1 de setembro de 2016

SEGUIR JESUS REQUER RENÚNCIA E DESPOJAMENTO

Estimados irmãos e irmãs.

Continuamos caminhando e aprendendo com o Mestre. Sua Palavra nos ensina, liberta, provoca. Neste mês de setembro a Igreja nos convida a fazermos um exame de consciência nos perguntando sobre a importância e o valor que damos a Palavra de Deus em nossa vida de fé.

Uma fé mal alimentada adoece e morre. Por isso a importância diária da leitura e meditação da Palavra de Deus para que a nossa fé não enfraqueça e seja contaminada por tantos pensamentos que destroem a nossa vida e as relações entre nós.

A Liturgia da Palavra deste 1º Domingo do mês da Bíblia e 23º Domingo do Tempo Comum nos mostra claramente as exigências do seguimento de Jesus Cristo. Vamos analisar algumas partes deste belíssimo, profundo e desafiador discurso que Jesus realiza, narrado por São Lucas (14,25-33).

Primeiro aspecto: “Grandes multidões acompanhavam Jesus!” Hoje vemos a cena se repetindo. Muitos querem acompanhar, mas poucos estão dispostos a segui-lo verdadeiramente. Acompanhar pode ser por um tempo determinado. Seguir é ir atrás caminhando no ritmo que o Mestre estabelece. Muitos fazem de Jesus um pop star e o seguem por um determinado tempo ou por um dos seus gestos. Escutamos seguidamente duas expressões: “vou em tal Igreja porque me sinto bem ou porque gosto!” Outra expressão contraditória usado por muitos católicos: “sou católico não praticante!” Isso não existe. Ou é, ou não é. Para poder dizer que é Católico, você precisa ser batizado na Igreja Católica e viver os seus ensinamentos, doutrinas e dogmas. Não podemos ser católicos pela metade.

Ainda temos, dentro desta multidão, os que vão a missa e buscam a Igreja só nas necessidades: Sacramentos, Missa de sétimo dia ou em outras ocasiões sociais. Para estes vale lembrar que Sacramento não se compra e a fé e muito menos a Igreja, é um supermercado que vamos só quando precisamos para satisfazer uma necessidade. A fé é compromisso permanente com a pessoa de Jesus Cristo.

Segundo aspecto: “Voltando-se, ele lhes disse: 'Se alguém vem a mim!’” O seguimento a Jesus Cristo é opção e adesão pessoal. Jesus faz a proposta mas nos deixa livres. Seguimos se queremos. Aos interessados em segui-lo, Ele apresenta as exigências e mostra que não é brincadeira, nem teatro e nem um caminho de emoções e aventuras como se fosse um passeio por um bosque. Vejamos:

Terceiro aspecto: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”.

Estas exigências causam um grande impacto na vida de qualquer discípulo. É por isso que muitos preferem o título de católicos, mas não praticam porque sabem que Jesus não brinca. É claro que estes que querem só o título não são cristãos católicos de fato.

Jesus quer colocar as coisas em seus devidos lugares e ordenar como devem ser. Quem coloca as pessoas, ainda que seja a própria família, os seus sonhos, as coisas acima de Deus, não pode ser discípulo; não pode ser cristão porque não vai entender e nem vai conseguir abarcar as exigências que Ele faz. Em primeiro lugar deve sempre estar Deus. Se é a Ele que nós seguimos e queremos imitar, é Ele que deve estar acima de tudo. É Ele que deve ser a nossa motivação.

Quarto aspecto: “Portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” Jesus exige disponibilidade total e absoluta para ir atrás dele até a Cruz. Só consegue entender e abraçar a Cruz quem é capaz de se esvaziar de si mesmo, como Jesus, e fazer a Sua e não a nossa vontade.

Quando estamos presos aos nossos gostos e desejos, vamos abraçando aquilo que nos satisfaz e que não exige muito de nós. Mas quando abraçamos a Cristo, com os dois braços, precisamos ir com Ele, até as últimas consequências do discipulado.

Quinto aspecto: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Aqui entendemos o mal de muitas pessoas que depois de um certo tempo abandonam a Igreja. Elas iludem-se pensando que podem caminhar sozinhas. Pensam que já sabem tudo sobre Jesus Cristo e podem segui-lo do seu modo. Engano! Discípulo, sempre será discípulo, necessitado da sabedoria e dos ensinamentos do Mestre. Não podemos cair na tentação de querer caminhar à frente de Jesus, pensando que somos autossuficientes.

Eis os desafios. Você escolheu seguir Jesus Cristo? Então, não tenha medo. Ele é um Mestre exigente, mas não nos abandona no meio do caminho. Ele continua nos fortalecendo e abençoando para que possamos suportar a cruz com paciência, humildade assim como Ele aceitou e carregou até o fim. Feliz de quem perseverar até o fim, pois receberá a recompensa eterno do seu esforço e total disponibilidade ao Senhor.

Deixemo-nos transformar e interpelar pela Palavra. Como discípulo, o que eu preciso superar, abandonar, deixar para trás? O que me impede de segui-lo com total liberdade e alegria? Por que sinto medo de deixar as coisas se é Ele quem tudo providencia? Senhor! Aumenta a nossa fé.

O Senhor abençoe todos os dias da tua vida para que sejas sábio, prudente e discípulo perseverante.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência