6 de outubro de 2016

LEVANTA-TE E VAI! TUA FÉ TE SALVOU!

Continuamos nosso itinerário com o Mestre que segue firme seu caminho rumo a Jerusalém. Nós também estamos caminhando rumo a Jerusalém celeste onde Ele nos espera de braços abertos como um Pai Misericordioso. Não estamos sozinhos neste caminho. Maria, Mãe de Jesus e nossa, caminha conosco como a Mãe atenta aos seus filhos. Ela nos convida a escutarmos o Filho e fazermos tudo o que Ele nos diz. Fiquemos atentos e vamos agradecer a Deus por estar sempre perto de nós.

Neste 28º Domingo do Tempo Comum, temos na primeira Leitura do Segundo Livro dos Reis (5,14-17) a cura de Naamã, sírio, estrangeiro, general do exército da Síria. Ele que até então tinha perseguido o povo de Deus, agora é favorecido pela misericórdia do mesmo Deus. Isso mostra que o amor de Deus é para com todos. Ligado a esta leitura está o Evangelho de Lucas (17,11-19) onde temos a presença de dez leprosos que clamam pela misericórdia de Jesus.

Temos vários aspectos que merecem a nossa atenção. Destacamos alguns deles:

Deus age em nossa vida de forma simples e eficaz. Quando Naamã pede a cura, esperava que Eliseu viesse ao seu encontro. Mas ele manda o sírio banhar-se nas águas do Jordão. O general fica indignado, mas depois de ouvir um dos seus servos, faz este simples gesto e fica curado. Alguns santos padres veem neste texto o prenúncio do poder transformador do Batismo. Naamã é curado ao mergulhar na água do rio. Nós somos curados ao sermos mergulhados na água do Batismo.

O mesmo acontece com os leprosos. Ao clamarem para Jesus, esperavam que imediatamente Jesus dissesse que ficariam curados. Mas Jesus pede que eles se coloquem a caminho do Templo. Eles são convidados a fazerem o caminho para o encontro com Deus. É neste caminho que o milagre acontece. Mais uma vez Deus age de forma simples e não extraordinária.

O evangelista ressalta o gesto de um dos que fora curado: “Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano”. Somente um deles, o samaritano, reconhece em Jesus o Filho de Deus e volta para agradecer. Por ele ter reconhecido Deus na pessoa de Jesus, recebe esta feliz afirmação: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. Além da cura exterior, ele recebe a garantia da salvação.

Naamã também quer agradecer a Eliseu oferecendo iguarias. O profeta não aceita pois a gratidão deve ser a Deus e não a ele. O sinal foi transformador a ponto deste se converter ao Deus do povo de Israel e deseja servi-lo de agora em diante. Bonita a conclusão que ele mesmo faz: “‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! ... Teu servo já não oferecerá holocausto ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor'.”

A graça que estes dois personagens recebem, mudou a vida deles. Eles se voltam a Deus e a partir daquele momento a sua vida foi transformada. Os outros nove do Evangelho não tem esta mesmo sensibilidade e percepção. E nós, conseguimos perceber a presença de Deus nas pequenas coisas do dia a dia? Os sinais que Ele manifesta estão transformando o nosso coração? Estamos acolhendo a salvação que o Senhor nos oferece? Somos gratos a Deus por todas as bênçãos que Ele nos dá diariamente?

Nesta semana o Brasil viverá duas das maiores festas marianos do mundo. Na nossa arquidiocese de Belém PA, temos o Círio de Nazaré. Em Aparecida SP, temos a festa de Nossa Senhora de Aparecida que se prepara para os 300 anos do encontro da imagem. Dois grandes eventos que reúnem milhões de pessoas. Estes não podem ser apenas eventos, mas encontro com o Senhor pela intercessão de Nossa Senhora.

Um fato que me deixa triste e certamente também entristece a Mãe de Jesus, é que muitos celebram, por exemplo o Círio, apenas bebendo e comendo. Assistem das sacados dos prédios os peregrinos e a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, mas não fazem deste momento um ato de fé e de conversão na sua vida. Para muitos o Círio se tornou apenas um evento social. Um momento de reunir amigos e familiares para uma grande festa mundana.

Caminhar de longe, ir de joelhos, carregar objetos pesados, tentar chegar na corda são formas de expressar a fé. Porém, o Círio não pode ser apenas um ato de manifestar a fé exteriormente. Ele se torna frutuoso na nossa vida e para a nossa salvação quando buscamos estar mais perto de Deus todos os dias. O Círio é a culminância de uma caminhada. O que vivemos aí deve se refletir no cotidiano da vida. Porque se não, seremos como os leprosos que Jesus mandou irem se apresentar aos sacerdotes. Caminharemos em direção ao templo, a Basílica, mas nos esquecemos de caminhar ao encontro de Deus e não o reconhecemos presente na nossa vida, no caminhar que fazemos. Fiquemos atentos, então, as manifestações de Deus em tantos gestos de carinho e deixemos que esta presença toque o nosso coração. Que o encontro com a Mãezinha do céu nos faça melhores filhos e filhas. Que a Eucaristia seja o ponto de encontro, adoração e salvação para todos os filhos de Deus.

Porém, para uma grande maioria do povo paraense o Círio é um momento de renovar-se na fé caminhando com Maria. Um momento de gratidão e de renovação. Uma oportunidade de manifestar o amor a Nossa Senhora e a Jesus. Isso torna o Pará mais bonito.

Peçamos a Mãe de Deus pela nossa nação. Que Ela toque o coração dos governantes para que eles sejam mais sensíveis as necessitados do povo brasileiro, especialmente dos mais pobres. E que assim sejamos uma nação mais santa, vivendo a fraternidade, o perdão, o diálogo, a partilha. Que nossas diferenças sejam superadas e que o amor de Deus habite em nossos corações.

Abençoado Círio aos paraenses. Mãe de Nazaré e Aparecida, intercedam bênçãos sobre todos nós, mas que nos ajudem a termos consciência que somos necessitados da graça e da misericórdia de Deus. Que nada somos sem Deus e que precisamos dele sempre. Que a nossa vida e as nossas famílias sejam restauradas no amor.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.