19 de outubro de 2016

MEU DEUS, TEM PIEDADE DE MIM QUE SOU PECADOR

Estimados irmãos e irmãs. Neste 30º Domingo do Tempo Comum a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões que este ano tem como tema: “Cuidar da Casa Comum é nossa missão” e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Rezamos para que todos os batizados não esqueçam que são missionários. Aparecida nos lembra que “a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã!” (N. 144-147).

A missão que mais nos desafia hoje é despertar em todas as pessoas o cuidado pela Casa Comum através de atitudes simples e transformadoras. Sermos conscientes que o descuido com a natureza tem reflexos em nossa vida cotidiana. Quando destruímos o planeta, nossa Casa Comum, estamos destruindo a nós mesmos. Este pecado social tem consequências gravíssimas não só em nosso tempo, mas terá em tempos futuro. O Palavra de Deus nos ensina e convida a cuidar de tudo o que Deus criou, porque o que Ele fez é bom!

Nesta dinâmica, precisamos reconhecer que somos pequenos diante da grandeza do Criador e da criação. A humildade nos coloca diante de Deus com o coração suplicante pela misericórdia. Vemos ilustrado isso no Evangelho (Lucas 18,9-14) deste Domingo. Os dois personagens que aparecem no templo orando refletem duas realidades distintas. Um deles, o fariseu, é observador fiel da Lei e da tradição. Ele acreditava que a mera observância era garantia de vida eterna, por isso permanece em pé e fica colocando em oração o que ele faz. De certa forma ele está se vangloriando diante de Deus por ser um bom judeu, coerente com o que ensina a Lei.

Outro personagem que aparece é o cobrador de impostos. Por colaborarem com os romanos e por adulterarem as tarifas tributárias, eles eram odiados por todos. Estando em oração ele reconhece seus erros e pede perdão a Deus batendo no peito. Este gesto é significativo, pois o coração é a sede das decisões. Ao bater no peito (no coração), ele reconhece ser pecador e ter errado muito.

Com esta atitude de humildade e reconhecimento dos erros e fraquezas, e com a sua oração: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador’, Jesus diz que ele “voltou para casa justificado”, enquanto que o outro, o fariseu não. Mas por que não? Porque ele não foi humilde diante de Deus.

Em nossa oração, temática que tem aparecido há vários Domingos nos Evangelhos, precisamos apresentar a Deus as nossas fraquezas para que Ele nos cure. Diante deles somos pequenos e necessitados. Quando nos vangloriamos diante dele, estamos querendo mostrar que por nossas forças realizamos as coisas e de que não necessitados dele.

Na primeira Leitura do Livro do Eclesiástico (35,15b-17.20-22a) temos cenário parecido com o do Evangelho. O autor coloca claramente que a oração feita pelos humildes atravessa as nuvens e chegam até Deus. A questão não é ser cobrador de imposto, fariseu, sacerdote, casado, empresário, educador. A oração que chega até Deus é a oração de que tem coração humilde e reconhece ser necessitado do amor e da misericórdia de Deus. O salmista (Salmo 33) também canta esta realidade: “clamam os juntos, e o Senhor bondoso escuta!”

Fica mais uma vez este apelo a todos nós: termos o coração humilde! Saber que nada somos sem Deus. Ele nos criou e por ele vivemos, nos movemos e somos. Quem ao Senhor servir fielmente até o fim, como nos fala São Paulo em sua carta a Timóteo (4,6-8.16-18), receberá a coroa a justiça e a salvação eterna. O Apóstolo nos lembra e motiva, através do seu exemplo, que precisamos ser fieis até o fim, perseverando também nos momentos difíceis.

Senhor, ensina-nos a rezar e dá-nos um coração humilde para sermos tuas testemunhas onde estamos! Amém!

Abençoado Domingo. Abençoada Semana!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!