30 de setembro de 2016

SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ

Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos o mês de outubro, mês em que a Igreja intensifica a oração pelas missões e convida a oração do santo Rosário. Muitos ainda não conhecem a verdade do Evangelho; outros a deixaram de lado. Por isso o desafio constante de rezarmos e incentivarmos os missionários e cada um de nós também fazermos a nossa parte para que a Salvação chegue a todos.

Todos os batizados precisam estar atentos aos apelos que a Igreja nos faz e não esquecer que estamos “em estado permanente de missão”, como nos pede a 1ª Urgência da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O anúncio e o testemunho não podem ficar esquecidos. Os filhos e filhas de Deus são chamados a viverem sua fé na prática diária.

Neste 27º Domingo do Tempo Comum a Liturgia da Palavra tem um apelo importante a nos fazer através das palavras dos Apóstolos (Evangelho Lucas 17,5-10): Senhor, “aumenta a nossa fé!” Este apelo é sempre atual. Precisamos cuidar muito para que a nossa fé não desfaleça, cultivando-a de forma correta.

Precisamos compreender que a fé é adesão a uma pessoa: Jesus Cristo e não a doutrinas. Esta adesão ao projeto do Filho de Deus deve nos levar a uma contínua a profunda comunhão e identificação com Ele. Seus projetos, sonhos, ideias, valores devem ser de todos os que n’Ele creem. Enquanto não houver esta adesão a nossa fé não amadurece.

Outro aspecto importante na compreensão da fé é a entrega alegre ao mistério e projeto de Deus. Uma atitude pessoal da nossa liberdade. É dom de Deus, mas cabe a nós aceitarmos e fazermos ela crescer ou deixar ela morrer.

Como adesão a pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto, a fé não nos dispensa da dura luta diária. Não é uma fuga do mundo, mas assumir as coisas com determinação e coragem. Não quer dizer também que aos que creem as coisas serão mais fáceis e brandas. Mas a fé dá sentido a tudo o que precisamos enfrentar nesta vida. Ela foge dos limites da compreensão humana. É um convite a irmos além. Vemos isso claramente na primeira leitura (Habacuc 1,2-3; 2,2-4) onde o profeta clama ao Senhor diante dos sofrimentos que estava vendo e passando. Deus responde que a justiça não falhará. Ele cumprirá a sua Palavra no tempo certo. Também São Paulo exorta a Timóteo (1,6-8.13-14) a continuar firma; a não se envergonhar de Jesus Cristo, de ser cristão.

Jesus, sendo Filho de Deus, em toda a sua trajetória missionário sofreu muitas perseguições, ameaças. Diante disso Ele não recuou e nem desistiu. Continuava firme a sua caminhada pois tinha claro o objetivo da sua missão. Os apóstolos que o acompanhavam não conseguiam entender como alguém, mesmo sofrendo ameaças, pode continuar servindo feliz. É por isso que eles fazem o apelo que já citamos: AUMENTA A NOSSA FÉ.

A fé nos faz ir mais longe; superar as limitações e dificuldades com mais serenidade. Os que creem não estão isentos de sofrimentos, perseguições, injustiças. Fizeram isso com o líder, farão também com os seus seguidores, nos alertou Jesus. Diante das dúvidas que possam surgir em nossa vida, peçamos, assim como os apóstolos, que o Senhor aumente a nossa fé. Não queiramos ser covardes e fugir. Pensar que não conseguiremos vencer. Sozinhos não podemos, mas com Ele a vitória é certa.

Importante esclarecer também as contradições e os erros que se propagam hoje sobre a fé. Muitos ensinam e levam outros a acreditarem que os que tem fé não podem sofrer. Acreditar em Jesus é ficar livre dos sofrimentos. Com este pensamento queremos colocar Deus ‘contra a parede’ e determinar o que Ele deve fazer. Jesus sofreu para nos ensinar que crer não nos exime dos sofrimentos.

A fé é dom de Deus, é graça. Por isso não podemos reclamar de nada. É Ele que tudo conduz. De nossa parte, cabe agradecer por tudo o que recebemos. É Deus que nos chama a fazer parte do Reino que é seu e não nosso. Estamos voltando ao pecado original, quando queremos ocupar o lugar de Deus ou determinar o que Ele deve fazer.

Quando cumprimos com nossas obrigações, e o Evangelho deixa isso bem claro, estamos fazendo apenas o que deveríamos fazer. Isso não nos coloca em vantagem diante de Deus, pois Ele tudo fez e tudo ordena para a nossa santificação. É dever nosso cumprir bem com a missão que recebemos. Somos servos pobres, simples, ou inúteis, como o próprio texto nos diz. O que fazemos não é mais que nossa obrigação.

Aqui compreendemos a importância da oração e o que é rezar. A oração nos deve levar a compreender e aceitar o que Deus quer de nós e não a querermos determinar o que Deus deve fazer a nosso favor. Não podemos manipular Deus. Isso tem acontecido muito nos dias de hoje. Gritamos em Ele, como se fosse surdo ou estivesse dormindo. Damos ordens do que Ele deve fazer e quando deve fazê-lo como se Ele fosse o nosso súdito ou um Deus que é manipulável e está apenas a nosso dispor para servir-nos.

Não nos esqueçamos que nós somos os seus SERVOS e que ELE é o nosso CRIADOR. Cabe a nós, pedirmos humildemente, que Ele nos mostre os seus caminhos para não nos desviarmos da estrada certa.

Vamos ao encontro d’Ele presente na Eucaristia para que aumente a nossa fé.

Abençoado Domingo. Lembre-se de votar com responsabilidade e em candidatos comprometidos com o bem comum e não apenas preocupados com os seus próprios interesses.

Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.