21 de julho de 2017

O REINO DOS CÉUS É COMO...

Estimados irmãos e irmãs. Chegamos a mais um Domingo e nos alegramos ainda mais pois podemos celebrar juntos a nossa fé. A comunidade reunida em nome do Senhor celebra as maravilhas que Ele mesmo opera na história a fim de que sejamos mais santos.

O Evangelho (Mt 13,24-43) deste 16º Domingo do Tempo Comum por três vezes traz a expressão “O Reino dos Céus é como” dando a entender que ele está sempre em construção. Não é uma realizada acabada, mas ele vai sendo concretizado nas ações boas de cada dia que realizamos.

Na primeira e na segunda parábola que Jesus conta, Ele fala da ação do homem, ou seja, de cada pessoa, que é chamada a semear. Todos nós somos chamados a semear as sementes boas, pois as más o inimigo se encarrega de fazê-lo. É missão de todo o batizado semear as boas sementes que estão em nosso coração para que este mundo possa ver acontecer e crescer o Reino de Deus.

Muitos pais e educadores já se perguntaram? Por que meu filho (ou educando) não segue as coisas boas que eu ensinei? A resposta Jesus nos dá na Parábola: “enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou o joio no meio do trigo, e foi embora”. É isso mesmo que acontece, caros pais e educadores. Enquanto nós semeamos as sementes boas, o inimigo, e tantos que infelizmente servem a ele, semeiam as sementes ruins. O que devemos fazer? Arrancar os brotos das sementes ruins é a solução? Mais uma vez Jesus nos responde: “Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita”.

Ficamos chateados quando vemos que o joio parece crescer com mais força e vigor do que o trigo. Atitudes bruscas não irão resolver nada. Querer arrancar o joio repentinamente pode não ser o melhor caminho. Querer que nossos jovens, adolescentes renunciem as coisas erradas que aprendem de uma vez, nem sempre vai ser a melhor solução. Muitos se revolvam com isso e não querem mais nos escutar. Precisamos, assim como o Mestre nos orienta, saber o tempo certo da colheita e assim separar uma coisa da outra. Pode ser ainda que a própria pessoa se dê conta de que está no caminho errado e comece a arrancar o joio que foi semeado em seu coração. Quantas vezes vemos isso acontecer. Esse processo pode demorar algum tempo.

Convivemos entre estas duas forças que estão em constante tensão no mundo: o bem e o mal. O noticiário que diariamente escutamos dão a impressão que o mal está vencendo. Mas não é verdade. As pessoas que diariamente propagam somente estas notícias, são também em parte causadoras de todos esses males. Eles mesmos deixam-se usar pelos inimigos e nos tiram aparentemente as forças para lutarmos contra ele. Muitas telenovelas, filmes e programas de humor são escolas do demônio e para completar bombardeiam as notícias ruins para causar medo nas pessoas e tentar mostrar que de nada vale ser uma pessoa do bem. Vemos isso também no cenário político. Aparentemente muitos que roubam dinheiro público estão se dando bem. Mas não será sempre assim. A justiça humana pode ser manipulada, mas a divina não. De nada adianta ganhar o mundo, mas perder a vida.

Queridos irmãos e irmãs. Temos em nossas mãos a possibilidade de mudar tudo isso acreditando na força do bem, pois ela vem de Deus, e fazendo com que a mesma não perca a força de transformação que carrega em si mesma.

Você vê o processo que a semente faz para germinar e dar vida a uma nova planta? Depois de misturado a massa, o fermento aparentemente desaparece, mas não perde a sua força. Ele faz a massa levedar. Porém, precisa ser colocado na medida certa e a levedação não acontece em segundos. Tem que esperar. Quando adoças um café, consegues ver ainda o açúcar? Não! Mas sabes bem quando um café está doce ou não. Assim é a força do bem. Assim são as sementes do Reino que lançamos com o nosso testemunho e esforço diário de educar. Não as vemos crescer e talvez nunca as veremos produzir frutos. Mas tenha certeza, elas produzirão. Não cabe a nós determinar quando e como ela produzirá os frutos, mas ela produzirá, pois vem de Deus e o bem sempre vence o mal.

Quando semeamos uma semente boa num coração, colocamos aí a esperança que não tem prazo de validade. Estas sementes, as vezes sufocadas pelo joio, vão germinando e aos poucos produzirão seus frutos. Todo o mal, como diz Jesus, e aqueles que o propagam, serão eliminados no tempo de Deus.

Então, não vamos desanimar. Peçamos sempre ao Espírito Santo, que ora em nós e por nós (cf segunda leitura de Rm 8,26-27), para que nos dê forças, sabedoria, coragem para vencer todos os males e jamais deixar de acreditar no bem. Não podemos deixar que o inimigo tire de nós a esperança, a alegria de ser cristão, filho/a amado/a de Deus e as forças para continuarmos semeando.

O livro da Sabedoria (1ª Leitura de hoje 12,13.16-19) nos anima com esta certeza: “Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. E com o salmista (Salmo 85) exclamamos: “Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel”.

Na Palavra, na Eucaristia e na comunidade cristã reunida, encontramos as forças para vencer o mal. Não tenhamos medo, pois não estamos sozinhos. Eis que o Senhor está conosco todos os dias e conta com a nossa ajuda semeando sempre o bem, pois Ele nos fez bons e para o bem ungindo-nos com o seu Espírito Santo e nos consagrando para esta missão.

Abençoado Domingo e uma semana de muita semeadura!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.