21 de agosto de 2019

ENTRAI PELA PORTA ESTREITA

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no 21º Domingo do Tempo Comum e neste último Domingo do mês Vocacional a Igreja no Brasil reflete sobre a missão do Cristão Leigo. Quem são os Leigos? São homens e mulheres que vivem o ser cristão com determinação e amor na família, no trabalho, na comunidade. São a presença de Deus onde atuam. Iluminados pela Palavra de Deus jamais deveriam se deixar-se corromper por qualquer coisa. Não aceitam suborno, tratam bem seus colegas e empregados. Educam com retidão os filhos que Deus lhes confia. Como filhos e filhas de Deus manifestam os valores do Evangelho com determinação e empenho. Colaboram na construção do Reino de Deus instruídos pela Igreja de Cristo para terem a garantia de estar no caminho certo.

Diante do ideal exposto, vemos como é grande e bela a missão do Leigo. Estes devem desejar e buscar a santidade em tudo o que fazem. Viver com empenho os mandamentos para que o inimigo não perverta seu coração.

Jesus Cristo veio a este mundo para nos salvar e deixou bem claro que para chegar lá precisamos ter uma vida de acordo com o que Ele ensinou. Alguém preocupado com isso perguntou a Jesus: “‘Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?’ Jesus respondeu: ‘Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita’” (Lc 13,23-24).

Jesus não respondeu se são poucos ou muitos. Incentivou para que eles e todos nós hoje, fizéssemos o esforço para viver coerentemente a nossa vida baseada na fé. Mas Ele alerta que a porta é estreita, complementa: “Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!” (Lc 13,27). A prática da justiça de Deus é a garantia de poder passar pela porta estreita.

Mas o que significa justiça? Como viver a justiça? Vamos buscar a origem desta palavra: “A palavra ‘justiça’ é derivada do Latim, JUSTITIA, que significa ‘direito, administração legal’. Esta palavra latina, por sua vez é originária de JUSTUS, ‘justo’, que tem a origem em JUS, cujo o significado é ‘correto, lei’”. (Gramática.net). Praticar a justiça divina é viver de acordo com a Lei do Senhor, ou seja, os seus mandamentos. Para isso precisamos conhecer o que o Senhor nos ensina através da sua Palavra e da Igreja.

Vivemos em um tempo da história em que muitos ignoram a Lei de Deus. Por isso vemos crescer tanto a violência, o desrespeito com a vida, a corrupção, a ganância, a tibieza espiritual, enfim, a morte de tantos inocentes. Alguns tentam justificar tudo isso usando inclusive a Palavra de Deus.

Por isso é importante estarmos atentos a tudo o que a Igreja nos ensina, pois é a garantia que temos de não errar. Mas por que temos que obedecer a Igreja? Porque foi a ela que Jesus deu o poder de interpretar corretamente as coisas e guiar a humanidade para Deus. Vemos isso ao longo da história. Continuam sendo verdadeiros os valores que a Igreja defende porque estão fundamentados na Palavra de Deus que nunca passa. Palavra essa que deve ser lida e compreendida em seu contexto para evitar interpretações arbitrárias.

As palavras da Carta aos Hebreus nos mostram o quanto precisamos acolher com humildade as instruções que o Senhor nos dá. Ele, como bom Pai nos adverte quando não estamos caminhando de acordo com o que Ele quer. “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho”. (Hb 12,5-6).

Quando a Igreja nos corrige é porque nos ama e percebe que não estamos nos caminhos de Deus. Infelizmente muitos se afastam quando escutam certas verdades. Parece que queremos uma religião que não interfira na vida social e pessoal, mas apenas que nos ajude na caminhada espiritual. Porém, não podemos esquecer que a fé é um compromisso que assumimos com o Senhor e toda a sua Igreja. Um compromisso que deve nos fazer pessoas melhores. Ser batizado, ir a Igreja nos compromete com a justiça. Do contrário, recairá sobre nós as palavras de Jesus, citadas acima: “Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!” (Lc 13,27).

Rezemos neste final de semana e sempre pelos leigos para que sejam fortalecidos em sua missão. Para que seus corações não sejam corrompidos. Manifestem no mundo a verdade do Evangelho buscando e desenvolvendo da justiça.

Abençoado Domingo!
Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

16 de agosto de 2019

E POR FALAR EM FAMÍLIA…

Família é uma temática que nunca se esgota. Deparamo-nos com questões sempre novas que atingem em cheio esta instituição querida por Deus. Cabe a família saber dialogar com as diferenças e com os desafios que a permeiam.

Em seu vídeo mensagem mensal o Papa Francisco escolheu a temática da família para o mês de agosto. Acompanhemos seu apelo:

“Que mundo queremos deixar para o futuro? Deixemos um mundo com famílias. Cuidemos das famílias, porque são verdadeiras escolas do amanhã. Rezemos pelas famílias para que graças a uma vida de amor se tornem cada vez mais laboratórios de humanização”

Um mundo com famílias saudáveis é a garantia do cuidado e da educação das futuras gerações. Crianças não deveriam ser educadas em orfanatos, abrigos, casas lares por melhor que eles sejam. Muito menos negociadas como se fossem mercadoria.

Pais não podem ser substituídos, trocados, pois não são descartáveis. Crianças não devem ficar em ambientes vulneráveis aprendendo coisas que não as ajudarão a serem pessoas melhores.

É na família que se deve aprender a rezar. Muitas famílias abandonaram a oração. Pensam que não é necessário rezar, que é perda de tempo. Algumas delegam a catequese. Mas esta é missão da família. “Família que reza unida, permanece unida” disse São João Paulo II. Quando colocamos Deus como centro as dificuldades são superadas com equilíbrio. Saberemos recomeçar quantas vezes for necessário. A oração torna as pessoas mais simples, humildes, capazes de uma relação sadia.

É na família que se deve aprender a amar. A partir da experiência de ser amado pelos pais, a criança consegue amar os outros que estão a sua volta. Um amor livre e responsável, que defende e promove a vida.

É na família que se deve aprender a partilhar. Algumas famílias criam filhos egoístas. Pessoas que não sabem partilhar nada com ninguém. Quartos que parecem um shopping onde ela pode encontrar de tudo. Faz as refeições no quarto como se estivesse em um hotel ou pousada. Não dá satisfação aos pais do que fez e onde vai. Ou ainda, a televisão dita a dinâmica do lar. Jamais deveria-se assistir televisão estando a mesa, pois este é um lugar sagrado onde partilhamos o pão de cada dia e nos encontramos com pessoas, irmãos, filhos, pais. Pessoas que merecem nossa atenção. Não deveríamos forma pessoas egoístas, incapazes de partilhar coisas, pensamentos, opiniões.

É na família que se deve fazer a experiência do diálogo. Quantos filhos não partilham sentimentos e emoções porque os pais não querem ouvir. Pensam que é perda de tempo. Quantas vezes o casal não dialoga sobre a vida, educação dos filhos, alegrias, desafios, sonhos. Quantos pais não encontram quem os escute em seus lares, especialmente quando vão envelhecendo.

É na família que se aprende a perdoar. Quantas famílias destruídas por falta de perdão e humildade. Brigas desnecessárias por não saber e querer perdoar, escutar, gerando feridas que às vezes nem o tempo consegue apagar. A falta de perdão leva a muitas doenças. Enfraquece nossa relação com Deus. Torna as pessoas amargas, infelizes, deprimidas.

É na família que se deve aprender a trabalhar. Muitos pais parecem empregados dos seus filhos. Fazem tudo. Esquecem de ensinar os filhos que eles precisam batalhar na vida pra ser alguém de sucesso. Nem todos poderão fazer sucesso no Youtube. Pequenos trabalhos educam e preparam para o futuro. Os filhos aprendem que as coisas precisam ser conquistadas com mérito. Nem sempre teremos tudo o que queremos. Muitos pais esquecem disso. Pensam que deixar os filhos sem fazer nada é proteger, é amar. Não! Formam pessoas doentes que depois poderão até roubar para ter tudo fácil e rápido, sem muito esforço.

É na família que aprendemos a aprender. Os pais não precisam ter vergonha e nem medo de dizer quando não sabem as coisas. Pior é mentir; usar a desculpa que não quer responder. Admitir que não sabe é sabedoria e exercita a humildade. Ensina as crianças que é bonito reconhecer suas limitações. Vergonhoso é ser orgulhoso e nunca admitir o erro ou a ignorância das coisas.

Sabemos que a vida social reflete a família. Encontramos sempre mais pessoas tristes, amarguradas, angustiadas, agitadas, egocêntricas, fragilizadas. Pessoas que sequer conseguem estabelecer um relacionamento comunitário saudável. Incapazes de dialogar porque sentem-se donas da verdade e detentoras do conhecimento, não admitindo serem questionadas e incapazes de acolher o que o outro diz. Assim nossas comunidades paroquiais, nossas escolas estão se tornando cada vez mais desafiadoras por não conseguirmos tecer relações que constroem em vista do bem comum.

Louvemos as famílias que ainda lutam pelos valores que não tem prazo de validade. Edificam verdadeiros santuários onde o alicerce é o amor, é Deus. Precisam estar vigilantes para não perder aquilo que é o essencial e não abrir mão do bem e do correto só porque outros fazem diferente.

Queremos uma sociedade melhor? Comecemos pelas famílias! Tudo começa em casa.

Abençoa Senhor todas as famílias para que cumpram a sua missão com responsabilidade e seriedade.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

15 de agosto de 2019

BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE

Estimados irmãos e irmãs. A Igreja no Brasil celebra neste 3º Domingo de agosto a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, dogma de fé definido pela Igreja.

Em 1º de novembro de 1950, na constituição apostólica Munificentissimus Deus, o papa Pio XII declarou a Assunção de Maria como um dogma: “Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e em nossa própria autoridade, pronunciamos, declaramos e definimos como sendo um dogma revelado por Deus: que a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, tendo completado o curso de sua vida terrena, foi assumida, corpo e alma, na glória celeste.” (Munificentissimus Deus, 44).

Maria ocupa um lugar especial na história da Salvação. Tudo o que acontece em sua vida, por graça e desígnio divino, é em vista da salvação da humanidade. Ela torna-se uma cooperadora neste projeto de Deus e por isso é exaltada entre todas as criaturas por ser a que melhor viveu aquilo que o Senhor lhe confiou.

Da boca de Isabel brota a primeira bem-aventurança feita por uma pessoa: “Bendita és tu entre as mulheres!” (Lc 1,42). Poderíamos dizer em outras palavras, feliz, abençoada és tu Maria porque foste digna desta grande e incomparável missão: ser a Mãe do Salvador. Foram as primeiras palavras que Maria ouve de sua prima. As primeiras palavras do anjo são semelhantes: “Ave cheia de graça!” (Lc 1,28). Ao dizer que ela era cheia da graça de Deus, queria dizer que nela não havia espaço para o pecado. Por isso também é imaculada.

A Igreja Católica continua louvando a Deus por dar Maria como Mãe e modelo de discípula e missionária. Ela recebe uma grande missão e a cumpre com empenho e fidelidade. Coloca de lado seus projetos pessoais e abraça o que Deus lhe pede. Vai ajudar sua prima Isabel tornando-se assim a missionária que leva Jesus Cristo no ventre e no coração, pois ela é a cheia de graça. Porque foi cheia de Deus, nós continuamos bendizendo Maria como fizeram pela primeira vez o anjo e Isabel.

Nós também somos agraciados por Deus todos os dias. Precisamos viver na graça. Deixar que essa força divina nos guie, modele, oriente. Não somos como Maria que é a cheia de graça, por causa dos nossos pecados. Mas precisamos ‘alimentar-nos’ constantemente da Palavra e da Eucaristia para que a graça cresça sempre mais em nós e produza os frutos necessários à nossa santificação e salvação.

Neste 3º Domingo de agosto celebramos e rezamos a Vida Religiosa Consagrada. São João Paulo II assim escreveu na Exortação Apostólica VITA CONSECRATA: “A vida consagrada, profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus — virgem, pobre e obediente — adquirem uma típica e permanente « visibilidade » no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus.” (N. 1).

Um dom do Pai para a Igreja manifestando ao mundo que Deus é amor, Pai e cuida de todos os seus filhos e filhas. Homens e mulheres que são chamados a viver mais intimamente unidos ao Senhor. Papa Francisco lembra que os religiosos e religiosas devem ser sinal visível de Deus com alegria. Onde estão os consagrados, aí há alegria. Alegria que brota de um encontro verdadeiro que nos preenche na totalidade. Alegria de ser amado, escolhido, consagrado. Alegria de poder se doar.

Cheios da graça de Deus, os consagrados são chamados a levar Jesus em seu coração a todas as pessoas, assim como fez Maria. Não podemos cair na tentação de levar a nós mesmos. Uma missão assim certamente fracassará. Nós devemos levar Jesus Cristo e manifestá-lo em tudo o que fazemos, somos, falamos.

Que Nossa Senhora ajude e ensine a Vida Religiosa Consagrada a levar sempre o seu amado Filho a todos.

Abençoado Domingo!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

9 de agosto de 2019

ORAÇÃO PARA PEDIR GRAÇAS AO SERVO DE DEUS IR. FRANCISCO PEREZ

Ó Deus Pai, amor infinito, nós vos louvamos e vos agradecemos pelas maravilhas que operastes no vosso servo Francisco Perez.

Agradecemos-vos pela sua caridade generosa, pela sua humildade, fé e espírito de oração; pelos dons da retidão e da sabedoria cristã dos quais deu testemunho luminoso no desempenho dos cargos públicos. Agradecemos-vos pela sua renúncia total aos bens terrenos e pelo exemplo com qual nos ensinou a amar e servir os pobres.

E nós vos pedimos, ó Pai, de glorificar sobre a terra este vosso servo, a fim de que, seguindo seu exemplo, os homens do nosso tempo se sintam animados a realizar em suas vidas as obras do Evangelho.

Atendei com bondade a nossa oração, concedendo-nos a graça que por sua intercessão encarecidamente vos pedimos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém!

Pai nosso....
Ave Maria....

8 de agosto de 2019

ONDE ESTÁ O TEU TESOURO AÍ ESTARÁ O TEU CORAÇÃO

Estimados irmãos e irmãs. Bom podermos chegar até você e saudá-lo desejando que as bênção de Deus continuem guiando teus passos. 

Estamos no mês vocacional. A Igreja nos interpela a intensificarmos nossa oração pelas Vocações. Deus continua chamando, porém, as vezes encontra corações fechados que não querem ouvir e responder. Isso parece cada vez mais comum. Distraídos não percebemos Deus chamando. Supervalorizando a subjetividade, não queremos acolher a proposta do Senhor. Seguimos sozinhos pensando que sabemos como caminhar.

Por outro lado, ainda existe muitos irmãos e irmãs que atentos a voz de Deus, respondem o chamado e fazem a sua vida doação. Estas pessoas são mais felizes. Aqui estão muitos sacerdotes, religiosos, leigos. Quantos doam-se totalmente por sua família rezando e sofrendo para que os seus estejam mais perto de Deus. São Evangelhos vivos na sociedade, no trabalho, na comunidade. Verdadeiros fermentos de transformação. Ainda temos esperança, pois existem muitas pessoas boas que no anonimato são uma pequena luz que apontam para Deus.

Neste 19º Domingo do Tempo Comum, somos chamados a olhar para o tesouro da nossa vida. Qual é o nosso tesouro? Diz Jesus que onde ele está, lá estará o nosso coração. Pois dedicamos nossos forças para mantê-lo presente; ocupamo-nos com ele.

Para nós cristãos o primeiro e maior tesouro é Jesus Cristo. Ele deve estar acima de qualquer coisa. Quando invertemos, colocando as pessoas ou os bens materiais em primeiro lugar vamos nos frustando e a nossa alegria se esvai.

Caso não consiga identificar qual é o tesouro que está em teu coração, convido a fazeres um exame de consciência e analisar onde está o foco dos teus pensamentos, sentimentos, projetos. Eles manifestam o que tem dentro do coração. Caso ainda o Senhor e os valores do Evangelho não são o maior tesouro, sempre é tempo de recomeçar.

Aproveito o final de semana do dia dos pais para falar um pouquinho sobre a família, tema tão importante e sempre atual. Partindo da Palavra de Deus, vamos começar nos perguntando: qual o tesouro da tua família?

Vivemos em um tempo onde as estruturas familiares estão sendo abaladas e a família toma novas configurações. Assim como muitos não querem responder ao chamado de Deus, também brincam com a família. Brincam com os sentimentos das pessoas e criam feridas que as vezes nunca cicatrizarão.

Cresce sempre mais o número de pessoas que não tem referenciais positivos dentro do lar. Adultos e até idosos querendo viver como adolescentes e crianças sendo obrigadas a viver como adultos. A dimensão afetiva parece ser o único critério. Fazem-se coisas absurdas em nome da diversão e falsa alegria sem medir consequências. Com isso aumenta o número de pessoas doentes, crescem os suicídios, depressão entre outras doenças e males.

O ciclo da vida requer de nós atitudes maduras. É triste ver senhores e senhoras querendo ser mocinhos e mocinhas. Vivem pior que adolescentes mendigando afeto talvez porque nunca receberam amor de verdade ou porque vivem apenas segundo a carne. Esquecem que tem filhos, netos, bisnetos, enfim, gerações que olham para suas atitudes e gostariam de tê-los como exemplos e modelo de vida. Em muitos casos as gerações sentem vergonha de dizer quem são seus avós.

O subjetivismos torna-se regra. Faço porque eu gosto, eu quero, eu me sinto bem. Um cristão jamais deveria pensar assim. Jesus nos ensinou que devemos servir. Fazer com que o outro se sinta bem. Este é um valor que precisa ser resgatado por todos. Já pensou se no casamento, por exemplo, a esposa fizesse tudo para que o marido se sentisse bem e vice versa? Seria bonito, agradável também aos olhos de Deus. Ambos seriam felizes. Enquanto continuarmos colocando o EU acima de tudo e de todos, teremos mais pessoas infelizes e continuaremos fazendo vítimas, pois o outro torna-se objeto de descarte.

Mesmo vendo crescer tudo isso, temos ainda famílias que vivem os valores do Evangelho. Por causa disso, inclusive são criticadas, apedrejadas. Convido a resistirem aos embates de satanás contra a família. Lutem! Não podemos desistir, abrir mão daquilo que é valor. Serão felizes, deixarão um legado importantíssimo para suas gerações e herdarão o céu. Valores não podem ser negociados.

Queridos pais! Amem seus filhos. Eles merecem e necessitam do vosso amor. Não permitam que eles precisem mendigar amor em outros lugares, pois lá não receberão o que precisam para serem pessoas boas. Façam com que o amor seja a regra maior na família. Cultivem a fé, perdão, diálogo, partilha, escuta, humildade, simplicidade. Não semeiem nos corações dos vossos filhos o ódio, medo, desespero, arrogância, ganância. Não entreguem vossos filhos aos inimigos de Deus.

Rezemos pela santificação das famílias!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

1 de agosto de 2019

ESFORÇAI-VOS POR ALCANÇAR AS COISAS DO ALTO

Estimados irmãos e irmãs. O amor de Deus esteja no coração de cada um de nós. Chegamos ao mês de agosto e com ele queremos refletir e rezar pelas Vocações. Instituído na 19ª Assembléia Geral da CNBB em 1981, o Mês Vocacional tem como objetivo conscientizar as comunidades da responsabilidade que elas compartilham no processo vocacional de todos os batizados. 

Neste 18º Domingo do Tempo Comum a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre o caminho que fazemos neste mundo rumo ao céu. Quais são as bases que nos sustentam? O que colocamos como alicerce para crescer na fé? Em síntese, o maior e principal questionamento a nos fazermos é: como tenho vivido meu batismo?

A Leitura do Livro do Eclesiastes (1,2;2,21-23) nos provoca desde as primeiras palavras: “Vaidade das vaidades! .... Tudo é vaidade”. Livro escrito no período entre 450 e 180 a.C., tem como autor o rei Salomão já idoso em que discute o sentido da vida e a melhor forma de viver. Aprendemos que muitas das coisas que fazemos na vida é por pura vaidade. Não acrescentam muito ao que somos. Não nos fazem crescer em sabedoria e santidade. As vezes queremos apenas fazer e ter para poder parecer melhor que os outros. Para Deus importa o coração que muitas vezes fica esquecido. Nada deveria nos tirar do caminho do Senhor. Aquilo que você faz te ajuda a estar mais perto de Deus?

Aí vem o puxão de orelhas que Jesus dá àquele que lhe dirige a palavra preocupado com o herança: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Evangelho Lc 12,13-21). Mesmo que nos ocupamos a maior parte do dia com o trabalho e ele é necessário para uma vida digna, este não pode ser fim em si mesmo. Tudo o que fazemos deve nos aproximar de Deus e nos fazer pessoas melhores.

Como podemos fazer isso? São Paulo ao escrever aos Colossenses (Cl 3,1-5.9-11) nos ajuda a entender onde deve estar o foco da nossa vida. Acompanhemos um trecho das suas palavras sábias: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.... Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador.”

Como batizados fomos inseridos na vida de Cristo, por isso temos o dever se buscar, mas não de qualquer jeito, com esforço e determinação, as coisas do céu e não as da terra. O discernimento encontramos na leitura e vivência diária da Palavra de Deus. É na Palavra e pela Palavra que sabemos por onde devemos andar e isso agrada ao Senhor. Quanto mais perto de Deus estamos, mais conseguimos superar nossas limitações e vencer as tentações que se nos apresentam pelos desejos, paixões, vontades, mentiras. Despojados do homem velho, porque o batismo nos renovou totalmente, revistamo-nos diariamente do próprio Cristo.

Neste 1º Domingo de Agosto gostaria também de refletir um pouquinho sobre o Vocação Sacerdotal. Sabendo que todos somos chamados por Deus a uma Vocação específica. Dentre as várias possibilidades, alguns são chamados a serem padres, a servir a Jesus Cristo na sua Igreja através desta Vocação e Ministério.

Papa Francisco nos lembra que “nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”. Ninguém é chamado para depois viver no isolamento. Toda Vocação é serviço, resposta, adesão, decisão. Deus chama a alguém concreto, como eu e você. Responder é ser grato a Ele pelo chamado feito.

“O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo”. Assim pensava São João Maria Vianney, patrono dos párocos. Ele viveu sua vocação na simplicidade, escondimento, mas com muito amor, dedicação, desprendimento, fervor. Transformou a sua vida e do povo porque compreendeu que só podemos guiar os outros no caminho da santidade se a desejarmos e colocarmos em prática na nossa vida.

Nosso fundador, São João Calábria também tinha um grande apresso pela vocação sacerdotal. Sentia a grande responsabilidade e desejou por toda a sua vida viver de acordo com o santo Evangelho. “O sacerdote é um outro Cristo; deve sempre viver como Jesus e de acordo com o Evangelho, todo para todos, para levar todos a Jesus". 


O Catecismo da Igreja Católica diz que Cristo é a origem de todo sacerdócio (1548). O sacerdote não age em nome próprio e por isso não pode fazer o que quer em seu ministério. Instruído pela Igreja, acompanhado pela graça de Deus que o assiste continuamente, o sacerdote deve em tudo manifestar Jesus Cristo. É impossível viver essa vocação (assim como as demais) sem confiar na misericórdia, no amor e na graça de Deus. Por nossas forças jamais conseguiremos responder a grandeza desta vocação. Por isso o sacerdote deve ser homem de oração. Só pode manifestar Jesus Cristo se está com Ele. Deve viver da Eucaristia e celebra-la com fé, amor, dignidade. 

Convido todos a rezarmos pela santificação dos sacerdotes. Quando vemos seus pecados, devemos rezar ainda mais e buscar ajudar. Triste quando vemos muitos denegrindo a figura do sacerdote. Cristo sofre e padece pelos pecados dos próprios sacerdotes e quando outros fieis maculam sua imagem. Ajudar os sacerdotes a viverem sua vocação e santificação é uma grande obra de caridade que devemos fazer.

Atrelado a tudo isso, alguns meios de comunicação ajudam a propagar as fraquezas e os pecados dos sacerdotes. Na verdade é uma investida de satanás contra o próprio Jesus Cristo. Como ele não pode nada contra Deus, procura se aproveitar das fraquezas dos seus filhos para desacreditar a fé, a Igreja e a religião. Infelizmente muitos católicos ajudam nisso ao acreditarem e propagarem tudo o que se mostra, sem saber se é verdade.

Quando um filho peca, o que a família faz? Toca ele pra fora de casa? Abandona ele? Acredito que não. Os pais buscam fazer tudo para restabelecer o filho. Assim deveria ser com os sacerdotes que são vencidos por suas fraquezas. Como família, como Igreja, como filhos de Deus e irmãos na fé, deveríamos estender as mãos para ajudá-los e jamais denegri-los. As comunidades cristãos sempre deveriam usar de amor para com os sacerdotes, especialmente nas suas fraquezas e necessidades.

Conheço muitos sacerdotes que vivem com dignidade sua vocação e ministério. Mas são esquecidos pelos seus fieis. Ninguém lembra do seu aniversário; pergunta pela sua saúde, etc. Pensam que os sacerdotes são super heróis que não precisam de um ombro amigo, de serem escutados, amados, valorizados. Queremos que eles sejam incansáveis e disponíveis para tudo e esquecemos de estender a mão para eles.

Neste dia do sacerdote, o que a tua comunidade fará para manifestar a alegria de tê-lo em seu meio? Lembre-se que se faltarem sacerdotes, não teremos mais os sacramentos, entre eles a Confissão e a Eucaristia. Ficarem fragilizados e o inimigo terá mais forças sobre nós.

Neste mês e todos os dias rezemos por santas vocações. Vivamos nossa vocação com amor pois ela é o caminho de felicidade que Deus desejou para cada um dos seus filhos e filhas.

Abençoado Domingo!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

25 de julho de 2019

SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR

Estimados irmãos e irmãs. A força do ressuscitado esteja em nossos corações animando-nos em nossa caminhada de fé, alicerçada na vida nova que nos vem de Cristo.

Neste 17º Domingo do Tempo Comum somos convidados e olhar para a nossa vida de oração e a importância da mesma. O Evangelho (Lc 11,1-13) inicia dizendo que Jesus estava rezando. Ao término “um dos seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar!”” Certamente o modo de rezar de Jesus despertou em seus discípulos o desejo pela oração.

Alguns questionamentos podem iluminar a nossa reflexão: O que é rezar? Por que rezar? Temos necessidade da oração? Qual o influência que a oração tem na nossa vida?

A definição mais usual diz que rezar é falar com Deus. É o meio que a alma tem de estar em sintonia com o criador. Rezamos porque a oração tem o poder de transformar o que humanamente não conseguimos. A oração cura as feridas do coração e da alma. A oração nos ajuda a estar mais perto de Deus. Pela oração conseguimos melhorar nossa identificação com o Senhor. Através da oração muitas pessoas são abençoadas e o mal perde forças. A oração transforma nosso coração e nos faz mais dóceis a ação do Espírito Santo. Com a oração vencemos nossas limitações, fraquezas, pecados. É pela oração que conseguiremos ter em nós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo (Cf Fl 2,5).

Aproveitando a ocasião Jesus ensinou a grande (dada sua importância) e belíssima oração do Pai nosso onde encontramos uma síntese da oração do cristão. Destacamos alguns dos elementos para nossa reflexão.

“Pai, santificado seja o teu nome”. Remete-nos ao primeiro mandamento da Lei de Deus: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Santificar é reconhecer o Senhor como Deus da nossa vida, da nossa existência e respeitá-lo como merece. O primeiro amor da nossa vida deve ser sempre com Ele.

Segundo pedido: “Venha o teu Reino!” Este é o grande pedido que devemos fazer todos os dias. O Reino de Deus, inaugurado por Jesus em nosso meio, deve ser pedido, edificado por nós diariamente em tudo o que fazemos. Quando buscamos o Reino de Deus, tudo o mais Ele nos dará em acréscimo, conforme sua promessa: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.” (Mt 6,33).

Terceiro pedido: “Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos”. Quanto temos a aprender. Jesus nos ensina a pedir o pão que precisamos e não para acumular. Enquanto a ganância vigorar neste mundo, muitos não terão nem o pão que necessitam. Deus dá pão para todos, porém alguns se apossam do que é dos outros.

Quarto pedido: “Perdoa-nos os nossos pecados”. O perdão nos torna humildes e nos aproxima sempre mais de Deus. A falta de perdão tem gerado muita dor, angústia, tristeza nas famílias, nas pessoas, na humanidade como um todo. Todos necessitamos do perdão de Deus e para tanto devemos dá-lo aos irmãos.

Último pedido: “Não nos deixes cair em tentação!” Diariamente somos tentados a abandonar o caminho de Deus. O inimigo não mede esforços para nos tirar do caminho do bem. Sofremos muitas tentações que podem ser vencidas com oração, jejum, penitência.

A oração tem um grande poder diante de Deus. Vemos isso bem claro na 1ª Leitura deste Domingo (Gn 18,20-32). Abraão pede a Deus por Sodoma e Gomorra e o Senhor não a destruiria se encontrasse aí justos, ou seja, pessoas que conhecem e vivem a Palavra de Deus. A presença do justo é garantia de bênçãos sobre todos. As pessoas boas que existem em nosso meio e que no silêncio vivem para Deus, atraem sobre todos nós graças e bênçãos. Elas são canais do amor e da misericórdia do Senhor. São um sinal a nos lembrar que devemos viver praticando o bem.

Com a liturgia deste final de semana fica bem claro que jamais devemos deixar de rezar. Ore todos os dias e verás o quanto Deus fará em ti, por ti e contigo. Quando rezamos, além de sermos abençoados, Deus manifesta muitas maravilhas através de nós. Tornamo-nos instrumentos do seu amor e da sua misericórdia.

Por sua vez, quando deixamos de rezar, vamos enfraquecendo e nos tornamos mais voláteis. As forças opostas ao amor de Deus podem nos dominar mais facilmente. Deixar de rezar é afastar-se da comunhão com Deus.

A oração, podemos assim dizer, é o "canal" da graça de Deus em nosso vida! A oração "oxigena" a alma.

Clamemos ao Senhor, assim como seus discípulos, para que Ele nos ensine a oração verdadeira, aquela que nos ajuda a sermos pessoas melhores.

Abençoada semana!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

21 de julho de 2019

IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO!

Você reza todos os dias pela tua Vocação, santificação, fidelidade a Deus? Tem orado pela tua família?

A oração tem o poder de transformar o que humanamente não conseguimos. A oração cura as feridas do coração e da alma. A oração nos ajuda a estar mais perto de Deus. Pela oração conseguimos melhorar nossa identificação com o Senhor. Através da oração muitas pessoas são abençoadas e o mal perde forças. A oração transforma nosso coração e nos faz mais dóceis a ação do Espírito Santo! Com a oração vencemos nossas limitações, fraquezas, pecados. É pela oração que conseguiremos ter em nós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo (Cf Fl 2,5).

Jamais deixe de rezar. Ore todos os dias e verás o quanto Deus fará em ti, por ti e contigo.

Quando deixamos de rezar, vamos enfraquecendo e nos tornamos mais voláteis. As forças opostas ao amor de Deus podem nos dominar mais facilmente! Deixar de rezar e afastar-se da comunhão com Deus.

A oração é o "canal" da graça de Deus em nosso vida!

A oração "oxigena" a alma.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

18 de julho de 2019

MARIA ESCOLHEU A MELHOR PARTE

Estimados irmãos e irmãs. Neste 16º Domingo do Tempo Comum, somos convidados e olhar para nossa casa, nosso lar, nossa família e sobretudo para o nosso coração. Filhos amados reunindo-se na Casa do Senhor para celebrar a fé. Lá Ele nos aguarda de braços abertos.

Jesus gosta de estar com seus amigos. Como é bom ter amigos, poder conversa com eles sobre a nossa vida, sonhos, realizações. Poder ser acolhido, compreendido, escutado quando as coisas não estão indo muito bem. Receber conselhos que nos ajudam viver melhor. Todos nós gostamos de estar com os amigos. Devemos ser bons amigos. Jesus era um excelente amigo e gostava de estar com eles.

Contemplemos a cena do Evangelho (Lc 10,38-42) deste Domingo. Olhemos para os personagens: Jesus, Marta e Maria. Marta acolhe Jesus em sua casa. Todos nós somos chamados a fazer o mesmo. Acolher Jesus em nosso coração, que é a casa por excelência onde Ele deseja habitar, mas também acolher em nosso lar. Reconhecer Jesus em cada pessoa que vive conosco, pois Ele está em cada um. As vezes fantasiamos demais a presença de Jesus pensando que está lá no céu, longe de nós. Ele é Deus, é glorioso, mas também é simples, humilde, se fez um de nós e continua sendo um em nós. É de suma importância reconhecer sua presença na Palavra; adorá-lo na Eucaristia, mas não podemos negligenciar sua presença nos irmãos e irmãs que nos cercam.

Porém, as vezes podemos fazer como Marta: somos indiferentes a sua presença em nosso meio. Marta o acolheu, mas não deu a devida importância. Continuou focada em seus afazeres. Repetimos isso quando não damos a devida atenção ao Senhor. Quando deixamos de rezar com a desculpa de não ter tempo. Aí vale a repreensão que o Senhor fez a ela: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

Precisamos cuidar da casa, da família, trabalhar para tirar nosso sustento, mas não podemos colocar essas coisas acima de Deus. Jesus não disse à Marta que ela estava errada ou que deveria deixar de trabalhar. Ele apenas alerta que deveria, antes de tudo, estar na sua presença. Não pode ser um estar desatento, mas com o desejo de escutar sua Palavra e aprender com o Mestre.

Já escutei pessoas dizerem que rezam enquanto trabalham. Tudo bem. Mas não podemos com isso deixar de ter momento de silêncio e íntima comunhão com Deus. Na agitação do dia a dia ou durante o trabalho, nosso foco não está em Deus, mas naquilo que fazemos. Então essa oração precisa ser complementada com momentos de quietude e contemplação.

Olhemos também para a atitude da irmã de Marta. São Lucas fez questão de frisar que “Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra”. Colocar-se aos pés e escutar! O discípulo jamais deve esquecer disso. Precisamos estar aos pés de Jesus e escutar atentos a sua palavra que nos forma e transforma. Esta Palavra, hoje transmitida pela Igreja, tem por meta, como diz São Paulo (2ª Leitura: Cl 1,24-28), tornar-nos perfeitos em nossa união com Cristo. É o Senhor que nos fala, forma, transforma, tornando-nos cada dia mais semelhantes a Ele. Para tanto, precisar escutar atentamente sua Palavra e deixar que ela produza frutos de vida em nosso coração.

Olhando também para nossa família, ainda reconhecemos Deus como Senhor da nossa casa? Damos tempo e espaço para rezar juntos? A oração deveria ser um dos compromissos comunitário que as famílias assumem. Rezando sempre, a família consegue viver bem sua vocação e missão. Quando deixamos o Senhor de lado, porque a televisão ou o celular tomam todo o tempo, estamos deixando de aprender coisas boas e de ser discípulos verdadeiros. A graça do Senhor é o elemento de verdadeira união da família cristã comprometida com a vida.

Peçamos aos Espírito Santo que nos faça discípulos que desejam ardentemente escutar todos os dias a Palavra de Deus. Ela, como dizia São João Calábria, é consecratória, sacramental, pois realiza o que diz. Isso vemos acontecer na vida daqueles que creem no que o Senhor fala e sabem esperar, como Abraão e Sara (1ª Leitura: Gn 18,1-10a). Abraão acolhe o Senhor, naqueles homens, e crê na promessa feita: “Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho” (Gn 18,10a). Você conhece e acredita na promessa de Deus?

Feliz aquele que escuta atento a Palavra do Senhor e a coloca em prática. No dizer e viver dos santos, é EVANGELHO VIVO.

Abençoado Domingo!
Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

17 de julho de 2019

A Vida Religiosa Consagrada se encontra na noite em que tudo está em absoluto silêncio, como esperando que ressoe a Palavra, capaz de fecundar, de conferir sentido e missão, de assinalar o rumo e dar alegria ao ser

Conferência proferida por Ir. Gloria Liliana Franco Echeverri, ODM, Presidente da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas - CLAR, na 25ª Assembleia Geral Eletiva da CRB, inspiradas no Horizonte da CLAR para o triênio 2018-2021. 
A AGE 2019 reuniu 400 Superiores e Superioras das Congregações Religiosas e coordenadores das Conferências Regionais dos Religiosos do Brasil, e teve lugar em Brasília, de 10 a 14 de julho. 
Eis a conferência.
Agradeço a Deus por esta possibilidade de estar na terra dos homens e das mulheres que, com o testemunho de sua vida, de seu profetismo, animaram nossa formação. Desejo fazer memoria especial de Dom Pedro Casaldáliga.
Tenho a sensação de que a Vida Religiosa Consagrada se encontra justamente neste momento da noite em que tudo está em absoluto silêncio, como esperando que ressoe a Palavra, capaz de fecundar, de conferir sentido e missão, de assinalar o rumo e dar alegria ao ser.
São João da Cruz escreveu, no século XVI, o poema “A noite escura da alma”, um dos mais significativos e sonoros da história universal.
Em 1889, Vicent Van Gogh encontrava-se recolhido no manicômio de Saint-Rémy, quando pintou a noite estrelada, uma das imagens mais conhecidas e valorizadas na cultura moderna.
São dois exemplos que nos revelam a fecundidade da noite.
A Vida Religiosa Consagrada, imersa na espessura da noite, pode expressar-se em toda sua beleza, sua plenitude e sua autenticidade. Hoje é mais frágil, menor, está mais ferida e limitada, tem menos trincheiras e seguranças e, portanto, está mais apta para pousar o coração no fundamental, para que, com humilde ousadia, possa recriar-se no Deus que faz novas todas as coisas.
O papa Francisco, consagrado por vocação e convicção, sabe bem que nosso momento é fecundo e que, nesta noite prolongada, somente a centralidade em Jesus Cristo devolverá à Vida Religiosa Consagrada sua identidade mística, profética e missionária.
O Papa tem falado à Vida Religiosa Consagrada com o calor do “amigo no Senhor”, com a bondade do Pastor, com a claridade do mestre. Suas palavras nos devolvem a origem e nos assinalam o norte. Ajudam-nos a manter a memória e nos tocam no profundo do coração para curá-lo e para nos enviar em condição de discípulos.
Suas palavras encarnam um itinerário que nos ressoa:

Ser valores do Reino:

Sejam testemunhas de um modo distinto de fazer, de atuar, de viver. Sejam valores do Reino, encarnados, homens e mulheres capazes de despertar o mundo e iluminar o futuro. O testemunho carismático deve ser realista e incluir também o fato de apresentar-se como testemunhas pecadoras. Reconhecer nossa debilidade e admitir que somos pecadores nos faz bem a todos. 
(82 A.G. 2013)
Faz alguns dias, escutei Carlos Eduardo Correa, o provincial dos jesuítas na Colômbia, dizer: “a maneira que Jesus tem de nos salvar, de nos levantar de nossa condição de pecadores, é nos convidar a trabalhar por seu Reino”.
No gênesis de nossa vocação está essa experiência profunda e vital que temos de um Deus que se aproxima de nossa realidade e que, conhecendo o que somos, nos chama além da geografia de nossa cotidianidade.
O olhar de Deus pousou amoroso sobre nossa condição humana, frágil, pecadora, e essa experiência pessoal de ter sido reconstruídos pelo amor misericordioso, constitui-se em um imperativo que nos lança pelas partes do Reino, conscientes de que nos envia o sussurro da voz de Deus, e nos compete “despertar o mundo”, animar essa vigilância ousada e serena de quem, em condição de sentinela, sabe-se corresponsável por seu entorno e chamado a contribuir para a transformação da história, avivando sua identidade profética e missionária.
Um modo distinto de ser, de atuar, de viver somente surge da arte da relação, somente se cultiva no encontro, somente se valida na profundidade de uma mensagem que consolida e configura nossa identidade. Daí a importância de rezar, de permitir que ressoe em nós a Palavra, de nos aproximar do mistério e contemplar os acontecimentos com olhar crente e esperançoso, de fazer do discernimento uma atitude vital.
Qualquer relacionamento que tenha seu fundamento no amor e seja enriquecido no encontro, faz a alegria crescer. Palavras do Papa:
Ser testemunhas da alegria. Que entre nós não vejam rostos tristes, pessoas descontentes, porque um seguimento triste é um triste seguimento... A vida consagrada não cresce quando organizamos belas campanhas vocacionais, mas quando os jovens que nos conhecem ... nos vêem felizes homens e mulheres. Nem sua eficácia apostólica depende da eficiência e poder de seus meios. É a nossa vida que deve falar, uma vida em que a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo é revelada ". (Testemunhas da Alegria C.A. 2014)

Ser especialistas em comunhão:

Um matiz específico de nossa consagração é a vivência comunitária. No carisma, que a cada um de nós foi concedido, há uma tendência ao que se constrói com outros, em complementaridade e corresponsabilidade, e isso exige abertura à diversidade, capacidade de juntar ritmos, de combinar línguas, culturas, sensibilidades e visões. Supõe um novo olhar contemplativo que nos possibilite descobrir o bem, a verdade e a beleza que habitam em cada ser humano. Pedro Casaldáliga o expressa simplesmente em um de seus poemas:
“O difícil outro,
O difícil eu,
O duro nós da comunhão”.
E o papa Francisco, seguramente, a partir de sua própria experiência, nos diz: “A vida de fraternidade pode ser muito difícil, porém é muito importante, é um testemunho. A falta de fraternidade impede o caminho. Se uma pessoa não consegue viver a fraternidade, não pode viver na vida religiosa”.

Às vezes, há uma tendência para um individualismo, que muitas vezes é uma fuga da fraternidade, e a vida de fraternidade, se é mal vivida, não ajuda a crescer.
Os conflitos comunitários são inevitáveis: existem e devem existir, e o conflito deve ser assumido, não deve ser ignorado… Há que aceitá-lo, fazê-lo próprio, acariciá-lo, sofrê-lo, superá-lo e seguir em frente. Ante o conflito com um Irmão, com uma Irmã, devemos rezar e pedir a graça da ternura (82 A.G. 2013).
Somente a ternura tem força para corrigir erros, para deixar cair aquilo que desgasta energia e tira alegria, para compreender e pôr-se a partir das entranhas no lugar do outro. Somente o exercício cotidiano da ternura nos fará mais humanos e refletirá com maior nitidez o rosto de Deus entre nós.
Em um mundo de polarizações e individualismos, a comunhão é o maior testemunho que podemos dar a nossos cidadãos. A utopia da fraternidade deve ser para nós horizonte de sentido.
Sois chamados a ser especialistas em comunhão. A comunhão se pratica antes de tudo nas respectivas comunidades do Instituto. A crítica, a fofoca, a inveja, os ciúmes, os antagonismos, não têm direito de viver em nossas casas. O caminho da caridade que se abre ante nós é quase infinito, pois trata-se de buscar a acolhida e a atenção recíproca, de praticar a comunhão de bens espirituais e materiais, a correção fraterna, o respeito para com os mais fracos… É a “mística de viver juntos” que faz de nossa vida uma “santa peregrinação”. Também devemos nos perguntar sobre a relação entre pessoas de diferentes culturas, tendo em conta que nossas comunidades se fazem cada vez mais interculturais (Testemunhas da Alegria C.A. 2014).
Este peregrinar em alegria estamos chamados a fazê-lo também intercongregacionalmente. Fazê-lo em um diálogo carismático que torna possível que, à riqueza da intuição de cada fundador, se adicionem outras sensibilidades que na diversidade de contextos geográficos e históricos também se tornaram dom para a Igreja e dom da Igreja para todos.
O testemunho da amizade entre religiosos de diversas congregações, os esforços partilhados por levar adiante projetos comuns, a busca incansável de respostas aos desafios do momento histórico é já evidencia de que Deus está entre nós para fazer-nos um. O horizonte é caminhar como irmãos e irmãs, em gratuidade, acolhendo nossas diferenças, potenciando o melhor de cada um, construindo um projeto comum, entoando a melodia da fraternidade.

Sair do ninho que nos contém:

O discípulo missionário, tão próprio da nossa identidade e tão recorrente nas reflexões da teologia atual, faz-se nas expressões do papa Francisco, o itinerário que corresponde hoje à vida consagrada: “A vida consagrada é profecia. Deus nos pede sair do ninho que nos contém e ser enviados às fronteiras do mundo, evitando a tentação de domesticá-las. A perspectiva do mundo é diferente se a vemos a partir do centro, e isto nos obriga a repensar continuamente nossa vida religiosa” (82 A.G. 2013).
Somos chamados a transpor fronteiras para contemplar com os olhos de Deus a realidade de cada povo e as situações em que urge uma mão estendida, um coração capaz de compaixão. Fomos convocados a nos lançar “mar adentro”, tendendo ao profundo, a navegar sem medo, a lançar com constância e radicalidade as redes até que a barca de nosso apostolado derrame fecundidade.
O Papa insiste convidando-nos a transcender toda carapaça que nos fecha em nós mesmos: “Não recue sobre si mesmo, não deixe que as pequenas lutas de casa o sufoquem, não caia prisioneiro de seus problemas… Encontrarás a vida dando a vida, a esperança dando esperança, o amor amando” (Testemunhas da Alegria C.A. 2014).
Abrir os olhos para detectar os lugares nos quais a vida continua sendo ameaçada de morte e ser portadores de uma palavra e um testemunho que permitam optar pela justiça, motivar o perdão, defender as vítimas, repartir com generosidade o pão e as possibilidades, expressar o amor com gestos de ternura.
Viver em estado de êxodo e de serviço, de itinerância e peregrinação. Fazer-nos eco da realidade, comprometer-nos, tomar posição e assegurar que todas nossas energias sejam investidas no trabalho pelo Reino, a partir dos valores e critérios do Evangelho. Não cair no engano da autorreferencialidade, do consumo, do individualismo e das teorias, dos modos e das posições que nos dividem, desintegram ou acomodam.
Nosso compromisso profético é urgente, porém também há pressa que abramos nosso coração aos mais pobres, para que sua voz, sua realidade ressoe e nos desafie, nos confronte, nos incomode, nos converta.
Devemos pronunciar palavras que devolvam aos mais fracos sua porção de esperança, de alegria e de dignidade. E oxalá permitamos que sua vida, a dos mais pobres, seja a palavra que Deus usa para nos convidar a viver com mais coerência e radicalidade nossa vocação de consagrados e consagradas.

Cuidar da formação integral:

O discipulado é dom e aprendizagem, graça e conquista. E o Papa sabe bem que nosso mundo se transforma vertiginosamente e que requer que sejamos especialistas em humanização, líderes credíveis na vivência da comunhão, competentes na arte de anunciar Jesus e sua Boa Nova: “A formação se baseia em quatro palavras fundamentais: formação espiritual, intelectual, comunitária e apostólica. O objetivo é formar religiosos que tenham um coração terno e não ácido como o vinagre” (82 A.G. 2013).
As palavras do Papa apontam que façamos do coração o sujeito da formação, e que todo esforço formativo seja integral e nos conduza ao “mais” da entrega e da missão. “Formar para ser testemunhas da ressurreição, dos valores do Evangelho, para que formem e guiem o povo. Não estamos buscando gestores, administradores, mas pais, irmãos, companheiros de caminho” (82 A.G. 2013).
A meta é a formação de TESTEMUNHAS, de homens e mulheres capazes de dar conta de seu amor, aptos para dar a vida no ordinário e para oferecê-la livremente no extraordinário.
Enriquecer a Igreja com nossos carismas:
O padre Elías Royón, S.J., em seu artigo 'A graça do ano da Vida Consagrada', assinala:

…a vida consagrada tem seu presente e seu futuro ancorado também na vida dos que nos precederam, que viveram com sonho e paixão o chamado do Senhor a servi-lo em uma situação e em um tempo concreto. De maneira especial, na memória daqueles homens e mulheres carismáticos a quem o Espírito agraciou com o dom de uma nova família religiosa, para responder a umas necessidades da Igreja e da sociedade de sua época.
A Teologia da Vida Consagrada tem perante si o desafio de escrutinar na fonte, na origem dos carismas fundacionais, para desentranhar o potencial de originalidade e validade que os habita e que os faz pertinentes e necessários em cada momento da história.
O carisma, que nos foi dado gratuitamente e em abundância, compromete-nos a mudar em coerência e autenticidade, a viver na verdade que liberta, a pronunciar palavras que estimulam e animam, a estar junto de quem busca justiça e paz, a comungar com os que creem e a partilhar com aqueles que lhes custa crer. O carisma que nos dá identidade alcança sua plenitude quando se encontra com outros carismas e juntos evidenciam o mais típico e original do Reino: a mesa comum, onde há lugar para todos, a mesa que nos faz Igreja, povo de Deus.

Assim contribui o Papa:

Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem somente com suas próprias forças, mas reconhecendo-se na verdade de uma comunhão que sempre se abre ao encontro, ao diálogo, à escuta, à ajuda mútua e nos preserva da doença da autorreferencialidade.
A vida consagrada está chamada a buscar uma sincera sinergia entre todas as vocações na Igreja, começando com os presbíteros e os leigos, assim como a fomentar a espiritualidade da comunhão, primeiro em seu interior e, depois, na própria comunidade eclesial e além de seus confins (Testemunhas da Alegria C.A.)

Confiar em quem nos conduz:

Constante é a noite e, nela, a certeza da esperança. Com beleza literária se expressa no livro As Mil e Uma Noites: “…somente permanece a esperança, a esperarei até que saia o sol”. Temos que ser como Moisés, que se manteve em pé,como se visse o invisível (Heb 11,27). Era também a experiência de Paulo: a noite vai passando, o dia logo vem…(Rm 13,12).
Deus não para de criar e recriar, também o faz na noite, e nessa convicção tem que ser forte a nossa esperança.
O carisma é criativo, busca sempre caminhos novos… A profecia consiste em reforçar o institucional, quer dizer, o carisma, na vida consagrada, e não confundir isto com a obra apostólica. O primeira fica, a segunda passa. O carisma fica porque é forte (82 A.G. 2013).

Não devemos ter medo de abandonar os “odres velhos”. Quer dizer, de renovar os costumes e as estruturas que, na vida da Igreja e, portanto, também na vida consagrada, reconhecemos que já não respondem ao que Deus nos pede hoje para estender seu Reino no mundo: as estruturas que nos dão falsa proteção e que condicionam o dinamismo da caridade; os costumes que nos separam do rebanho ao qual somos enviados e nos impedem de escutar o grito de quem espera a Boa Notícia de Jesus Cristo (A.P. CIVCSVA, 2014)
A esperança deve renascer e, com isso, novas respostas serão feitas, aquelas que nos permitem repensar-nos ao ritmo do Espírito e da graça.
É outra lógica, a do Espírito, a que nos leva sempre além do que somos capazes de calcular ou supor. A que nos situa no lugar do pequeno e nos faz valorizar o gratuito, celebrar a amizade e cuidar do comunitário. A que nos lança por caminhos desconhecidos e requer que nos atrevamos à confiança do Reino, da mão de Deus. É a lógica de quem confia.
FONTE: IHU

16 de julho de 2019

A VIDA NA DINÂMICA DA NATUREZA

FOTO: Hermes Novakoski
Sabemos que a natureza tem ciclos, estações. Ela nos ensina muitas coisas sobre a vida:

Que a vida é bela!

Que a vida é frágil e mesmo frágil, continua sendo bela.

Que mesmo sendo frágil, por ser bela é cheia de encantos.

Que a vida precisa ser respeitada em todos os seus ciclos naturais.

Que o novo, o velho, a semente e o fruto, todos são importantes; um depende do outro. Não existe fruto sem semente; não existe o futuro sem o presente.

Que a vida passa por inverno e verão; tempo de produzir e tempo de refletir.


FOTO: Hermes Novakoski
Que as vezes precisamos nos despir de tudo o que já não faz sentido e nos atrapalha; assim como ela deixa cair as folhas secas para brotarem folhas novas.

O que sustenta ela são as raízes profundas. Quanto maior a árvore, mais profundas tem que ser as raízes. Somente cresce na vida quem busca se aprofundar neste grande mistério e nas ciências como dom de Deus para nos ensinar.

Suportar o vento, o frio do inverno, o calor escaldante do sol a torna forte e adaptável. Os sofrimentos que passamos nos fortalecem e nos preparam para dar um salto maior na vida. Não reclame diante dos obstáculos. Faça deles uma oportunidade de recomeçar. Se errou é porque não era pra ser assim. Faça diferente e aprenda com os próprios erros!

E viva com amor e alegria o espetáculo da vida! Na alegria manifestamos nossa gratidão a Deus por nos ter dado a chance de viver.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

11 de julho de 2019

O QUE DEVO FAZER PARA RECEBER EM HERANÇA A VIDA ETERNA?

Estimados irmãos e irmãs. Graça e paz vos sejam dados abundantemente! Estamos no 15º Domingo do Tempo Comum e o Senhor continua nos instruindo com a sua Palavra no caminho para a vida.

Toda pessoa sabe que não está neste mundo para sempre. Temos um início e um fim. Neste intervalo de tempo, que para cada um é diferente, temos a possibilidade de fazer muitas coisas, sejam elas boas ou más. Depende das nossas escolhas.

Alguns pensam e acreditam que tudo inicia e termina por aqui mesmo. Não existe vida depois deste tempo. Para nós, baseados em nossa fé em Jesus Cristo, acreditamos que depois deste tempo, temos duas possibilidades: céu ou inferno; vida ou condenação eterna.

Assim como o mestre da Lei (Evangelho deste Domingo Lc 10,25-37), nós também queremos a vida eterna. Por isso ele dirige a pergunta a Jesus: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Sabendo que ele era um conhecedor da Lei, Jesus devolve a pergunta: “O que está escrito na Lei? Como lês?”. Ao que ele responde, mostrando de fato que conhecia a Lei: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!”

Vamos iniciar nossa reflexão sobre estas duas primeiras perguntas de Jesus: “O que está escrito na Lei? Como lês?”. Elas são fundamentais para saber o que o mestre da Lei pensava e compreendia sobre o que ele queria: a vida eterna. Como nós lemos a Palavra de Deus? Compreendemos de fato o que ela nos diz? Existem muitos modos de ler a escritura. Podemos ler buscando compreender o que de fato ela nos quer ensinar; podemos usá-la para benefício próprio, justificando nossas escolhas, as vezes erradas; podemos ainda fazer uso dela para manipular pessoas. Estes questionamentos de Jesus servem muito bem para nós hoje. Como lemos e compreendemos a mensagem do Evangelho? Isso determinará nossas ações, bem como a forma como vemos a realidade e interpretamos os acontecimentos.

Sabemos que não basta conhecer a Palavra de Deus, decorar versículos ou capítulos bíblicos. É preciso viver. Jesus respondeu ao mestre da Lei: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. Não basta dizer que se ama a Deus e não amar o irmão. Ou amar a Deus e apenas a si próprio. É preciso amar a Deus como primazia da fé e ao próximo como compromisso concreto assumido a partir da experiência de ser amado por Deus. Não é por nada que tem um ditado que diz: “As palavras comovem, mas os exemplos arrastam”. Isso sempre foi verdade. Jesus fez isso; os santos também o fizeram. Não basta falar que o amor de Deus é isso, aquilo, etc. É preciso expressá-lo na dia a dia, na relação com as pessoas. Quanto mais próximos do amor de Deus estamos, mais conseguimos amar as pessoas que são próximas a nós.

Porém, quem é o nosso próximo? Esta foi a dúvida do mestre da Lei e pode ser nossa. Propositalmente estamos repetindo o termo ‘próximo’.

Próximo não são apenas nossos familiares, amigos, parentes, vizinhos de apartamento ou casa. Na lógica cristã, próximo são aqueles dos quais eu me aproximo com a intenção de ajudar, de expressar o meu amor. Então são todos aqueles que encontro pelo caminho. Não podemos fazer como o sacerdote e o levita que viram o homem caído pelo caminho, mas não deram o passo seguinte: aproximar-se dele para ajudar.

Queridos irmãos e irmãs. Hoje vivemos no mundo das imagens. Segundo pesquisas mais de 1,2 bilhão de fotos são postadas no Google todo dia. Nas redes sociais mais de 500 milhões de fotos são compartilhadas diariamente. Números gigantescos mostrando como a imagem fala por si mesma. Somos bombardeados de imagens e não conseguimos, na maioria das vezes, olhar como deveríamos.

Como vemos na Parábola deste Domingo, não basta ver. Muitos veem, mas poucos enxergam. Há uma diferença. Ver, vemos muitas coisas. Enxergar é deixar-se envolver pela imagem, contemplar e interpretar. O levita e o sacerdote veem o homem caído. Para eles foi mais um. O samaritano consegue ir além. Ele enxerga a dor que aquela pessoa estava sofrendo e por isso sente compaixão por ela e esquece de si, por um momento, para fazer-se próximo e ajudar.

Quando vemos as pessoas sofridas, conseguimos enxergar o sofrimento pelo qual elas estão passando? Somos tocados, sensibilizados por isso? Ou a miséria, a violência, a opressão, o descarte da vida virou uma paisagem de sensacionalismo?

Conseguimos enxergar a dor das pessoas que estão a nossa volta? Talvez a esposa, o esposo, o filho, o irmão, o pai, o amigo... Somos próximos daqueles com os quais vivemos? Conseguimos enxergar suas tristezas, alegrias, necessidades, feridas, angústias ou somos indiferentes a tudo isso?

As vezes dizemos que as pessoas nos surpreendem. Isso deve-se pelo fato de não sermos próximas delas. Podemos estar juntos em uma casa, em um ambiente de trabalho, mas podemos não nos fazer próximos. Não queremos saber daquilo que o outro está vivenciando, não queremos nos comprometer.

Em um tempo de imagens, estamos demasiadamente preocupados com a nossa autoimagem a ponto de esquecer ou de não enxergar os rostos sofridos daqueles que estão a nossa volta. Queremos parecer bonitinhos aos olhos dos outros, por vezes escondendo muita dor e sofrimento. Imagens quebradas, rostos feridos, corações despedaçados. Mas isso não importa. Importante é aparecer bonito pro selfie, pra foto. É preciso aprender a enxergar o coração das pessoas. Só assim conseguiremos nos tornar próximos uns dos outros.

Que é o meu próximo? De quem você se faz próximo? Muitos esperam um próximo que os ajude a se reerguer e seguir em frente. Fazer-se próximo é viver concretamente a fé. Serve-nos mais uma vez a exortação de Jesus: “Faze isso e viverás!” A vida eterna foi garantida a todos por Jesus, mas precisa ser merecida.

Que o Senhor nos ajude e nos ensine a sermos próximos!

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

8 de julho de 2019

Estudo de Harvard revela os benefícios levar os filhos à Igreja

Uma educação religiosa está diretamente ligada a resultados positivos em jovens adultos

Educar os filhos na fé traz não só benefícios espirituais. Um estudo recente de Harvard revela que as crianças se beneficiam também física e mentalmente da formação religiosa.

O estudo, divulgado em 2018 pela Harvard T. H. Chan School of Public Health, descobriu que crianças que participavam da missa semanalmente ou tinham uma vida de oração ativa eram mais positivas e tinham maior satisfação com a vida quando atingiam seus vinte anos. Esses jovens adultos tinham uma tendência a escolher um estilo de vida mais saudável – evitando beber, fumar, usar drogas e a promiscuidade sexual.

Usando uma amostra de 5.000 crianças durante um período de 8-14 anos, o estudo trouxe revelações impressionantes: pelo menos 18% dos frequentadores regulares da igreja relataram níveis mais altos de felicidade em seus vinte anos do que seus colegas não religiosos. E, mais importante, 29% tendiam a se unir a causas comunitárias e 33% se afastavam de drogas ilícitas.

Um dos autores do estudo, Ying Chen, reconheceu que a formação religiosa das crianças no contexto familiar e da igreja “pode afetar poderosamente sua saúde física, saúde mental, felicidade e bem-estar geral”.

Este não é o primeiro estudo a demonstrar as vantagens de uma educação religiosa. Segundo a diretora do Centro DeVos para Religião e Sociedade Civil da Fundação Heritage, Emilie Kao, “as crenças religiosas dão às pessoas forças espirituais que levam a hábitos saudáveis, constroem suas redes sociais e lhes dão a capacidade de superar obstáculos em suas vidas”.

O estudo pode ajudar a servir como motivação para os pais.

Por Cerith Gardiner | Jun 17, 2019 - Disponível em ALETEIA

CULTIVAR A FÉ

Jesus elogia a fé a mulher que sofria de hemorragia que acreditava ficar curada só em tocar no seu manto: "Coragem filha! A tua fé te salvou" (Mt 9,22). Mas o que é a fé? Todos tem fé? Por que a fé nos acompanha?

"Fé (do Latim fide) é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade[2] sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão" (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fé).

"A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê" (Carta aos Hebreus (11,1).

A fé é algo intrínseco em nós. Ou seja, faz parte da constituição do nosso ser como pessoa. Ela nos sustenta, por exemplo, na crença de um mundo melhor. Está atrelada a nossa dimensão espiritual, onde me relaciono com alguém superior a mim, mas que a fé me faz sentir que existe, mesmo que não o veja como tal.

Todas as pessoas tem fé em alguma coisa. Ainda que seja em um simples amuleto ao qual damos um poder que ele não tem.

A fé, na dimensão religiosa cristã, precisa ser cultivada todos os dias. É um dom de Deus que nos leva a desejar e procurar o bem em tudo o que fazemos e para nós mesmos. A fé nos sustenta na luta e nos faz entender que aquilo que Deus nos reserva, podemos não acalçar agora, mas na eternidade. Não pode ser vista como ato de ignorância ou de consolação. Ela vai além de tudo isso, pois nos faz ver o que a razão não consegue explicar e compreender.

A fé como fundamento da esperança alimenta em nós o desejo de um mundo melhor. Motiva nossa luta pelos filhos e por aqueles que continuarão depois de nós desejando que eles sejam melhores e construam um mundo cada dia mais de acordo com o Reino.

Alimente todos os dias a sua fé com coisas saudáveis: Palavra de Deus, leituras de livros de santos! Sempre que possível a Confissão, Direção Espiritual, Comunhão. Não coloque dentro do teu coração coisas que irão denegrir a tua fé.

A fé não é para fracos, mas para aqueles que desejam e se comprometem com um mundo melhor.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP

7 de julho de 2019

OS LOBOS DOS NOSSOS TEMPOS

No Evangelho de São Lucas Jesus disse: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos" (10,3).

Quem são os lobos que perseguem os simples, os pequenos, os pobres, a Igreja?

São muitos! Muitos mesmos. E eles não tem misericórdia. Aliás nem sabem o que é isso. São lobos insaciáveis. Alimentam-se do sofrimento, da dor dos outros.

Esse é o sistema político e econômico vigente, onde o pobre, o trabalhador, o enfermo são explorados, humilhados, deixados de lado.

Não vamos nos iludir pensando que as políticas são feitas em benefícios da grande maioria. Não! Tudo gira em torno daqueles que detém a maior parte dos bens e lucros do mercado. O dinheiro determina as leis e os projetos. Compra decisões e pessoas (não a salvação). Para estes, os funcionários são mão de obra necessária para gerar mais lucros. Pagam salários baixos, para subsistência das pessoas e depois vem o governo o golpeia o pouco que se ganha com altas taxas de impostos.

Ainda tem aqueles que oferecem bolsas de auxílio como uma forma de classificar, de taxar, separar pobres dos ricos. Uma migalha para calar a boca das pessoas. Uma forma de iludir que estão ajudando.

Os lobos estão mais vivos do nunca. Destruindo a Amazônia e ainda mandar colocar notícias que o desmatamento está fora de controle ou no controle. Justificam que é difícil monitorar por causa da dimensão da floresta. Mentira! Não querem acabar com aqueles que a destroem porque são favorecidos por eles. Não pensam nas futuras gerações que nos amaldiçoaram por isso.

Os lobos continuam comandando o crime e o tráfico de dentro dos presídios. Como pode? Por que não colocam bloqueador de celular em todos os presídios? Aliás, deveriam fazer com que eles trabalhassem e vivessem do que produzissem. Mas não pode acabar com isso porque tem muitos que se beneficiam. É uma "economia" de sangue que movimenta dinheiro, armas, drogas. Alguém ganha com isso.

Os lobos continuam na política recebendo salários gordos e infinitos auxílios. Salário não bastaria? Aí querem mexer no que ganha o trabalhador simples que luta por horas e ganha migalhas.

Lobos da fé que se aproveitam das situações de fraqueza dos filhos de Deus e roubam-lhe tudo, inclusive a esperança. Amarram de tal forma as ovelhas que elas se sentem fragilizadas e temem sair por ameaças de pararem no inferno. Entregam tudo para alimentar a ostentação daqueles que deveriam ser verdadeiros pastores.

Enfim, lobos e lobos. Por todo lado eles estão e perseguem incansavelmente os cordeiros que se sentem acuados e com medo.

A justiça dos homens faz preferência, pode ser negociada, favorecida. Mas a justiça de Deus não. Diante dela todos teremos que comparecer. Não depende da nossa escolha ou crença. Pois Deus não depende de nós para existir. Este é o fim de todos. E lá não adiantará dinheiro, advogados, poder. Do pó viemos e ao pó voltaremos.

Pe. Hermes José Novakoski, PSDP