos por Deus na pátria celeste. Lá Ele nos espera de braços abertos. Vamos caminhando e nos animando uns aos outros na perseverança do bem. A gente se encontra no abraço misericordioso do Pai. Que a Palavra de Deus nos mostre o caminho.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.