8 de setembro de 2016

HÁ ALEGRIA NO CÉU QUANDO UM PECADOR SE CONVERTE

O pecado, que consiste no afastamento do amor de Deus e o não cumprimento dos seus mandamentos, sempre acompanhou a raça humana. Muitas e muitas vezes o homem tentou e continua tentando ocupar o lugar de Deus. Porém, jamais conseguirá, pois é uma criatura e não tem como ocupar o lugar do criador. Aceitar a nossa condição é o primeiro passo para nos aproximarmos ainda mais de Deus sabendo que somos limitados e necessitados do seu amor, da sua misericórdia, da sua ternura.

O povo de Deus que Moisés estava conduzindo rumo à terra prometida, caiu várias vezes nesta tentação. Na Leitura deste 24º Domingo do Tempo Comum (Êxodo 32,7-11.13-14) o próprio Senhor lamenta o erro do povo quando se dirige a Moisés e diz: “Bem depressa desviaram-se do caminho que lhes prescrevi. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, inclinaram-se em adoração”.

Hoje a história continua se repetindo. O homem continua criando deuses para si a fim de adorá-los. Quantos adoram o dinheiro, o poder, a corrupção, a tecnologia. São deuses construídos pelos homens e que os escravizam. São coisas que podem ajudar a humanidade a fazer um progresso, ou oprimi-la sempre mais. O problema reside justamente neste fazer para si deuses e deixar de buscar o único Deus verdadeiro. O deus que fazemos com nossas mãos é manipulado de acordo com os nossos desejos e vontades. O Deus de Moisés, Abraão, Isaac, Israel, Deus misericordiosos de Jesus Cristo pede que lhe sejamos obedientes, pois só Ele pode nos conduzir pelos caminhos da vida.

Muitas vezes somos como a ovelha que se extravia, foge da presença do Senhor. Ou como o filho que pensa ser ruim estar na casa do pai onde tudo encontra. Talvez você já tenha feito isso ou tenha tido a tentação de fazê-lo. Provavelmente conheces pessoas que também já tentaram fugir do amor de Deus e se perderam; outras conseguiram voltar.

Toda a Liturgia da Palavra deste Domingo quer nos mostrar que há “no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” e que Deus faz de tudo para ter seus filhos sempre junto de si. Deus não fica alegre quando os seus filhos se perdem. Neste capítulo 15 do Evangelho de Lucas aparece o esplendor do rosto paterno e misericordioso de Deus.

O Evangelho (15,1-32) deste Domingo traz três Parábolas para ilustrar tudo isso:

A primeira é da ovelha que se perde e Deus vai ao encontro dela. É verdade! O Senhor não quer perder nenhum dos seus filhos. Ele mesmo vai ao encontro das ovelhas perdidas através dos profetas, como Moisés, ou na figura do Pastor que hoje são para nós o Papa, os Bispos e os Sacerdotes. A ovelha precisa aceitar ser encontrada. Ela não pode ficar continuamente se escondendo, fugindo o amor de Deus. Quando ela se deixa envolver pela sua ternura, o reencontro acontece e ela é resgatada. A obediência é fundamental neste processo.

Na segunda Parábola que Jesus conta temos a moeda que se extravia. A mulher faz de tudo para encontrá-la: “acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente”. É assim que Deus faz quando algum dos seus filhos se extravia. Ele nos enviou a sua Luz que é a Sua Palavra para que possamos encontrar o caminho e jamais se perder dele.

E a terceira Parábola é a do pai que tem dois filhos. Um resolve ir embora porque não estava mais gostando de estar em casa, junto do pai. Outro, o que permanece, não aprende a ser misericordioso como o pai. Tem dificuldade de aceitar o irmão mais novo e lhe perdoar pelo que fez.

Importante notar que nas três Parábolas temos um final feliz e uma festa pelo reencontro. Assim acontece no céu. Os anjos e o próprio Deus se alegram e festejam quando os seus filhos são salvos pois foi para isso que Jesus veio ao mundo: para que todos sejam salvos.

Amados irmãos e irmãs. As nossas comunidades também devem ser o lugar o encontro ou do reencontro para aqueles que estão distantes. Quem sabe nesta semana você vai ao encontro de algum irmão ou irmã que está longe da comunidade e o convide a retornar. Fale com mansidão, carinho, ternura. Demostre amor em suas palavras. Lance o convite! Se ele voltar, você conseguiu resgatar mais uma alma. Mas se não voltar, continue rezando. Moisés intercedeu pelo povo e Deus o perdoou. Interceda pelo seu irmão, pela sua irmã para que Deus tenha misericórdia deles.

Vamos ao encontro do Pai na Palavra e na Eucaristia. Deixemos que o seu amor misericordioso nos transforme, renove, conforte e fortaleça. Peçamos o dom da fidelidade para perseverarmos sempre no seu amor. Que nenhum deus construído por mãos humanas nos afaste do verdadeiro e único amor: Jesus Cristo.

Abençoado Domingo e abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.