27 de outubro de 2016

HOJE A SALVAÇÃO ENTROU NESTA CASA

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Chegamos ao 31º Domingo do Tempo Comum e a Palavra de Deus deste Domingo nos traz uma mensagem toda especial para a nossa caminhada de fé que estamos fazendo.

Estamos nas últimas semanas do Ano Litúrgico e do Ano Santo da Misericórdia. Estamos tendo a oportunidade de experimentarmos mais uma vez o grande amor de Deus por cada uma das suas criaturas. Ele que tudo cuida e acompanha com carinho. Esta certeza já vemos descrita no Livro da Sabedoria (11,22-12,2), leitura sugerida para este Domingo.

Em sua bondade tudo fez e sustenta com a sua Providência. É um Deus cheio de compaixão, especialmente pelos mais pecadores. Nada do que existe passa despercebido. Deixemos sua Palavra falar:

“Amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada? A todos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. [...] Corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”.

Este Deus maravilhoso que tudo fez e tudo sustenta, cheio de amor e compaixão, nos veio visitar, de forma extraordinária, em seu Filho Jesus Cristo, feito homem como nós. Assim como foi estar com Zaqueu, Ele quer estar conosco. Vem ao nosso encontro pela Palavra, no Espírito Santo e pela Eucaristia.

Jesus continua em movimento, como estamos acompanhando em Lucas todos os Domingos. Hoje (Lucas 13,31-35) o Mestre está em Jericó e lá morava Zaqueu, “que era chefe dos cobradores de impostos”. Por ocupar esta função ele não era entre os mais bem vistos e amados na cidade. Isso porque muitas vezes defraudou as pessoas, assim como ele mesmo confessa a Jesus.

A notícia de que Jesus estava na cidade despertou em Zaqueu curiosidade e por isso ele quer ao menos vê-lo. Como ele era baixo, Lucas diz que “subiu numa figueira para ver Jesus”. Aqui podemos refletir um pouco. O que temos feito para ver, estar com Jesus? Temos ido ao seu encontro? Queremos conhecê-lo sempre mais buscando nos aprofundar na meditação e no estudo da Palavra?

Jesus viu aquela atitude curiosa e conhecendo o coração daquele homem, toma uma decisão: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Ele não pensa duas vezes e nem se preocupa com o que vão dizer desse encontro. Lucas destaca que “ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria!”

Que cena bonita e cheia de interpelações para todos nós. Quantas e quantas vezes Jesus passa na nossa vida e não nos damos conta disso. Ele quer estar em nossa casa, nosso coração, mas achamos perda de tempo estar com o Mestre. Zaqueu nos ensina a acolher Jesus hoje, agora, e não de qualquer forma, mas com alegria. Ele poderia ter dito ao Senhor que voltasse mais tarde, outro dia, que estava ocupado. Mas não! Jesus não pode ficar esperando.

O encontro foi tão verdadeiro, profundo, maravilhoso que mudou para sempre a vida daquele homem. Jesus não precisou fazer nenhum sermão para ele lembrando o que tinha feito ou deixado de fazer. Jesus apenas olha com amor e vai estar sua casa. Zaqueu sentiu o amor de Jesus por ele e por isso, aí mesmo declara sua conversão e mudança de vida.

“Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: 'Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais.'” O gesto de ficar de pé demonstra prontidão. A mudança estava acontecendo naquele momento. Ele queria mudar de vida. Não desejava continuar fazendo o que fazia. Vejamos que interessante: a conversão foi tamanha que fez ele doar o que tinha e devolver quatro vezes mais daquilo que roubou.

Percebendo que ele estava sendo sincero, “Jesus lhe disse: 'Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.'”

Amados irmãos e irmãs. Precisamos cuidar para que a nossa conversão não seja parcial, porque estaremos enganando-nos a nós mesmos. Muitas vezes corremos o risco de mudar só o que nos convém e a medida que nos agrada. O encontro verdadeiro com Jesus faz a gente mudar totalmente. Desapegar-se do que temos e fazer justiça. Jesus não manda acumular, mas partilhar, porque aquilo que nos sobra, falta aos outros.

A exemplo de Zaqueu, acolhendo o Senhor na Eucaristia e na Palavra, deixemos que Ele nos olhe, nos provoque. Acolhamos seu apelo e deixemos Ele entrar em nosso coração tantas vezes machucado, cansado, sem esperança. São muitas as feridas a serem curadas para que a conversão aconteça. Deixemos o Senhor fazer em nosso coração o que não podemos fazer por nossas forças.

Abençoado Domingo e uma semana de paz e bênçãos!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

19 de outubro de 2016

MEU DEUS, TEM PIEDADE DE MIM QUE SOU PECADOR

Estimados irmãos e irmãs. Neste 30º Domingo do Tempo Comum a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões que este ano tem como tema: “Cuidar da Casa Comum é nossa missão” e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Rezamos para que todos os batizados não esqueçam que são missionários. Aparecida nos lembra que “a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã!” (N. 144-147).

A missão que mais nos desafia hoje é despertar em todas as pessoas o cuidado pela Casa Comum através de atitudes simples e transformadoras. Sermos conscientes que o descuido com a natureza tem reflexos em nossa vida cotidiana. Quando destruímos o planeta, nossa Casa Comum, estamos destruindo a nós mesmos. Este pecado social tem consequências gravíssimas não só em nosso tempo, mas terá em tempos futuro. O Palavra de Deus nos ensina e convida a cuidar de tudo o que Deus criou, porque o que Ele fez é bom!

Nesta dinâmica, precisamos reconhecer que somos pequenos diante da grandeza do Criador e da criação. A humildade nos coloca diante de Deus com o coração suplicante pela misericórdia. Vemos ilustrado isso no Evangelho (Lucas 18,9-14) deste Domingo. Os dois personagens que aparecem no templo orando refletem duas realidades distintas. Um deles, o fariseu, é observador fiel da Lei e da tradição. Ele acreditava que a mera observância era garantia de vida eterna, por isso permanece em pé e fica colocando em oração o que ele faz. De certa forma ele está se vangloriando diante de Deus por ser um bom judeu, coerente com o que ensina a Lei.

Outro personagem que aparece é o cobrador de impostos. Por colaborarem com os romanos e por adulterarem as tarifas tributárias, eles eram odiados por todos. Estando em oração ele reconhece seus erros e pede perdão a Deus batendo no peito. Este gesto é significativo, pois o coração é a sede das decisões. Ao bater no peito (no coração), ele reconhece ser pecador e ter errado muito.

Com esta atitude de humildade e reconhecimento dos erros e fraquezas, e com a sua oração: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador’, Jesus diz que ele “voltou para casa justificado”, enquanto que o outro, o fariseu não. Mas por que não? Porque ele não foi humilde diante de Deus.

Em nossa oração, temática que tem aparecido há vários Domingos nos Evangelhos, precisamos apresentar a Deus as nossas fraquezas para que Ele nos cure. Diante deles somos pequenos e necessitados. Quando nos vangloriamos diante dele, estamos querendo mostrar que por nossas forças realizamos as coisas e de que não necessitados dele.

Na primeira Leitura do Livro do Eclesiástico (35,15b-17.20-22a) temos cenário parecido com o do Evangelho. O autor coloca claramente que a oração feita pelos humildes atravessa as nuvens e chegam até Deus. A questão não é ser cobrador de imposto, fariseu, sacerdote, casado, empresário, educador. A oração que chega até Deus é a oração de que tem coração humilde e reconhece ser necessitado do amor e da misericórdia de Deus. O salmista (Salmo 33) também canta esta realidade: “clamam os juntos, e o Senhor bondoso escuta!”

Fica mais uma vez este apelo a todos nós: termos o coração humilde! Saber que nada somos sem Deus. Ele nos criou e por ele vivemos, nos movemos e somos. Quem ao Senhor servir fielmente até o fim, como nos fala São Paulo em sua carta a Timóteo (4,6-8.16-18), receberá a coroa a justiça e a salvação eterna. O Apóstolo nos lembra e motiva, através do seu exemplo, que precisamos ser fieis até o fim, perseverando também nos momentos difíceis.

Senhor, ensina-nos a rezar e dá-nos um coração humilde para sermos tuas testemunhas onde estamos! Amém!

Abençoado Domingo. Abençoada Semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!

18 de outubro de 2016

Projeto Amigos das Vocações - 5 anos!

Amigo benfeitor! Amiga benfeitora!

É com imensa gratidão a Deus que chegamos até você para partilhar mais este momento de alegria. O Projeto Amigos das Vocações no qual você faz parte está completando cinco anos de caminhada, atingindo a marca de 190 benfeitores cadastrados. Que bom que você faz parte desta história! Mas se você ainda não conhece este projeto, é convidado a conhecer! Aceita este convite?

A semente foi lançada em 2011 e está produzindo frutos. Na primeira missa, realizada em um dia um tanto conturbado, pois o Padre Oziel tinha sofrido um acidente no caminho para Jacundá, teve a presença de apenas uma pessoa, o senhor João Batista, membro do Conselho de Família na época.

Diante do ocorrido surgir a pergunta: serão estes sinais para não continuarmos? Mas a confiança em Deus venceu a dúvida e realizamos a segunda missa. A proposta foi sendo entendida e acolhida pela comunidade local que começou a frequentar o COV Nazaré, até então um tanto desconhecido para muitos.

Como Deus sempre tem algo para nos surpreender, o Projeto ganhou asas e em dezembro de 2014 surgiram os primeiros benfeitores de São Luís – MA. Depois vieram Salvador - BA, Nova Andradina- MS, Brasília - DF. As coisas de Deus não tem limites, pois o “mundo todo é de Deus!”, como dizia São João Calábria.

Desde o início a nossa motivação foi criar uma cultura vocacional e reunir pessoas que rezam e apoiam as vocações e ainda difundir o carisma inspirado por Deus a São João Calábria fundador da Congregação Pobres Servos da Divina Providência. Graças a Deus e a generosidade de pessoas como você, continuamos nossa missão que hoje vai muito além dos muros desta casa. Anualmente atingimos cerca de dois mil jovens com nossos encontros, eventos, missão. Isso é possível com o apoio da comunidade e de pessoas generosas como você!

Inspirados em nosso fundador, São João Calábria, o COV – Centro de Orientação Vocacional Nossa Senhora de Nazaré surgir em 2000 de um sonho da Comunidade de Marituba em formar religiosos e sacerdotes para a Igreja. Por aqui passaram mais de noventa jovens. Alguns deles são sacerdotes, outros religiosos e tem aqueles que retornaram as suas famílias e lá são chamados a viverem o que aprenderam aqui nesta casa da Providência.

Nestes 16 anos de missão desta casa, queremos destacar três jovens que passaram por aqui e que chegaram ao sacerdócio na Congregação. Pe. Oziel Feitosa Ribeiro (Missão em Campo Grande MS), Pe. Jardel Rodrigues Oliveira (Missão em Feira de Santana BA) e Pe. Roberto Bessa (in memoriam). Além destes temos o Ir. José Haroldo Medeiros (Missão em Jacundá PA) que se prepara para a ordenação sacerdotal que deverá acontecer no próximo ano em Marituba. Ir. Joandeson Sousa que depois de fazer as etapas de formação no Sul, retornou este ano para fazer parte desta missão onde foi seminarista em 2009 e 2010. Estes são alguns dos que responderam ao chamado de Deus consagrando a sua vida no serviço ao Reino. Continuemos rezando para que estes perseverem e que outros continuem aceitando o convite que o Senhor faz.

Neste mês em que o Projeto Amigos das Vocações completa cinco anos, receba o nosso abraço de gratidão pelo apoio às vocações. Como é bom podermos contar com a sua amizade, carinho, orações e apoio. Você é muito importante para nós!

Trazemos abaixo o depoimento do casal João Batista e Andréa que fizeram parte do Conselho de Família quando o Projeto surgiu. Eles testemunham o crescimento e os benefícios do Projeto nestes cinco anos de existência. Outro casal que fez parte do Conselho na mesma época foram o Diácono Ademirson e a esposa Rose.

Continuemos unidos em oração. O amor de Deus nos fortalece sempre. Somos felizes e gratos por poder contar com a sua amizade.

Deus continue abençoando você e toda a sua família pela intercessão de São João Calábria e Nossa Senhora de Nazaré.

Abraço

Pe. Hermes José Novakoski
Reitor.


Testemunho de João Batista Carvalho Araújo e Ivone Andréa Oliveira Lima.

Foram membros do Conselho de Famílias entre 2010 e 2013.


Sentimo-nos desafiados diante da proposta deste Projeto, de certa forma audacioso.

As Palavras que podem defini-lo são: desafiador e gratificante, pois vemos como ele vem crescendo e se desenvolvendo. Sou feliz, repetiu várias vezes a benfeitora Andréa, em fazer parte. O mesmo sentimento expressou João Batista, lembrando de como era e como está hoje o COV Nazaré. A alegria que sentimos é algo indescritível.

O projeto incentiva, motiva as pessoas a rezarem mais, a entenderem mais sobre vocação e testemunharem isso nas famílias. Participar do Projeto é um incentivo a mais para rezar.

É um aprendizado trabalhar com os vocacionados, seminaristas e com as famílias. Foi bom também porque pudemos conhecer e participar mais da vida e da rotina dos religiosos. A convivência ajudou a entendermos melhor a missão deles.

O que nos deixa triste é ver que alguns desistem. Não são perseverantes na oração e no apoio as vocações.

Nestes cinco anos, lançando sementes, é possível e gratificante ver os muitos frutos que estão sendo produzidos. As portas foram abertas à comunidade que acolheu ainda mais o COV Nazaré.

Dizemos aos amigos benfeitores que continuem presentes na vida do COV, das famílias e dos jovens vocacionados e seminaristas. Aos que ainda não fazem parte deste projeto, dizemos que vale a pena abraçar esta causa.



Agradecemos pelo apoio deste casal que continua presente na vida do COV Nazaré.

13 de outubro de 2016

PRECISAMOS REZAR SEMPRE

Estimados irmãos e irmãs.

Estamos caminhando com Jesus à Jerusalém. Como já dissemos em outras reflexões, a nossa vida é um peregrinar para a Jerusalém celeste onde o Senhor nos espera com todos aqueles que já partiram desta vida. Neste caminho que estamos fazendo precisamos rezar sempre, pois sem a oração corremos um sério risco de nos desviarmos do bom caminho que o Senhor nos propõem.

A Primeira Leitura do livro do Êxodo (17,8-13) e o Evangelho de Lucas (18,1-8) ilustram para nós o que acontece quando rezamos com perseverança e insistência. Deus não é indiferente aos clamores do seu povo. No tempo certo realizará as coisas. A fé nos faz esperar e entender a dinâmica de Deus.

O livro do Êxodo traz a batalha de Rafidim. Os israelitas conseguem vencer a luta porque Moisés manter elevado o bastão para Deus. Enquanto ele reza o povo vence a batalha. Sem a oração, simbolizada aqui pelas mãos erguidas, o povo não obtém a vitória. Na nossa vida acontece a mesma dinâmica. Quando nossas mãos não se elevam mais a Deus somos derrotados.

São Lucas nos diz, logo no início do Evangelho deste Domingo, que “Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. A viúva, que na época de Jesus ficava totalmente desassistida, porque os bens voltavam a família do marido, não tinha mais a quem recorrer se não ao juiz que não temia a Deus.

Vejam que interessante. A oração e a insistência da viúva fazem Deus tocar e ‘amolecer’ o coração do juiz que acaba atendendo a ela. Assim acontece na nossa vida. Quando não podemos realizar as coisas por nossas forças, coloquemos tudo nas mãos de Deus e Ele fará com que elas concorram para o nosso maior bem. O problema é que na maioria das vezes nós queremos resultados imediatos e as coisas nem sempre são como pensamos e queremos.

Aí entendemos esse fenômeno de pessoas que ficam transitando de igreja em igreja na busca de soluções fáceis para a vida. Isso demonstra quanto a fé é pequena e imatura. Por isso precisamos rezar sempre para que a nossa fé não desfaleça.

Jesus conclui dizendo que se os homens podem realizar coisas boas, quanto mais o Pai que está no céu realizará. No texto quando Jesus fala de justiça, refere-se a Salvação que Deus dará aos que forem fieis a Ele.

Como manter a fé viva? Temos dois meios infalíveis: Palavra de Deus e a Eucaristia. É importante criarmos uma familiaridade com a Sagrada Escritura, pois nela encontramos exemplos de confiança, superação que podem nos ajudar na caminhada.

Este é o apelo que São Paulo faz a Timóteo (3,14-4,2) e a cada um de nós: “permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade. [...] Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra”. O Apóstolo tem razão. Sem a Palavra a nossa vida fica sem critério e sem um rumo claro. Ela é a luz da nossa vida.

Na Eucaristia encontramos a plenitude de todas as graças e bênçãos. Feliz quem participa dignamente e consciente da Santa Missa e busca mergulhar na riqueza deste Sacramento. É o próprio Jesus que se faz alimento para sustentar a nossa fé. Não deixemos de ir a santa missa com a desculpa que não temos tempo. Pois isso seria rebaixar o sagrado ao segundo plano da nossa vida. Ela deve estar sempre em primeiro pois é algo importantíssimo.

Abençoado Domingo e abençoada semana.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

7 de outubro de 2016

SÃO JOÃO CALÁBRIA E O ROSTO MISERICORDIOSO DE DEUS

Queridos irmãos e irmãs. Saudação especial aos que comungam da Espiritualidade Calabriana: Religiosos, Religiosas, Irmãos Externos, Leigos, Colaboradores. Uma grande família que comunga da mesma fonte: a Eucaristia, buscando avivar a fé e a confiança em Deus Pai Providente.

Dia oito de outubro é dia de festa para todos nós, pois celebramos o nosso pai fundador, São João Calábria. Homem simples, mas de grandiosíssima fé em Deus. Um sacerdote que tocou o coração de muitas pessoas pelo seu jeito simples e paterno de ser e viver.

O tema que escolhemos para este ano, SÃO JOÃO CALÁBRIA E O ROSTO MISERICORDIOSO DE DEUS, está ligado ao que a Igreja celebra e vive: o Ano da Misericórdia. Vamos relembrar alguns acontecimentos na vida de São João Calábria que manifestaram a misericórdia de Deus.

Sabemos que desde o nascimento a sua trajetória foi desafiante. Passou necessidades durante a vida. Tudo isso poderia ter tornado ele uma pessoa amargurada, de mal com a vida, com as pessoas e com Deus. Tinha motivos suficientes para murmurar, pois carregava pesados fardos de fome, frio, humilhações.

Porém, sustentado por uma grande fé, que aprendeu a cultivar com sua mãe, dona Angela, São João Calábria fez de tudo isso degraus para crescer na dimensão espiritual e assim se tornar um homem procurado por muitos para conselhos e orientações nas mais diversas áreas. Ele se tornou mais uma prova de que quando temos fé superamos as dificuldades com fortaleza.

Tudo o que ele viveu, tornou seu coração ainda mais sensível as necessidades dos irmãos e irmãs. Ele não desejava que mais ninguém passasse por aquilo. Queria, através das suas obras, manifestar o rosto misericordioso de Deus, assim como ele mesmo experimentou em sua vida.

Vejamos alguns depoimentos falando da vida deste sacerdote santo:

Monsenhor José Amari dizia em 1984:"Padre Calábria pregou o Evangelho com a própria vida, com as obras, com a palavra. Seu sacerdócio profético não conheceu pausas, nem rotinas, nem desgastes. [...] Mas o que nele surpreende - considerada a impressionante aceleração da história destes últimos anos - é a atualidade de sua mensagem, como se ele tivesse a intuição profética dos tempos que só agora estamos vivendo."

O Papa João Paulo II em sua Homilia na missa de canonização, referindo-se ao Pe. Calábria dizia: “Toda a existência de João Calábria foi Evangelho Vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo os mais pobres. A fonte de seu amor para com o próximo era a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste. Gostaria de repetir aos seus colaboradores as palavras evangélicas: Em primeiro lugar, busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas" (MT 6,33). [...] (João Paulo II, 18 de abril de 1999 - Basílica de São Pedro).

Os bispos da Conferência Episcopal do Trivêneto, na carta de postulação endereçada ao papa João Paulo II escreveram: "Pe. Calábria, exatamente para preparar a Igreja do ano 2000 - expressão a ele familiar - fez de sua vida um sofrido e enternecido apelo à conversão, à renovação, à hora de Jesus com acentos impressionantes de premente urgência ... Parece-nos que a vida do Pe. Calábria e a sua mesma pessoa constitua uma "profecia" do vosso apaixonado grito a todo o mundo: "Abram as portas a Cristo Redentor!".

Nosso santo fundador foi profeta em muitos aspectos. Passos que ao longo da história a Igreja foi dando. Uma ideia belíssima e inovadora foi a forma como ele pensou, por exemplo, as casas de formação para os futuros sacerdotes e religiosos. Ele queria que em nossas casas fossem acolhidos os mais simples e pobres e que tivessem total liberdade para continuar na Congregação ou buscar outra, ou ainda ir para uma Diocese. Vocações para a Igreja era um dos seus lemas.

Hoje buscamos continuar este projeto com os COVs – Centro de Orientação Vocacional. No Brasil temos quatro casas. Aqui em Marituba o COV Nossa Senhora de Nazaré; em Campo Grande o COV Rainha dos Apóstolos; em Feira de Santana BA, o COV Mãe de Deus e em Farroupilha o COV Nossa Senhora de Caravaggio.

Em todos os momentos e gestos da sua vida, São João Calábria buscou manifestar o amor de Deus pela humanidade. Seu coração sempre foi sensível as necessidades dos sofredores. Vemos isso se concretizando quando ele encontra na porta de sua casa, numa noite de inverno, uma criança deitada no meio de papelão. Quando ele interroga o pequeno, porque estava aí, em uma das respostas o pequeno diz: “Você é bom comigo!” Esta criança sente que o jovem Calábria tinha um bom coração. Não desejava o mal a ninguém. Acolhe a criança e dorme no chão para que ela pudesse sentir-se bem acolhida.

Em cada criança que ele acolhia na casa que depois foi crescendo, buscava manifestar o amor e a misericórdia de Deus. Queria que eles se sentissem amados por Deus através do cuidado que recebiam dele e dos irmãos e irmãs que auxiliavam.

Uma outra missão bonita que Jesus confiou a Obra calabriana, foi a reparação. A este respeito escrevia São João Calábria: “Dentre as tarefas confiadas à nossa humilde Obra pela Divina Providência, encontra-se também a reparação pela qual podemos considerar que as pobres orações, os pequenos sacrifícios por nós oferecidos são aceitos por Deus e tenham uma eficácia especial, não por nossos méritos, mas por uma particular predileção da parte do Senhor que quis esta Obra justamente para este tempo”. Somos convidados a pedir perdão por nossos pecados e pelos pecados de toda a humanidade.

Existem muitos outros acontecimentos que marcaram a vida de nosso fundador e a Obra Calabriana. Hoje buscamos manifestar a misericórdia de Deus através das diversas obras mantidas pela Congregação aqui em Marituba, no Brasil e no mundo. Em todas elas queremos e desejamos que as pessoas sintam que temos um Deus que é Pai, nos ama, protege, abençoa.

Vamos viver com grande fé a festa de São João Calábria neste ano. Façamos uma profunda e verdadeira experiência da misericórdia de Deus nos aproximando do Sacramento da Confissão e a manifestemos ao mundo.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.


ORAÇÃO PARA REPARAÇÃO

Meu Jesus, pão partido e sangue derramado, vítima na cruz, dom de amor do Pai para a nossa salvação. Ajuda-nos a oferecermos a nós mesmos, para sermos tuas testemunhas. Para sermos sinais de solidariedade e reparação na participação ao Teu corpo místico. Transforma nossas lágrimas e as fadigas de cada dia num canto de louvor e de ação de graças, na alegria profunda de pertencermos a Ti, almas na tua alma, corações no teu coração. Tudo para vivermos em ti como Evangelhos vivos. Acolhe o oferecimento deste nosso dia, unido à oblação de Cristo na Eucaristia em reparação pelos nossos pecados, em favor da Obra toda nascida do teu lado, para o bem da Igreja e do mundo inteiro. Em tuas mãos entrego minha vida, abandono-me a Ti e à Tua Divina providência para viver o disposto a tudo com grande fé. Amém!

6 de outubro de 2016

LEVANTA-TE E VAI! TUA FÉ TE SALVOU!

Continuamos nosso itinerário com o Mestre que segue firme seu caminho rumo a Jerusalém. Nós também estamos caminhando rumo a Jerusalém celeste onde Ele nos espera de braços abertos como um Pai Misericordioso. Não estamos sozinhos neste caminho. Maria, Mãe de Jesus e nossa, caminha conosco como a Mãe atenta aos seus filhos. Ela nos convida a escutarmos o Filho e fazermos tudo o que Ele nos diz. Fiquemos atentos e vamos agradecer a Deus por estar sempre perto de nós.

Neste 28º Domingo do Tempo Comum, temos na primeira Leitura do Segundo Livro dos Reis (5,14-17) a cura de Naamã, sírio, estrangeiro, general do exército da Síria. Ele que até então tinha perseguido o povo de Deus, agora é favorecido pela misericórdia do mesmo Deus. Isso mostra que o amor de Deus é para com todos. Ligado a esta leitura está o Evangelho de Lucas (17,11-19) onde temos a presença de dez leprosos que clamam pela misericórdia de Jesus.

Temos vários aspectos que merecem a nossa atenção. Destacamos alguns deles:

Deus age em nossa vida de forma simples e eficaz. Quando Naamã pede a cura, esperava que Eliseu viesse ao seu encontro. Mas ele manda o sírio banhar-se nas águas do Jordão. O general fica indignado, mas depois de ouvir um dos seus servos, faz este simples gesto e fica curado. Alguns santos padres veem neste texto o prenúncio do poder transformador do Batismo. Naamã é curado ao mergulhar na água do rio. Nós somos curados ao sermos mergulhados na água do Batismo.

O mesmo acontece com os leprosos. Ao clamarem para Jesus, esperavam que imediatamente Jesus dissesse que ficariam curados. Mas Jesus pede que eles se coloquem a caminho do Templo. Eles são convidados a fazerem o caminho para o encontro com Deus. É neste caminho que o milagre acontece. Mais uma vez Deus age de forma simples e não extraordinária.

O evangelista ressalta o gesto de um dos que fora curado: “Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano”. Somente um deles, o samaritano, reconhece em Jesus o Filho de Deus e volta para agradecer. Por ele ter reconhecido Deus na pessoa de Jesus, recebe esta feliz afirmação: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. Além da cura exterior, ele recebe a garantia da salvação.

Naamã também quer agradecer a Eliseu oferecendo iguarias. O profeta não aceita pois a gratidão deve ser a Deus e não a ele. O sinal foi transformador a ponto deste se converter ao Deus do povo de Israel e deseja servi-lo de agora em diante. Bonita a conclusão que ele mesmo faz: “‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! ... Teu servo já não oferecerá holocausto ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor'.”

A graça que estes dois personagens recebem, mudou a vida deles. Eles se voltam a Deus e a partir daquele momento a sua vida foi transformada. Os outros nove do Evangelho não tem esta mesmo sensibilidade e percepção. E nós, conseguimos perceber a presença de Deus nas pequenas coisas do dia a dia? Os sinais que Ele manifesta estão transformando o nosso coração? Estamos acolhendo a salvação que o Senhor nos oferece? Somos gratos a Deus por todas as bênçãos que Ele nos dá diariamente?

Nesta semana o Brasil viverá duas das maiores festas marianos do mundo. Na nossa arquidiocese de Belém PA, temos o Círio de Nazaré. Em Aparecida SP, temos a festa de Nossa Senhora de Aparecida que se prepara para os 300 anos do encontro da imagem. Dois grandes eventos que reúnem milhões de pessoas. Estes não podem ser apenas eventos, mas encontro com o Senhor pela intercessão de Nossa Senhora.

Um fato que me deixa triste e certamente também entristece a Mãe de Jesus, é que muitos celebram, por exemplo o Círio, apenas bebendo e comendo. Assistem das sacados dos prédios os peregrinos e a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, mas não fazem deste momento um ato de fé e de conversão na sua vida. Para muitos o Círio se tornou apenas um evento social. Um momento de reunir amigos e familiares para uma grande festa mundana.

Caminhar de longe, ir de joelhos, carregar objetos pesados, tentar chegar na corda são formas de expressar a fé. Porém, o Círio não pode ser apenas um ato de manifestar a fé exteriormente. Ele se torna frutuoso na nossa vida e para a nossa salvação quando buscamos estar mais perto de Deus todos os dias. O Círio é a culminância de uma caminhada. O que vivemos aí deve se refletir no cotidiano da vida. Porque se não, seremos como os leprosos que Jesus mandou irem se apresentar aos sacerdotes. Caminharemos em direção ao templo, a Basílica, mas nos esquecemos de caminhar ao encontro de Deus e não o reconhecemos presente na nossa vida, no caminhar que fazemos. Fiquemos atentos, então, as manifestações de Deus em tantos gestos de carinho e deixemos que esta presença toque o nosso coração. Que o encontro com a Mãezinha do céu nos faça melhores filhos e filhas. Que a Eucaristia seja o ponto de encontro, adoração e salvação para todos os filhos de Deus.

Porém, para uma grande maioria do povo paraense o Círio é um momento de renovar-se na fé caminhando com Maria. Um momento de gratidão e de renovação. Uma oportunidade de manifestar o amor a Nossa Senhora e a Jesus. Isso torna o Pará mais bonito.

Peçamos a Mãe de Deus pela nossa nação. Que Ela toque o coração dos governantes para que eles sejam mais sensíveis as necessitados do povo brasileiro, especialmente dos mais pobres. E que assim sejamos uma nação mais santa, vivendo a fraternidade, o perdão, o diálogo, a partilha. Que nossas diferenças sejam superadas e que o amor de Deus habite em nossos corações.

Abençoado Círio aos paraenses. Mãe de Nazaré e Aparecida, intercedam bênçãos sobre todos nós, mas que nos ajudem a termos consciência que somos necessitados da graça e da misericórdia de Deus. Que nada somos sem Deus e que precisamos dele sempre. Que a nossa vida e as nossas famílias sejam restauradas no amor.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.