11 de janeiro de 2022

Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2022

Foto: Papa Francisco na Missa do Dia Mundial das Missões 2019 - VaticanNews


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA FRANCISCO
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2022

[23 de outubro de 2022]

«Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8)

Queridos irmãos e irmãs!

Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8). E constituem também o tema do Dia Mundial das Missões de 2022, que, como sempre, nos ajuda a viver o facto de a Igreja ser, por sua natureza, missionária. Neste ano, o citado Dia proporciona-nos a ocasião de comemorar algumas efemérides relevantes para a vida e missão da Igreja: a fundação, há 400 anos, da Congregação de Propaganda Fide – hoje designada Congregação para a Evangelização dos Povos – e, há 200 anos, da «Obra da Propagação da Fé; esta, juntamente com a Obra da Santa Infância e a Obra de São Pedro Apóstolo, há 100 anos foram reconhecidas como «Pontifícias».

Detenhamo-nos nestas três expressões-chave que resumem os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: «Sereis minhas testemunhas», «até aos confins do mundo» e «recebereis a força do Espírito Santo».

1. «Sereis minhas testemunhas» – A chamada de todos os cristãos a testemunhar Cristo

É o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em ordem à sua missão no mundo. Todos os discípulos serão testemunhas de Jesus, graças ao Espírito Santo que vão receber: será a graça a constituí-los como tais, por todo o lado aonde forem, onde quer que estejam. Tal como Cristo é o primeiro enviado, ou seja, missionário do Pai (cf. Jo 20, 21) e, enquanto tal, a sua «Testemunha fiel» (Ap 1, 5), assim também todo o cristão é chamado a ser missionário e testemunha de Cristo. E a Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, não tem outra missão senão a de evangelizar o mundo, dando testemunho de Cristo. A identidade da Igreja é evangelizar.

Uma releitura de conjunto mais aprofundada esclarece-nos alguns aspetos sempre atuais da missão confiada por Cristo aos discípulos: «Sereis minhas testemunhas». A forma plural destaca o caráter comunitário-eclesial da chamada missionária dos discípulos. Todo o batizado é chamado à missão na Igreja e por mandato da Igreja: por isso a missão realiza-se em conjunto, não individualmente: em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria. E ainda que alguém, numa situação muito particular, leve avante a missão evangelizadora sozinho, realiza-a e deve realizá-la sempre em comunhão com a Igreja que o enviou. Como ensina São Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi (um documento de que muito gosto), «evangelizar não é, para quem quer que seja, um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial. Assim, quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade ou administra um Sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja e o seu gesto está certamente conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja» (n.º 60). Com efeito, não foi por acaso que o Senhor Jesus mandou os seus discípulos em missão dois a dois; o testemunho prestado pelos cristãos a Cristo tem caráter sobretudo comunitário. Daí a importância essencial da presença duma comunidade, mesmo pequena, na realização da missão.

Em segundo lugar, é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão: são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo. Assim o diz, com palavras verdadeiramente comoventes, o apóstolo Paulo: «Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (2 Cor 4, 10). A essência da missão é testemunhar Cristo, isto é, a sua vida, paixão, morte e ressurreição por amor do Pai e da humanidade. Não foi por acaso que os Apóstolos foram procurar o substituto de Judas entre aqueles que tinham sido, como eles, testemunhas da ressurreição (cf. At 1, 22). É Cristo, e Cristo ressuscitado, Aquele que devemos testemunhar e cuja vida devemos partilhar. Os missionários de Cristo não são enviados para comunicar-se a si mesmos, mostrar as suas qualidades e capacidades persuasivas ou os seus dotes de gestão. Em vez disso, têm a honra sublime de oferecer Cristo, por palavras e ações, anunciando a todos a Boa Nova da sua salvação com alegria e ousadia, como os primeiros apóstolos.

Por isso, em última análise, a verdadeira testemunha é o «mártir», aquele que dá a vida por Cristo, retribuindo o dom que Ele nos fez de Si mesmo. «A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 264).

Enfim, a propósito do testemunho cristão, permanece sempre válida esta observação de São Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas» (Evangelii nuntiandi, 41). Por conseguinte é fundamental, para a transmissão da fé, o testemunho de vida evangélica dos cristãos. Por outro lado, continua igualmente necessária a tarefa de anunciar a pessoa de Jesus e a sua mensagem. De facto, o mesmo Paulo VI continua mais adiante: «Sim! A pregação, a proclamação verbal duma mensagem, permanece sempre como algo indispensável. (...) A palavra continua a ser sempre atual, sobretudo quando ela for portadora da força divina. É por este motivo que permanece também com atualidade o axioma de São Paulo: “A fé vem da pregação” (Rom 10, 17). É a Palavra ouvida que leva a acreditar» (Ibid., 42).

Por isso, na evangelização, caminham juntos o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo. Um serve ao outro. São os dois pulmões com que deve respirar cada comunidade para ser missionária. Este testemunho completo, coerente e jubiloso de Cristo será seguramente a força de atração para o crescimento da Igreja também no terceiro milénio. Assim, exorto todos a retomarem a coragem, a ousadia, aquela parresia dos primeiros cristãos, para testemunhar Cristo, com palavras e obras, em todos os ambientes da vida.

2. «Até aos confins do mundo» – A atualidade perene duma missão de evangelização universal

Ao exortar os discípulos a serem as suas testemunhas, o Senhor ressuscitado anuncia aonde são enviados: «Em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8). Aqui emerge muito claramente o caráter universal da missão dos discípulos. Coloca-se em destaque o movimento geográfico «centrífugo», quase em círculos concêntricos, desde Jerusalém – considerada pela tradição judaica como centro do mundo – à Judeia e Samaria, e até aos extremos «confins do mundo». Não são enviados para fazer proselitismo, mas para anunciar; o cristão não faz proselitismo. Os Atos dos Apóstolos narram-nos este movimento missionário: o mesmo dá-nos uma imagem muito bela da Igreja «em saída» para cumprir a sua vocação de testemunhar Cristo Senhor, orientada pela Providência divina através das circunstâncias concretas da vida. Com efeito, os primeiros cristãos foram perseguidos em Jerusalém e, por isso, dispersaram-se pela Judeia e a Samaria, testemunhando Cristo por toda a parte (cf. At 8, 1.4).

Algo semelhante acontece ainda no nosso tempo. Por causa de perseguições religiosas e situações de guerra e violência, muitos cristãos veem-se constrangidos a fugir da sua terra para outros países. Estamos agradecidos a estes irmãos e irmãs que não se fecham na tribulação, mas testemunham Cristo e o amor de Deus nos países que os acolhem. A isto mesmo os exortava São Paulo VI, ao considerar a «responsabilidade que se origina para os migrantes nos países que os recebem» (Evangelii nuntiandi, 21). Com efeito, experimentamos cada vez mais como a presença dos fiéis de várias nacionalidades enriquece o rosto das paróquias, tornando-as mais universais, mais católicas. Consequentemente, o cuidado pastoral dos migrantes é uma atividade missionária que não deve ser descurada, pois poderá ajudar também os fiéis locais a redescobrir a alegria da fé cristã que receberam.

A indicação «até aos confins do mundo» deverá interpelar os discípulos de Jesus de cada tempo, impelindo-os sempre a ir mais além dos lugares habituais para levar o testemunho d’Ele. Hoje, apesar de todas as facilidades resultantes dos progressos modernos, ainda existem áreas geográficas aonde não chegaram os missionários testemunhas de Cristo com a Boa Nova do seu amor. Por outro lado, não existe qualquer realidade humana que seja alheia à atenção dos discípulos de Cristo, na sua missão. A Igreja de Cristo sempre esteve, está e estará «em saída» rumo aos novos horizontes geográficos, sociais, existenciais, rumo aos lugares e situações humanos «de confim», para dar testemunho de Cristo e do seu amor a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura, estado social. Neste sentido, a missão será sempre também missio ad gentes, como nos ensinou o Concílio Vaticano II (veja-se, por exemplo, o Decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, 07/XII/1965), porque a Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo. A propósito, quero lembrar e agradecer aos inúmeros missionários que gastaram a vida para «ir mais além», encarnando a caridade de Cristo por tantos irmãos e irmãs que encontraram.

3. «Recebereis a força do Espírito Santo – Deixar-se sempre fortalecer e guiar pelo Espírito

Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Com efeito, segundo a narração dos Atos, foi precisamente a seguir à descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que teve lugar a primeira ação de testemunhar Cristo, morto e ressuscitado, com um anúncio querigmático: o chamado discurso missionário de São Pedro aos habitantes de Jerusalém. Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos.

Como «ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor” senão pelo Espírito Santo» (1 Cor 12, 3), também nenhum cristão poderá dar testemunho pleno e genuíno de Cristo Senhor sem a inspiração e a ajuda do Espírito. Por isso cada discípulo missionário de Cristo é chamado a reconhecer a importância fundamental da ação do Espírito, a viver com Ele no dia a dia e a receber constantemente força e inspiração d'Ele. Mais, precisamente quando nos sentirmos cansados, desmotivados, perdidos, lembremo-nos de recorrer ao Espírito Santo na oração (esta – permiti-me destacá-lo mais uma vez – tem um papel fundamental na vida missionária), para nos deixarmos restaurar e fortalecer por Ele, fonte divina inesgotável de novas energias e da alegria de partilhar com os outros a vida de Cristo. «Receber a alegria do Espírito é uma graça; e é a única força que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a fé no Senhor» (Francisco, Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias, 21/V/2020). Assim, o Espírito é o verdadeiro protagonista da missão: é Ele que dá a palavra certa no momento justo e sob a devida forma.

É à luz da ação do Espírito Santo que queremos ler também os aniversários missionários deste 2022. A instituição da Sacra Congregação de Propaganda Fide, em 1622, foi motivada pelo desejo de promover o mandato missionário nos novos territórios. Uma intuição providencial! A Congregação revelou-se crucial para tornar a missão evangelizadora da Igreja verdadeiramente tal, isto é, independente das ingerências dos poderes do mundo, a fim de constituir aquelas Igrejas locais que hoje mostram tanto vigor. Esperamos que, à semelhança dos últimos quatro séculos, a Congregação, com a luz e a força do Espírito, continue e intensifique o seu trabalho de coordenar, organizar e animar as atividades missionárias da Igreja.

O mesmo Espírito, que guia a Igreja universal, inspira também homens e mulheres simples para missões extraordinárias. E foi assim que uma jovem francesa, Pauline Jaricot, há exatamente 200 anos fundou a Associação para a Propagação da Fé; celebra-se a sua beatificação neste ano jubilar. Embora em condições precárias, ela acolheu a inspiração de Deus para pôr em movimento uma rede de oração e coleta para os missionários, de modo que os fiéis pudessem participar ativamente na missão «até aos confins do mundo». Desta ideia genial, nasceu o Dia Mundial das Missões, que celebramos todos os anos, e cuja coleta em todas as comunidades se destina ao Fundo universal com que o Papa sustenta a atividade missionária.

Neste contexto, recordo também o Bispo francês Charles de Forbin-Janson, que iniciou a Obra da Santa Infância para promover a missão entre as crianças sob o lema «As crianças evangelizam as crianças, as crianças rezam pelas crianças, as crianças ajudam as crianças de todo o mundo»; e lembro ainda a senhora Jeanne Bigard, que deu vida à Obra de São Pedro Apóstolo, para apoio dos seminaristas e sacerdotes em terras de missão. Estas três obras missionárias foram reconhecidas como «pontifícias», precisamente há cem anos. E foi também sob a inspiração e guia do Espírito Santo que o Beato Paolo Manna, nascido há 150 anos, fundou a atual Pontifícia União Missionária a fim de sensibilizar e animar para a missão os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e todo o povo de Deus. Desta última Obra, fez parte o próprio Paulo VI, que lhe confirmou o reconhecimento pontifício. Menciono estas quatro Obras Missionárias Pontifícias pelos seus grandes méritos históricos e também para vos convidar a alegrar-vos com elas, neste ano especial, pelas atividades desenvolvidas em apoio da missão evangelizadora na Igreja universal e nas Igrejas locais. Espero que as Igrejas locais possam encontrar nestas Obras um instrumento seguro para alimentar o espírito missionário no Povo de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, continuo a sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs. E repito o desejo de Moisés para o povo de Deus em caminho: «Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse» (Nm 11, 29). Sim, oxalá todos nós sejamos na Igreja o que já somos em virtude do Batismo: profetas, testemunhas, missionários do Senhor! Com a força do Espírito Santo e até aos extremos confins da terra. Maria, Rainha das Missões, rogai por nós!

Roma, São João de Latrão, na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2022.

Franciscus
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10 de janeiro de 2022

Especialistas dizem que variante Ômicron pode representar o fim da pandemia de Covid-19

Por ser muito contaminante mas pouco letal, cientistas acreditam na possibilidade de que a ômicron servirá como um imunizante contra formas mais graves da Covid-19. Seria a pandemia virando endemia.

Por Quintino Gomes Freire -6 de janeiro de 2022

Foto: Reprodução

A respeitada pneumologista da Fiocruz, Margareth Dalcomo, disse em uma entrevista à rádio Band News que apesar do esperado aumento do número de casos de Covid-19 nos últimos dias, a pandemia pode estar sendo controlada e chegando ao fim. De acordo com a médica, uma característica típica das viroses respiratórias é elas se tornarem cada vez menos letais – como tem sido com a Ômicron pelo mundo – pois apesar da taxa de transmissão ser alta, os casos são mais leves. Segundo dados da Prefeitura do Rio, 98% dos casos de Covid na cidade hoje, são da variante ômicron.

“É possível essa hipótese que a pandemia possa estar começando a arrefecer a sua força, pelo aparecimento de uma variante muito transmissível, porém menos mórbida, no sentido da morbidade que ela possa causar”, explicou Margareth. Segundo especialistas, um vírus mais forte quando começa a ganhar variantes mais fracas e que contaminam com mais facilidade, acaba servindo como uma espécie de ‘vacina’ que não tem nem de perto as mesmas consequências da cepa original.

Em sua explicação, a especialista esclarece que o vírus não irá desaparecer. Provavelmente, ele irá manter um comportamento endêmico daqui para frente – ou seja, se tornará uma doença freqüente e mais comum, como a própria gripe. Poderá, inclusive, ocasionar casos graves, eventualmente, como ocorre com a gripe, que nunca deixou de fazer vítimas, ainda que raramente. Mas do ponto de vista pandêmico, o vírus deverá perder a sua força.

A médica também explica que essa perspectiva não pode ser tratada como certa e sim como uma possibilidade. Nada impede que variantes mais graves e letais apareçam, mas não é o que os cientistas esperam, hoje. E são diversos especialistas que têm afirmado a mesma coisa, em todo o mundo.

Para Margareth Dalcomo, “É possível essa hipótese que a pandemia possa estar começando a arrefecer a sua força, pelo aparecimento de uma variante muito transmissível, porém menos mórbida, no sentido da morbidade que ela possa causar”. Diversos cientistas de todo o mundo concordam. / Foto: Wilkipedia

O conceituado virologista português Pedro Simas corroborou recentemente a tese da pneumologista brasileira, e disse à CNN que a Ômicron “é o fim da pandemia” e disse mais, que “o melhor é deixar o vírus disseminar-se“. Simas acredita que o domínio da ômicron derrotará totalmente a variante delta – de efeitos mais graves e taxa de contaminação menor – e representa o início da endemia e o fim da pandemia. “São boas notícias“, notou, defendendo que não há motivo para restrições além do uso da máscara. Simas disse ainda que a contaminação pela ômicron “vai conferir uma imunidade muito boa às pessoas, a par da que já têm com a vacinação“, defendeu o especialista na entrevista à CNN.

“Este é o início inequívoco da endemia. Só se entra em endemia verdadeira quando, num país, a maior parte das pessoas já teve infeções e o vírus circula livremente. Isto é normal“, explicou, defendendo, assim, sua tese de que é melhor deixar a ômicron se espalhar, pois ela seria algo como uma vacina ou um reforço da vacinação.

O virologista da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto Molecular de Lisboa, lamentou ainda o que chamou de “foco exagerado” que a imprensa tem dado ao alto número de infecções pela ômicron, realçando que as atenções de todos devem estar centradas na taxa de mortalidade e nas internações. Simas vai além e considera “alarmista” a onda de testagens repetidas que vem se espalhando pelo mundo; reitera que a maioria das medidas restritivas  “não são eficientes a impedir a disseminação do vírus” e que sua propagação seria “benéfica” em locais com boa cobertura vacinal, pois para ele a própria doença – neste caso representada pela nova cepa com baixa letalidade – conferiria “uma imunidade natural muito mais completa” do que a que resultaria da vacinação.

Outros especialistas internacionais também têm levantado e defendido essa hipótese: com uma nova variante que é “um pouco mais transmissível [que as antecessoras] mas menos agressiva, talvez assistamos ao início de uma evolução para um vírus mais banal, como outros que conhecemos”, disse na TV Francesa o professor-doutor em imunologia Alain Fischer, conhecido como o “Senhor Vacina” do Governo francês.

Ele é outro a afirmar que um vírus que seja mais contagioso, mas ao mesmo tempo menos perigoso, ajudaria a permitir que a população adquirisse uma imunidade natural que, conjugada com a chamada imunidade vacinal, representaria a entrada do mundo numa fase menos grave da pandemia. “A prazo, há esperança [e] o SARS-CoV-2 juntar-se-á aos outros coronavírus sazonais humanos que que nos dão constipações e amigdalites todos os invernos”, sustentou este fim de semana o epidemiologista francês Arnaud Fontanet, pesquisador da Universidade de Harvard e da Universidade de Paris Descartes.

“Ainda não chegamos lá. Podemos esperar que surjam novas variantes mas, com a nossa imunidade a fortalecer-se com o tempo, seja por infeção natural, seja com doses de reforço da vacina, a sua capacidade para causar formas graves da doença vai diminuir”, vislumbra o especialista em epidemiologia de doenças infecciosas.

O diretor do Ministério da Saúde de Israel, Nachman Ash disse à Agência Reuters que “o surto de ômicron pode levar Israel à imunidade de rebanho“. Ash entende que elevação no número de casos é normal e esperada, e prevê que seu país tenha o número de infecções multiplicado nas próximas três semanas por conta da nova cepa.

Mesmo com um vírus mais benigno – esta é quase uma unanimidade – as consequências ainda poderiam ser relevantes por poder o aumento no número de casos, automaticamente, desencadear um incremento do número de doentes hospitalizados.

“Ainda tenho esperança de que o vírus acabe por se assemelhar mais aos outros coronavírus da gripe – talvez no próximo ano ou nos próximos dois – repetindo as vacinas e mantendo o uso da máscara e o distanciamento social para os mais vulneráveis, como fazemos para a gripe todos os anos”, declarou recentemente o virologista Julian Tang, professor da Universidade de Leicester na Inglaterra.

“Se queremos começar a aprender as lições do passado recente desta pandemia, recordemo-nos de que ela é amplamente imprevisível”, diz, mais cauteloso, o epidemiologista francês Antoine Flahault, citado pela agência noticiosa francesa AFP. Para ele, o conceito de imunidade coletiva é “puramente teórico”: “Parece que a imunidade vacinal protege eficazmente contra as formas graves da doença, mas também não protege todos os vacinados”.

Mas, para o profissional, “a imunidade adquirida naturalmente, por antecedentes de infeção pelo coronavírus, parece também conferir uma forma de proteção, em particular contra as formas graves [da doença], mas nada disso é totalmente claro”, acrescentou o epidemiologista.

FONTE: Diário do Rio

15 de setembro de 2021

SETE DORES DE NOSSA SENHORA

1ª Dor: Maria acolhe, com fé, a profecia de Simeão.

Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda quanto de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. (Lc 2,34-35).

2ª Dor: Maria foge para o Egito com Jesus e José.

O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. (Mt 2,13-14).

3ª Dor: Maria procura Jesus perdido em Jerusalém.

Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a pro­curá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. (Lc 2,43b-45).

4ª Dor: Maria encontra-se com Jesus no caminho do Calvário.

Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. (Lc 23,26-27).

5ª Dor: Maria permanece junto à cruz do seu Filho.

Junto a cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. (Jo 19,25-27a).

6ª Dor: Maria recebe nos braços o Corpo de Jesus deposto da cruz.

Era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, e já caíra a tarde. José de Arimatéia, cheio de coragem, veio a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos entregou o corpo a José. José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e o envolveu no lençol. (cf Mc 15,42-45).

7ª Dor: Maria leva ao sepulcro o Corpo de Jesus à espera da ressurreição.

Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Foi ali que colocaram Jesus. (cf Jo 19,40-42a).


Textos bíblicos cfe. Liturgia Diária da CNBB
Imagem: https://www.elo7.com.br/boton-nossa-senhora-das-dores/dp/12C753B

21 de julho de 2021

Rito de bênção e imposição do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

 


Aprovado pela CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS através do Prot. 1089/96/L. Confirmado no dia 16 Julho de 1996.

Sede da Congregação.
+ Geraldo M. Agnelo
Arcebispo Secretário

Introdução

1. A bênção e imposição do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo sejam feitas, de preferência, durante uma celebração comunitária.

2. A imposição comporta a agregação à família carmelita. Têm a faculdade de benzer o Escapulário os sacerdotes e os diáconos; além disso, outras pessoas autorizadas podem também fazer a sua imposição.

3. Para a bênção e imposição deve ser usado o Escapulário do Carmo na sua forma tradicional. Só depois pode ser substituído por uma medalha apropriada.

4. A bênção e a imposição fazem-se conforme os ritos e orações, que vêm a seguir. A forma comum consiste nos ritos iniciais, na leitura da Palavra de Deus com as preces comunitárias, na oração para benzer e impor o Escapulário e nos ritos finais. Exprime-se assim, de maneira completa, o sentido do Escapulário na vida dos fiéis, que o recebem.

5. É necessário que numa e noutra fórmula fique bem expresso o sentido espiritual das graças anexas ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, assim como os compromissos que se assumem ao receber este sinal de devoção à Virgem Santíssima.


Ritos iniciais

6. Reunidos os fiéis diante do altar-mor ou de uma imagem de Nossa Senhora, o ministro acolhe os fiéis. Pode cantar-se um cântico adequado ou fazer-se um momento de silêncio.

Terminado o cântico ou o silêncio o ministro diz:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R. Amém.

Ministro: O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

Ou:

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, o amor de Deus, nosso Pai, e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

R. Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

7. O ministro exorta os presentes a participar no rito, explicando a natureza da celebração com estas ou outras palavras semelhantes:

Durante a vida terrena de Jesus, quem tocasse, ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto, era curado. Hoje nós louvamos o Senhor porque continua a usar na Sua Igreja dos meios mais humildes para mostrar-nos a Sua imensa misericórdia. Nós também podemos servir‑nos destes meios humildes para glorificarmos o Senhor, manifestarmos o nosso desejo de O servir e renovarmos o nosso compromisso de fidelidade, assumido no dia da nossa consagração batismal.

O Escapulário do Carmo é um sinal do amor materno da Virgem Maria, que nos recorda as suas iniciativas em favor dos membros da família carmelita, particularmente nas horas de maior necessidade. É um amor que pede uma resposta de amor. O Escapulário é também sinal de comunhão com a Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, que se dedica ao serviço de Nossa Senhora para o bem de toda a Igreja. Ao recebê-lo, vós exprimis o desejo de participar no espírito e na vida da Ordem.

O Escapulário é um espelho da humildade e da castidade de Maria; pela sua simplicidade ele nos convida a vivermos com modéstia e com pureza. Vestindo-o dia e noite, torna‑se um sinal da nossa oração contínua e de particular dedicação ao amor e ao serviço da Virgem Maria.

Usando o Escapulário, renovais o compromisso batismal de vos revestirdes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em Maria estará garantida a vossa esperança de salvação, pois o Deus da Vida estabeleceu nela a Sua morada.

Leitura da Palavra de Deus

8. Um dos presentes, ou o próprio celebrante, proclama um texto da Sagrada Escritura, selecionado principalmente entre os que no Lecionário fazem referência ao mistério da salvação ou a Nossa Senhora. Pode‑se escolher a leitura seguinte ou uma outra do Apêndice.

Fortalecei-vos no Senhor – Ef 6, 10-17

Da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios.

Irmãos:
Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para poderdes resistir às ciladas do demônio. Porque nós não temos de lutar contra adversários de carne e osso, mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos do mal que habitam as regiões celestes. Portanto, irmãos, tomai a armadura de Deus, para poderdes resistir no dia mau e perseverar firmes, superando todas as provas. Permanecei bem firmes, de rins cingidos com o cinturão da verdade, revestidos com a couraça da justiça, de pés calçados com o zelo de anunciar o Evangelho da paz. Tende sempre nas mãos o escudo da fé, com o qual podereis apagar as setas inflamadas do maligno. Tomai o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.


Outras leituras

Antigo Testamento:
Prov 8, 17‑21 – Eu amo aqueles que me amam.
Is 61, 10‑11 – Envolveu‑me num manto de justiça.
2 Re 2, 1.7‑13 – O manto de Elias caiu sobre Eliseu.
Bar 5, 1‑5 – Revesti‑vos da beleza de Deus.
Ez 16, 8‑14 – A tua formosura era perfeita.

Novo Testamento:
Mc 5, 25-34 – A mulher tocou nas vestes de Jesus e ficou curada.
Lc 2, 4‑7 – Maria envolveu o Menino em panos.
Rom 12, 1‑2- O culto espiritual.
Gal 4, 4-7 – Deus enviou o seu Filho nascido de uma mulher.
Ef 4, 17.20‑24 – Revesti-vos do homem novo.


9. Terminada a leitura, o ministro exorta os presentes explicando, à luz da palavra de Deus, o sentido da celebração, as graças e os compromissos que derivam do Escapulário.

Segue-se um momento de silêncio.

Preces

10. Segue-se um tempo de oração em comum. Propõem‑se algumas intenções. Podem‑se escolher as mais apropriadas ou acrescentar outras.

Ministro: Caríssimos irmãos e irmãs. Pela intercessão da Virgem Santa Maria, em cujo seio encarnou o Filho de Deus e habitou entre nós, supliquemos ao Pai do Céu a graça de sermos testemunhas do Evangelho com as nossas obras, e rezemos:

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que quisestes que o vosso Filho assumisse a nossa natureza humana para nos fazer participantes da vossa vida divina,
— pela intercessão da Virgem Maria, discípula perfeita do Senhor, fazei que nos revistamos interiormente da vossa graça.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que quisestes que o vosso Filho se fizesse semelhante a nós em tudo, excepto no pecado, para que, seguindo os seus passos, nos configuremos com Ele,
— pela intercessão da Virgem Maria, fazei que imitemos a Cristo e sejamos por meio das nossas obras uma oferenda agradável diante de Vós.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que nos convidais para o banquete da graça, revestidos com a veste nupcial, para nos revelardes o vosso amor,
— pela intercessão da Mãe do vosso Filho, fazei que nos revistamos com as virtudes do seu amor generoso e do seu serviço amoroso.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que quiseste que a Virgem Maria esmagasse a cabeça da serpente,
— por sua intercessão, ajudai-nos a vencer as ciladas do maligno na nossa vida e no mundo.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que escolhestes a Virgem Maria como Filha da Nova Aliança,
— por sua intercessão, purificai os nossos corações e fortalecei a nossa fé.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que olhastes para a humildade da vossa serva para que proclamasse a vossa grandeza,
— por sua intercessão, fazei que anunciemos o vosso reino e proclamemos a vossa misericórdia de geração em geração.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que destes ao vosso Filho uma mãe que O cuidou amorosamente,
— por sua intercessão, fazei com que amemos os pobres e marginalizados, e com eles construamos um mundo mais justo e mais fraterno.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que nos envolvestes com o manto da justiça e da santidade,
— pela intercessão da Virgem Maria, santificai‑nos em Cristo e fazei‑nos cooperadores generosos na obra da salvação do mundo.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Pai Santo, que nos abençoastes em Cristo com toda a espécie de bênçãos espirituais e celestiais;
— pela intercessão da Virgem Maria, concedei-nos uma feliz passagem da morte para a vida eterna.

R. Concedei‑nos, Senhor, que sejamos revestidos de Jesus Cristo.

Oração de bênção

11. O ministro, com as mãos estendidas, diz:

Senhor nosso Deus, autor da santidade e seu aperfeiçoador, que chamais à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade os que fizestes renascer da água e do Espírito Santo, olhai com benevolência para estes vossos servos que receberam com devoção o Escapulário do Carmo e vão usar diligentemente como sinal de consagração a Nossa Senhora do Carmo. Fazei que sejam imagem de Cristo, vosso Filho, e, terminada a sua passagem por esta vida, com a ajuda da Virgem Mãe de Deus, sejam admitidos na alegria da vossa morada celeste. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Faz-se a aspersão com água benta.

Imposição do Escapulário

12. O ministro impõe o Escapulário aos candidatos, dizendo:

Recebe este Escapulário, (por meio do qual és admitido na família carmelita), e confia no amor de tão grande Mãe. Comporta-te de tal maneira que, com a ajuda da Santíssima Virgem, te revistas cada vez mais de Cristo e a sua vida se manifeste na tua para glória da Santíssima Trindade e para o bem da Igreja e dos homens.
R. Amém.

13. Conforme as circunstâncias, o ministro pode dizer em voz alta a fórmula da imposição uma só vez por todas. Todos juntos respondem amém e aproximam-se para receberem o Escapulário.

14. Terminada a imposição, o ministro dirige a todos estas palavras:


Pela bênção e imposição deste Escapulário vós fostes admitidos na família carmelita, dedicada à imitação e ao serviço da Virgem Mãe de Deus, para que possais servir com maior dedicação a Cristo e à sua Igreja, com o mesmo espírito contemplativo e apostólico da Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Para que o consigais com maior perfeição, eu, pelo poder que me foi concedido, admito-vos a participar nos bens espirituais da mesma Ordem do Carmo.

15. O ministro explica aos fiéis os compromissos e as obrigações inerentes à admissão na família do Carmelo.

Condições ou compromissos para quem recebe o escapulário.

Quem se reveste deste sinal mariano deve adotar algumas atitudes fundamentais:


1. Colocar a Deus em primeiro lugar na sua vida e buscar sempre realizar a vontade d’Ele.

2. Esforçar-se seriamente para viver em estado de graça e confessar-se sempre que tiver caído em pecado.

3. Viver de modo especial a virtude da pureza, guardando a castidade própria de cada estado de vida.

4. Escutar a Palavra de Deus na Bíblia e praticá-la na vida.

5. Buscar a comunhão com Deus por meio da oração diária, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que nos ama.

6. Abrir-se ao sofrimento do próximo, solidarizando-se com ele em suas necessidades e procurando ajudar a solucioná-las.

7. Receber adequadamente os Sacramentos da Igreja, particularmente a Eucaristia e a Reconciliação.

11 de maio de 2021

Santo Terço - Mistérios Dolorosos

Sinal da Cruz
Creio
Pai Nosso...
Ave Maria... (3 vezes)
Glória...


1º MISTÉRIO DOLOROSO: Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras

Mt 26, 36-39

Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: 'Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!' 37 Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. 38 Então Jesus lhes disse: 'Minha alma está triste até á morte. Ficai aqui e vigiai comigo!' 39 Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: 'Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres.'

Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...


2º MISTÉRIO DOLOROSO: Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo

Mt 27, 26: Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.

Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...


3º MISTÉRIO DOLOROSO: Coroação de espinhos de Nosso Senhor

Mt 27, 27-29

27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: “Salve, rei dos judeus!”

Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...


 4º MISTÉRIO DOLOROSO: Nosso Senhor carrega a Cruz até o alto do Calvário

Marcos 15,21-22

21Os soldados obrigaram certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”.

Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...


5º MISTÉRIO DOLOROSO: Crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo

Lucas 23, 33-46

«Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem"... Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. Jesus deu então um grande brado e disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E, dizendo isso, expirou».

Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...

Salve Rainha

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ladainha de Nossa Senhora

Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)
Jesus Cristo, tende piedade de nós. (Repete-se)
Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)
Jesus Cristo, ouvi-nos. (Repete-se)
Jesus Cristo, atendei-nos. (Repete-se)
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.
Mãe de Jesus Cristo, rogai por nós.
Mãe da divina graça, rogai por nós.
Mãe puríssima, rogai por nós.
Mãe castíssima, rogai por nós.
Mãe imaculada, rogai por nós.
Mãe intacta, rogai por nós.
Mãe amável, rogai por nós.
Mãe admirável, rogai por nós.
Mãe do bom conselho, rogai por nós.
Mãe do Criador, rogai por nós.
Mãe do Salvador, rogai por nós.
Mãe da Igreja, rogai por nós.
Virgem prudentíssima, rogai por nós.
Virgem venerável, rogai por nós.
Virgem louvável, rogai por nós.
Virgem poderosa, rogai por nós.
Virgem clemente, rogai por nós.
Virgem fiel, rogai por nós.
Espelho de justiça, rogai por nós.
Sede de sabedoria, rogai por nós.
Causa da nossa alegria, rogai por nós.
Vaso espiritual, rogai por nós.
Vaso honorífico, rogai por nós.
Vaso insigne de devoção, rogai por nós.
Rosa mística, rogai por nós.
Torre de David, rogai por nós.
Torre de marfim, rogai por nós.
Casa de ouro, rogai por nós.
Arca da aliança, rogai por nós.
Porta do céu, rogai por nós.
Estrela da manhã, rogai por nós.
Saúde dos enfermos, rogai por nós.
Refúgio dos pecadores, rogai por nós.
Consoladora dos aflitos, rogai por nós.
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Rainha dos anjos, rogai por nós.
Rainha dos patriarcas, rogai por nós.
Rainha dos profetas, rogai por nós.
Rainha dos apóstolos, rogai por nós.
Rainha dos mártires, rogai por nós.
Rainha dos confessores, rogai por nós.
Rainha das virgens, rogai por nós.
Rainha de todos os santos, rogai por nós.
Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós.
Rainha elevada ao céu em corpo e alma, rogai por nós.
Rainha do sacratíssimo Rosário, rogai por nós.
Rainha da paz, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos

Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

3 de maio de 2021

Santo Terço - Mistérios Gloriosos

Sinal da Cruz
Creio
Pai Nosso...
Ave Maria... (3 vezes)
Glória...


No Primeiro Mistério contemplamos a Ressurreição de Jesus Cristo.

Evangelho (Mt 28,1-8)

Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. De repente, houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas ficaram com tanto medo do anjo, que tremeram, e ficaram como mortos. Então o anjo disse às mulheres: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava. Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis. É o que tenho a dizer-vos”. As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos.


Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...

 


No Segundo Mistério contemplamos a Ascensão de Jesus aos Céus.

Evangelho Mc 16,15-20

Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.


Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...



No Terceiro Mistério contemplamos a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos no Cenáculo.

Evangelho (Jo 14,16-21)

Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.


Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...

 


No Quarto Mistério contemplamos a Assunção de Nossa Senhora aos Céus.

Evangelho (Lc 1,46-48)

Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada.


Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...

 


No Quinto Mistério contemplamos a gloriosa coroação de Maria Santíssima como Rainha do Céu e da Terra.

Apocalipse 12,1

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas.


Pai Nosso...
Ave Maria... (10 vezes)
Glória...


Salve Rainha

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.


Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

 

Ladainha de Nossa Senhora


Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)
Jesus Cristo, tende piedade de nós. (Repete-se)
Senhor, tende piedade de nós. (Repete-se)
Jesus Cristo, ouvi-nos. (Repete-se)
Jesus Cristo, atendei-nos. (Repete-se)
Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.
Mãe de Jesus Cristo, rogai por nós.
Mãe da divina graça, rogai por nós.
Mãe puríssima, rogai por nós.
Mãe castíssima, rogai por nós.
Mãe imaculada, rogai por nós.
Mãe intacta, rogai por nós.
Mãe amável, rogai por nós.
Mãe admirável, rogai por nós.
Mãe do bom conselho, rogai por nós.
Mãe do Criador, rogai por nós.
Mãe do Salvador, rogai por nós.
Mãe da Igreja, rogai por nós.
Virgem prudentíssima, rogai por nós.
Virgem venerável, rogai por nós.
Virgem louvável, rogai por nós.
Virgem poderosa, rogai por nós.
Virgem clemente, rogai por nós.
Virgem fiel, rogai por nós.
Espelho de justiça, rogai por nós.
Sede de sabedoria, rogai por nós.
Causa da nossa alegria, rogai por nós.
Vaso espiritual, rogai por nós.
Vaso honorífico, rogai por nós.
Vaso insigne de devoção, rogai por nós.
Rosa mística, rogai por nós.
Torre de David, rogai por nós.
Torre de marfim, rogai por nós.
Casa de ouro, rogai por nós.
Arca da aliança, rogai por nós.
Porta do céu, rogai por nós.
Estrela da manhã, rogai por nós.
Saúde dos enfermos, rogai por nós.
Refúgio dos pecadores, rogai por nós.
Consoladora dos aflitos, rogai por nós.
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Rainha dos anjos, rogai por nós.
Rainha dos patriarcas, rogai por nós.
Rainha dos profetas, rogai por nós.
Rainha dos apóstolos, rogai por nós.
Rainha dos mártires, rogai por nós.
Rainha dos confessores, rogai por nós.
Rainha das virgens, rogai por nós.
Rainha de todos os santos, rogai por nós.
Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós.
Rainha elevada ao céu em corpo e alma, rogai por nós.
Rainha do sacratíssimo Rosário, rogai por nós.
Rainha da paz, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.

Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor.

Amém.

 

Oração a Maria

«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».

Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.

Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.

Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de Misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.

Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.

Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.

Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.

Assisti os responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com clarividência e espírito de solidariedade.

Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no futuro.

Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.

Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.

Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém.

(Papa Francisco)

Vídeo com a oração presidida pelo Papa:



19 de abril de 2021

Homilia 3º Domingo da Páscoa


Estimados irmãos e irmãs. O tempo pascal que estamos vivendo é um forte apelo a estarmos mais pertos de Cristo ressuscitado. A experiência com o ressuscitado transformou profundamente os apóstolos. O medo deu lugar a coragem; a tristeza, à alegria; as trevas, à luz; o medo, à fé.

Uma das saudações mais repetidas por Jesus, depois da ressurreição, quando aparece aos discípulos é: “A paz esteja convosco!” O Senhor, diz Papa Francisco, “não traz uma paz que, de fora, elimina os problemas, mas uma paz que infunde confiança dentro. Não uma paz exterior, mas a paz do coração”.¹

Uma paz, não apoiada em armas, no desejo de vingança. Mas uma paz que edifica, constrói, transforma, aproxima. Uma paz que faz dos discípulos homens corajosos para anunciar a Boa Nova com entusiasmo, alegria, determinação, ousadia.

Jesus interroga os discípulos: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração?” A mesma pergunta Ele dirige a todos nós hoje: por que andas tão preocupado, angustiado? Quais são as dúvidas que assombram teu coração? “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Esta é a certeza que Jesus nos dá. E esta verdade deve nos entusiasmar e tirar as angústias do nosso coração. Não estamos sozinhos. Ele caminha conosco! Ele é nossa melhor companhia. As preocupações e angústias são frutos das dúvidas que alimentamos. Quantas vezes somos tentados a pensar que o Senhor nos abandonou, principalmente quando pecamos. Ou que andamos sozinhos, na solidão. Isso não é verdade. O Senhor nunca nos deixa só! Ele deu sua vida por nós. Ele nos ama! E o principal: Ele não se cansa de perdoar.

Jesus mostra as suas chagas e diz: “Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede!” O Papa nos exorta: Jesus “apresenta-lhes as chagas. Por aquelas chagas, fomos curados (cf. 1 Pd 2,24; Is 53,5). Mas, como pode uma ferida curar-nos? Com a misericórdia. Naquelas chagas, como Tomé, tocamos com a mão a verdade de Deus que nos ama profundamente, fez suas as nossas feridas, carregou no seu corpo as nossas fragilidades. As chagas são canais abertos entre Ele e nós, que derramam misericórdia sobre as nossas misérias. As chagas são os caminhos que Deus nos patenteou para entrarmos na sua ternura e tocar com a mão quem é Ele. E deixamos de duvidar da sua misericórdia. Adorando, beijando as suas chagas, descobrimos que cada uma das nossas fraquezas é acolhida na sua ternura. Isto acontece em cada Missa, onde Jesus nos oferece o seu Corpo chagado e ressuscitado: tocamo-Lo e Ele toca as nossas vidas. E faz descer a nós o Céu. As suas chagas luminosas rasgam a escuridão que nós trazemos dentro. E nós, como Tomé, encontramos Deus, descobrimo-Lo íntimo e próximo, e, comovidos, dizemos-Lhe: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ (Jo 20, 28). E tudo nasce daqui, da graça de obter misericórdia. Daqui começa o caminho cristão. Se, pelo contrário, nos apoiamos nas nossas capacidades, na eficiência das nossas estruturas e dos nossos projetos, não iremos longe. Só se acolhermos o amor de Deus é que poderemos dar algo de novo ao mundo”.

As chagas de Cristo são as marcas da humanidade sofrida.
Ao mostra-las aos discípulos Jesus faz-se mais uma vez solidário com todos. Carrega nossas fraquezas e as transforma. Por isso, Confiemo-nos a Ele sem medida.

Depois da experiência com o ressuscitado, Jesus nos dá um mandato: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Testemunhas das palavras e ações de Cristo. Testemunhas do seu amor misericordioso, da sua ressurreição que traz vida nova. Somos enviados a testemunhar o amor de Deus e não a mim mesmo.

Neste ano celebramos 60 anos da presença dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil. Estamos concluindo as 60 horas de adoração realizadas por todas as comunidades. Religiosos e leigos unidos em oração. Brotam do coração agradecimentos e súplicas. Gratidão pela Providência que tudo conduz. Súplicas a Nosso Senhor para que nos ajude no caminho de santidade. (pausa)

A santidade não pode ser um adorno, ou uma simples frase repetida inúmeras vezes. Dever ser um compromisso assumido por todos. Nosso santo fundador suplicava: “A extrema necessidade da hora atual é a santidade”. Como são atuais essas palavras.

Seu apelo continua vivo e atual: “o Senhor quer que nos santifiquemos” [...] “Em Jesus bendito, devemos querer e pensar as mesmas coisas, querer a nossa santificação, a busca do reino de Deus, o bem das almas, e pensar naquelas coisas que nos servirão como instrumentos para alcançar o fim principal e supremo da nossa vida sobre a terra”.

Aos seus religiosos ele alertava: “estamos aqui, na Casa do Senhor, só para santificar-nos e buscar o santo Reino de Deus”. Não podemos nos esquecer deste primado.

Santificar-se para santificar, exortava São João Calábria. Indica-nos o caminho a ser percorrido: “Devemos santificar-nos a nós mesmos antes de santificar os outros. Recomendo-lhes a meditação, a visita ao Santíssimo, a leitura espiritual, numa palavra as práticas de piedade, dentre as quais a primeira é a santa Missa, fonte de qualquer outra graça”.

Convencido da grandeza do dom da santidade, disse: “As almas são salvas e santificadas antes de tudo com a nossa santificação pessoal”. Podemos nos perguntar: buscamos a santidade como nosso pai fundador? Acreditamos que este é o caminho seguro para a Obra?

Em todas as nossas atividades, ao acolher cada irmão e irmã, devemos antes de tudo pensar: aí tem uma alma para salvar. Por isso precisamos apresentar Cristo a eles. Para muitos esta será a única oportunidade de ouvir falar de Jesus. Será que não estamos negligenciando isso? Somos, como os santos foram, a presença de Cristo para as pessoas? Aqueles com quem nos encontramos, saem edificados com a nossa presença?

Aproveitemos a oportunidade que Jesus nos dá de realizarmos um sério exame de consciência. A Obra Calabriana precisa manter sempre viva a sua missão geral que “consiste em promover a glória de Deus, tendendo, de coração unânime e com ajuda fraterna e recíproca, a própria santificação, na prática das virtudes cristãs e dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência.” (Const. n. 4).

Já a “missão específica é a busca do Reino de Deus que se concretiza para nós no compromisso de avivar no mundo a fé e confiança em Deus, Pai de todos os homens, através do abandono total na sua Divina Providência, intensamente vivido e claramente testemunhado em todos os acontecimentos pessoais e comunitários e nos eventos históricos do mundo.” (Const. n. 5).

Louvemos a Deus pela presença do Seu carisma inspirado a São João Calábria em terras brasileiras. Celebramos todo o empenho de tantos irmãos e irmãs, consagrados e leigos, que doaram e diariamente doam sua vida para que outros tenham mais vida. Estamos aqui porque o Senhor nos chamou. Estamos aqui para nos santificar e ajudar os outros a trilharem este caminho.

Que a Comunhão: seja uma profecia para nossos tempos, alimentando a esperança de todos. Que os Capítulos Gerais ajudem a refletir sobre a importância da fraternidade em nossos tempos. Comunhão não significa sermos iguais, mas sermos cooperadores. Servimos o mesmo Cristo. Buscamos o mesmo Reino! Vivemos o mesmo carisma. Por isso devemos nos ajudar, sobretudo, como pedia nosso santo fundador, na vida espiritual. A oração nos faz superar barreiras, limitações e a viver no amor de Deus. Que o Senhor nos ajude neste caminho.


Santa Missa concluindo as 60 horas de Adoração pela Obra Calabriana
Feira de Santa, 18/04/2021

Padre Hermes José Novakoski, PSDP.
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¹ Trechos retirados da Homilia do Santo Padre, Papa Francisco, proferida no II Domingo da Páscoa, 11 de abril de 2021. Clique aqui para acessar na íntegra.

3 de abril de 2021

Homilia do Papa Francisco na Vigília Pascal 2021


Homilia pronunciada pelo Papa Francisco neste Sábado Santo, na Basílica de São Pedro.

HOMILIA DO SANTO PADRE
MISSA da VIGÍLIA PASCAL

(Sábado Santo, 3 de abril de 2021)

As mulheres esperavam encontrar o cadáver para o ungir; em vez disso, encontraram um túmulo vazio. Foram chorar um morto; em vez disso, escutaram um anúncio de vida. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres «estavam cheias de medo e maravilha» (Mc 16, 8). Maravilha: neste caso, é uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações, ao verem a grande pedra do túmulo rolada para o lado e, dentro, um jovem de túnica branca. É maravilha pelas palavras escutadas: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou» (16, 6). E depois por este convite: «Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá O vereis» (16, 7). Acolhamos, também nós, este convite, o convite de Páscoa: vamos para a Galileia, onde nos precede o Senhor Ressuscitado. Mas, que significa «ir para a Galileia»?

Ir para a Galileia significa, antes de mais nada, recomeçar. Para os discípulos, é voltar ao lugar onde inicialmente o Senhor os procurou e chamou para O seguirem. É o lugar do primeiro encontro e do primeiro amor. Desde então, deixadas as redes, seguiram Jesus, escutando a sua pregação e assistindo aos prodígios que realizava. E todavia, apesar de estar sempre com Ele, não O compreendiam totalmente, muitas vezes entenderam mal as suas palavras e, à vista da cruz, fugiram deixando-O sozinho. Não obstante este falimento, o Senhor Ressuscitado apresenta-Se como Aquele que os precede uma vez mais na Galileia; precede-os, isto é, está diante deles. Chamara-os para O seguirem, e volta a chamá-los sem nunca Se cansar. O Ressuscitado está a dizer-lhes: «Partamos donde iniciamos. Recomecemos. Quero-vos de novo comigo, não obstante e para além de todos os falimentos». Nesta Galileia, aprendemos a maravilhar-nos com o amor infinito do Senhor, que traça novas sendas nos caminhos das nossas derrotas.

Aqui está o primeiro anúncio de Páscoa que gostava de vos deixar: é possível recomeçar sempre, porque há uma vida nova que Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de fazer reiniciar em nós. Deus pode construir uma obra de arte até a partir dos escombros do nosso coração; a partir mesmo dos pedaços arruinados da nossa humanidade, Deus prepara uma história nova. Ele sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce. E, nestes meses sombrios de pandemia, ouçamos o Senhor ressuscitado que nos convida a recomeçar, a nunca perder a esperança.

Ir para a Galileia significa, em segundo lugar, percorrer caminhos novos. É mover-se na direção oposta ao túmulo. As mulheres procuram Jesus no túmulo, isto é, vão recordar o que viveram com Ele e que, agora, se perdeu para sempre. Vão repassar a sua tristeza. É a imagem duma fé que se tornou comemoração duma coisa linda mas que acabou, apenas para se recordar. Muitos vivem a «fé das recordações», como se Jesus fosse um personagem do passado, um amigo da juventude já distante, um facto sucedido há muito tempo quando, ainda criança, frequentava a catequese. Uma fé feita de hábitos, coisas do passado, belas recordações da infância, uma fé que já não me toca nem interpela. Ao contrário, ir para a Galileia significa aprender que a fé, para estar viva, deve continuar a caminhar. Deve reavivar cada dia o princípio do caminho, a maravilha do primeiro encontro. E depois confiar, sem a presunção de já saber tudo, mas com a humildade de quem se deixa surpreender pelos caminhos de Deus. Vamos para a Galileia descobrir que Deus não pode ser arrumado entre as recordações da infância, mas está vivo, sempre surpreende. Ressuscitado, nunca cessa de nos surpreender.

Aqui está o segundo anúncio de Páscoa: a fé não é um repertório do passado, Jesus não é um personagem ultrapassado. Ele está vivo, aqui e agora. Caminha contigo todos os dias, na situação que estás a viver, na provação que estás a atravessar, nos sonhos que trazes dentro de ti. Abre novos caminhos onde te parece que não existem, impele-te a ir contracorrente relativamente a nostalgias e ao «já visto». Mesmo que tudo te pareça perdido, abre-te maravilhado à sua novidade: surpreender-te-á.

Ir para a Galileia significa, além disso, ir aos confins. Porque a Galileia é o lugar mais distante: naquela região composta e diversificada, moram aqueles que estão mais longe da pureza ritual de Jerusalém. E todavia Jesus começou de lá a sua missão, dirigindo o anúncio a quem carrega fadigosamente a vida diária, aos excluídos, aos frágeis, aos pobres, para ser rosto e presença de Deus que incansavelmente vai à procura de quem está desanimado ou perdido, que Se move até aos confins da existência porque, a seus olhos, ninguém é último, ninguém está excluído. E hoje também é lá que o Ressuscitado pede aos seus para irem. É o lugar da vida diária, são os caminhos que percorremos todos os dias, são os recantos das nossas cidades onde o Senhor nos precede e Se torna presente, precisamente na vida de quem se encontra ao nosso lado e partilha conosco o tempo, a casa, o trabalho, as fadigas e as esperanças. Na Galileia, aprendemos que é possível encontrar o Ressuscitado no rosto dos irmãos, no entusiasmo de quem sonha e na resignação de quem está desanimado, nos sorrisos de quem exulta e nas lágrimas de quem sofre, sobretudo nos pobres e em quem é marginalizado. Ficaremos maravilhados ao ver como a grandeza de Deus se revela na pequenez, como a sua beleza resplandece nos simples e nos pobres.

E assim temos o terceiro anúncio de Páscoa: Jesus, o Ressuscitado, ama-nos sem fronteiras e visita todas as situações da nossa vida. Ele plantou a sua presença no coração do mundo e convida-nos também a nós a superar as barreiras, vencer os preconceitos, aproximar-nos de quem está ao nosso lado dia a dia, para redescobrir a graça da quotidianidade. Reconheçamo-Lo presente nas nossas «galileias», na vida de todos os dias. Com Ele, a vida mudará. Porque, para além de todas as derrotas, do mal e da violência, para além de todo sofrimento e para além da morte, o Ressuscitado vive e guia a história.

Irmão, irmã, se nesta noite tens no coração uma hora escura, um dia que ainda não raiou, uma luz sepultada, um sonho despedaçado, abre o coração maravilhado ao anúncio da Páscoa: «Não tenhas medo, ressuscitou! Espera-te na Galileia». Os teus anseios serão realizados, as tuas lágrimas serão enxugadas, os teus medos serão vencidos pela esperança. Porque o Senhor te precede, caminha à tua frente. E, com Ele, a vida recomeça.

25 de março de 2021

História de fé: O Terço e a verdureira


Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança, vendia alface, cebolinha, cheiro verde etc. … certo dia, tia Teca, conhecida por toda vizinhança, foi vender suas verduras na casa de um pastor e perdeu o terço no jardim da casa dele. Passado alguns dias, tia Teca voltou novamente à casa do pastor. Este veio logo zombar dela, ele dizia :

- “Você perdeu o seu Deus?”

Ela humildemente respondeu: – “Eu, perder o meu Deus, nunca!”

Então ele pegou o terço e disse: – “Não é este o seu Deus?”

Ela disse: – “Graças a Deus o senhor encontrou o meu terço, muito obrigado.”

Ele disse: – “Porque você não troca este cordão com estas sementinhas pela bíblia?”

Ela disse: - “Por que a bíblia eu não sei ler, e com o terço eu medito todas as palavras de Deus no meu coração.”

Ele perguntou: – “Medita as palavras de Deus? Como assim? Poderia me dizer?”

Posso sim, respondeu ela pegando o terço:
“- Quando eu pego na cruz, lembro-me que o Filho de Deus derramou todo o Seu sangue pregado numa cruz para salvar a humanidade.

Esta primeira conta grossa me lembra que há um só Deus Onipotente.

Estas três contas pequenas me lembram as três pessoas da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espirito Santo.

Esta outra conta grossa me faz lembrar a oração que o Senhor mesmo nos ensinou, que é o Pai Nosso.

O terço tem cinco mistérios que fazem as cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo cravado na cruz, e cada mistério tem dez ave-marias, que me fazem lembrar os dez mandamentos que o Senhor mesmo escreveu nas tábuas de Moisés.

O Rosário de Nossa Senhora tem vinte mistérios, que são: Cinco gozosos, Cinco Luminosos, Cinco dolorosos e Cinco gloriosos.

De manhã quando me levanto para iniciar a minha luta do dia, eu rezo os mistérios gozosos, lembro-me do humilde lar de Maria em Nazaré.

No meio do dia, no meu cansaço e fadiga do trabalho eu rezo os mistérios dolorosos, que me lembram a dura caminhada de Jesus Cristo para o Calvário.
À tarde rezo os mistérios luminosos, lembrando dos momentos importantes da vida de Jesus, que Ele também trabalhou para que o Reinado de Deus se espalhasse.

Quando chega o fim do dia com todas as lutas vencidas eu rezo os mistérios gloriosos, que fazem lembrar que Jesus venceu a morte para nos dar a salvação e a toda humanidade.

E agora diga-me onde está a idolatria?”

Ele, depois de ouvir tudo isso, disse:
- “Eu não sabia disso, ensina-me a rezar o terço!”

19 de março de 2021

Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração Pelas Vocações


Mensagem do Papa Francisco para o 58º Dia Mundial de Oração Pelas Vocações
[25 de abril de 2021 - IV Domingo da Páscoa]

«São José: o sonho da vocação»

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 8 de dezembro passado, teve início o Ano especial dedicado a São José, por ocasião do 150º aniversário da declaração dele como Padroeiro da Igreja universal (cf. Decreto da Penitenciaria Apostólica, 8 de dezembro de 2020). Da parte minha, escrevi a carta apostólica Patris corde, com o objetivo de «aumentar o amor por este grande Santo» (concl.). Trata-se realmente duma figura extraordinária e, ao mesmo tempo, «tão próxima da condição humana de cada um de nós» (introd.). São José não sobressaía, não estava dotado de particulares carismas, não se apresentava especial aos olhos de quem se cruzava com ele. Não era famoso, nem se fazia notar: dele, os Evangelhos não transcrevem uma palavra sequer. Contudo, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus.

Deus vê o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e, em São José, reconheceu um coração de pai, capaz de dar e gerar vida no dia a dia. É isto mesmo que as vocações tendem a fazer: gerar e regenerar vidas todos os dias. O Senhor deseja moldar corações de pais, corações de mães: corações abertos, capazes de grandes ímpetos, generosos na doação, compassivos para consolar as angústias e firmes para fortalecer as esperanças. Disto mesmo têm necessidade o sacerdócio e a vida consagrada, particularmente nos dias de hoje, nestes tempos marcados por fragilidades e tribulações devidas também à pandemia que tem suscitado incertezas e medos sobre o futuro e o próprio sentido da vida. São José vem em nossa ajuda com a sua mansidão, como Santo ao pé da porta; simultaneamente pode, com o seu forte testemunho, guiar-nos no caminho.

A vida de São José sugere-nos três palavras-chave para a vocação de cada um. A primeira é sonho. Todos sonham realizar-se na vida. E é justo nutrir aspirações grandes, expectativas altas, que objetivos efémeros como o sucesso, a riqueza e a diversão não conseguem satisfazer. Realmente, se pedíssemos às pessoas para traduzirem numa só palavra o sonho da sua vida, não seria difícil imaginar a resposta: «amor». É o amor que dá sentido à vida, porque revela o seu mistério. Pois só se tem a vida que se dá, só se possui de verdade a vida que se doa plenamente. A este propósito, muito nos tem a dizer São José, pois, através dos sonhos que Deus lhe inspirou, fez da sua existência um dom.

Os Evangelhos falam de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Apesar de serem chamadas divinas, não eram fáceis de acolher. Depois de cada um dos sonhos, José teve de alterar os seus planos e entrar em jogo para executar os misteriosos projetos de Deus, sacrificando os próprios. Confiou plenamente. Podemos perguntar-nos: «Que era um sonho noturno, para o seguir com tanta confiança?» Por mais atenção que se lhe pudesse prestar na antiguidade, valia sempre muito pouco quando comparado com a realidade concreta da vida. Todavia São José deixou-se guiar decididamente pelos sonhos. Porquê? Porque o seu coração estava orientado para Deus, estava já predisposto para Ele. Para o seu vigilante «ouvido interior» era suficiente um pequeno sinal para reconhecer a voz divina. O mesmo se passa com a nossa vocação: Deus não gosta de Se revelar de forma espetacular, forçando a nossa liberdade. Transmite-nos os seus projetos com mansidão; não nos ofusca com visões esplendorosas, mas dirige-Se delicadamente à nossa interioridade, entrando no nosso íntimo e falando-nos através dos nossos pensamentos e sentimentos. E assim nos propõe, como fez com São José, metas elevadas e surpreendentes.

Na realidade, os sonhos introduziram José em aventuras que nunca teria imaginado. O primeiro perturbou o seu noivado, mas tornou-o pai do Messias; o segundo fê-lo fugir para o Egito, mas salvou a vida da sua família. Depois do terceiro, que ordenava o regresso à pátria, vem o quarto que o levou a mudar os planos, fazendo-o seguir para Nazaré, onde precisamente Jesus havia de começar o anúncio do Reino de Deus. Por conseguinte, em todos estes transtornos, revelou-se vitoriosa a coragem de seguir a vontade de Deus. Assim acontece na vocação: a chamada divina impele sempre a sair, a dar-se, a ir mais além. Não há fé sem risco. Só abandonando-se confiadamente à graça, deixando de lado os próprios programas e comodidades, é que se diz verdadeiramente «sim» a Deus. E cada «sim» produz fruto, porque adere a um desígnio maior, do qual entrevemos apenas alguns detalhes, mas que o Artista divino conhece e desenvolve para fazer de cada vida uma obra-prima. Neste sentido, São José constitui um ícone exemplar do acolhimento dos projetos de Deus. Trata-se, porém, de um acolhimento ativo, nunca de abdicação nem capitulação; ele «não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte» (Carta ap. Patris corde, 4). Que ele ajude a todos, sobretudo aos jovens em discernimento, a realizar os sonhos que Deus tem para cada um; inspire a corajosa intrepidez de dizer «sim» ao Senhor, que sempre surpreende e nunca desilude!

Uma segunda palavra marca o itinerário de São José e da vocação: serviço. Dos Evangelhos, resulta como ele viveu em tudo para os outros e nunca para si mesmo. O Povo santo de Deus chama-lhe castíssimo esposo, desvendando assim a sua capacidade de amar sem nada reservar para si próprio. Libertando o amor de qualquer posse, abriu-se realmente a um serviço ainda mais fecundo: o seu cuidado amoroso atravessou as gerações, a sua custódia solícita tornou-o patrono da Igreja. Ele que soube encarnar o sentido oblativo da vida, é também patrono da boa-morte. Contudo o seu serviço e os seus sacrifícios só foram possíveis, porque sustentados por um amor maior: «Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício. Mesmo no sacerdócio e na vida consagrada, requer-se este género de maturidade. Quando uma vocação matrimonial, celibatária ou virginal não chega à maturação do dom de si mesmo, detendo-se apenas na lógica do sacrifício, então, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustração» (Ibid., 7).

O serviço, expressão concreta do dom de si mesmo, não foi para São José apenas um alto ideal, mas tornou-se regra da vida diária. Empenhou-se para encontrar e adaptar um alojamento onde Jesus pudesse nascer; prodigalizou-se para O defender da fúria de Herodes, apressando-se a organizar a viagem para o Egito; voltou rapidamente a Jerusalém à procura de Jesus que tinham perdido; sustentou a família trabalhando, mesmo em terra estrangeira. Em resumo, adaptou-se às várias circunstâncias com a atitude de quem não desanima se a vida não lhe corre como queria: com a disponibilidade de quem vive para servir. Com este espírito, José empreendeu as viagens numerosas e muitas vezes imprevistas da vida: de Nazaré a Belém para o recenseamento, em seguida para Egito, depois para Nazaré e, anualmente, a Jerusalém, sempre pronto a enfrentar novas circunstâncias, sem se lamentar do que sucedia, mas disponível para dar uma mão a fim de reajustar as situações. Pode-se dizer que foi a mão estendida do Pai Celeste para o seu Filho na terra. Assim não pode deixar de ser modelo para todas as vocações, que a isto mesmo são chamadas: ser as mãos operosas do Pai em prol dos seus filhos e filhas.

Por isso gosto de pensar em São José, guardião de Jesus e da Igreja, como guardião das vocações. Com efeito, da própria disponibilidade em servir, deriva o seu cuidado em guardar. «Levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe» (Mt 2, 14): refere o Evangelho, indicando a sua disponibilidade e dedicação à família. Não perdeu tempo a cismar sobre o que estava errado, para não o subtrair a quem lhe estava confiado. Este cuidado atento e solícito é o sinal duma vocação realizada. É o testemunho duma vida tocada pelo amor de Deus. Que belo exemplo de vida cristã oferecemos quando não seguimos obstinadamente as nossas ambições nem nos deixamos paralisar pelas nossas nostalgias, mas cuidamos de quanto nos confia o Senhor, por meio da Igreja! Então Deus derrama o seu Espírito, a sua criatividade sobre nós; e realiza maravilhas, como em José.

Além da chamada de Deus – que realiza os nossos sonhos maiores – e da nossa resposta – que se concretiza no serviço pronto e no cuidado carinhoso –, há um terceiro aspeto que atravessa a vida de São José e a vocação cristã, cadenciando o seu dia a dia: a fidelidade. José é o «homem justo» (Mt 1, 19) que, no trabalho silencioso de cada dia, persevera na adesão a Deus e aos seus desígnios. Num momento particularmente difícil, detém-se «a pensar» em tudo (cf. Mt 1, 20). Medita, pondera: não se deixa dominar pela pressa, não cede à tentação de tomar decisões precipitadas, não segue o instinto nem se cinge àquele instante. Tudo repassa com paciência. Sabe que a existência se constrói apenas sobre uma contínua adesão às grandes opções. Isto corresponde à laboriosidade calma e constante com que desempenhou a profissão humilde de carpinteiro (cf. Mt 13, 55), pela qual inspirou, não as crónicas da época, mas a vida quotidiana de cada pai, cada trabalhador, cada cristão ao longo dos séculos. Porque a vocação, como a vida, só amadurece através da fidelidade de cada dia.

Como se alimenta esta fidelidade? À luz da fidelidade de Deus. As primeiras palavras recebidas em sonho por São José foram o convite a não ter medo, porque Deus é fiel às suas promessas: «José, filho de David, não temas» (Mt 1, 20). Não temas: são estas as palavras que o Senhor dirige também a ti, querida irmã, e a ti, querido irmão, quando, por entre incertezas e hesitações, sentes como inadiável o desejo de Lhe doar a vida. São as palavras que te repete quando no lugar onde estás, talvez no meio de dificuldades e incompreensões, te esforças por seguir diariamente a sua vontade. São as palavras que descobres quando, ao longo do itinerário da chamada, retornas ao primeiro amor. São as palavras que, como um refrão, acompanham quem diz sim a Deus com a vida como São José: na fidelidade de cada dia.

Esta fidelidade é o segredo da alegria. Como diz um hino litúrgico, na casa de Nazaré reinava «uma alegria cristalina». Era a alegria diária e transparente da simplicidade, a alegria que sente quem guarda o que conta: a proximidade fiel a Deus e ao próximo. Como seria belo se a mesma atmosfera simples e radiosa, sóbria e esperançosa, permeasse os nossos seminários, os nossos institutos religiosos, as nossas residências paroquiais! É a alegria que vos desejo a vós, irmãos e irmãs que generosamente fizestes de Deus o sonho da vida, para O servir nos irmãos e irmãs que vos estão confiados, através duma fidelidade que em si mesma já é testemunho, numa época marcada por escolhas passageiras e emoções que desaparecem sem gerar a alegria. São José, guardião das vocações, vos acompanhe com coração de pai!

Roma, São João de Latrão, 19 de março de 2021, Solenidade de São José

Francisco


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